CRÍTICAS, ANÁLISES, IDÉIAS E FILOSOFIAS EM GERAL A RESPEITO DE FILMES DE HORROR DE TODAS AS ÉPOCAS, NACIONALIDADES E ESTILOS, E MUITAS OUTRAS COISAS RELACIONADAS AO GÊNERO

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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

As Garras do Mal (2001)

   Cinco jovens amigos são convidados para uma rave e partem rumo ao local da festa, onde um deles pretende conseguir dinheiro vendendo drogas. A farra logo termina em briga e eles são expulsos do local. Na estrada, de volta para casa, socorrem uma moça que diz ter sido vítima de uma seita satânica cujos seguidores se autodenominam Sombras. Uma van passa a persegui-los em alta velocidade e os jovens sofrem um grave acidente. Eles conseguem escapar dos perseguidores e perambulam pela mata durante a noite, em busca de abrigo, e acabam matando alguns dos satanistas. Ao amanhecer, conseguem fugir e pedem ajuda num pacato vilarejo próximo.
   A trama de As Garras do Mal (Devil’s Prey, 2001), lançado em DVD no Brasil como Sombras do Mal, é convencional em todos os detalhes, inclusive em suas surpresas absolutamente previsíveis. Logo de cara fica óbvio que a moça que eles socorrem é membro da tal seita satânica, por mais que ela se esforce em parecer vítima. Quando isso é revelado, muito mais tarde, não causa qualquer surpresa. Igualmente previsível é o papel de Patrick Bergin, um suposto pastor religioso que, com aquela cara de canalha, é incapaz de convencer qualquer cristão. Bergin tem alguma experiência como vilão no cinema (teve o privilégio de encarnar Drácula no ano seguinte), mas é difícil olhar para a cara dele e não lembrar de seu papel de cafajeste em Dormindo com o Inimigo, perseguindo a indefesa Julia Roberts num dos muitos thrillers com mulheres em perigo da década de 1990.
   O saldo final desse As Garras do Mal é a mesma ladainha de sempre: aos pecadores é permitida apenas a redenção, mas mesmo assim eles devem ser punidos de maneira implacável, como acontece com o traficante de drogas e sua namorada promíscua. Por sua vez, o casal de namorados que demonstra mais responsabilidade e consciência social durante toda a história é misericordiosamente poupado de um destino mais trágico. O filme ainda guarda uma surpresa para o final, mas trata-se de um epílogo tão ridículo que só pode ser encarado como um deboche, uma brincadeira de mau gosto com o pobre espectador.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Caçadores de Mentes (2004)

   Renny Harlin escreveu seu nome de maneira infame na história do cinema de horror ao dirigir aquela horrível prequel de O Exorcista em 2004, um raro caso de filme detestado unanimemente. No mesmo ano ele fez esta mistura de ação, suspense e horror, sem se definir por nenhum dos gêneros. Caçadores de Mentes (Mindhunters) é outro filme a mostrar a supostamente fascinante rotina dos agentes do FBI - depois de O Silêncio dos Inocentes e Arquivo X, esse parece o emprego dos sonhos de todo mundo que quer viver emoções fortes.
   A trama acompanha o treinamento de um grupo de perfiladores (é desta maneira que a legenda traduz profiler, não sabia da existência dessa palavra), agentes policiais encarregados de traçar perfis dos assassinos mais perigosos para tentar antecipar seus passos antes que voltem a matar. O encarregado pelo grupo é interpretado por Val Kilmer, no breve papel de um agente durão e intolerante, que parece ter um prazer sádico de humilhar os alunos. Os treinandos são liderados por Christian Slater, outro que aparece pouco e é responsável pela única genuína surpresa do filme, pois é o primeiro a ser morto por um serial killer que se infiltrou no grupo disposto a eliminar um a um.
   A premissa - pouco provável, mas esse é o menor dos problemas do filme - coloca os recrutas isolados numa ilha onde devem investigar uma série de crimes numa missão simulada. Porém, logo no primeiro cenário eles já descobrem que estão diante de homicídios bem reais, cometidos por um assassino metódico, com obsessão por detalhes. Relógios quebrados, estrategicamente posicionados, apontam o horário em que ocorrerá a próxima morte, então o objetivo dos sobreviventes - entre eles o rapper LL Cool J - é tentar impedir que o criminoso volte a agir. Cada morte é precedida por pistas enigmáticas que o assassino planta no local; mistérios absolutamente desinteressantes, de tão improváveis e absurdos. Uma dessas charadas é uma série infindável de números, que um dos agentes decifra como sendo a velocidade da luz. Isso significa que um deles será morto por luz; ou melhor, por lâmpadas elétricas que provocarão uma descarga de alta voltagem ao entrar em contato com a água. Perto disso, até as sádicas armadilhas de Jigsaw em Jogos Mortais parecem mais plausíveis.
   No final das contras, Caçadores de Mentes não é um filme tão ruim dentro desse subgênero de serial killers, mas é indicado mais para quem gosta de mortes espetaculares, explosões, correria desenfreada e exibição generalizada de macheza - até as mulheres são do tipo que falam aos berros e empunham armas - do que propriamente aos apreciadores de uma boa trama de horror e mistério.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Intermediário do Diabo (1980)

