CRÍTICAS, ANÁLISES, IDÉIAS E FILOSOFIAS EM GERAL A RESPEITO DE FILMES DE HORROR DE TODAS AS ÉPOCAS, NACIONALIDADES E ESTILOS, E MUITAS OUTRAS COISAS RELACIONADAS AO GÊNERO

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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Hammer’s House of Horror

   Estas são as doze últimas edições da revista inglesa The House of Hammer, numeradas de 19 a 30, à esta altura já com o nome Hammer’s House of Horror, depois alterado para Halls a partir do número 21. Itens de colecionador para o apreciador do cinema clássico de horror.

domingo, 23 de janeiro de 2011

The House of Hammer: José Mojica Marins

   Uma das minhas aquisições recentes, por conta da pesquisa que estou desenvolvendo para um trabalho sobre a produção cinematográfica de horror na Inglaterra, foi a coleção digital da revista The House of Hammer, que teve ao todo 30 edições. Ao folhear logo o primeiro exemplar, de 1976, qual não foi a minha surpresa ao encontrar um artigo sobre ninguém menos do que José Mojica Marins?! A revista apresentava uma combinação de quadrinizações dos filmes da produtora Hammer e artigos sobre o cinema de horror, tanto do período clássico quanto o contemporâneo. O breve texto sobre Mojica, assinado por Barry Pattison em sua coluna “Horror Around the World”, começa metendo o pé na porta: “A indústria do cinema de horror internacional contêm algumas personalidades bastante estranhas, mas eu desafio qualquer um a encontrar uma mais bizarra do que a criada e interpretada por José Mojica Marins - o temido Ze do Caoxi [sic]”.


   Sempre que tenho oportunidade de conversar sobre pesquisa de cinema com pessoas que ainda estão iniciando nessa área, tento motivá-las dizendo que não existe melhor época do que a atual para se pesquisar filmes, com toda a facilidade para se ter acesso a obras de toda parte do mundo e de praticamente qualquer período. Uma das evidências mais incisivas disso é a quantidade assombrosa de bobagens que costumo encontrar nos livros de cinema de horror mais antigos. Tenho alguns livros sobre o tema publicados nas décadas de 60, 70 e 80, mas ao contrário de encontrar preciosidades escritas por críticos e pesquisadores que, em tese, estavam mais próximos dos acontecimentos que registravam, muitas vezes nos deparamos com imprecisões, generalizações ou informações viciadas.

  
   O artigo de Pattison sobre Mojica é um prato cheio nesse departamento. Depois de contar algumas anedotas sobre o cineasta, como os primeiros filmes que ele fez no galinheiro da família e o fim trágico do filme O Auge do Desespero, destruído por uma tempestade, o autor erra feio ao dizer que Meu Destino em Tuas Mãos é estrelado por Pablito Calvo e Joselito! Para quem não sabe, Calvo é o astro infantil do filme espanhol-italiano Marcelino Pão e Vinho (1955), óbvia inspiração para o Mojica colocar Franquito, “o garoto da voz de ouro”, como protagonista de Meu Destino em Tuas Mãos. Alhos por bugalhos...


   O artigo ainda afirma que os críticos da época chamaram Mojica de “assassino do cinema brasileiro” - uma frase e tanto, mas que não me lembro de ser um dos tantos impropérios disparados contra Mojica pela ala conservadora. O texto ainda consegue errar a grafia de praticamente todos os filmes que cita (A Meia Noitre Levarei Sua Alma, Esta Noite Encarnarei Teu Cadavera, O Mundo Estranho de Ze do Caizo), diz que O Diabo de Vila Velha é um filme de horror (não é; trata-se de um faroeste) e afirma que o diretor a seguir fez A Encarnação do Demônio. O filme, todos sabem, só foi realizado mais de trinta anos depois. A coisa mais curiosa do texto provavelmente é a citação de Glauba [sic] Rocha e seu ‘caubói marxista’ Antônio das Mortes.

Da casa aos corredores

   Bagunças à parte, é uma delícia passear pelas páginas de The House of Hammer, mesmo folheando-a digitalmente; no mínimo pelas belíssimas adaptações em quadrinhos dos clássicos da Hammer, pelas mãos de grandes artistas dessa mídia. A existência relativamente curta da revista também serve para demonstrar as dificuldades que publicações sobre esse tema enfrentam em qualquer lugar do mundo. Publicada na Inglaterra a partir de outubro de 1976, a revista carregou o nome The House of Hammer até a 18ª edição, mudando a seguir para Hammer’s House of Horror nos números 19 e 20, e depois para Hammer’s Halls of Horror nas edições 21 a 23. Finalmente, quando a Hammer cessou de vez a produção de filmes, a publicação passou a se chamar apenas Halls of Horror e durou da revista 24 até a 30. O último número é datado de novembro de 1984. Nas edições finais, a revista se transformou numa espécie de guia do cinema fantástico, com ênfase nos filmes de ficção científica e fantasia tão populares na época (como Mad Max e Blade Runner), compilando breves verbetes com resenhas de filmes e perfis de astros e realizadores.


