CRÍTICAS, ANÁLISES, IDÉIAS E FILOSOFIAS EM GERAL A RESPEITO DE FILMES DE HORROR DE TODAS AS ÉPOCAS, NACIONALIDADES E ESTILOS, E MUITAS OUTRAS COISAS RELACIONADAS AO GÊNERO

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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

A Casa Sinistra (1932)

Homenagem a Gloria Stuart (1910-2010).


   Morreu ontem, domingo, aos 100 anos de idade, a veterana atriz Gloria Stuart. Enquanto que para o povão que só assiste a blockbusters e filmes óbvios ela é apenas ‘a velhinha do Titanic’, para os aficionados por horror ela foi a estrela de pelo menos dois clássicos do gênero: A Casa Sinistra (Old Dark House), de 1932, e O Homem Invisível (The Invisible Man), de 1933, em ambos dirigida pelo competentíssimo James Whale.
   Gloria está absolutamente fascinante em A Casa Sinistra, especialmente na cena destacada no vídeo acima. Ela nunca foi lá muito bonita, talvez nem mesmo carismática, mas neste filme exala uma sensualidade palpável. Whale captura perfeitamente, com sua lente escandalosamente fetichista, a figura longilínea e vulnerável da loira. Para mim, é uma das cenas mais representativas de uma espécie de violação sexual estilizada que era própria do cinema hollywoodiano pré-Código Hays: o toque da mão da velha malévola no peito nu da mocinha é um momento de puro horror grotesco, o choque entre a pureza e a corrupção.
   O filme é estrelado por Boris Karloff, recém-consagrado pelo papel do monstro de Frankenstein, aqui novamente em papel sinistro sob pesada maquiagem. O estilo cômico é similar ao empregado por Whale em O Homem Invisível e A Noiva de Frankenstein, num casamento perfeito de humor e horror. Se quiser prestar uma homenagem digna a Gloria Stuart, esqueça Titanic. É este filme aqui que você precisa ver.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Jamaica Inn (1939)


   O último filme inglês de Hitchcock é uma grande decepção, uma bagunça completa; culpa em parte dos exageros de Charles Laughton. O roteiro é baseado num livro de Daphne du Maurier, autora também do romance Rebecca, filmado por Hitch no ano seguinte. Lançado em maio de 1939, foi exibido no Brasil como A Estalagem Maldita. Baixar em MP4 com 1.5 GB.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

The Lady Vanishes (1938)


   O filme mais encantador da fase inglesa de Hitchcock, o exemplar perfeito do suspense sobre trilhos. Obra-prima em todos os detalhes, desde o humor com tempero picante e a trama engenhosamente intrincada até as charmosas miniaturas e maquetes. Lançado em agosto de 1938, foi exibido no Brasil como A Mulher Oculta e mais tarde foi relançado como A Dama Oculta, título pelo qual ficou mais conhecido entre nós. Baixar em MP4 com 1.1 GB.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Young and Innocent (1937)


   Um dos filmes de espionagem menos conhecidos de Hitchcock, talvez pela ausência de astros mais carismáticos e populares. Não está entre suas obras-primas, mas está repleto de boas idéias, especialmente o plano-sequência que revela a identidade do assassino. Lançado em novembro de 1937, foi exibido no Brasil como Jovem e Inocente. Baixar em MPEG com 2.1 GB.

Sabotage (1936)


   Talvez o mais pessimista de todos os filmes britânicos de Hitchcock, com situações que possivelmente o cineasta jamais tivesse a liberdade de realizar em Hollywood. Originalmente lançado em dezembro de 1936, foi exibido no Brasil como O Marido Era o Culpado e posteriormente lançado em vídeo como Sabotagem (não confundir com o estadunidense Sabotador, que Hitchcock dirigiu em 1942). Baixar em MP4 com 1.1 GB.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Secret Agent (1936)


   Um filme estranho, que pega muita gente de surpresa pelo seu pessimismo e por uma aparente falta de temas hitchcockianos; de fato, é uma de suas obras mais fascinantes e que certamente merece revisão. Lançado em maio de 1936, foi exibido no Brasil como Agente Secreto. Baixar em MP4 com 1 GB.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

The 39 Steps (1935)


   Uma das grandes obras-primas da fase britânica de Hitchcock, lançado logo depois de O Homem Que Sabia Demais (1934). Lançado em junho de 1935 e exibido no Brasil como Os 39 Degraus, é baseado no livro homônimo de John Buchan, mas pouco aproveita da fonte original, reinventando toda a trama. O casal protagonista é um dos mais perfeitos da filmografia hitchcockiana, com Madeleine Carroll compondo uma de suas clássicas loiras gélidas. Baixar em MP4 com 861 MB.

domingo, 12 de setembro de 2010

Waltzes from Vienna (1933)


   Um dos mais obscuros filmes dirigidos por Hitchcock, foi o último do cineasta a chegar ao DVD, e ainda assim com lançamento restrito. Estreou nos cinemas em maio de 1933 e nunca foi exibido no Brasil. Conta a história do compositor Johann Strauss e sua inspiração para compor o “Danúbio Azul”. Baixar em MP4 com 711 MB.