   Para dissipar de vez quaisquer dúvidas que ainda poderiam existir a respeito do título brasileiro do filme The Changeling (1980), comentado na lista dos preferidos do Scorsese, aqui estão o folheto publicitário da época e uma notinha de jornal anunciando sua estréia em São Paulo, em julho de 1984. O filme se chamou mesmo Intermediário do Diabo (sem artigo no início).
   A pesquisa de títulos e datas é uma das minhas obsessões, algo que me dá prazer tanto quanto ver um filme, e tenho a sorte de contar com a valiosa amizade e colaboração do grande jornalista Jaime Palhinha, o mais apaixonado historiador de cinema clássico e de filmes de horror que existe no Brasil. Esses raros e exclusivos scans são gentilezas dele. Para conhecer parte do acervo fílmico do Jaime, visitem o site dele. Fica também a sugestão para que todos assistam Intermediário do Diabo; é um filmaço (e mais um que corre o sério risco de ser refilmado em breve!). De bônus, inseri abaixo os cartazes originais (em inglês e francês, as duas línguas oficiais do Canadá) e mais uma obra-prima dos poloneses, os cartazistas mais doidos do mundo.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Dominique (1978)

Homenagem a Jean Simmons (1929-2010).


   Uma milionária (Jean Simmons) passa a ouvir vozes e ter visões fantasmagóricas que abalam sua sanidade. Ela desconfia que o marido (Cliff Robertson) esteja por trás dos estranhos eventos, mas entra em desespero e acaba se enforcando. O marido também passa a experimentar os sinistros fenômenos, porém fica determinado a provar que tudo não passa de armação. Produção inglesa setentista, exemplar ideal de obra onde a hipótese do “sobrenatural explicado” margeia entre o suspense e o horror. O filme conta com peripécias deliciosamente antiquadas e lugares-comuns competentemente utilizados, com violações de túmulos, pianos que tocam sozinhos, leituras de testamentos e outros.
   O filme se encontra em domínio público e pode ser assistido diretamente neste blog clicando play no vídeo acima (de preferência usando Internet Explorer) ou baixado gratuitamente aqui.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Halloween II (2009)

   Se quisermos analisar com seriedade e cuidado um filme como Halloween II (2009), antes de mais nada temos que nos questionar com o quanto de frescor e imparcialidade conseguimos ver um filme como esse - ou qualquer filme, de fato. É preciso não apenas nos livrarmos de quaisquer conceitos pré-estabelecidos do que seria - neste caso específico - um segundo capítulo da já bastante popular franquia do psicopata Michael Myers, mas acima de tudo nos despirmos o máximo possível da mania de querermos ver um filme do ponto de vista daquilo que gostaríamos que ele fosse, e não de como ele objetivamente é. Muitos textos que leio sobre filmes recentes são pouco instigantes, porque o autor se preocupa demais com o fator “gostei/não gostei”, e menos em tentar esmiuçar o que o filme é de fato, sobre os temas que ele trata e em que níveis isso acontece. Peço licença para ter essa pretensão ao falar de Halloween II.
   Para começar, um pouco sobre o que achei do primeiro Halloween (2007) e dos demais filmes dirigidos por Rob Zombie. Apesar de tecnicamente bem feito e com algumas cenas violentas realizadas com talento, a refilmagem de Halloween comete o erro imperdoável de tentar justificar a psicopatia de Michael Myers, atribuindo sua maldade e deformidade de caráter ao meio ambiente decadente onde o menino vive: pai alcoólatra, mãe prostituta, vizinhança pobre... Um amontoado de clichês que violentaram e desrespeitaram a obra-prima de John Carpenter (o filme original de 1978, aposto que todo mundo viu...), cuja força reside justamente no fato de que não há explicação para aquilo em que se tranforma o pequeno Michael. Carpenter levou o horror ao último refúgio do sonho americano: os bucólicos subúrbios da classe média, com suas ruas arborizadas e vizinhança pacata. Michael Myers é uma pessoa tão normal que Carpenter se dá ao luxo de iniciar o filme com a visão subjetiva do assassino; é alguém tão comum que nós mesmos nos sentimos em seu lugar. E isso é perturbador.
   Depois de uma bem-sucedida carreira no rock pesado, Rob Zombie decidiu partir para a carreira de cineasta, especificamente como diretor de filmes de horror. Seus primeiros filmes são tão anárquicos quanto imperfeitos: A Casa dos 1000 Corpos (2003) e Rejeitados pelo Diabo (2005) exalam a irresponsabilidade de quem cresceu influenciado pelo horror apocalíptico da década de 1970, mas não são para todos os gostos. Ainda que seja exagero afirmar que Zombie esteja se tornando um sujeito mais tradicional, há uma sensível e incontestável diferença entre seus primeiros filmes e os dois Halloween. Isso fica mais evidente no caso de Halloween II, no qual Zombie inclusive parece disposto a refletir sobre o impacto social do culto aos anti-heróis, coisa tão comum no caso de slashers.

