CRÍTICAS, ANÁLISES, IDÉIAS E FILOSOFIAS EM GERAL A RESPEITO DE FILMES DE HORROR DE TODAS AS ÉPOCAS, NACIONALIDADES E ESTILOS, E MUITAS OUTRAS COISAS RELACIONADAS AO GÊNERO

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sábado, 5 de março de 2011

Bellini e o Demônio (2010)


   O decadente detetive particular Remo Bellini é contratado por um cliente desconhecido para encontrar O Livro da Lei. Desorientado e em estado de constante delírio devido ao vício em remédios de tarja preta, o investigador recebe um volumoso adiantamento pelo trabalho e inicia sua missão de encontrar o tal livro, aparentemente sem método algum. Bellini mergulha num submundo de crimes violentos, rituais satânicos e conspiração. Depois de consultar um demonólogo, fica sabendo que O Livro da Lei é um dos tomos escritos por Aleister Crowley, o maior bruxo da Nova Era e anunciador do Anticristo. Ao mesmo tempo que busca desesperadamente o livro, assassinatos violentos perturbam a rotina de policiais da cidade. Bellini é avisado pelo demonólogo que quando quatro pessoas forem sacrificadas na fase cheia da lua, a Besta subirá em sua nova forma - e os cadáveres vão se acumulando.
   Bellini e o Demônio é o segundo filme adaptado dos livros policiais de Tony Bellotto, talvez mais conhecido como um dos integrantes da banda de rock Titãs. O anterior foi Bellini e a Esfinge, dirigido por Roberto Santucci em 2001. Nos dois, o detetive do título é interpretado por Fábio Assunção, fisicamente adequado ao papel, mas sua atuação não está acima do nível das telenovelas, com todos os cacoetes e exageros típicos de uma mídia que não tolera sutilezas.


   A referência inicial que se tem diante da sinopse do filme é um cruzamento entre Coração Satânico, de Alan Parker, e O Último Portal, de Roman Polanski, e essa impressão paira durante todo o filme, indo e vindo. Porém, a bagunça é tamanha que em vários momentos fica duvidoso que caminho o filme pretende seguir. Alguma soluções narrativas são mais do que discutíveis, como colocar personagens dentro da própria cena que estão narrando num flashback. Tenta mostrar estilo, mas é apenas bobo, risível. A câmera treme, chacoalha e trepida em toda cena tensa - e o filme é todo tenso e dramático. Há um abuso de tomadas subjetivas, do tipo ‘alguém espreitando’, sem que nunca fique claro se é de fato o ponto de vista de algum personagem, um anseio de colocar o espectador numa posição desconfortável ou pura baderna. Num dos momentos mais absurdos, a câmera está dentro de um envelope de papel, olhando para a cara de Fábio Assunção, que olha para dentro do envelope! Por que? Impossível saber.
   Fazia tempo que eu não via um filme (brasileiro) tão problemático. Certamente há algo de errado num filme que passou pelas mãos de quatro montadores e que tem três créditos distintos de roteiro (eu nunca tinha visto, num mesmo filme, créditos de ‘roteiro original’ e ‘roteiro adaptado’!). A trama tem buracos escandalosos; certamente passagens importantes foram eliminadas na montagem final, enquanto somos bombardeados por cenas repetitivas - Bellini às voltas com seus comprimidos e os policiais batendo cabeças durante as investigações. O diretor Marcelo Galvão andou dando entrevistas renegando o corte imposto pelo produtor. Enquanto que algumas fontes apontam que o filme tem 120 minutos de duração, a versão em DVD é substancialmente mais curta, com 85 minutos.


