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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Horror no Cinema Brasileiro - 10 a 16 de fevereiro
Não está morto o que não está enterrado. Ou melhor, mesmo o que jaz sete palmos abaixo da terra pode voltar para nos aterrorizar quando menos esperamos... Claro, estou falando deste blog morto-vivo, abandonado há meses como a mais tenebrosa casa mal-assombrada... Não era a minha intenção, é penoso largar um filho quando ele começa a criar personalidade, mas se é que existe um consolo nisso tudo, pelo menos o motivo foi justificável: não foi falta de assunto, interesse ou repercussão, mas absoluta falta de tempo! No último semestre fiquei ocupado com uma série de compromissos profissionais que me propiciaram participar de eventos como o Fantaspoa, RioFan e CineFantasy, os maiores festivais de cinema fantástico do Brasil, além dos cursos de cinema que regularmente levo a Porto Alegre pela produtora Cena Um. Também tive o privilégio de fazer parte da espetacular Mostra Hitchcock realizada no CCBB de São Paulo, com uma aula magna para uma plateia de altíssimo nível que lotou o cinema (e, ainda por cima, cercado de obras do genial E.C. Escher por todos os lados!). Igualmente memorável foi o agosto passado em Fortaleza, onde ministrei na Vila das Artes um curso de um mês de duração que passeou pelo cinema de horror desde os filmes mudos até as obras inigualáveis de José Mojica Marins, tema de uma mini-retrospectiva no evento. Depois, de volta para casa, ainda pude falar um pouco sobre a carreira de Vincent Price num rápido evento realizado no SESC Osasco.
Feita a justificativa de tão absurdo abandono, vamos ao motivo desse glorioso retorno: começa na Cinemateca de São Paulo, na madrugada de sexta-feira, dia 10 de fevereiro, o ciclo Horror no Cinema Brasileiro, dedicado à exibição de longas-metragens nacionais desse gênero. O projeto, com curadoria de Eugênio Puppo, é um desdobramento da pioneira mostra idealizada por mim e por Laura Cánepa e produzida pela Heco, em 2009, que exibiu 25 dos mais importantes filmes brasileiros de horror no CCBB de Brasília e do Rio de Janeiro. Foi o primeiro passo de um audacioso projeto que pretende registrar toda a história do horror nas telas brasileiras.
A ideia da mostra cresceu e a reencarnação paulista do evento ganhou um espaço fixo com sessões regulares: todo mês, três filmes diferentes serão exibidos numa maratona noite adentro, e depois reprisados ao longo da semana seguinte. Os títulos escolhidos para essa sessão inaugural não poderiam ser mais representativos: começa à meia-noite com O Despertar da Besta (1969), a obra-prima delirante de José Mojica Marins, seguido de Ninfas Diabólicas (1978), uma das obras mais importantes de John Doo - infelizmente falecido há poucos dias - e que não fez parte da mostra original de Brasília e do Rio de Janeiro, e, fechando a noite, O Maníaco do Parque (2002), de Alex Prado, filme que foi concluído somente em 2009 graças a esforços da Heco e da equipe organizadora do evento.
Desta maneira, inicia-se um monumental resgate do cinema de horror brasileiro - algo sequer pensado até este momento - e que trará ainda muitas surpresas e filmes que são cultuados ainda por poucos, mas que despertam a curiosidade de muitos cinéfilos que até o momento só ouviram falar de tais pérolas, mas nunca puderam conferi-las. Entre os cineastas que serão contemplados com exibições nas próximas sessões provavelmente estarão nomes como Walter Hugo Khouri, Carlos Hugo Christensen, Júlio Bressane e Elyseu Visconti Cavalleiro. O êxito dessas sessões, com presença maciça dos amantes do cinema nacional e de filmes de horror em geral, será determinante para que o espaço continue sendo ocupado por esse evento. O Brasil tem pelo menos duzentos filmes de horror que merecem ser vistos e descobertos pelos aficionados pelo tema e que, até agora, sequer desconfiam de sua existência.
Confira o material de apresentação do evento no site da Cinemateca, com serviço completo, incluindo endereço, fichas técnicas e sinopses.
sábado, 12 de março de 2011
Almanaque: Zé do Caixão
José Mojica Marins completa 75 anos de idade neste dia 13 de março, ainda recebendo todas as homenagens que merece em vida e mostrando ser uma figura extremamente popular e relevante para a nossa cultura. Poucos cineastas podem se orgulhar disso, vivos ou mortos (o que, até certo ponto, explica o ciúme que ele desperta em alguns colegas).
A homenagem desta vez fica por conta do programa especial que será exibido na madrugada se sábado para domingo, às 0h05, no Almanaque, da Globo News. O programa anuncia uma entrevista exclusiva com o Mojica, na qual mais uma vez ele revela a origem de seu personagem mais famoso, o agente funerário Zé do Caixão, surgido num pesadelo, e confessa que é um medroso na vida real.