   Ilustram esta postagem todas as capas da fase inicial da publicação, além de algumas páginas da edição inaugural, incluindo o editorial de apresentação e o artigo sobre nosso prezadíssimo José Mojica Marins. Numa próxima postagem colocarei as capas restantes.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Reveillon Maldito (1980)


   Só para não dizerem que abandonei de vez meus prezadíssimos leitores, estou aqui, no apagar de 2010, para desejar a todos um Feliz Ano Novo no estilo desse blog; ou seja, com uma pitada de maldade e derramamento de sangue. Uma obscuridade segregada à não tão saudosa era do VHS, o filme Reveillon Maldito (New Year’s Evil), produzido pela Cannon, é um dos exemplares mais esquemáticos do subgênero slasher, ainda preso ao truque da “morte pelo calendário”, pegando carona em Halloween e Sexta-Feira 13, e que depois seguiria com Dia dos Namorados Macabro e Feliz Aniversário para Mim.
   A trama envolve a apresentadora de um especial de Ano Novo na televisão que recebe um telefonema ameaçador de um psicopata misterioso, o qual anuncia que à meia-noite matará pessoas conhecidas dela. A mulher fica apavorada quando surge a primeira vítima do assassino, que voltará a matar na virada de ano nos outros fusos horários do país. Tolo, previsível e sem clima, o filme é prejudicado por personagens sem carisma e pelo plano absurdo e inverossímil do maníaco, envolvendo situações ridículas e humilhantes.


   O clima de festa fica por conta da banda de hard rock Shadow e a punk/new wave Made in Japan, as quais, até onde sei, limitaram-se ao eterno e silencioso anonimato depois desta oportunidade cinematográfica. O Shadow, para o meu gosto particular, é melhorzinho, num estilo que lembra uma versão mais domesticada do Diamond Head. Nem sei se chegaram a gravar algum álbum ou mesmo se a trilha do filme saiu oficialmente em LP, mas a canção do vídeo acima é suficientemente divertida para garantir uma passagem de ano agitada e no autêntico clima de rock horror. Desta maneira, desejo a todos que tenham um maldito reveillon embalado por tudo que há de bom.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

The Misfits: Live at Dearborn Michigan (1983)


   Este vídeo bootleg é para quem gosta de passar o Halloween em clima de festa horror punk. Trata-se de um raríssimo registro de uma apresentação da banda The Misfits em Dearborn, Michigan, no dia 7 de janeiro de 1983, gravada para o programa de TV Why Be Something You’re Not. A banda é liderada pelo catatau enfezado Glenn Danzig, nos vocais, e conta ainda com Doyle na guitarra, Jerry Only no baixo, e Robo na bateria. O set-list do show é este: “Earth A.D.”, “I Turned Into A Martian”, “Skulls”, “Devilock”, “Queen Wasp”, “Mommy, Can I Go Out And Kill Tonight?”, “Hate Breeders”, “Braineaters”, “Halloween”, “Bullet”, “Horror Business” e “We Are 138”. O áudio não está muito bom, mas pode divertir quem quiser um pouco de agitação punk neste Halloween.

Príncipe das Sombras (1987)

Homenagem a Lisa Blount (1957-2010).

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Elvira, a Rainha das Trevas (1988)


   Se meu oráculo não se enganou (e ele nunca se engana!), hoje é aniversário da Paloma Rodrigues. Portanto, aqui vai uma singela homenagem a ela, a única mocinha que conheço que tem como role-model a primeira, única e imbatível Elvira, personagem encarnada pela impagável (e muito saliente) Cassandra Peterson! Claro que conheço muitos marmanjos que babam pelos... aham... ‘talentos’, da eterna Mistress of the Dark, e também muitas meninas que se rendem ao carisma cômico da Elvira, mas a Paloma é a primeira que me disse que queria ser a Elvira quando era criança! E o mais legal é que ela não é a única: existem concursos para escolher a ‘herdeira’ da Elvira, eventos que por si só já são suficientemente divertidos para quem aprecia mulheres com contornos sinuosos e indumentária sombria.
   Se é que alguém não sabe o que a Rainha das Trevas tem de melhor a oferecer, clique no vídeo acima e confira a apoteótica cena final de seu primeiro longa-metragem, uma comédia de horror de alta rotatividade nos bons tempos da Globo. A dica vale para todos os visitantes do blog nessa semana de Halloween, e os parabéns vão para a Paloma, a fã nº 1 da bruxa mais divertida da televisão!