   Porém, só podemos avaliar o filme lançado, não a versão ‘original’ que habita o limbo. Em comparação a Os Famosos e os Duendes da Morte e A Erva do Rato, dois filmes brasileiros recentes que possuem tênues - porém ricas e relevantes - relações com o horror, e são acusados de ‘pretensiosos’ devido às ambições artísticas, Bellini e o Demônio perde feio. Tenta ser artístico e estiloso onde não deveria; conta uma história relativamente simples, mas teima em complicá-la a troco de nada. Numa época em que Cisne Negro vira uma mania mundial, a proposta narrativa de Bellini e o Demônio poderia ser melhor aceita pelo grande público, mas as soluções são lastimáveis.
   O próprio lançamento do filme é um drama à parte. Finalizado em 2008, foi exibido em maio do mesmo ano no festival de Los Angeles, nos Estados Unidos, de onde trouxe um prêmio de atuação para Fábio Assunção. Em setembro participou de um festival de cinema do Rio de Janeiro. Sua estréia comercial aconteceu quase dois anos depois, em agosto de 2010, passando praticamente despercebido. Co-produzido pelo TeleCine, nunca teve apoio decente do canal; nunca vi comercial na televisão ou qualquer coisa do tipo. Foi parar no DVD, também sem muita gente dar atenção, lançado alguns dias atrás. Desconfio, por mera desconfiança mesmo, que o fracasso nas bilheterias de Encarnação do Demônio, lançado em 8 de agosto de 2008, tenha influenciado na carreira abortada de Bellini e o Demônio, que chegou a ter sua data de lançamento marcada para 24 de outubro de 2008. Será que temeram que a temática ‘demoníaca’ pudesse afastar o público, numa época em que só se investe em filmes espíritas e com mensagens positivas?


   É uma pena, pois tinha tudo para ser um pequeno grande filme de horror brasileiro. Enquanto não temos caminhos originais a percorrer, pelo menos poderíamos manter o gênero vivo com filmes mais convencionais, porém feitos com correção e sinceridade. Há cenas boas no filme, ou pelo menos com potencial latente, como a do demonólogo interpretado por Jack Militello. Porém, a superficialidade de conteúdo é denunciada pelo fato de levar tão a sério um sujeito como Aleister Crowley, o mais pop dos ocultistas, e a quem os que se dizem verdadeiros satanistas dão às costas e chamam de charlatão. Para encerrar, o anticlimático final surpresa - revelado no trailer, talvez pela ganância de achar que o nome de Marília Gabriela pudesse ser um chamariz de público - mostra em que pé estamos em termos de horror brasileiro.

terça-feira, 1 de março de 2011

Cisne Negro (2010)

Uma análise hitchcockiana 


   “Todos os bons filmes já foram feitos”, disse certa vez Peter Bogdanovich, crítico brilhante e cineasta de luz intermitente. O que pode parecer uma resignada descrença no cinema moderno é, na verdade, uma declaração apaixonada pelos filmes clássicos, aqueles que nunca terminam de dizer o que têm a dizer. São cada vez mais raras as novas idéias no cinema contemporâneo; não é o tipo de mídia onde a invenção e a novidade sejam regras. O normal é a repetição e a aposta no que está dando certo. A enxurrada de remakes e continuações nas últimas temporadas de Hollywood é uma triste constatação disso.
   Novidade: talvez esteja aí o cerne da discussão que divide o público de Cisne Negro entre devotos incondicionais e detratores impiedosos. O primeiro grupo se encanta com a complexidade da narrativa e o uso de símbolos e metáforas para retratar perturbações mentais; o segundo se irrita por isso não ser novidade alguma. Acho exagero levar a questão a tais extremos; novidade, é bom que se diga, nunca foi pré-requisito para bom cinema. Falando mais especificamente dos filmes de gênero, Carpenter, DePalma, Argento e Tarantino não são necessariamente originais, porém tampouco são realizadores desprezíveis.
   É nesse patamar que pretendo encaixar Darren Aronofsky, especificamente pelo que fez em Cisne Negro. O filme virou uma verdadeira coqueluxe em rodinhas de conversa de cinema, indo do diletantismo à erudição, e provavelmente sou a última pessoa do mundo a escrever sobre ele. A desculpa é prestar uma homenagem à premiação de Natalie Portman com o Oscar, a única real barbada dessa festa (está bem, Toy Story 3 como melhor animação era ainda mais previsível!). Porém, o viés de meu artigo é uma análise hitchcockiana do filme, a partir de suas características mais marcantes. Não quero reivindicar nenhuma originalidade no texto, pois acho a análise bastante óbvia; só quero deixar claro que não li nenhuma resenha sobre o filme e nem consultei as seções de trivias e movie connections do IMDb, por exemplo. Não sou do tipo que lê todas as críticas disponíveis antes de formar a minha opinião. A diversão, quero acreditar, é justamente expor as próprias idéias e dar início a uma discussão que, quando é boa, nunca se encerra.