Rich and Strange (1932)


   Comédia romântica dirigida por Hitchcock, um de seus filmes mais estranhos e fascinantes, mas injustamente menosprezado e desconhecido pela maioria das pessoas. Lançado originalmente em março de 1932, foi exibido no Brasil como Ricos e Estranhos, inclusive pelo canal pago TeleCine. Baixar em AVI com 696 MB.

sábado, 11 de setembro de 2010

The Skin Game (1931)


   Um dos filmes mais desinteressantes de toda a carreira de Hitchcock, uma tediosa adaptação da peça de John Galsworthy. Lançado em junho de 1931 e inédito no Brasil em todas as mídias. Baixar em AVI com 624 MB.

Murder! (1930)


   Outro exemplar dos primórdios do período sonoro de Hitchcock, não é de seus melhores filmes, mas tem algumas interessantes experiências com som e curiosas metáforas com o mundo do teatro. Estreou originalmente em agosto de 1930 e foi lançado no Brasil como Assassinato. Baixar em AVI com 700 MB.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

O Jovem Tataravô (1936)


   A sessão de hoje do Fantaspoa promete ser um momento especial no festival, ao menos àqueles que compartilham do entusiasmo e interesse em tudo que cerca nosso tão pouco conhecido cinema de gênero. A exibição do filme O Jovem Tataravô, uma comédia musical produzida pela Cinédia em 1936, resgata um item raro de nossa filmografia, naquele que é considerado o primeiro longa-metragem brasileiro com elementos fantásticos. O filme será exibido às 19 horas no Cine Bancários, em Porto Alegre, na única atração do dia, e ao final eu e a Laura Cánepa iremos debatê-lo com os espectadores. A exibição é também uma espécie de trailer do curso O Horror no Cinema Brasileiro, que acontece nos dias 10 e 11 deste mês e apresentará um vasto panorama do gênero em nosso país, agora sem a concorrência dos horrores da seleção do Dunga, pois as aulas acontecem no final de semana das finais da Copa do Mundo (porém, terminam antes do início dos jogos, então ninguém vai ficar sem futebol!).


   Para ilustrar esta postagem, capturei a apresentação do filme realizada pela Zezé Motta no Canal Brasil. Também compilei alguns textos antigos sobre o filme, amostras de como a obra foi recebida na época, em críticas pitorescas e peculiares. Artigos recentes fazem abordagens mais históricas do filme, como o texto assinado por Ricardo Calil, disponível no site da Programadora Brasil, e principalmente o excelente e completíssimo ensaio da Laura publicado na revista eletrônica Carcasse, datado de setembro de 2006.