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Luigi Cozzi apresenta Black Cat e Paganini Horror no Fantaspoa


   O horror tomou conta do Cine Bancários na terceira noite da mostra Luigi Cozzi no Fantaspoa. O programa duplo desta quinta-feira foi formado pelo raríssimo The Black Cat (O Gato Negro no programa oficial do festival, mas exibido a partir de uma cópia em VHS intitulada Filmagem Macabra) e o divertido Paganini Horror. Foram os dois últimos filmes dirigidos por Luigi Cozzi e ainda que não sejam o epitáfio digno de uma carreira que durou duas décadas, são obras das quais o veterano cineasta italiano pode se orgulhar tranquilamente.
   The Black Cat merece lugar de destaque na filmografia de Cozzi por ser uma espécie de conclusão não-oficial da trilogia das ‘Três Mães’ de Dario Argento, precedida por Suspiria (1977) e Inferno (1980), e só concluída em 2007 com o desastroso La Terza Madre (lançado no Brasil sob o insuspeito título de O Retorno da Maldição: A Mãe das Lágrimas). Na conversa com a platéia ao final da sessão, Luigi Cozzi explicou que o filme surgiu de uma idéia de Daria Nicolodi, na época esposa de Argento e roteirista de Suspiria, que estava interessada em finalmente realizar a parte final da trilogia. Nicolodi a princípio seria a protagonista do filme, que deveria se chamar De Profundis (em inglês, From the Depths), mas Cozzi mexeu tanto no roteiro que ela acabou se desinteressando pelo filme.


   O que a princípio era uma sequência convencional da saga das três bruxas se tornou um filme sobre os próprios bastidores dessa produção, contando a história de um diretor e um roteirista que convencem um produtor a investir no filme, enquanto suas respectivas esposas brigam pelo papel principal, o da maligna bruxa Levana. Cozzi disse que não se sentia à vontade mexendo no material de Dario Argento (“e ele provavelmente me mataria”, brincou).
   E onde entra o gato preto nessa história toda? Pois é, a princípio nem deveria entrar, mas Cozzi teve que enfiar um maldito felino na trama, num arremedo muito pouco convincente, para contentar um distribuidor norte-americano que havia anunciado o título The Black Cat, baseado no conto de Edgar Allan Poe, e precisava de um filme que correspondesse ao prometido. Desta maneira, De Profundis se transformou em Edgar Allan Poe’s The Black Cat, com a desculpa de que “todo gato preto é uma bruxa disfarçada”.


   O filme é uma bagunça como a maioria dos filmes oitentistas de Cozzi, com um roteiro que abusa do surrealismo (o diretor defende a idéia de que os dois filmes da noite são uma mistura de horror e ficção científica), mas não deixa de ter momentos interessantes; além de esbanjar estilo, numa tentativa de emular a atmosfera tanto de Argento quanto de Bava, evocados na fotografia com o uso de filtros azuis e luzes com tons intensos de vermelho e verde.
   Cozzi atribui o rico conteúdo histórico do roteiro ao vasto conhecimento de Daria Nicolodi em literatura sobrenatural, citando De Profundis (1857), do poeta francês Charles Baudelaire (transformado em ‘Boldlair’ ou coisa parecida na legenda do VHS nacional) e indo além, referindo-se ao livro Suspiria de Profundis (1845), de Thomas De Quincey, como a origem de tudo.


   O filme acaba deixando de lado essa trama toda acerca da bruxa Levana e se concentra nos percalços que envolvem uma produção do gênero, um mesquinho jogo de vaidades no qual todo mundo tem que ceder um pouco em benefício do filme. A obra é imperfeita e longe de estar livre de defeitos, mas não deixa de ser interessante a maneira como Cozzi trata a rivalidade entre as atrizes e o que elas são capazes de fazer para ficar com o papel. O final, com moral de conto-de-fadas, pode ser interpretado como o processo de preparação de um artista que se deixa ser engolido pela obra, criando ao seu redor uma espécie de blindagem emocional que cria uma ilusão de vida ideal, fazendo com que sua grande rival se torne sua melhor amiga e o marido (que estava prestes a se divorciar dela) seja o alicerce da família feliz.


   A seguir, novamente com sala lotada e gente sentada nos degraus, foi exibido Paganini Horror, que pelo menos cumpriu bem sua função de divertir a platéia, que não se intimidou em rir nas partes mais absurdas (a cena do fungo mortal oriundo da madeira usada na fabricação dos violinos Stradivarius é do tipo ‘ver pra crer’). O filme é sobre uma banda de pop rock formada por três garotas e um baterista que, em busca do sucesso garantido, adquire a partitura de uma composição inédita de Niccolò Paganini, o violinista italiano que dizem ter vendido a alma ao Diabo.
   A esperta produtora da banda, ao saber da novidade, tem a idéia de gravar um videoclipe numa mansão sinistra para promover a canção, afinal nunca ninguém fez nada parecido antes (“exceto Michael Jackson com a música ‘Thriller’ e seu sensacional videoclipe!”, fazem questão da salientar, num dos diálogos mais impagáveis do filme).
   Quando chegam à tal mansão, cuja dona é ninguém menos do que Daria Nicolodi, não demora para que o fantasma do violinista maldito comece a despachar os intrusos com requintes cruéis do melhor estilo slasher (muitas cenas nessa mesma linha tiveram que ser eliminadas quando o orçamento foi drasticamente reduzido durante a produção).