Sexo e morte

   O nome de Alfred Hitchcock costuma ser evocado, quase sempre em vão, sempre que é lançado algum filme razoável de suspense. Muitas vezes, o responsável pela comparação sequer cita quais circunstâncias promovem tal aproximação; provavelmente apenas acha “chique e elegante” comparar algo a Hitchcock. O fato é que o rotundo diretor inglês não era gênio apenas porque era dotado de uma técnica impecável e contava histórias de suspense como mais ninguém. O que o tornava único - e, paradoxalmente, faz com que muitos o imitem - era sua obsessão, basicamente, por dois temas intimamente relacionados que, em suma, justificam nossa existência: sexo e morte.
   Todos os grandes filmes de Hitch foram elaborados sob a égide desse duo: Chantagem e Confissão, Pacto Sinistro, Um Corpo Que Cai, Psicose, Marnie, Frenesi, entre outros. O único outro tema que parecia interessar a Hitchcock era viagem, o que curiosamente o associa a Jim Morrison, dos Doors, que certa vez declarou que todas as canções de sua banda eram sobre “amor, morte e viagem”. Darren Aronofsky certamente não estava pensando em viagem quando fez Cisne Negro; tampouco é um filme sobre balé ou sobre uma jovem em crise porque tem medo de fracassar na carreira, como alguns parecem acreditar. Cisne Negro é, pura e simplesmente, um filme sobre sexo e morte, como esses dois temas se relacionam e como um inevitavelmente conduz ao outro.

O mundo é um palco


   O estilo narrativo de Cisne Negro segue um ensinamento hitchcockiano que pode ser resumido por uma frase célebre de Shakespeare: “o mundo inteiro é um palco”. A atuação, a dissimulação, a falsidade, mentira ou transformação, inclusive física, tanto no palco quanto fora dele, está presente em muitos filmes de Hitchcock: Assassinato, Pavor nos Bastidores, Um Corpo Que Cai, Cortina Rasgada, Trama Macabra e tantos outros. O processo enfrentado por Nina (Natalie Portman) no filme de Aronofsky é o mesmo de muitas heroínas hitchcockianas: tentar ser outra pessoa, assumir uma identidade que não é a dela, voluntariamente ou por alguma necessidade circunstancial.
   Também podemos interpretar como uma metáfora do próprio processo da criação artística, da construção de uma personagem ou de uma trama. Hitchcock fez exatamente isso em Janela Indiscreta, Disque M para Matar e Um Corpo Que Cai, nos quais há em cena um “diretor” que conduz a trama e o rumo dos personagens.
   A obsessão trágica de Nina em se tornar o Cisne Negro é a mesma de Scotty, um ex-policial, ao decifar o mistério de Um Corpo Que Cai: ele é prisioneiro de sua profissão e, portanto, não é capaz de não cumprir sua missão, mesmo que isso custe seu grande amor. Existem outros personagens similares na galeria hitchcockiana, como Mr. Memory, de Os 39 Degraus, incapaz de não responder uma pergunta quando é questionado, ou Lila, uma balconista de uma loja de discos que não resiste à tentação de olhar o que rola na vitrola da Sra. Bates ao invadir a velha casa sinistra de Psicose.
   Natalie Portman foi merecidamente elogiada, e vem colecionando prêmios em toda festa que comparece, por seu desempenho num papel duplo, e isso nos leva a outra obsessão de Hitchcock: a personalidade dividida, a idéia de que temos dois lados em constante conflito, o bom e o mau, às vezes convivendo dentro de uma mesma pessoa (Psicose), em outras, cindido em dois personagens (Pacto Sinistro). Aronofsky inclusive recorre a um truque essencialmente hitchcokiano para enfatizar isso, abusando do uso de espelhos (vide Psicose). O doppelgänger existe no cinema pelo menos desde o expressionismo alemão (O Estudante de Praga), mas Hitchcock de alguma maneira se apoderou do tema e o tornou seu.

