CRÍTICAS, ANÁLISES, IDÉIAS E FILOSOFIAS EM GERAL A RESPEITO DE FILMES DE HORROR DE TODAS AS ÉPOCAS, NACIONALIDADES E ESTILOS, E MUITAS OUTRAS COISAS RELACIONADAS AO GÊNERO

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quinta-feira, 3 de junho de 2010

Dr. Pyckle and Mr. Pride (1925)


   Deliciosa paródia de O Médico e o Monstro com Stan Laurel em seus momentos mais hilariantes. As traquinagens Mr. Pride, assoprando uma língua-de-sogra e lambendo desafiadoramente uma bola de sorvete, são exemplos perfeitos da genialidade nonsense do cinema mudo. A cena da transformação, uma pantomima com todos os exageros possíveis, é uma paródia da versão séria estrelada por John Barrymore cinco anos antes. Um verdadeiro tesouro fílmico! Clique aqui para baixar esse filme em versão DivX.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Motion Picture Comics: When Worlds Collide (1952)

   Não é de hoje que o cinema tem procurado maneiras criativas de destruir o mundo. O cinema apocalíptico existe pelo menos desde a década de 1950, quando os filmes de ficção científica invadiram as telas sem pedir licença. Uma das realizações mais espetaculares deste período foi When Worlds Collide, produção de George Pal com direção de Rudolph Maté, lançada em agosto de 1951 e exibida no Brasil com o eloquente título O Fim do Mundo. O filme, no geral, tem um clima leve, de diversão descompromissada, tendo como principal vedete os espetaculares efeitos visuais, premiado com o Oscar da categoria na ocasião.


   Esta adaptação em quadrinhos da história do filme foi editada em maio de 1952, no número 110 da revista Motion Picture Comics. Curiosamente, a HQ recria a trama de maneira bastante liberal em termos visuais, sem se preocupar em reproduzir os ângulos e enquadramentos do longa-metragem, mas segue o roteiro fielmente. A refilmagem de When Worlds Collide, com direção do indefectível Stephen Sommers, está em fase de pré-produção pela DreamWorks, programada para chegar às telas em 2012 - ano em que, para todos os efeitos, o mundo vai acabar de qualquer maneira, então não faz muita diferença.

domingo, 2 de maio de 2010

Climax!: Dr. Jekyll and Mr. Hyde (1955)


   Um brutal contraste com a postagem que fiz há algumas semanas sobre a versão perdida no tempo de O Retrato de Dorian Gray na TV Tupi: eis aqui uma adaptação para a TV do clássico O Médico e o Monstro, transmitida em 28 de julho de 1955, na primeira temporada do programa Climax!, uma antologia de histórias de mistério, horror e suspense. Essa raridade é do tempo da televisão ao vivo, quando as dramatizações eram encenadas em tempo real no estúdio de TV, como se fosse um teatro à distância. O episódio está completíssimo, com as inserções comerciais e as vinhetas do canal, para que a experiência de viagem no tempo e espaço seja plena. Resgates de coisas assim só fazem aflorar nosso complexo de vira-lata terceiro-mundista, quando temos que reconhecer que estamos muito distante de tratar nosso passado com um mínimo de interesse e carinho. E isso não se refere apenas à memória da televisão: basta lembrar do quase nada que restou de nosso cinema mudo.
   A adaptação da novela de Robert Louis Stevenson é assinada pelo escritor e dramaturgo Gore Vidal, num de seus primeiros trabalhos para a televisão. Vidal ficou famoso no cinema por não ter sido creditado como um dos roteiristas do épico bíblico Ben-Hur (1959) e por ter exigido que seu nome fosse retirado dos créditos da extravagância pornô Calígula (1979). Michael Rennie (o único e verdadeiro Klaatu de O Dia em Que a Terra Parou) assume de maneira competente o papel duplo do genial, porém inconsequente, doutor Jekyll e de seu alter ego maligno, o selvagem Hyde. Rennie se juntou a uma galeria de grandes nomes que viveram Jekyll e Hyde nas telas, incluindo John Barrymore, Fredric March e Spencer Tracy. Antes dele, Ralph Bell e Basil Rathbone também interpretaram o esquizofrênico cientista na telinha, que mais tarde seria encarnado por Kirk Douglas e tantos outros.
   A californiana Mary Sinclair, rosto familiar em dramatizações de clássicos para a TV (O Morro dos Ventos Uivantes, A Letra Escarlate, Mulherzinhas), faz o papel da mocinha ameaçada pelo vicioso Hyde. O elenco do episódio conta também com a aristocrática presença de Sir Cedric Hardwicke, veterano e versátil ator inglês que um ano antes retratou um Diabo elegante no modesto melodrama noir Bait, dirigido por Hugo Haas como veículo para Cleo Moore, femme fatale de segunda classe então no auge de sua breve carreira.
   Este é um dos poucos episódios de Climax! em domínio público atualmente disponível no mercado de vídeo, mas é bem provável que o resto da série acabe surgindo num lançamento oficial em DVD a qualquer momento.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Spider Baby; or, The Maddest Story Ever Told (1964)