Delírios de um cara quase normal

   Depois de fazer dois filmes doidões, nos quais sacrificou lógica, bom-senso e bom-mocismo em favor de estilo, desenvolvimento de personagens e muita cara-de-pau, Zombie teve que aderir a um formato mais convencional de cinema. Seu desafio é exprimir nos filmes o que fazia na música: ainda que brutal, violento e agressivo ao extremo, era capaz de acrescentar um pouco de ginga, de melodia, de ritmo. O heavy metal com batida dançante e camadas intensas de som eletrônico fez com que a música de sua banda White Zombie - e, depois, de Rob Zombie em carreira-solo - rompesse os limites do público metaleiro e ele se tornasse popular também em meio a um público pouco familiarizado com o rock pesado. Mesmo com sua voz gutural e o visual de homem-das-cavernas, Rob até virou uma espécie de sex symbol para mocinhas mal-comportadas. A questão é se Rob é ou não capaz de traduzir isso em uma arte muito mais complexa e menos abstrata: o cinema.


   Halloween II mostra um Rob Zombie que começa a amadurer como cineasta e aos poucos demonstra que tem algo próprio a oferecer. Não obstante a obrigatoriedade de seguir a mitologia de Michael Myers - que rendera sete longas antes de ter seu reboot em 2007 - ele é capaz de contar uma história renovada, com elementos complexos que enriquecem a franquia e abrem um leque de possibilidades interessantes para o futuro.
   A sequência de abertura é o momento mais poderoso do filme, com 25 minutos de uma verdadeira orgia de suspense e mortes violentas, tendo como principal cenário um hospital numa noite de chuva torrencial, no qual o horror reinicia para a azarada Laurie Strode (Scout Taylor-Compton), nossa protagonista. A cena toda é embalada por uma onírica e onipresente “Nights In White Satin”, assombrosa balada do grupo The Moody Blues, estabelecendo uma referência musical ao fantasma todo de branco da mãe de Michael Myers, tema que domina o filme e explica as motivações do assassino. A canção é belíssima e, para quem quiser conhecer, inseri abaixo o vídeo que é usado no próprio filme.


   A premissa segue a cartilha da série: Michael Myers, transformado num homicida praticamente indestrutível, retorna à cidadezinha de Haddonfield em plena noite de Halloween para atormentar a vida da pobre Laurie Strode e de quaisquer desavisados que cruzarem seu caminho. Porém, quem espera apenas mais um banho de sangue obtuso, o filme surpreende ao humanizar seus personagens, sejam eles vítimas ou vilões. É uma verdadeira carnificina, não se engane, um slasher com todos os seus elementos indispensáveis, mas não há como não se comover com algumas das mortes. O elenco também é excepcional, com Brad Dourif no difícil papel de um xerife perturbado pelos fatos ocorridos no filme anterior. Surpreende também o Dr. Sam Loomis interpretado por Malcolm McDowell. Ao contrário do abnegado e obcecado psiquiatra interpretado com brilhantismo por Donald Pleasence nos filmes originais, McDowell encarna um sujeito oportunista e mau-caráter, que tira proveito de toda a tragédia envolvendo os crimes e escreve um livro no qual revela segredos da vida de todos os envolvidos. O lançamento do livro acontece em pleno 31 de outubro, dia de Halloween. A atuação de McDowell, como sempre, é notável, mantendo o filme em alto nível.
   No entanto, para poder se apreciar plenamente um filme como Halloween II, é preciso aprender a conviver com as contradições de seu autor. Rob Zombie é um típico subproduto da cultura pop americana, muito similar a Stephen King: ambos recheiam suas obras de referências diretas aos seus ídolos, puramente pelo prazer do tributo, e não se constrangem em replicar trechos de obras famosas como forma de “homenagem” ou “citação” (claro, Tarantino faz a mesma coisa e todo mundo acha o máximo). Porém, devemos reconhecer que quando Zombie usa “Freebird” no clímax de Rejeitados pelo Diabo, ele ajuda a nova geração de espectadores a aprender que isso é essencialmente uma música, um dos grandes clássicos da cultura popular do século passado, e não apenas a fase do boss no Guitar Hero (a propósito, se interessar a alguém, Rob Zombie participa do disco de estúdio mais recente do Lynyrd Skynyrd, que aliás é muito bom). Ou seja, ao recusar a armadilha fácil da auto-indulgência, ele compõe um mosaico rico em referências e contribui no resgate de parte da cultura pop.