   “Num leilão, com uma caixa, Menezes arremata certo papel com certa oração poderosa (fazia voltar ao mundo o mais enterrado dos mortos). Organiza-se uma sessão, estabelecendo-se a corrente, invoca-se e zás: surge o tataravô de Menezes, o que logo mais, barbeado, penteado e metido em fatiotas bem lançadas, se mete a conquistas, cai numa farrinha e até a aviação se entrega! A audácia do jovem tataravô, que chegou ao cúmulo de enredar no amar sua própria bitataraneta, leva seu ‘inventor’ a recorrer à macumba para devolvê-lo ao nada. Consegue-o, para o alívio de todos, principalmente do noivo.” (Cine-Repórter, nº 125, 1936)
   “(...) bem conduzido e com diálogos, versos e ‘bolas’ muito felizes. Música: encantadora! Sem exceção de um só número de sua música, a partitura do filme é maravilhosa, destacando-se entre os números a canção final do cabaré. Gravação, sonora! A melhor que já se fez no Brasil e, diga-se (mas para dizer pouco), poderia ter ido aos Estados Unidos para voltar de lá com a classificação de perfeita. Impressões da platéia; muito boa. Desde o primeiro dia, até hoje, o público deu sempre gostosas gargalhadas e sempre nas mesmas ‘bolas’. Presencamos, realmente, em várias sessões, o público rindo a valer. O filme agradou inteiramente. Este agrado se justifica - boa música, bom som, bom enredo, artistas discretos, fotografia boa em geral.” (W.S., Imparcial, 1 de setembro de 1936)
   “O Jovem Tataravô, tal como está, na tela do Odeon, com os seus defeitos e virtures, é um filme nacional que se impõe. E, estando muito acima da mediocridade, é um trabalho que enche de justificado orgulho e patriotismo a qualquer fã brasileiro, que encontra, neste celulóide, o testemunho insofismável, indiscutível, de que o nosso cinema evoluiu com uma rapidez extraordinária. (...) Em matéria de fotografia e som, O Jovem Tataravô representa a ‘Autêntica Vitória da Cinédia’, pois ‘Ainda Não Vimos Nada Melhor’. A fotografia, principalmente, é de uma nitidez que surpreende. (...) Em primeiro plano coloco, pela naturalidade cinematográfica com que atuam, Darcy Cazarré, Lygia Sarmento e Carlos Frias, este o verdadeiro primeiro galã que o cinema brasileiro encontrou. (...) A direção de Luiz de Barros é bem apreciável. O argumento de Gilberto de Andrade é magnífico e esplêndido de comicidade. É fator seguro de êxito.” (Alfredo Sade, A Batalha, 16 de setembro de 1936)   “Um novo filme brasileiro e, tomado de um modo geral, na minha opinião, o melhor de quantos têm sido apresentados até agora. É, já, um trabalho que não envergonha, que pode ser visto, porque não desagrada. Há a distinguir nele três ‘motivos’: o que diz respeito à sua técnica material; o da sua interpretação e direção e o enredo. Quanto a sua feitura material, teçamos loas à Cinédia, pelo trabalho de seus estúdios. O filme é cem por cento bom em sua fotografia e gravação. O ambiente bem decorado, se bem com pouca variedade.” (Paulo Lavrador, A Nação, 17 de setembro de 1936)
   “(...) Mesmo sendo um filme de linha, despretensioso, embora de assunto fantástico, pode-se considerar O Jovem Tataravô um dos melhores filmes brasileiros que já vimos.  (...) A história é interessantíssima e sua adaptação agrada bastante. A direção de Luiz de Barros é também agradável. (...) É mais cinematográfico e agrada muito mais. Na interpretação gostosa de Cazarré (na tela, o mesmo artista sincero do palco e uma magnífica aquisição do cinema), Marcel Klass, Dulce Weytingh, Lygia Sarmento, Manoelino Teixeira e Manoel Rocha. (...) O Jovem Tataravô surpreende a muita gente.” (P.R., Correio da Noite, 17 de setembro de 1936)

segunda-feira, 26 de abril de 2010

The Mascot (1934)


   Recentemente Laura Cánepa postou em seu excelente blog dois vídeos sugerindo uma semelhança estética entre Vincent, de Tim Burton, e uma animação da UPA produzida em 1953, adaptada do conto The Tell-Tale Heart, de Edgar Allan Poe. Imediatamente me lembrei deste encantador curta francês em stop-motion, dirigido pelo polonês Ladislas (ou Wladyslaw) Starewicz (1882-1965), pioneiro do cinema de animação radicado em Paris.
   Intitulado Fétiche em francês e The Mascot em inglês, com 26 minutos de duração, tem algumas cenas tocantes e memoráveis (como o cachorrinho pendurado na janela do automóvel), além de técnicas de animação que somente Starewicz dominava, como a filmagem com câmera em movimento para criar efeitos mais dinâmicos.
   Quem estiver em dúvida sobre a relação que faço deste filme com o estilo de cinema de fantasia infanto-juvenil de Tim Burton, confira a cena do ‘Baile do Diabo’ e preste atenção nos traços dos personagens. Impossível não lembrar dos bonecos de traços longilíneos ou rotundos dos filmes de stop-motion como O Estranho Mundo de Jack e A Noiva-Cadáver. Burton anunciou recentemente que seu próximo projeto será refilmar seu próprio curta Frankenweenie em 3D. O filme de Burton, assim como o curta desta postagem, também é sobre um cãozinho de estimação bem peculiar. Vamos ver no que isso vai dar...
   Para assistir ao filme aqui no blog é preciso usar o navegador Internet Explorer. Quem quiser baixar o filme na íntegra, em formato MPEG2, com 1,3 GB, basta clicar aqui.

quinta-feira, 25 de março de 2010

O Morcego Vampiro (1933)