   Na crítica de Frightmare (1974), de Pete Walker, comento que o filme é uma espécie de elo-perdido entre Spider Baby e The Texas Chain Saw Massacre. Este último tenho certeza que todos vocês conhecem de cor. Sobre essa pequena obra-prima do cinema independente chamada Spider Baby, compilei trechos de várias críticas para formar esse ‘texto-frankenstein’ àqueles que ainda não o assistiram. Para baixar o filme direto, basta clicar aqui. Para assisti-lo sem sair do blog, acesse pelo Internet Explorer e clique no botão play na imagem abaixo.


   Existem bons filmes ruins e maus filmes ruins e existe Spider Baby: um filme ruim tão bizarro e tão fascinante que merece uma classificação própria. [1] Lon Chaney Jr. é membro de uma família de adultos dementes que se tornaram canibais devido a endogamia. [2] Enraizado na tradição da piada doentia transferida para o celulóide de Little Shop of Horrors e A Bucket of Blood, de Roger Corman, Spider Baby foi escrito e dirigido por Jack Hill, ex-colaborador de Corman. Abordando temas difíceis como retardamento mental, canibalismo e valores familiares destruídos, o filme se desenrola como uma combinação de Krafft-Ebing / William Castle numa variação da então popular série de TV The Addams Family. [3] Não é tão inapto tecnicamente quanto Plan 9 from Outer Space ou tedioso como House of the Black Death, mas definitivamente é da mesma classe de pobreza, com diálogos estapafúrdios e situações ridículas; Lon inclusive interpreta a canção tema em ritmo de rock! [1] A baixa qualidade de produção, frequentes confusões de iluminação trocando o dia pela noite, atuações erráticas e o roteiro irregular denunciam o orçamento irrisório e o curto cronograma de filmagem. Ainda assim, o que o filme deixa a desejar em aspectos técnicos, compensa plenamente com sua esquisitice sem compromissos. [3] Tem uma ótima cena à mesa de jantar e diálogos malucos que o fazem funcionar tanto no aspecto chocante quanto como sátira. Um dos melhores papéis de Chaney em filmes de baixo orçamento, com o diretor Jack Hill mantendo pleno equilíbrio apesar da natureza desvairada do roteiro. [4]

[1]  James O’Neill, Terror on Tape
[2]  Michael Weldon, The Psychotronic Encyclopedia of Film
[3]  Joe Kane, The Phantom of the Movies’ Videoscope
[4]  John Stanley, Creature Features Movie Guide Strikes Again

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Mulher Objeto (1981)


   Dirigido por Sílvio de Abreu em 1981, antes de ele se tornar um noveleiro de mão cheia, Mulher Objeto é um drama de suspense que reforça o conceito de que o cinema popular brasileiro exige urgente revisão, em especial o subgênero conhecido como pornochanchada, que na cabeça da maioria das pessoas ainda é sinônimo de comédia erótica apelativa.
   Enfileirando referências que passam por obras hitchcockianas como Marnie, Psicose e Os Pássaros, o filme é protagonizado por Helena Ramos - num impressionante tour-de-force - no papel de uma bela porém problemática mulher, traumatizada na infância, que não consegue fazer sexo com o marido (Nuno Leal Maia), mas fica excitada a todo momento, nas situações mais banais, atormentada por pesadelos eróticos nos quais é possuída por outros homens.
   Mais um filme para engordar a lista de obras nacionais que flertam com o horror psicológico, é um tanto longo demais, com duras horas de duração, porém destaca algumas sequências de flashback bem encenadas e um teor erótico bastante ousado. No vídeo acima, Ivan Cardoso recomenda o filme com sua indefectível empolgação.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Season of the Witch (1972)