Voando alto

   O quebra-cabeças hitchcockiano de Cisne Negro se completa com outras peças que compõem um enredo de obsessão, paranóia e pesadelo: a sexualidade reprimida que aflora com consequências trágicas (A Tortura do Silêncio, Psicose, Marnie), a ambiguidade sexual (Assassinato, Festim Diabólico, Psicose) e a mãe dominadora (Interlúdio, Psicose, Os Pássaros), elementos que se combinam com naturalidade. A cena na qual Nina tenta estimular seu desejo sexual se masturbando na cama, até perceber, horrorizada, a presença da mãe, que dorme numa poltrona ao lado da cama, combina de maneira soberba tanto o horror quanto o humor negro hitchcockianos.
   E, obviamente, não podemos esquecer aquela que talvez seja a mais reconhecível assinatura de Hitchcock e que tem relação explícita com Cisne Negro: a presença de pássaros para representar perturbação mental, loucura e delírio. Desde Chantagem e Confissão até a obra-prima Os Pássaros, passando inevitavelmente por Psicose, o diretor recorreu ao simbolismo das aves para retratar almas atormentadas e emoções sufocadas. O clímax do filme de Aronofsky também segue a cartilha do Mestre do Suspense em seus desfechos clássicos: a queda fatal, o despencar no abismo, muitas vezes punindo culpados e pecadores. Sabotador, Um Corpo Que Cai e Intriga Internacional são alguns dos filmes de Hitchcock que terminam com pessoas caindo no abismo, como acontece com Nina em Cisne Negro.


O duplo do duplo

   Não tenho a intenção de argumentar que Cisne Negro é um bom filme por ser um apanhado de temas tipicamernte hitchcockianos; o que me interessa observar é que Aronofsky emprega esses símbolos de maneira que dialogam diretamente com o estilo de Hitch. Não são características que encontramos casualmente nos filmes do Mestre do Suspense; são, isso sim, os alicerces de sua maneira de contar histórias. Mesmo os filmes menores do diretor costumam ser discutidos com interesse por apresentarem as mesmas preocupações. Cisne Negro, mesmo com suas imperfeições, também merece suscitar o mesmo tipo de debate, pelo menos para quem acha que vale a pena discutir as muitas possibilidades do horror. (Às vezes tenho a impressão que apenas filmes imperfeitos me interessam, pois são eles que nos revelam o processo humano - portanto fadado a erro - da criação cinematográfica; são eles que nos convidam à discussão, aguçam os sentidos e inflamam opiniões.)
   O tema não é novo - a quem quiser conferir outros bons filmes sobre doppelgänger, recomendo As Irmãs Diabólicas, A Janela Secreta, A Metade Negra e até os brasileiros O Sósia da Morte e Gêmeas - mas o filme de Aronofsky tem brilho próprio por conseguir compor personagens tão cativantes e envolver o público em sua obsessão particular. Num nível mais pessoal, comemoro que um filme denso e sombrio como este se torne tão popular e um papel feminino desses seja tão premiado, pois pode ser a deixa para que o cinema industrial americano invista em mais produções deste estilo e contemple níveis de horror que fujam do óbvio.
   A lição final, inevitável, é que ainda há o que se aprender com o cinema de Hitchcock, algo que fica muito além da visão superficial de imitadores de pirotecnias, maneirismos e finais-surpresa.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Reveillon Maldito (1980)


   Só para não dizerem que abandonei de vez meus prezadíssimos leitores, estou aqui, no apagar de 2010, para desejar a todos um Feliz Ano Novo no estilo desse blog; ou seja, com uma pitada de maldade e derramamento de sangue. Uma obscuridade segregada à não tão saudosa era do VHS, o filme Reveillon Maldito (New Year’s Evil), produzido pela Cannon, é um dos exemplares mais esquemáticos do subgênero slasher, ainda preso ao truque da “morte pelo calendário”, pegando carona em Halloween e Sexta-Feira 13, e que depois seguiria com Dia dos Namorados Macabro e Feliz Aniversário para Mim.
   A trama envolve a apresentadora de um especial de Ano Novo na televisão que recebe um telefonema ameaçador de um psicopata misterioso, o qual anuncia que à meia-noite matará pessoas conhecidas dela. A mulher fica apavorada quando surge a primeira vítima do assassino, que voltará a matar na virada de ano nos outros fusos horários do país. Tolo, previsível e sem clima, o filme é prejudicado por personagens sem carisma e pelo plano absurdo e inverossímil do maníaco, envolvendo situações ridículas e humilhantes.