   Entre as atrações de Paganini Horror estão as canções interpretadas pela banda de garotas, as quais Luigi Cozzi admite não serem de seu agrado, “mas foi o que pudemos fazer com o curto orçamento”, defende o diretor. O detalhe problemático é que as duas principais canções são plágios escandalosos de músicas de sucesso: uma é “You Give Love A Bad Name”, do Bon Jovi, cuspida e escarrada; a outra é a cara e o focinho de “Twilight”, do Electric Light Orchestra (as duas podem ser devidamente conferidas nos vídeos acima).
   No bate-papo ao final da sessão, Cozzi falou sobre o prazer de ter trabalhado com Donald Pleasence neste filme (no qual ele interpreta o próprio Diabo) e citou como exemplo contrário as extravagâncias que teve que aturar de Klaus Kinski durante as filmagens do desastroso Nosferatu em Veneza, no qual fez pouco mais do que filmar o ator caminhando a esmo sob a bela luz do amanhecer, simplesmente porque era tudo que Kinski tinha vontade de fazer.
   Cozzi ainda falou sobre sua paixão pelo cinema, que surgiu quando ele viu o clássico Vinte Mil Léguas Submarinas (1954), da Disney, ainda quando criança, o fim do cinema italiano, engolido pela televisão e sua política que visa exclusivamente o lucro, e o prazer de trabalhar nos Estados Unidos em Dois Olhos Satânicos, onde teve o apoio de uma equipe técnica jovem e empolgada, em contraste aos velhotes desinteressados que normalmente encontrava na Itália.
   Ao final da sessão, finalmente decidi pegar um autógrafo com Luigi Cozzi. Soletrei meu nome a ele dizendo que era “igual Carlo Ponti, mas com ‘s’ no final”. Ao ver a Bia ao meu lado, também a postos para pegar um suvenir, Cozzi comentou, com um largo sorriso: “Então ela só pode ser a Sophia Loren!”. Tem como alguém ser mais simpático?

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Luigi Cozzi apresenta Contamination e Starcrash no Fantaspoa

   O segundo dia da mostra Luigi Cozzi começou mais cedo, com entrevistas marcadas para a TVE para uma reportagem sobre o Fantaspoa que vai ao ar, se não me engano, na próxima terça-feira. Eu planejava ver então os dois episódios da série de TV La Porta sul Buio, programados para às 17 horas, mas acabei trocando a sessão de cinema pelo convite de Luigi Cozzi e comitiva - ou seja, Felipe M. Guerra - para ver os últimos minutos do jogo entre Alemanha e Espanha num restaurante próximo. Cozzi comemorou o gol espanhol e festejou a “final inédita” da Copa, com Espanha enfrentando a Holanda no domingo. Aproveitei a deixa e contei a Cozzi que em 2002, durante a produção da coleção de DVDs do Zé do Caixão, o Mojica sempre chegava atrasado às gravações das trilhas de comentário em áudio porque ficava em casa vendo os jogos da Copa do Mundo.
   Também tive que explicar a barra-pesada do caso do goleiro Bruno, do Flamengo, que naquele momento estava sendo preso acusado de assassinato, pois a TV estava ligada na Band, com aquela baixaria toda do Datena no Brasil Urgente. Pobre Luigi, não merecia isso...


   A sessão seguinte foi Alien, o Monstro Assassino (1980), praticamente lotada e com a companhia do recém-chegado Leandro Caraça, e ainda Laura Cánepa, Carlos Thomaz Albornoz, Blob e toda a galera mais legal dessas bandas, como o Cristian Verardi e o Marcelo Severo. O principal filme da noite, Starcrash, exibido às 21 horas, lotou de vez o Cine Bancários e teve muita gente sentando pelas escadas.
   Foi ótimo rever Alien, o Monstro Assassino, do qual eu só me lembrava de algumas cenas - basicamente, os ovos explodindo e o sangue jorrando. Também lembrava que tinha alguma coisa relacionada com café colombiano, mas fiquei surpreso ao constatar o quanto o filme bebe na fonte da fase áurea da ficção científica, paixão confessa de Luigi Cozzi. A estrutura do roteiro me lembrou demais o clássico The Beast from 20,000 Fathoms (O Monstro do Mar), de 1953, o primeiro grande filme com efeitos visuais em stop-motion de Ray Harryhausen. Cozzi explicou que seu trabalho, basicamente, era convencer os produtores que seu filme era na toada de Alien, o 8º Passageiro e que, portanto, ia render uma nota preta nas bilheterias. Depois disso, ele ficava à vontade para fazer o filme que queria. Deliciosamente antiquado, sobram na obra de Cozzi citações explícitas a filmes como O Mundo em Perigo (1954), Usina de Monstros (1957) e a produção japonesa The H-Man (1958).
   O bate-papo com a platéia após a exibição de Starcrash durou mais de uma hora e foi recheada de anedotas sobre como funcionavam os bastidores do cinema comercial italiano na época. Cozzi contou, por exemplo, que o projeto que resultou em Alien, o Monstro Assassino começou como uma imitação de Síndrome da China e teve influência do êxito de bilheteria do Zombi 2, de Lucio Fulci, que estava rendendo muita grana aos produtores naquele momento.