   Possivelmente o pior filme dirigido por George A. Romero, este Season of the Witch foi sua segunda investida no horror, depois da frustrante tentativa de se fazer cinema mais ‘sério’ com There’s Always Vanilla. O filme de estréia do diretor, claro, é Night of the Living Dead. Originalmente intitulado Hungry Wives e depois Jack’s Wife e relançado dez anos depois com o nome Season of the Witch, o longa - e bota longa nisso: o filme completo tem 130 minutos, reduzidos para ainda penosos 105 na versão em DVD - é um equívoco em quase todos os níveis, mas ainda dá para tentar ver algum aspecto positivo no filme.
   Um desses méritos talvez fosse o fato de se tratar de um filme adulto com mulheres de meia idade discutindo suas vidas sexuais. Mas quando constatamos o quanto essas mulheres são desagradáveis (o elenco todo é formado por amadores desprovidos de qualquer talento dramático) e que os diálogos parecem improvisados e sem a mínima inspiração, logo isso se torna outra das fraquezas do filme. O calcanhar-de-aquiles de Romero parece mesmo ser a direção de atores: cada um faz o que bem entende em cena, e quando não há diálogos, a expressão dos personagens fica entre a cara de pateta e a completa ausência de emoção.
   A esposa de Jack é uma mulher de meia-idade desgostosa com o marido grosseirão e à beira da depressão por não poder saciar o seu desejo sexual ainda ardente. Nas reuniões com outras mulheres de sua faixa etária, ela se sente deslocada e sem graça, até que descobre o maravilhoso mundo da bruxaria. Ela se arrisca a comprar umas quinquilharias numa lojinha especializada no tema - durante esta cena toca a canção “Season of the Witch”, de Donovan, o que explica o título pelo qual esse filme ficou mais conhecido - e começa a fazer uns feitiços caseiros. O primeiro deles é para atrair até sua casa um rapaz que estava saindo com sua filha. O garotão chega e eles fazem sexo selvagem e suarento.


   Tivesse sido realizado com mais empenho e talento, certamente seria um bom filme e hoje seria lembrado por sua relevante posição feminista. Há inclusive quem enxergue nuances bergmanianas na obra. O tema da mulher frustrada sexualmente que tem pesadelos com um homem violento invadindo sua casa certamente tem potencial dramático e interessantes implicações freudianas. Entretanto, num balanço geral, o filme não é mais do que enfadonho, arrastado. A cena da maconha parece durar para sempre e as discussões entre mãe e filha não se justificam. Os únicos momentos realmente inspirados são os pesadelos da mulher atacada pelo homem mascarado. Nestas cenas, a banalidade dá lugar a tomadas com iluminação marcada por fortes contrastes de claro e escuro e montagem dinâmica, com ângulos inventivos que remetem obrigatoriamente a Night of the Living Dead.
   Romero a seguir dirigiu o irregular The Crazies e seguiu com os dois pés fincados bem fundo no horror. Mesmo contrariado, virou um cineasta filiado ao gênero e, finalmente, resignou-se à condição de pai dos zumbis quando decidiu dar continuidade à saga dos mortos-vivos, a qual até o momento conta com os capítulos Dawn, Day, Land, Diary e Survival. São os aficionados por essas obras que têm interesse em olhar para o passado para conhecer o que mais o cineasta tem a oferecer; às vezes se deparando com decepções como esta.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Mystery! (1984-1988)