Para deixar meus parabéns ao mestre, selecionei treze caricaturas bem interessantes do Mojica como Zé do Caixão (repetindo o tema de galeria de arte que fiz nesta postagem em homenagem ao Vincent Price), que evidenciam a figura querida e conhecida que ele é.
sábado, 26 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Folha de S.Paulo: O Horror Nacional (1978)
O jornal Folha de S.Paulo colocou no ar recentemente, a princípio com acesso livre e gratuíto a qualquer cidadão, todo o acervo do periódico em formato digital. São quase dois milhões de páginas em 90 anos de jornal. Eu, que já estava com visita marcada à biblioteca, justamente para pesquisar o acervo desse jornal, comemorei essa possibilidade de acessar as mesmas informações no conforto do lar. Uma oportunidade preciosa para apurar dados, ler opinões e preencher lacunas sobre o cinema de horror, em especial a produção nacional, que é o que mais tem me interessado nos últimos meses.
A seleção de reportagens que apresento aqui é a cobertura que o crítico e cineasta Jairo Ferreira fez da mostra O Horror Nacional, que aconteceu paralelamente - e extra-oficialmente - durante o Festival de Cinema de Brasília, no final de julho de 1978. O gênero, então discutido e representado por artistas como Rogério Sganzerla, Júlio Bressane, Elyseu Visconti Cavalleiro e, obviamente, por José Mojica Marins, na época lançando Delírios de um Anormal, simboliza mais uma revolta e um inconformismo com o estado do cinema nacional da época do que necessariamente exercícios de medo ou estéticas do grotesco. Ainda que alguns filmes possam ser considerados representações válidas do horror brasileiro, outros não podem ser vistos dessa maneira.
Porém, o que importa é o registro histórico; vale ler o que Jairo tinha a dizer sobre a situação do nosso cinema na época - concorde-se ou não com as idéias dele. O resultado mais notório desse encontro memorável foi o documentário Horror Palace Hotel ou O Gênio Total, que Jairo Ferreira e Rogério Sganzerla dirigiram, em Super-8, durante o festival.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
ATUALIZAÇÃO: Uma Descida ao Inferno de Zé do Caixão (2010)
Recebi no início da tarde de hoje, e acabei de assistir agorinha mesmo, o documentário Uma Descida ao Inferno de Zé do Caixão, realizado pelos estudantes Daiane Sousa, Dênis Matos e Marcela Alves. Há alguns meses, tive o prazer de gravar uma longa entrevista para os meninos aqui em Jundiaí, numa lanchonete rock’n’roll, quando procurado por eles para contribuir com o documentário, e foi bacana poder colaborar com o projeto.
O resultado final ficou bem bacana, apesar da duração relativamente curta, com apenas 28 minutos (a gente sempre acha que tem algo mais a ser dito sobre a figura complexa do Mojica). Melhor ainda foi ver as encantadoras divagações da amiga e colega de brasilidades horroríficas Laura Cánepa, que indiquei para ser entrevistada para o projeto, e que, assistindo ao produto finalizado, tenho certeza que faria uma falta imensa se não tivesse participado. O cineasta e antropólogo Kiko Goifman (FilmeFobia), o jornalista, crítico e biógrafo mojicano André Barcinski e a psicanalista Maria Lúcia Homem - que parece viajar bem mais do que os delírios de Zé do Caixão costumam provocar - também oferecem esclarecimentos sobre as conflitantes figuras de José Mojica Marins e sua imortal criação Zé do Caixão. Ah, claro, o Mojica também é entrevistado, numa calçada qualquer de São Paulo, mas seu depoimento, aparentemente regado a loiras geladas, é um tanto criptografado. Puramente Mojica, claro.
O documentário merece ser prestigiado, no mínimo, por representar um agradável sopro de idéias arejadas e uma urgência de se compreender um dos nossos cineastas mais particulares e o artista mais ativo do horror nacional. Tomara que o filme tenha uma sobrevida fora das salas de avaliação acadêmica; que se torne extra de algum lançamento em DVD ou apareça na programação do Canal Brasil ou coisa parecida.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Exorcismo Negro (1974)
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domingo, 23 de janeiro de 2011
The House of Hammer: José Mojica Marins
Uma das minhas aquisições recentes, por conta da pesquisa que estou desenvolvendo para um trabalho sobre a produção cinematográfica de horror na Inglaterra, foi a coleção digital da revista The House of Hammer, que teve ao todo 30 edições. Ao folhear logo o primeiro exemplar, de 1976, qual não foi a minha surpresa ao encontrar um artigo sobre ninguém menos do que José Mojica Marins?! A revista apresentava uma combinação de quadrinizações dos filmes da produtora Hammer e artigos sobre o cinema de horror, tanto do período clássico quanto o contemporâneo. O breve texto sobre Mojica, assinado por Barry Pattison em sua coluna “Horror Around the World”, começa metendo o pé na porta: “A indústria do cinema de horror internacional contêm algumas personalidades bastante estranhas, mas eu desafio qualquer um a encontrar uma mais bizarra do que a criada e interpretada por José Mojica Marins - o temido Ze do Caoxi [sic]”.