   O cineasta detalhou o cronograma de produção de Starcrash, segundo ele próprio, a primeira imitação de Star Wars a ser produzida, com as filmagens iniciando em meados de setembro de 1977. O filme chegou às telas no início de 1979. Falando sobre o clima infanto-juvenil de Starcrash, Cozzi comentou que quis fazer um filme caricatural, inspirado nas histórias em quadrinhos do Mickey, especialmente suas aventuras detetivescas. As aparições do Conde Zarth Arn, o vilão interpretado por Joe Spinell, com suas gargalhadas malignas, arrancou risos da platéia, que entrou na brincadeira e parece ter curtido bastante a ingênua saga espacial de Cozzi.
   O diretor também contou que o robô Elle foi interpretado pelo então marido da estrela Caroline Munro, que encheu o saco dos produtores até conseguir um papel no filme. Durante as filmagens, o sujeito continuou atormentando o diretor com detalhes irrelevantes e, enciumado com o clima entre sua esposa e o co-astro David Hasselhoff, acabou convencendo Cozzi a encerrar o filme sem o esperado beijo entre os heróis, que apenas se abraçam amigavelmente ao fim da aventura.
   Falastrão e acessível, Cozzi comentou que seu filme também é uma homenagem a Ray Harryhausen (os robôs malignos que são chamados de Golems no filme são óbvias referências aos esqueletos espadachins dos filmes de fantasia de Harryhausen), citou os diretores John Ford, Stanley Kubrick e Jack Arnold como suas grandes influências e comentou a amizade com outros grandes nomes do cinema fantástico italiano, como Riccardo Freda, Mario Bava, Antonio Margheriti e, claro, Dario Argento.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Luigi Cozzi apresenta Hércules no Fantaspoa


   O veterano cineasta italiano Luigi Cozzi, o principal convidado da sexta edição do Fantaspoa, apresentou na noite de ontem seus épicos de fantasia Hércules e As Aventuras de Hércules no Cine Bancários, no centro de Porto Alegre. Carismático e sempre disposto a conversar com a platéia, Cozzi entra para a galeria das figuras mais simpáticas a participar do festival mais importante deste gênero realizado no Brasil.
   Os filmes são um pout-pourri de diversas produções de aventura da época, como Superman, o Filme, Conan, o Bárbaro e Fúria de Titãs, do qual pega emprestado a idéia dos mesquinhos deuses mitológicos manipulando o destino dos personagens. No segundo filme, a citação a Fúria de Titãs fica ainda mais explícita na cena da Medusa que vê a própria imagem refletida no escudo do herói e se transforma em pedra. Cozzi reconheceu a influência da megaprodução Superman de 1978 no estilo do seu filme e revelou que convenceu os produtores israelenses Menahem Golam e Yoram Globus a investir no projeto depois que o definiu como “um Superman do passado”.
   Aos espectadores menos preparados, Hércules (1983) é simplesmente incompreensível. Eu mesmo não entendi nada. Sua atmosfera de fantasia misturado a ficção científica – não muito diferente dos exemplares infanto-juvenis de Godzilla, por exemplo, outra paixão confessa de Cozzi – é encantadora, repleta de cenas com efeitos especiais charmosos e artesanais, com o indefectível sabor oitentista. O enredo, porém, é complicado demais, com os caprichos dos deuses, cada um querendo passar a perna no outro, tornando tudo muito confuso; não dá para saber quem está contra e quem está a favor de Hércules, pobre coitado.
   O herói interpretado por Lou Ferrigno, famoso pelo papel do Incrível Hulk na TV, é anunciado no início como o homem mais forte e inteligente do mundo. Forte ele até que pode ser, foi capaz inclusive de separar a Europa da África, dividindo os continentes. Mas chamá-lo de inteligente é exagerar na dose: Hércules é enganado por praticamente todo mundo que cruza seu caminho, e sempre surge alguém para lhe dar a idéia do que fazer a seguir. Outro contrasenso da trama é que todo mundo na história parece ter mais poderes do que Hércules: todos soltam raios, criam seres do nada e interferem na trama, enquanto que Hércules pode contar somente com seus músculos superdesenvolvidos e sua inesgotável ingenuidade.