   O clima de festa fica por conta da banda de hard rock Shadow e a punk/new wave Made in Japan, as quais, até onde sei, limitaram-se ao eterno e silencioso anonimato depois desta oportunidade cinematográfica. O Shadow, para o meu gosto particular, é melhorzinho, num estilo que lembra uma versão mais domesticada do Diamond Head. Nem sei se chegaram a gravar algum álbum ou mesmo se a trilha do filme saiu oficialmente em LP, mas a canção do vídeo acima é suficientemente divertida para garantir uma passagem de ano agitada e no autêntico clima de rock horror. Desta maneira, desejo a todos que tenham um maldito reveillon embalado por tudo que há de bom.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

The Misfits: Live at Dearborn Michigan (1983)


   Este vídeo bootleg é para quem gosta de passar o Halloween em clima de festa horror punk. Trata-se de um raríssimo registro de uma apresentação da banda The Misfits em Dearborn, Michigan, no dia 7 de janeiro de 1983, gravada para o programa de TV Why Be Something You’re Not. A banda é liderada pelo catatau enfezado Glenn Danzig, nos vocais, e conta ainda com Doyle na guitarra, Jerry Only no baixo, e Robo na bateria. O set-list do show é este: “Earth A.D.”, “I Turned Into A Martian”, “Skulls”, “Devilock”, “Queen Wasp”, “Mommy, Can I Go Out And Kill Tonight?”, “Hate Breeders”, “Braineaters”, “Halloween”, “Bullet”, “Horror Business” e “We Are 138”. O áudio não está muito bom, mas pode divertir quem quiser um pouco de agitação punk neste Halloween.

Príncipe das Sombras (1987)

Homenagem a Lisa Blount (1957-2010).

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Elvira, a Rainha das Trevas (1988)


   Se meu oráculo não se enganou (e ele nunca se engana!), hoje é aniversário da Paloma Rodrigues. Portanto, aqui vai uma singela homenagem a ela, a única mocinha que conheço que tem como role-model a primeira, única e imbatível Elvira, personagem encarnada pela impagável (e muito saliente) Cassandra Peterson! Claro que conheço muitos marmanjos que babam pelos... aham... ‘talentos’, da eterna Mistress of the Dark, e também muitas meninas que se rendem ao carisma cômico da Elvira, mas a Paloma é a primeira que me disse que queria ser a Elvira quando era criança! E o mais legal é que ela não é a única: existem concursos para escolher a ‘herdeira’ da Elvira, eventos que por si só já são suficientemente divertidos para quem aprecia mulheres com contornos sinuosos e indumentária sombria.
   Se é que alguém não sabe o que a Rainha das Trevas tem de melhor a oferecer, clique no vídeo acima e confira a apoteótica cena final de seu primeiro longa-metragem, uma comédia de horror de alta rotatividade nos bons tempos da Globo. A dica vale para todos os visitantes do blog nessa semana de Halloween, e os parabéns vão para a Paloma, a fã nº 1 da bruxa mais divertida da televisão!

sábado, 23 de outubro de 2010

Espetáculo de Sangue (1967)


   Pois bem, respondam rápido: quem aí vai jantar nesta noite fria e chuvosa de sábado (pelo menos está assim aqui em São Paulo) na agradabilíssima companhia de Nicole Puzzi (sim... aquela Nicole Puzzi!); e ainda por cima assistindo a um clássico do horror? Deu inveja? Bem... em mim também, pois o privilegiado em questão não sou eu, mas meu amigo Jaime Palhinha. Para homenageá-lo, e principalmente à sua sempre bela companheira desta noite, estou postando aqui, na íntegra, um dos filmes de horror preferidos de Nicole: o clássico grand-guignol Espetáculo de Sangue (Berserk!), estrelado por ninguém menos do que Joan Crawford (e nem poderia ser diferente, com o Jaime envolvido!).
   Para quem não tem o privilégio de receber a visita de divas como Georgia Gomide, Helena Ramos e Nicole Puzzi, resta ao menos a possibilidade de assistir - aqui mesmo no blog - este excelente exemplar do horror sensacionalista, estrelando o belo par de pernas de Miss Crawford e as curvas perigosas de Diana Dors. Mais tarde, ainda hoje, postarei algumas imagens e curiosidades sobre o filme. Depois do jantar, claro.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Trovão da Montanha (2010)