Bem-vindo ao meu pesadelo

   No final, entretanto, é tudo questão de afinidade. No mundo imaginário de Rob Zombie, é comum que meninas teenagers se divirtam ouvindo “Kick Out The Jams”, do MC5, pendurem quadros de Alice Cooper e Charles Manson pela casa (Manson é uma das obsessões de Zombie), ou mesmo saiam dirigindo loucamente ao som de “Am I Evil”, do Diamond Head, e se fantasiem como personagens do musical The Rocky Horror Picture Show. Claro que isso tudo fala muito mais do próprio Zombie do que da personagem que ele quer mostrar (no caso, Laurie Strode), ainda que algumas letras - especialmente a de “Am I Evil” - sirvam também como importante elemento narrativo. Paradoxal, mas ao mesmo tempo revelador, acaba denunciando uma certa ansiedade por parte de Rob Zombie de preencher a tela com seus ídolos, em total descompromisso com a lógica (exceto que se disponha a interpretar tudo como um quebra-cabeça que se completa no final...).
   O filme tem outros pontos positivos, como a relação complexa entre as garotas e o fracasso do tratamento psiquiátrico de Laurie, com Margot Kidder no papel da doutora. O final também é especialmente poderoso e novamente fazendo uso correto de uma canção pop, um coda adequado a um filme que busca ter vida própria ao mesmo tempo que deixa portas e janelas abertas para um eventual terceiro capítulo. A ambiguidade da tomada final é uma amostra do que Rob Zombie é capaz de criar - e, esperamos, um indício do que ele tem de melhor a oferecer futuramente.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Morrendo de Medo (1947)


   Para contemplar as presenças de George Zucco e Bela Lugosi na enquete acerca dos astros do horror clássico, escolhi rever em DVD esta confusa produção de 1947, que vi há muitos anos (se não me engano) num site de vídeos stream. Quem quiser conhecer esta paupérrima produção da Screen Guild basta clicar no botão play acima (preferencialmente usando Internet Explorer); ou, se for do tipo completista, pode baixar o filme legalmente aqui, de graça.
   Morrendo de Medo (Scared to Death) é o único filme de horror colorido da carreira de Bela Lugosi, feito num processo econômico chamado Cinecolor (ou Natural Color, segundo os créditos de abertura). Deve haver alguma coisa errada na cópia que circula em DVD e na internet, pois uma tal “máscara verde” que tem alguma importância na trama na verdade é azul! Problemas daltônicos à parte, trata-se de um convencional filme ruim na carreira de Zucco e Lugosi, dupla fadada a atuar em filmes ruins durante grande parte de suas carreiras. A trama é confusa e estapafúrdia, seguindo o padrão enxuto das produções dos estúdios pobres da década de 1940: personagens confinados a um único cenário, pouquíssima ação e muito falatório.

   Costuma-se dizer que George Zucco era a opção barata quando Lugosi e Karloff não estavam disponíveis, mas essa é uma maneira simplória e equivocada de tratá-lo. Zucco sempre dava um ar de dignidade aos filmes que fazia, com seu profissionalismo e dedicação. Mais do que Lugosi, que quase sempre parecia estar no limite da paródia, Zucco se esforçava em soar natural em seus papéis, por mais esdrúxulos que fossem. O duelo entre os dois astros em Morrendo de Medo - no qual interpretam primos que não são exatamente melhores amigos - é uma amostra fiel da diferença de estilo (e talento) entre os dois. Lugosi, acompanhado pelo diminuto Angelo Rossitto (meu anão cinematográfico predileto, cuja carreira vai de Freaks, de 1932, a Mad Max III, de 1985), surge em cena para atrair para si todas as suspeitas. Capa preta, olhar misterioso, falar entre dentes... Bela é o hipnotizador Leonide, o estereótipo do vilão. Tão maligno e sinistro que fica óbvio desde o início que ele é inocente. Zucco, por sua vez, compõe um personagem mais cativante, de fala mansa, manipulador, cínico.
   O filme é narrado todo em flashback, em tom de comédia de humor negro, pelo cadáver de uma moça que relembra sua morte enquanto aguarda ser autopsiada no necrotério. Suas seguidas intervenções, acompanhada por uma repetitiva vinheta sonora, são ridículas e irritantes. Igualmente inconveniente é o papel de Nat Pendleton, um segurança que perambula pela clínica fazendo investigações por conta própria. A trama envolve uma série de personagens suspeitos que transitam pela tal clínica, na qual o Dr. Zucco é uma espécie de psiquiatra. Morrendo de Medo é notável apenas por se tratar de um dos pouquíssimos filmes de horror realizados em 1947, época em que o gênero foi praticamente banido de Hollywood, deixando Lugosi, Karloff e outros atores desempregados. É também um dos últimos filmes de Zucco, que tem cerca de 25 títulos de horror no currículo, sendo outros dois deles em companhia de Lugosi. Ele assumiu o papel que seria de Lionel Atwill, que adoeceu - e acabou falecendo - pouco antes de iniciadas as filmagens. Zucco morreu em 1960, muitos anos depois de ter se afastado das telas, o que deu origem ao rumor de que ele passou seus últimos dias enlouquecido num sanatório, agindo como um personagem típico dos seus filmes.