   As Aventuras de Hércules (1985) dá continuidade à saga num estilo mais convencional, inspirado diretamente na mitologia grega (“tinha pouco tempo para escrever o roteiro, então fui a uma livraria e comprei um livro dessa grossura sobre os mitos gregos”, contou Cozzi), sem os elementos de ficção científica que tornaram tão peculiar o exemplar anterior. Ao beber diretamente na fonte, Cozzi realizou um filme mais sombrio e pessimista, porém também muito mais fácil de se compreender. Novamente temos deuses e semi-deuses caprichosos eternamente envolvidos em disputas de ego e vaidade, mas desta vez Hércules é mais útil e decisivo no desenrolar da trama. Seu objetivo também é mais claro: o musculoso herói deve recuperar os sete raios de Zeus, seu pai celestial, que foram roubados por um oponente e escondidos na barriga de sete monstros espalhados pela Terra.
   A conversa com Luigi Cozzi ao final da sessão, apesar da aparente timidez da platéia, encerrou em grande estilo a primeira noite com a retrospectiva da obra do cineasta italiano. Cozzi, ao lado de João Pedro Fleck e Felipe M. Guerra, curador da mostra, divertiu os presentes ao explicar em detalhes a origem do projeto, quando os homens poderosos da Cannon o chamaram às pressas para escrever um roteiro sobre Hércules em substituição ao ‘piece of shit’ proposto por Claudio Fragasso e Bruno Mattei. Cozzi então lhes ofereceu uma abordagem infanto-juvenil com elementos de ficção científica, com monstros mecânicos e máquinas metálicas, para a satisfação de Golam-Globus. O filme foi lançado diretamente no mercado estadunidense (“os italianos não viam sentido em fazer um Hércules vinte anos depois de esse tipo de filme ter saído de moda”, explicou Cozzi), onde faturou cerca de U$ 40 milhões, para a felicidade dos investidores.
   Outro momento divertido foi quando Cozzi revelou que As Aventuras de Hércules surgiu meio que casualmente, quando os produtores desistiram da produção Os Sete Gladiadores, que estava nas mãos de Bruno Mattei, e decidiram fazer um segundo filme com o herói grego. O detalhe é que Lou Ferrigno, o protagonista, não podia saber que estava filmando cenas de um segundo Hércules, e não do filme combinado sobre gladiadores. Por isso as cenas finais de As Aventuras de Hércules apresentam versões animadas do ator, feitas em rotoscopia e transformadas por meio de efeitos visuais. À certa altura, a versão animada de Hércules se transforma em King Kong e ele luta com um Godzilla feito só de luz.
   Luigi Cozzi admitiu também que copiou o ‘Monstro do Id’ do clássico de ficção científica Planeta Proibido (1956) por meio do processo de rotoscopia: “eu tinha uma cópia desse filme, que é um dos meus preferidos, e mandei o desenhista copiar toda a animação, cena a cena, pois o filme foi feito às pressas, não tínhamos tempo para nada”, revelou o cineasta. Luigi Cozzi e seus Hércules fora de moda são a essência do cinema de exploração italiano, onde pouco se cria, tudo se transforma e a criatividade surge de onde menos se espera. Certa vez o ator David Warbeck definiu assim o talento de Lucio Fulci: “é a capacidade de transformar nada em alguma coisa”. E isso vale para a maioria dos cineastas do gênero fantástico italiano.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Mulher Objeto (1981)


   Dirigido por Sílvio de Abreu em 1981, antes de ele se tornar um noveleiro de mão cheia, Mulher Objeto é um drama de suspense que reforça o conceito de que o cinema popular brasileiro exige urgente revisão, em especial o subgênero conhecido como pornochanchada, que na cabeça da maioria das pessoas ainda é sinônimo de comédia erótica apelativa.
   Enfileirando referências que passam por obras hitchcockianas como Marnie, Psicose e Os Pássaros, o filme é protagonizado por Helena Ramos - num impressionante tour-de-force - no papel de uma bela porém problemática mulher, traumatizada na infância, que não consegue fazer sexo com o marido (Nuno Leal Maia), mas fica excitada a todo momento, nas situações mais banais, atormentada por pesadelos eróticos nos quais é possuída por outros homens.
   Mais um filme para engordar a lista de obras nacionais que flertam com o horror psicológico, é um tanto longo demais, com duras horas de duração, porém destaca algumas sequências de flashback bem encenadas e um teor erótico bastante ousado. No vídeo acima, Ivan Cardoso recomenda o filme com sua indefectível empolgação.

terça-feira, 13 de abril de 2010

A Mansão da Meia-Noite (1983)

   O último filme dirigido pelo inglês Pete Walker é também o seu longa-metragem mais famoso - e, paradoxalmente, seu maior fracasso comercial. A decepção foi tão grande que a carreira de Walker praticamente se encerrou aí, pondo fim a vários projetos relacionados ao horror que ele anunciara com empolgação numa entrevista para a revista Fangoria de maio de 1983, pouco antes do lançamento de A Mansão da Meia-Noite (House of the Long Shadows).
   O filme é basicamente uma jornada nostálgica pelo horror no estilo old dark house do início do cinema sonoro, repleto de personagens excêntricos se comportando de maneira suspeita e trocando olhares comprometedores. Isso tudo ambientado numa mansão sinistra e sombria, infestada por teias de aranha, numa noite de tempestade... A Mansão da Meia-Noite se tornou objeto de culto por reunir, pela única vez em suas carreiras, os astros Christopher Lee, Peter Cushing, Vincent Price e John Carradine. O elenco conta ainda com Sheila Keith (figura obrigatória na maioria dos filmes do diretor), o insípido Desi Arnaz Jr. (filho do bandleader cubano Desi Arnaz e de Lucille Ball) como protagonista e uma breve aparição de Richard Todd.