   Quem me deu a dica deste curta-vídeo-musical foi o próprio montador da peça, Paulo Sacramento, uma visita sempre querida e mais do que bem-vinda a este blog. Trata-se de mais uma peripécia de Ivan Cardoso, que continua com sua verve irônica, promovendo parcerias impossíveis, desta vez unindo Mr. Robert Zimmermann com o imortal Vincent Price. O resultado é bastante divertido, casando o rock mais básico com o horror camp da banda mecânica comandada pelo indefectível Dr. Anton Phibes tocando seu órgão. Quem provavelmente vai delirar com esse encontro imaginário é minha amadinha Bia, fãzoca de ambos, Dylan e Price. Quanto ao Sacramento, tive o imenso prazer de ver muito recentemente a excelente entrevista que ele concedeu ao programa Sala de Cinema, da SESC TV, um cara que só faz bem ao cinema brasileiro e por quem tenho cada vez mais admiração e respeito.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

The Severed Arm (1973)


   No dia de hoje não se fala em outra coisa que não seja o resgate dos 33 mineiros que ficaram soterrados durante quase 70 dias numa mina de cobre e ouro no Chile. A ousada operação, prevista para durar 48 horas, deve terminar em menos de 24 horas, o que já representa uma respeitável maratona em termos de cobertura jornalística. Por isso mesmo, o pessoal da GloboNews está se desdobrando para encontrar assunto, além de repetir ad nauseum, entre um salvamento e outro, as mesmas imagens de resgate realizados minutos antes, as mesmas histórias de pedidos de casamento via bilhete enviado a 600 metros abaixo da terra e tantas outras peculiaridades de uma situação única como esta.
   Um dos recursos encontrados pelo canal foi convidar um crítico de cinema para comentar os planos de realização de um longa-metragem sobre a história (o qual já está em produção). Inevitavelmente, surgiu a piada de que a situação renderia um ótimo filme de horror, e muitos filmes tensos sobre ambientes claustrofóbicos foram lembrados - Um Barco e Nove Destinos e Festim Diabólico, ambos de Hitchcock; A Faca na Água, Repulsa ao Sexo, O Bebê de Rosemary e O Inquilino, todos de Polanski; até mesmo Cubo, Jogos Mortais e a série de TV Lost. Um participante do programa ofereceu até um plot para o tal filme de horror: durante o período de enclausuramento no local, os mineradores descobrem que existe um 34º homem entre eles, uma entidade misteriosa que os ameaça...
   Bem, tudo isso só para dizer que já existe um filme de horror - muito ruim, mas mesmo assim divertido - sobre esse tema de mineradores soterrados. O nome do filme é The Severed Arm, uma miserável produção norte-americana sobre seis colegas que ficam aprisionados numa caverna subterrânea após um desmoronamento. Quando já estão à beira da inanição, decidem cortar o braço de um deles para saciar a fome e salvar suas vidas (confira esta cena no vídeo acima). Momentos depois da amputação, num cruel golpe de ironia, eles são encontrados por um grupo de resgate e a vítima jura vingança contra aqueles que tiraram seu braço. Cinco anos depois, o responsável pela idéia canibal recebe um braço humano pelo correio, e logo seus colegas passam a ser mortos por um maníaco.
   O filme é quase tão ridículo quanto a sinopse insinua, mas de certa maneira antecipou premissas semelhantes dos filmes slasher que inundariam o mercado alguns anos depois (podemos lembrar, por exemplo, de Dia dos Namorados Macabro, também protagonizado por mineradores). Agora que, pelo que tudo indica, todos sairão vivos dessa situação traumática, podemos fazer piada e... assistir a um filme tão estapafúrdio quanto The Severed Arm.
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