   O programa Mystery!, exibido no canal PBS - espécie de TV Educativa dos ianques - foi criado em 1980 para levar ao espectador estadunidense histórias de crime, mistério e suspense importadas da televisão britânica, incluindo contos clássicos de detetive adaptados da obra de Agatha Christie e Arthur Conan Doyle. Isso seria mais do que o suficiente para que a série fosse um grande sucesso, porém muitos outros detalhes a transformaram num autêntico clássico da telinha.
   Os créditos de abertura foram criados por ninguém menos do que o ilustrador Edward Gorey, célebre por seus desenhos mórbidos e macabros, mas ao mesmo tempo charmosos, engraçados e encantadores. Quem acha Tim Burton ‘gênio’ ou mesmo original com seu horror liberado para menores precisa conhecer melhor a obra de Gorey. Quem se interessar em saber mais sobre ele, tem uma ótima entrevista com o ilustrador - já falecido - no site da PBS, na qual Gorey rejeita sua relação com o horror, comparado ao cartunista Charles Addams ou mesmo com Stephen King. Derek Lamb, o animador responsável pela abertura do programa, conta sua relação com Gorey neste ótimo depoimento, no qual revela os bastidores da criação.
   Durante algumas temporadas, Mystery! exibiu episódios das séries protagonziadas pelo britânico Jeremy Brett como o detetive Sherlock Holmes, produzidas pela TV inglesa Granada. Brett é considerado por muita gente como o melhor intérprete do personagem criado por Conan Doyle, e estas adaptações das histórias originais do escritor estão entre as mais fiéis já realizadas (não tenho certeza se essas séries chegaram à TV brasileira, mas algumas histórias foram lançadas em VHS por aqui). A primeira série foi The Adventures of Sherlock Holmes (1984-1985), com 13 episódios, seguida por The Return of Sherlock Holmes (1986-1988), com 11 episódios, e ainda os longas The Sign of Four (1987) e The Hound of the Baskervilles (1988). Todas foram exibidas no programa Mystery! Brett seguiu interpretando o famoso detetive em séries curtas (The Case-Book of Sherlock Holmes e The Memoirs of Sherlock Holmes) até sua prematura morte em 1995, vitimado por um ataque cardíaco.
   O anfitrião responsável por introduzir estes episódios na antologia da PBS não poderia ser mais adequado: o veterano Vincent Price, ainda carismático e fascinante mesmo septuagenário, mantendo sua postura aristocrática dos áureos tempos. Selecionei nesta postagem as aberturas de todos os episódios apresentados por Price, uma valiosa coleção para quem cultua este ícone do horror. Nas temporadas seguintes do programa, Price foi sucedido pela maravilhosa Diana Rigg, que assumiu o posto de anfitriã.
   A combinação precisa entre a graça de Gorey, a imponência de Price, a dignidade de Brett e o brilhantismo de Conan Doyle, reunidos num único programa, é um daqueles momentos em que acreditamos que, sim, às vezes as coisas podem ser perfeitas.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Frankenstein (1910)


   Cem anos atrás, precisamente no dia 18 de março de 1910, a companhia produtora de Thomas A. Edison apresentava sua assombrosa versão cinematográfica do clássico Frankenstein, livro escrito por Mary Shelley quase um século antes. O filme é histórico por ter sido uma das primeiras importantes investidas do cinema estadunidense no gênero, e mesmo que seja marcado por situações melodramáticas características do cinema mudo, com muita pantomima e algumas soluções ingênuas, é bem mais interessante do que muitos estudiosos de cinema fizeram parecer ao longo de algumas décadas. O fato é que o filme permaneceu obscuro por muito tempo, chegando a ser dado como perdido, reaparecendo em sua versão integral somente neste século. Vale muito a pena ver essa obra seminal - tem apenas 12 minutos de duração - e também baixar a versão do filme no formato MP4 para enriquecer sua filmoteca.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

O Terceiro Tiro (1955)

Homenagem a John Forsythe (1918-2010).


   A antológica entrada em cena de John Forsythe, cantando “Flaggin’ the Train to Tuscaloosa”, de Raymond Scott, na comédia macabra dirigida por Alfred Hitchcock, que discute sexo e morte com desconcertante casualidade, ao ponto de ser uma das obras ainda incompreendidas por parte do público.

quinta-feira, 25 de março de 2010

O Morcego Vampiro (1933)


   Fay Wray, a primeira rainha do grito do cinema, marcou seu nome no horror aparecendo em apenas meia dúzia de filmes do gênero, realizados entre 1932 e 34. O Morcego Vampiro (The Vampire Bat, 1933) não é tão popular quanto King Kong, mas é um de seus filmes mais divertidos. Um vilarejo alemão é aterrorizado por uma série de mortes misteriosas, atribuídas pelos supersticiosos moradores do local a ataques de morcegos vampiros. O policial que investiga o caso não acredita na existência do sobrenatural e tenta capturar o assassino, o qual está bem mais próximo do que ele pode imaginar.
   Produção barata da Majestic Pictures, com desenvolvimento bastante previsível, mais um exemplar do gênero abordando o surrado tema do cientista que pesquisa a vida eterna sem medir as consequências. Fay Wray está linda como sempre e Dwight Frye (o melhor Renfield das telas), mais uma vez, faz o papel de louco. Para ver o filme, use o navegador Internet Explorer.