   Morrendo de Medo permaneceu inédito no Brasil tanto nos cinemas quanto na televisão, mas foi lançado em VHS há uma eternidade. Também passou no saudoso canal Retrô, da Sky. Amanhã comentarei mais um filme com George Zucco, desta vez uma produção de primeira linha, para variar. Quem quiser conhecer outras obras dele, recomendo The Flying Serpent (1945), no qual ele controla um pássaro mitológico para eliminar seus rivais, e Dead Men Walk (1943), refilmagem disfarçada de Drácula, com direito a dose dupla de Zucco e a preciosa presença de Dwight Frye, num de seus últimos filmes, interpetando um maluco obviamente inspirado em Renfield.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Encarnação do Demônio (2008)

   Sabadão à noite fiz uma sessão de cinema aqui em casa com meus grandes amigos Marco e Vladimir (que só ficam prometendo visitar o blog, mas nunca têm tempo...) para rever Encarnação do Demônio, filme que encerra a trilogia do Zé do Caixão. Só então me dei conta que, por mais que eu tenha conversado e dado palpites sobre o filme, nunca escrevi formalmente a respeito dele. O assunto já está caduco à esta altura, mas darei uns breves pitacos para quem ainda quiser discutir a obra.
   Foi apenas a segunda vez que vi o filme em sua forma definitiva, com pouco mais de 90 minutos. A primeira foi no cinema aqui da minha cidade, sala praticamente vazia, eu e minha namorada e um sujeito perdido lá nas primeiras fileiras. Antes assisti a dois workprints na produtora Olhos de Cão, sendo o primeiro com excruciantes duas horas de duração e o segundo com cerca de 105 minutos, e uma versão quase definitiva, com trilha sonora provisória que ajudei a compilar, numa sessão privativa no Cine Sesc, em São Paulo.
   Sempre fiz questão de deixar claro que não tenho qualquer interesse em fazer cinema, mas que fazia questão de participar dessa obra histórica, da melhor maneira que eu pudesse contribuir. Terei para sempre as melhores lembranças sobre o processo de criação, execução e finalização desse filme que nasceu cult e que marcará toda uma geração de aficionados pelo horror brasileiro (em especial, pelo cinema de Mojica) com o lema “eu assisti um filme de Zé do Caixão no cinema”.


   O filme, vocês sabem, começa com Zé do Caixão sendo libertado de um presídio de segurança máxima depois de passar 40 anos atrás das grades, onde pagou pelas barbaridades que cometeu em À Meia-Noite Levarei Sua Alma (1964) e Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver (1967). Em sua nova morada, no meio de uma favela, Zé volta a procurar pela mulher ideal que lhe dará o filho perfeito. Contando com seu séquito de fiéis discípulos, tendo o corcunda Bruno à frente, o coveiro maldito volta a azarar a mulherada com esperanças de encontrar a escolhida. Entre baforadas de cachimbo, goles de peiote e noites mal dormidas, Zé sofre alucinações com os fantasmas de suas vítimas do passado e começa a contestar a própria sanidade.
   Porém, não é só o Além que tem contas a acertar com o assassino com unhas “desse tamanho”: dois irmãos policiais (Jece Valadão e Adriano Stuart, que só contracenam graças às mágicas da edição de Paulo Sacramento) querem ver a caveira de Zé do Caixão e apelam para toda a truculência e brutalidade inerentes à sua posição de “otoridade”. Tem também um padre doido de pedra, do tipo que se autoflagela ouvindo música sacra, filho do médico queimado vivo por Zé no primeiro episódio da trilogia. Polícia e Igreja se unem contra o herege infame.
   O filme tem falhas em quase todos os departamentos. O roteiro é apressado em alguns momentos e teve que ser remendado para se adequar à ausência de Jece Valadão, falecido depois de poucos dias de filmagem; as atuações são desiguais, transitando entre discreto, histérico e exagerado, e as cenas chocantes de tortura e mutilação, em sua ânsia pelo realismo extremo, cometem gafes imperdoáveis como o “carrasco” que costura a boca de uma mulher usando luvas cirúrgicas! Porém, é um filme visualmente deslumbrante, repleto de cenas de impacto e cenografia surrealista. Para mim, o que mais salta aos olhos - e é o que realmente importa - é que Encarnação do Demônio é um filme com culhões; cinema corajoso, selvagem, horror físico e metafísico, que não tem medo de colocar um septuagenário Zé do Caixão em luta corporal com seus inimigos, ao mesmo tempo em que propaga sua filosofia bestial e troca carícias com mulheres ideais. Mulheres de todas as raças e formatos, nuas e em quantidade, pois mulheres nunca são demais - e no écran nunca devem estar vestidas.