   Fay Wray, a primeira rainha do grito do cinema, marcou seu nome no horror aparecendo em apenas meia dúzia de filmes do gênero, realizados entre 1932 e 34. O Morcego Vampiro (The Vampire Bat, 1933) não é tão popular quanto King Kong, mas é um de seus filmes mais divertidos. Um vilarejo alemão é aterrorizado por uma série de mortes misteriosas, atribuídas pelos supersticiosos moradores do local a ataques de morcegos vampiros. O policial que investiga o caso não acredita na existência do sobrenatural e tenta capturar o assassino, o qual está bem mais próximo do que ele pode imaginar.
   Produção barata da Majestic Pictures, com desenvolvimento bastante previsível, mais um exemplar do gênero abordando o surrado tema do cientista que pesquisa a vida eterna sem medir as consequências. Fay Wray está linda como sempre e Dwight Frye (o melhor Renfield das telas), mais uma vez, faz o papel de louco. Para ver o filme, use o navegador Internet Explorer.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Drácula (1931)


   Já dizia aquela impagável paródia do conde vampiro: Dracula sucks! Estava dia desses folheando o livro V Is for Vampire: The A-Z Guide to Everything Undead (1996), de David J. Skal, e encontrei uma observação deveras curiosa que quero compartilhar aqui com vocês. Vejam só o comentário do autor no verbete fellatio, depois de ponderar diversas implicações diretas ou indiretas entre vampirismo e sexo oral: “Quando assistida corretamente, até mesmo a indigesta versão cinematográfica de Drácula de 1931 contém algumas surpresas de, digamos, cair o queixo. Renfield, o raivoso servo de Drácula, apesar de ter sido mordido pelo conde, não apresenta qualquer marca, pelo menos não no pescoço. Durante a viagem marítima rumo à Inglaterra há uma tomada muito interessante, quando Renfield abre o caixão do vampiro: certamente alguém deve ter percebido que quando Drácula se senta, seu rosto vai diretamente às calças de Renfield - como que ávido por um burrito cheio de sangue para o café-da-manhã”. O vídeo está aí para cada um tirar suas próprias conclusões: does Dracula really suck?

domingo, 3 de janeiro de 2010

Juggernaut (1936)

   Pelos meus cálculos, Boris Karloff fez 65 filmes que podemos considerar do gênero horror, começando pelo mudo The Bells (1922), no qual encarna um hipnotizador com traços caligarianos, até as constrangedoras produções mexicanas lançadas após sua morte, ocorrida em 1969. Juggernaut, uma arrastada e enfadonha produção inglesa, é o primeiro da meia dúzia de filmes do ciclo karloffiano que pretendo assistir para completar sua filmografia (descontando alguns filmes que considero impossíveis de encontrar no momento, como The Mad Genius, de 1931). É também um dos títulos mais obscuros de sua carreira - não consegui sequer descobrir o título brasileiro, se é que foi exibido por aqui - e alguns pesquisadores até o omitem da filmografia de horror de Karloff (por pura preguiça de se informar melhor, penso eu).
   Karloff ficou (e ficará para sempre) marcado pela figura do monstro de Frankenstein, mas foi o ciclo de filmes no papel de médicos loucos que o consagraram como uma referência no cinema de horror. Desde a metade dos anos 1930 até o início da década seguinte, Karloff esteve mais às voltas com bisturis, estetoscópios e tubos de ensaio do que qualquer outra coisa. Em geral, era o médico cheio de boas intenções, no limiar de fazer uma descoberta revolucionária (a cura da paralisia ou o primeiro transplante cardíaco da história...), mas que acabava se tornando vilão ao tentar saber demais. Não cabe ao Homem contestar os desígnios divinos - este parece ser o ensinamento moralista de grande parte dos enredos clássicos de horror.
   O Dr. Sartorius de Juggernaut é um desses sujeitos com muita ambição e pouco juízo. Depois de ser obrigado a encerrar suas pesquisas em busca da cura da paralisia, devido a falta de recursos financeiros, o doutor sai do Marrocos e vai trabalhar como um simples médico na Côte d’Azur, no sul da França. Porém, sua fama o precede e ele é procurado por uma moça que sabe de seu desejo de retomar as pesquisas científicas. Ela lhe oferece uma grande quantia em dinheiro, suficiente para ele concretizar os estudos, em troca de Sartorius “cuidar” do marido dela, um velho milionário e muito doente.
   Considero Karloff um ator talentoso, com mais recursos dramáticos do que seu colega/rival mais famoso, Bela Lugosi. Porém, em Juggernaut ele vive um de seus piores desempenhos. Talvez seja culpa da incompetência de Henry Edwards na direção, pois todos no filme atuam de maneira teatral, com exageros ridículos - principalmente a mexicana Mona Goya, no papel da esposa infiel que quer dar cabo do marido para sustentar um irritante playboy viciado em jogatina. O estilo melodramático, antiquado, é típico do cinema inglês da época, anos atrasado em relação às produções americanas.
   Apesar de ser inglês, Karloff filmou pouco em seu país natal. Seu primeiro horror britânico foi The Ghoul, de 1933, lançado no Brasil em DVD numa cópia lastimável como O Zumbi (o título original brasileiro é Dragore, o Fantasma). Em resumo, Juggernaut talvez seja o pior filme de Karloff; a ruindade é tamanha que apenas reforça uma de minhas teses: a de que determinados filmes raros e obscuros só são raros e obscuros... porque são muito ruins! Acabam interessando somente a pesquisadores e completistas como eu. Se mais alguém quiser se aventurar, saiu em DVD importado e é mais um título em domínio público.
   Darei uma folga aos clássicos (para não deixar o blog repetitivo) e amanhã pretendo trazer uma surpresinha para vocês!