   No auge da era dos slashers, A Mansão da Meia-Noite sequer teve oportunidade de ser avaliado na tela grande: em muitos países nem foi exibido nos cinema, indo direto para o home video e para a televisão. Foi assim no Brasil, onde fez relativo sucesso em VHS, lançado pela Globo Vídeo, e teve alguma rotatividade nas madrugadas do canal plim-plim. O filme é baseado no livro Seven Keys to Baldpate (1913), de Earl Derr Biggers, escritor especializado em histórias de mistério e criador do detetive Charlie Chan. O livro já havia sido filmado pelo menos meia dúzia de vezes antes - a versão de 1929 pode ser encontrada perambulando pela internet - e está cheio de todos os deliciosos lugares-comuns do gênero.

   Ao contrário de resenhar o filme, preferi oferecer a vocês este material iconográfico, diretamente dos arquivos do historiador Jaime Palhinha, incluindo uma notinha da revista Manchete e o comentário publicado no jornal O Estado de S.Paulo no dia em que foi exibido pela primeira vez na TV. Nos próximos dias comentarei os demais filmes de Pete Walker, todos num estilo completamente diferente deste seu canto-de-cisne.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Mystery! (1984-1988)


   O programa Mystery!, exibido no canal PBS - espécie de TV Educativa dos ianques - foi criado em 1980 para levar ao espectador estadunidense histórias de crime, mistério e suspense importadas da televisão britânica, incluindo contos clássicos de detetive adaptados da obra de Agatha Christie e Arthur Conan Doyle. Isso seria mais do que o suficiente para que a série fosse um grande sucesso, porém muitos outros detalhes a transformaram num autêntico clássico da telinha.
   Os créditos de abertura foram criados por ninguém menos do que o ilustrador Edward Gorey, célebre por seus desenhos mórbidos e macabros, mas ao mesmo tempo charmosos, engraçados e encantadores. Quem acha Tim Burton ‘gênio’ ou mesmo original com seu horror liberado para menores precisa conhecer melhor a obra de Gorey. Quem se interessar em saber mais sobre ele, tem uma ótima entrevista com o ilustrador - já falecido - no site da PBS, na qual Gorey rejeita sua relação com o horror, comparado ao cartunista Charles Addams ou mesmo com Stephen King. Derek Lamb, o animador responsável pela abertura do programa, conta sua relação com Gorey neste ótimo depoimento, no qual revela os bastidores da criação.
   Durante algumas temporadas, Mystery! exibiu episódios das séries protagonziadas pelo britânico Jeremy Brett como o detetive Sherlock Holmes, produzidas pela TV inglesa Granada. Brett é considerado por muita gente como o melhor intérprete do personagem criado por Conan Doyle, e estas adaptações das histórias originais do escritor estão entre as mais fiéis já realizadas (não tenho certeza se essas séries chegaram à TV brasileira, mas algumas histórias foram lançadas em VHS por aqui). A primeira série foi The Adventures of Sherlock Holmes (1984-1985), com 13 episódios, seguida por The Return of Sherlock Holmes (1986-1988), com 11 episódios, e ainda os longas The Sign of Four (1987) e The Hound of the Baskervilles (1988). Todas foram exibidas no programa Mystery! Brett seguiu interpretando o famoso detetive em séries curtas (The Case-Book of Sherlock Holmes e The Memoirs of Sherlock Holmes) até sua prematura morte em 1995, vitimado por um ataque cardíaco.
   O anfitrião responsável por introduzir estes episódios na antologia da PBS não poderia ser mais adequado: o veterano Vincent Price, ainda carismático e fascinante mesmo septuagenário, mantendo sua postura aristocrática dos áureos tempos. Selecionei nesta postagem as aberturas de todos os episódios apresentados por Price, uma valiosa coleção para quem cultua este ícone do horror. Nas temporadas seguintes do programa, Price foi sucedido pela maravilhosa Diana Rigg, que assumiu o posto de anfitriã.
   A combinação precisa entre a graça de Gorey, a imponência de Price, a dignidade de Brett e o brilhantismo de Conan Doyle, reunidos num único programa, é um daqueles momentos em que acreditamos que, sim, às vezes as coisas podem ser perfeitas.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Os Garotos Perdidos (1987)

Homenagem a Corey Haim (1971-2010).


   Estas duas imagens são a contribuição do Jaime Palhinha para o tributo ao ex-ídolo teen Corey Haim. Observem o circuito de salas de cinema nas quais o filme estreou no estado de São Paulo: nada menos do que dez salas apenas na capital e mais cinco em cidades próximas, como Campinas e Santos. Isso serve para mostrar como o filme foi tratado como um grande lançamento na época.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Banquete de Taras (1982) e As Taras do Mini Vampiro (1987)

   Vampiros, esses coitados, não têm vez no cinema brasileiro. Não estou dizendo que os chupadores noturnos não tenham mostrado em nossas telas seus dentes pontiagudos, suas capas esvoaçantes e sua insaciável sede de sangue. Mostraram sim, e em quantidade (ainda que nem sempre em qualidade), mas quase nunca foram levados a sério. Parece que nossos cineastas já decidiram que vampiro não assusta em cenários tropicais.
   Obras kine-cômicas como Um Sonho de Vampiros, Olhos de Vampa, As Sete Vampiras e o irreverente Nosferato no Brasil - estes dois últimos assinados pelo esculhambador-mór Ivan Cardoso - se encarregaram de aniquilar quaisquer rastros do poder apavorante dos vampiros de antanho. Sob nosso calor tropical, Bela Lugosi não apenas is dead; neste rincão onde se plantando tudo dá, ele foi sumariamente enterrado e serviu de adubo para comédias que trataram de humilhar a figura clássica do desmorto.