Cinema impetuoso, ousado, para poucos


   O filme foi festejado de maneira praticamente unânime pela crítica - em alguns casos, com certo ar de mea culpa, de gente que cansou de implicar com o “velhinho” Mojica - e colheu troféus alhures, mas foi um absoluto fracasso comercial no mercado doméstico. Azar do zé-povinho, que lota os cineplex de shopping perfumados de pipoca amanteigada, para ver quantos Jogos Mortais os ianques imperialistas fizerem e desdenha com sorrisinho arrogante quando indagado sobre o que tem a dizer de nosso Zé. Diante disso, dá aquela vontade de que o filme fosse mais “nosso”, cinema hermético e auto-suficiente, auto-indulgente e feito para os iniciados, dando uma proverbial banana àqueles que ignoram as peripécias sessentistas de Josefel Zanatas e sua filosofia de botequim. Mais ainda: faz a gente pensar que, entre as cenas não aproveitadas, deve existir material precioso de Zé Celso e Zé Mojica visitando o purgatório dantesco, mais improvisos geniais de Adriano Stuart e muita cena de horror com sacanagem e sacanagem com horror. Cenas estas que quiçá tenham sido sacrificadas em benefício de um filme mais “redondo”.
   Encarnação do Demônio não é o filho perfeito de José Mojica Marins, não chega aos pés do imponente, delirante e psicossomático Ritual dos Sádicos (1970), mas é a prova em celulóide que seu sangue tem poder e que seu legado cinemático é perpétuo. Afinal, como filosofa Zé do Caixão lá pelas tantas, “imagens não morrem”!

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

O Mistério das Duas Irmãs (2009)

   Não sou daquelas pessoas que adivinham finais de filme, mas acho que já vi coisas o bastante para prever alguns truques. Em algumas raras situações saquei logo de cara a surpresa que determinados filmes reservam para o final. Foi assim com O Mistério das Duas Irmãs (The Uninvited), que se mostrou óbvio para mim desde o comecinho. Tendo em mente o truque no qual o filme sustenta sua narrativa, pude ir confirmando cada vez mais que eu estava com a razão. Porém, ao contrário de destruir o prazer de assistir ao filme, fui capaz de curtir ainda mais a maneira engenhosa com a qual a trama é conduzida. E, para pegar de surpresa mesmo os mais espertinhos (como eu), o filme ainda guarda uma reviravolta final - esta sim, imprevisível para este escriba.
   O Mistério das Duas Irmãs, dirigido por Charles e Thomas Guard, é o tipo de filme que vale a pena ver pelo menos duas vezes; a primeira pelo prazer da história, a segunda para ve como tudo é conduzido seguindo uma lógica própria. Acredito que um filme seja um universo fechado em si próprio. As regras que ele cria, desde o primeiro fotograma até a cena final, vale somente para a duração do filme, e é por meio desse conjunto de parâmetros que devemos julgar o desenrolar de uma trama. Nesse sentido, considero O Mistério das Duas Irmãs suficientemente honesto com aquilo que ele propõe. As atitudes dos personagens, a maneira como interagem e as decisões que tomam seguem uma lógica determinada pelo ponto de vista adotado na narrativa. Gosto muito quando um filme nos convence de que os personagens estão agindo da maneira que julgam ser a mais correta, para depois nos mostrar como estamos equivocados. Acho genial, por exemplo, a reviravolta final de O Chamado, quando Rachel (Naomi Watts) liberta o espírito de Samara, acreditando estar fazendo a coisa certa - quando, na verdade, está permitindo que o fantasma da menina cometa ainda mais malvadezas.


   O Mistério das Duas Irmãs, refilmagem do sul-coreano Janghwa, Hongryeon (lançado por aqui como Medo, mas mais conhecido como A Tale of Two Sisters), é rico em personagens fazendo bobagens devido à incapacidade de raciocinar de maneira correta. Conta a história de uma garota que retorna para casa depois de se tratar numa clínica psiquiátrica, onde fez terapia para superar a perda trágica da mãe, morta num incêndio do qual a menina pouco se lembra. De volta para casa, ela passa a viver com o pai e sua nova madrasta, tendo ainda a companhia da irmã rebelde. Logo a menina se convence que a namorada de seu pai foi a causadora da tragédia que culminou no incêndio que matou sua mãe e decide investigar o passado dela. Uma série de acontecimentos assustadores levam a história a um desfecho trágico e surpreendente.
   Um filme bem narrado, envolvente e dinâmico, com todos os elementos necessários para agradar tanto ao consumidor casual do gênero quanto aos aficionados por horror. Acima de tudo, um filme que consegue se sustentar mais pela história interessante do que por cenas violentas e sustos exagerados.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Passageiros da Noite (2008)