Sempre que tenho oportunidade de conversar sobre pesquisa de cinema com pessoas que ainda estão iniciando nessa área, tento motivá-las dizendo que não existe melhor época do que a atual para se pesquisar filmes, com toda a facilidade para se ter acesso a obras de toda parte do mundo e de praticamente qualquer período. Uma das evidências mais incisivas disso é a quantidade assombrosa de bobagens que costumo encontrar nos livros de cinema de horror mais antigos. Tenho alguns livros sobre o tema publicados nas décadas de 60, 70 e 80, mas ao contrário de encontrar preciosidades escritas por críticos e pesquisadores que, em tese, estavam mais próximos dos acontecimentos que registravam, muitas vezes nos deparamos com imprecisões, generalizações ou informações viciadas.
O artigo de Pattison sobre Mojica é um prato cheio nesse departamento. Depois de contar algumas anedotas sobre o cineasta, como os primeiros filmes que ele fez no galinheiro da família e o fim trágico do filme O Auge do Desespero, destruído por uma tempestade, o autor erra feio ao dizer que Meu Destino em Tuas Mãos é estrelado por Pablito Calvo e Joselito! Para quem não sabe, Calvo é o astro infantil do filme espanhol-italiano Marcelino Pão e Vinho (1955), óbvia inspiração para o Mojica colocar Franquito, “o garoto da voz de ouro”, como protagonista de Meu Destino em Tuas Mãos. Alhos por bugalhos...
O artigo ainda afirma que os críticos da época chamaram Mojica de “assassino do cinema brasileiro” - uma frase e tanto, mas que não me lembro de ser um dos tantos impropérios disparados contra Mojica pela ala conservadora. O texto ainda consegue errar a grafia de praticamente todos os filmes que cita (A Meia Noitre Levarei Sua Alma, Esta Noite Encarnarei Teu Cadavera, O Mundo Estranho de Ze do Caizo), diz que O Diabo de Vila Velha é um filme de horror (não é; trata-se de um faroeste) e afirma que o diretor a seguir fez A Encarnação do Demônio. O filme, todos sabem, só foi realizado mais de trinta anos depois. A coisa mais curiosa do texto provavelmente é a citação de Glauba [sic] Rocha e seu ‘caubói marxista’ Antônio das Mortes.
O artigo ainda afirma que os críticos da época chamaram Mojica de “assassino do cinema brasileiro” - uma frase e tanto, mas que não me lembro de ser um dos tantos impropérios disparados contra Mojica pela ala conservadora. O texto ainda consegue errar a grafia de praticamente todos os filmes que cita (A Meia Noitre Levarei Sua Alma, Esta Noite Encarnarei Teu Cadavera, O Mundo Estranho de Ze do Caizo), diz que O Diabo de Vila Velha é um filme de horror (não é; trata-se de um faroeste) e afirma que o diretor a seguir fez A Encarnação do Demônio. O filme, todos sabem, só foi realizado mais de trinta anos depois. A coisa mais curiosa do texto provavelmente é a citação de Glauba [sic] Rocha e seu ‘caubói marxista’ Antônio das Mortes.
Da casa aos corredores
Bagunças à parte, é uma delícia passear pelas páginas de The House of Hammer, mesmo folheando-a digitalmente; no mínimo pelas belíssimas adaptações em quadrinhos dos clássicos da Hammer, pelas mãos de grandes artistas dessa mídia. A existência relativamente curta da revista também serve para demonstrar as dificuldades que publicações sobre esse tema enfrentam em qualquer lugar do mundo. Publicada na Inglaterra a partir de outubro de 1976, a revista carregou o nome The House of Hammer até a 18ª edição, mudando a seguir para Hammer’s House of Horror nos números 19 e 20, e depois para Hammer’s Halls of Horror nas edições 21 a 23. Finalmente, quando a Hammer cessou de vez a produção de filmes, a publicação passou a se chamar apenas Halls of Horror e durou da revista 24 até a 30. O último número é datado de novembro de 1984. Nas edições finais, a revista se transformou numa espécie de guia do cinema fantástico, com ênfase nos filmes de ficção científica e fantasia tão populares na época (como Mad Max e Blade Runner), compilando breves verbetes com resenhas de filmes e perfis de astros e realizadores.
Ilustram esta postagem todas as capas da fase inicial da publicação, além de algumas páginas da edição inaugural, incluindo o editorial de apresentação e o artigo sobre nosso prezadíssimo José Mojica Marins. Numa próxima postagem colocarei as capas restantes.
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