Banquete de Taras

   Talvez essa nem seja a principal intenção deste horror erótico dirigido por Carlos Alberto Almeida e lançado em 1982, mas garanto que você não vai levar Banquete de Taras a sério depois de assistir os primeiros cinco minutos. A premissa é clássica e o filme até pega emprestado alguns elementos góticos de obras estrangeiras: começa com a chegada a Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, de um estranho homem vestido de preto. Ele visita a mansão de Vladmir Vladislav, um jovem escultor que leva mais uma vida de playboy do que a de um artista plástico. O visitante revela que está no Rio de Janeiro para cuidar dos planos de além-túmulo de um ancestral do escultor, um conde vampiro morto há mais de 500 anos na Transilvânia. O tal conde continua vivo em espírito e precisa de sangre fresco para renascer. O plano é tão simples quanto canalha: para saciar a sede de sangue do titio, Vladmir deve fazer sexo com quatro mulheres diferentes em quatro noites seguidas de lua cheia. O rapaz acha bem razoável a proposta, não faz qualquer objeção e as orgias logo começam.
   A melhor idéia do filme são as mulheres que, depois de serem possuídas sexualmente pelo escultor, são transformadas em estátuas de pedra que passam a decorar o jardim de sua mansão. A referência direta, obviamente, é o clássico O Moinho das Mulheres de Pedra (1960), dirigido pelo italiano Giorgio Ferroni, mas o filme é conduzido de maneira tão pouco imaginativa que mesmo detalhes assim acabam se perdendo. Completa a bagunça uma trilha sonora que mistura indistintamente Ravel, Roberto Carlos, Rick Wakeman, Pink Floyd e Bernard Herrmann.
   Para quem se contenta com um punhado de cenas de sexo softcore, Banquete de Taras pode até divertir um pouco, no sentido ‘sala-especial’ de diversão. Porém, mesmo seu erotismo é contestável: a cena de abertura fica entre o hilário e o grotesco, quando o emissário do conde usa seu incrível poder hipnótico para induzir uma mulher mais velha (e não muito atraente) a se masturbar dentro do ônibus! Entretanto, nada provoca mais risos incontroláveis do que o ridículo Newton Couto posando como uma versão barata de Christopher Lee, com a diferença de ter feições mais engraçadas do que assustadoras - e muitos centímetros a menos em estatura. Aliás, falando nisso, já estamos prontos para falar de nosso próximo exemplar...

As Taras do Mini Vampiro

   Aproveitando a visita do grande corintiano Diogenes ao blog (o legal desse formato é que podemos chamar pelo nome a maioria dos leitores!), vou comentar um filme bônus: nada menos do que o cult trash As Taras do Mini Vampiro (1987), dirigido por José Adalto Cardoso. O Diogenes sempre propagou aos quatro ventos que é fã do filme, e principalmente de seu diminuto astro, o anão Chumbinho, protagonista também do pornô bad-trip Fuk Fuk à Brazileira (1986), que Jean Garrett assinou sob o esperto pseudônimo J.A. Nunes; então está feita a homenagem ao amigo!
   Tudo que ficava no quase no filme comentado anteriormente chega às últimas consequências em As Taras do Mini Vampiro. O humor, desta vez, é escrachado, e o sexo, tão explícito quanto é possível imaginar. No mau sentido. Aquele explícito grosseiro, feio, desagradável, capaz de disassociar erotismo de pornografia (eu, ao contrário de muita gente, acredito que pornografia é essencialmente erótica, mesmo quando seu foco principal são closes genitais).
   O filme acompanha as desventuras do personagem do título, um horrendo anão vampiro que ataca casais (e, às vezes, trios) em seus momentos de intimidade. A trama é ambientada em Batatal, uma pacata cidadezinha do interior, e logo a grotesca criatura vai parar na primeira página dos jornais e atrai a atenção de políticos oportunistas e um excêntrico caçador de vampiros, interpretado por Renalto Alves. É fácil demais apontar os defeitos no filme, pois eles são muitos, porém é muito mais interessante vasculhar seus méritos. Os momentos de humor às vezes funcionam: impossível resistir, por exemplo, à safadeza do prefeito da cidadezinha, que quer a todo custo tirar proveito da situação para fazer com que Batatal fique conhecida nacionalmente. A cena do vampiro arrastando seu caixão pelo campo tem algo de trágico, macabro e poético, mas é melhor eu não comparar com a tomada semelhante que aparece em Nosferatu, o Vampiro da Noite (1979), de Werner Herzog...
   A conclusão que podemos chegar é que As Taras do Mini Vampiro é algo que só pode ser devidamente apreciado por alguém com gosto adquirido pela coisa. É para os iniciados, para quem experimentou sangue e quer mais, mais, mais!
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