   Não é de hoje que o cinema de horror tenta meter medo ao inserir o caos nas situações mais cotidianas. É a essência do gênero fazer com que o espectador passe a ter receio de atravessar a rua, atender ao telefone ou mesmo apagar a luz antes de dormir. Sentir medo sempre é bom, faz parte do instinto de sobrevivência animal, e se um filme for capaz de perturbá-lo a ponto de você ficar com ele na cabeça durante dias ou semanas ou meses, o filme cumpriu seu papel.
   Passageiros da Noite (Shuttle) definitivamente não é recomendado para quem costuma andar de lotação, ainda mais se for tarde da noite. A história é relativamente simples, acompanhando a noite de terror de um grupo de passageiros desavisados que acaba entrando na van errada, mas a força do filme está na maneira como as surpresas vão sendo apresentadas ao longo da trama. É o tipo de filme em que você pensa que as coisas não podem mais piorar - e elas sempre pioram. Seguindo a tendência dos filmes de violência extrema que invadiram as telas nos últimos anos, Passageiros da Noite em determinado momento induz o espectador a torcer por uma morte misericordiosa para os protagonistas - somente para então nos negar esse alívio amargo e nos abandonar desamparados diante do caos absoluto.


   Duas amigas retornam de uma viagem de férias no México. A mala de uma delas é extraviada no aeroporto e as garotas acabam ficando sem condução em plena madrugada. Embaixo de uma chuva torrencial, conseguem parar uma van de lotação que passava pelo local. O motorista (Tony Curran, cujo desempenho excepcional evita que o filme se torne monótono), que já tinha um passageiro na van, aceita levar até seus respectivos destinos as duas amigas e outros dois rapazes que elas conheceram no aeroporto e que passaram a flertar com elas ao longo da noite.
   Não demora para que a viagem se torne infernal: o motorista parece não conhecer o caminho, aventurando-se pela parte mais barra-pesada da cidade. As coisas se complicam quando fura um pneu da lotação e um dos rapazes sofre um grave acidente quando tentava ajudar o motorista a tirar a roda. A partir de então, o filme se empenha a mostrar algumas das maneiras mais cruéis e impiedosas de torturar física e psicologicamente os quatro jovens, com a dose indispensável de agressão ao corpo, mutilações, esquartejamentos e humilhação. Para a maioria dos espectadores, é um entretenimento inofensivo, mas o realismo com que a ação transcorre na tela, até o final pessimista e inesperado, nos faz pensar em que ponto termina a ficção e onde esbarramos na dura realidade cotidiana.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

A Próxima Vítima (1983)

   O gênero policial é um dos poucos nichos do cinema brasileiro relativamente prolífico, principalmente em comparação com o horror. Desde os tempos dos grandes estúdios, os experimentalismos do cinema marginal e o sensacionalismo das realizações da Boca do Lixo, chegando aos arrasa-quarteirão dos anos mais recentes, o gênero policial é muito bem representado no cinema nacional. A Próxima Vítima, de João Batista de Andrade, é um dos melhores exemplares de suspense policial da década de 80, em alguns momentos se assemelhando aos bons filmes americanos do gênero, com ritmo correto e personagens bem desenvolvidos. Não se trata de um filme de horror, mas merece menção na filmografia brasileira do gênero por tratar de um caso verídico de um assassino em série, que ficou conhecido como “o Vampiro do Brás”. A contribuição do cinema brasileiro neste subgênero é modesta - cerca de meia dúzia de títulos, se tanto - e por isso mesmo acredito que merece ser tratada com atenção.
   Antônio Fagundes, num dos melhores momentos de sua carreira, faz o papel de um repórter de telejornal encarregado por seu patrão (Goulart de Andrade, aquele do “vem comigo!”) de fazer a cobertura de uma série de homicídios de prostitutas no bairro paulistano do Brás, tradicional reduto da colônia italiana. Imerso num cenário de absoluta decadência e corrupção, o repórter acaba se envolvendo com uma prostituta menor de idade (a debutante Mayara Magri), a qual ele teme que se torne a próxima vítima do maníaco sexual. Enquanto isso, outras mortes continuam a ocorrer.
   A trama tem como pano de fundo as eleições diretas de 1982, com imagens documentais mostrando Jânio, Montoro e Lula concorrendo ao governo do estado de São Paulo. A crítica social, o pessimismo e a desesperança no futuro são onipresentes na trama; a corrupção das autoridades e a incompetência da polícia são elementos determinantes para levar a história a um desfecho trágico. Ao mesmo tempo corajoso e anti-utópico, o roteiro de Lauro César Muniz ousa desdenhar da esperança em uma nação democrática prometida pelas primeiras eleições diretas realizadas no Brasil depois do período de Ditadura Militar. O personagem de Fagundes, à certa altura, faz um discurso anárquico e revoltado em relação ao futuro político brasileiro.
   O filme não se interessa em explorar os crimes sexuais, mostrando muito rapidamente cada vítima, mas um clima tenso constante domina a narrativa. O horror, neste caso, emerge tanto do cenário decadente da prostituição e do crime quanto da podridão que domina a política e a polícia.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Ato de Violência (1980)