Linnea Quigley’s Horror Workout (1990)


   Tem que correr, tem que suar, tem que malhar... vamos lá! Não me canso de enumerar as coisas ridículas e constrangedoras que a década de 1980 consagrou. Foi a época na qual imperou o mau gosto e o exagero; a era do completo equívoco, em especial na maneira que as mulheres se vestiam e se maquiavam: penteados armados, terninhos com ombreiras e pintura facial de envergonhar o palhaço Bozo.
   Um dos fenômenos próprios da então chamada “geração saúde”, que se valia de um discurso muito vago sobre cuidar melhor do corpo, foi a obsessão por malhar, puxar ferro, ter o cooper feito. Foi nesse clima que a atriz Jane Fonda lançou um vídeo de ginástica que se tornou um inesperado campeão de vendas. Não, caro jovem, você não leu errado: um vídeo com uma balzaquiana malhando virou fenômeno de vendas em home video! Tanto que muita gente - semi-celebridades em busca de um trocado rápido - embarcou na onda da malhação e produziu seu próprio vídeo de workout; até mesmo a então já aposentada estrela erótica Traci Lords investiu nesse filão de gosto mais discutível do que pornô underage.
   Em meio a todas essas fitas de mulheres promovendo a importância de manter a forma, nenhuma consegue ser mais estapafúrdia e ao mesmo tempo divertida do que o Horror Workout protagonizado por Linnea Quigley, no qual a espevitada scream queen e sua patota, entre outras peripécias, fazem flexões e alongamentos enquanto tentam sobreviver a um ataque de zumbis. O vídeo - um surreal cruzamento entre os exercícios de Jane Fonda, a dança putrefada de Thriller e o humor escrachado de A Volta dos Mortos-Vivos - fez do termo “sacudir o esqueleto” algo mais do que apropriado.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Triângulo do Diabo (1975)



   Não é exagero afirmar que, dentro da história do filme de horror, as produções para a TV ainda são um tesouro a ser resgatado. A década de 70 teve excepcionais telefilmes do gênero produzidos e exibidos pelas grandes redes norte-americanas, mas muita gente hoje desconhece essas obras, que estão na seleta parcela dos títulos genuinamente raros. Telefilmes, originalmente, foram concebidos para serem veiculados somente na televisão e, por isso, pouquíssimos chegaram ao mercado de vídeo, mesmo na época do VHS. Triângulo do Diabo (Satan’s Triangle, 1975), dirigido por Sutton Roley, é uma das obras-primas inesquecíveis dessa mídia, apresentando um script muito acima da média (o roteirista William Read Woodfield depois escreveu tramas policiais para a telessérie Columbo) e grandes desempenhos de Doug McClure e da top-billing Kim Novak, belíssima como nunca e encantadora mesmo depois da casa dos 40 anos.
   Triângulo do Diabo é o tipo de filme que quem viu jamais esquece. Faz parte da minha infância, da descoberta desse gênero fascinante e sempre esteve entre meus filmes de horror preferidos - e um dos que mais me assustou, sem sombra de dúvida. Foi reprisado inúmeras vezes nos meses finais da Rede Manchete (pouco antes de se transformar em RedeTV!). Não consegui gravar em nenhuma dessas ocasiões e só meti a mão numa cópia em VHS fazendo troca com um colecionador do Nordeste (para quem mandei Pink Flamingos em troca - só para citar mais uma loucura pela cinefilia). Com algum esforço, Triângulo do Diabo pode ser encontrado em formato digital pela rede, mas a cópia tampouco é grande coisa.

   Outros telefilmes de horror que marcaram minha infância foram Spectro (Spectre, 1977), escrito por Gene Roddenberry, e Veja o Que Aconteceu ao Bebê (Look What’s Happened to Rosemary’s Baby, 1976); este último um abacaxi inacreditável sobre o qual escreverei aqui no blog algum dia. Telespectadores mais velhos costumam lembrar de títulos como Exortação (Black Noon, 1971), A Fazenda Crowhaven (Crowhaven Farm, 1970) e Killdozer (1974), além dos dois sensacionais longas do repórter investigativo Carl Kolchak.
   As imagens dessa postagem são do acervo do Jaime Palhinha, que mais uma vez embeleza o blog com suas musas, apresentando aos nossos visitantes frequentes essa visão inspiradora da belíssima Kim Novak. Também serve para registrar uma época na qual os canais de TV até pagavam anúncios no jornal para anunciar seus filmes, e a crítica especializada os levava a sério.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Os Garotos Perdidos (1987)

Homenagem a Corey Haim (1971-2010).