sábado, 2 de janeiro de 2010

Vingança Diabólica (1933)

   Continuando o mini-ciclo de pequenos clássicos de horror e mistério com Lionel Atwill, temos aqui mais uma realização modesta do ano de 1933, desta vez uma produção da Paramount, estúdio que, na época, tinha menos tradição no gênero - em comparação com Universal e Warner, por exemplo. Vingança Diabólica (Murders in the Zoo), dirigido por A. Edward Sutherland, é divertido e relativamente violento, com algumas cenas de mortes típicas dos abusos do período que antecedeu o Código Hays. O momento mais impressionante é a cena da mocinha atirada num poço de crocodilos para ser devorada viva. Devido a exageros como este, alguns anos depois os moralistas de Hollywood frearam a produção de filmes de horror. Atualmente, fitas da época conhecida como “pre-code” são muito cultuadas. Basta assistir Vingança Diabólica para entender o porquê.
   A trama é simplória, mas o suficiente para manter a ação contínua na tela: Atwill é Eric Gorman, milionário e filantropo que passa o tempo caçando animais selvagens na Indochina. Quando enche um navio de bestas-feras, ele parte de volta à América para doar a bicharada para um zoológico. Porém, nem tudo é diversão na vida de Gorman. Casado com uma bela e jovem esposa que não o ama, ele faz o possível para manter os rapazes longe da mulher. Um dos pretendentes termina amarrado e literalmente com a boca costurada, abandonado no meio da selva para ser comido por tigres. Na viagem de volta, a esposa infiel encontra-se com outro amante no navio e eles combinam se casar assim que ela conseguir o divórcio. Gorman, porém, está ciente das escapadelas da esposa e planeja eliminar o rival usando um de seus bichinhos de estimação - uma enorme cobra mamba, um dos répteis mais mortíferos do mundo.
   Obviamente, o filme é todo de Atwill, que parece mais do que à vontade no papel do vilão frio e sádico. Também é dele a melhor frase do filme. Ao ser acusado pela esposa de ter matado o amante dela, vítimado por uma misteriosa picada de cobra durante um jantar beneficente, Gorman responde sarcasticamente: “Você não acredita realmente que passei a noite toda com uma enorme cobra no bolso do paletó, não é mesmo? Isso não seria justo com meu alfaiate”.
   O ponto baixo do filme é a irritante presença do cômico Charlie Ruggles, no papel do atrapalhado assessor de imprensa do zoológico. Alívios cômicos como esse são comuns nos filmes de horror dessa época - e quase sempre estragam a diversão, como acontece também com o fetichista Mad Love (1935), estrelado por Peter Lorre. O papel de herói de Vingança Diabólica coube a um muito jovem Randolph Scott, em comecinho de carreira. O futuro astro do faroeste interpreta um cientista que passa o filme todo pesquisando um antídoto para o veneno da cobra mamba, o que torna o final mais do que previsível.
   O filme é dirigido de maneira leve por Sutherland, mais conhecido por suas comédias, especialmente pela parceria com W.C. Fields. Ele começou a carreira como ator e foi um dos Keystone Kops originais das populares comédias mudas. Foi assistente de Charlie Chaplin e flertou apenas brevemente com o cinema fantástico, dirigindo a comédia de ficção científica The Invisible Woman (1940). Típico de uma produção rasteira, o filme tem gafes inaceitáveis, como quando Ruggles erra uma frase e descaradamente repete a fala, mas consegue divertir mesmo nos dias de hoje. Saiu em DVD importado e não é difícil de ser encontrado pelas ondas da rede.
   Por enquanto, basta de Lionel Atwill! Se tudo correr bem, amanhã falaremos um pouco sobre um dos filmes mais obscuros de Boris Karloff.
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