   Pretendo dedicar parte do mês de janeiro para rever alguns filmes brasileiros de horror, sobre os quais escreverei para uma publicação estrangeira. A pesquisa (inédita) sobre a produção brasileira no gênero, realizada por mim e pela amiga Laura Cánepa, resultou na mostra Horror no Cinema Brasileiro, a qual organizamos em parceria com a Heco Produções para o Centro Cultural Banco do Brasil. A mostra passou por Brasília no segundo semestre de 2009 e no momento está rolando no Rio de Janeiro. No verdadeiro trabalho de garimpo que foi organizar a filmografia brasileira no gênero, chegamos perto da conta de 200 longas de horror, mas a lista acabou sendo reduzida a 144 títulos no guia publicado no livro-catálogo da mostra. Entre os filmes excluídos da publicação está o drama policial Ato de Violência, dirigido por Eduardo Escorel em 1980.
   Sempre haverá discussão em torno de filmes sobre assassinos psicopatas serem ou não considerados do gênero horror, mas eu não abro mão de minha opinião. Para mim, um psicopata é um monstro como qualquer outro (vampiro, lobisomem, zumbi...), com a diferença apenas de não ser sobrenatural. Seu comportamento violento é injustificável: ele tem a agressividade de um monstro e não a de um criminoso de enredo de um policial ou suspense, que geralmente age com algum objetivo em mente (roubo, sequestro, vingança...). Partindo dessa equação, assassinos de ficção como Norman Bates, Michael Myers e Hannibal Lecter têm a companhia de serial killers reais, como Ed Gein, Ted Bundy e John Wayne Gacy - independentemente do gênero de seus filmes.
   Ato de Violência é um dos poucos longas brasileiros inspirados num criminoso verídico brasileiro, temática que rendeu obras como o cult marginal O Bandido da Luz Vermelha e o tosco O Maníaco do Parque - o qual será comentado aqui no blog em breve. Dirigido por Eduardo Escorel, montador competente, Ato de Violência conta a história do famigerado Chico Picadinho (Francisco Costa Rocha), psicopata que esganou e esquartejou duas mulheres em 1966 e 1976 na cidade de São Paulo. Mudaram o nome do personagem - o criminoso interpretado por Nuno Leal Maia se chama Antônio Nunes Corrêa - mas o filme recria cada crime de Chico Picadinho com fidelidade nos detalhes, incluindo o lento esquartejamento na banheira e os pedaços de corpos jogados no vaso sanitário.
   Lento, dramático e deveras deprimente, o filme é ambientado num cenário social decadente e desesperançoso. O criminoso é incapaz de explicar o que o levou a matar tão friamente as mulheres e sua passagem pela prisão não lhe propicia nenhuma espécie de cura, tratamento ou ajuda. A cena que mostra o almoço sendo servido na prisão, filmada em estilo semi-documental, denuncia as condições lamentáveis do sistema penitenciário brasileiro. Críticas sociais à parte, o filme é poderoso, dirigido com segurança por Escorel, que optou por não mostrar as cenas de morte de maneira violenta - o que as torna ainda mais chocantes e inexplicáveis.
   Nuno Leal Maia, a quem o crítico Rubem Biáfora comparava a Rondo Hatton, está correto no papel do assassino psicopata. Seu desempenho discreto, sem demonstrar grandes emoções, torna seu personagem tão patético quanto perigoso e imprevisível. A belíssima Selma Egrei tem grande presença mais uma vez; ela é a atriz brasileira que mais fez filmes que podemos considerar do gênero “fantástico”, atuando em O Anjo da Noite, O Jeca Macumbeiro, Ninfas Diabólicas, O Coronel e o Lobisomem, Uma Estranha História de Amor, As Filhas do Fogo e Estrela Nua. Uma quase rainha do grito dos trópicos!
   Recomendo Ato de Violência a quem se interessa por filmes sobre psicopatas, mas que queiram ver algo além de mulheres sendo retalhadas. Neste mesmo estilo, em breve escreverei sobre A Próxima Vítima (1983), de João Batista de Andrade, outro que só eu chamo de 'horror'.
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