   Estas duas imagens são a contribuição do Jaime Palhinha para o tributo ao ex-ídolo teen Corey Haim. Observem o circuito de salas de cinema nas quais o filme estreou no estado de São Paulo: nada menos do que dez salas apenas na capital e mais cinco em cidades próximas, como Campinas e Santos. Isso serve para mostrar como o filme foi tratado como um grande lançamento na época.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Alice Cooper: Along Came a Spider (2008)


   Não é de hoje que Alice Cooper rima com horror. Aliás, a relação do veterano roqueiro de Detroit com temas macabros deu origem ao chamado ‘shock rock’, ou ‘rock horror’, na década de 1970. O conceito havia sido rascunhado pelas extravagantes performances de Screamin’ Jay Hawkins pelo menos quinze anos antes, mas foi Alice Cooper, com seus exageros cênicos dignos de espetáculos da Broadway, incluindo decapitações e enforcamentos em pleno palco, quem deu vida à idéia. Desde Kiss, Misfits, Mötley Crüe e Gwar, até King Diamond, Rob Zombie, Marilyn Manson e Lordi, todo mundo que destila a receita rock+horror deve um bocado a Alice Cooper.
   Along Came a Spider é o álbum mais recente da titia do rock pesado (sei que não chega a ser novidade - foi lançado há cerca de um ano e meio - mas só faz dois meses que tenho esse blog e não queria deixar passar a oportunidade de escrever um pouco sobre o disco!). Marca o retorno do roqueiro ao estilo hard rock clássico, depois de ele se aventurar pelo hard farofa, heavy tradicional e metal industrial. O álbum segue a tradição ‘conceitual’ do clássico Welcome to My Nightmare (1975), narrando uma história linear ao longo de todas as faixas.
   Trata-se da história de um serial killer conhecido como ‘Spider’, que captura, tortura, mata e arranca uma perna de cada vítima. Seu objetivo é juntar oito pernas e construir sua própria aranha. Não chega a ser algo inovador ou especialmente original, mas mostra a visão - um tanto ingênua - que Alice tem do horror, inclusive sua obsessão por bichos asquerosos.


   A relação de Alice Cooper com filmes de horror rendeu participações nas cinesséries Sexta-Feira 13, interpretando a canção-tema “He’s Back (The Man Behind The Mask)” no sexto exemplar (lembro até hoje quando vi, embasbacado, o vídeo dessa música no Fantástico!) e A Hora do Pesadelo, nada menos do que como o pai de Freddy Krueger, também no sexto filme da saga. Também fez papéis menores em outros filmes, como em O Príncipe das Sombras (1987), de John Carpenter, e protagonizou o espanhol Leviatán (1984), dirigido por Claudio Fragasso, lançado em VHS no Brasil como Monster Dog: Uma Noite de Horror, no qual interpreta um roqueiro que vira lobisomem.
   Para promover o lançamento de Along Came a Spider, o roqueiro lançou no YouTube este vídeo de dez minutos, reunindo três canções do álbum: “Vengeance Is Mine” (com participação de Slash na guitarra), “(In Touch With) Your Feminine Side” e a balada mórbida “Killed By Love”. Co-dirigido por Piggy D. e Gabrielle Geiselman, o vídeo é todo ambientado no manicômio onde Spider foi trancafiado. Tem alguns momentos interessantes, mas poderia ter sido melhor concebido e realizado. (Não pode ser comparado, por exemplo, ao charmoso especial para a TV inspirado no álbum Welcome to My Nightmare, feito em 1975, com a preciosa participação de Vincent Price.)
   Em compensação, os trailers promocionais do álbum Along Came a Spider são bem interessantes, então decidi também reproduzi-los aqui. Destaque para o terceiro trailer, que recria o inesquecível monólogo final de Psicose (1960) na íntegra, celebrando em grande estilo o casamento de rock pesado e filme de horror.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Perils of Julia and Gill Man (1954)

   O acervo de imagens da revista Life disponível na internet está repleto de preciosidades que a gente só encontra depois de pesquisar muito no site. Entre as coleções históricas consta até uma visita à casa sinistra onde viveu o serial killer Ed Gein, em 1957. O cinema, como não poderia deixar de ser, tem lugar de destaque no arquivo da Life, com muitas sessões fotográficas exclusivas. Uma das mais curiosas é a série que reproduzo aqui, intitulada Perils of Julia and Gill Man. Clicada pelo fotógrafo Edward Clark em 1954 nas locações do filme O Monstro da Lagoa Negra, da Universal, mostra a curvilínea Julia Adams às voltas com a criatura escamosa descoberta no Rio Amazonas. Acho extremamente charmosa essa coloração envelhecida das fotografias, dando um toque nostálgico às imagens, ao mesmo tempo ingênuas e sensuais, com Miss Adams absolutamente irresistível em seu inimitável maiô.

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