CRÍTICAS, ANÁLISES, IDÉIAS E FILOSOFIAS EM GERAL A RESPEITO DE FILMES DE HORROR DE TODAS AS ÉPOCAS, NACIONALIDADES E ESTILOS, E MUITAS OUTRAS COISAS RELACIONADAS AO GÊNERO

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sexta-feira, 13 de abril de 2012

Horror no Cinema Brasileiro - 13 e 18 de abril

   O horror volta a atacar em dose tripla na Cinemateca de São Paulo, escolhendo justamente uma sexta-feira 13 para levar ao público aficionado pelo gênero obras raras desse gênero em nosso cinema. Repetindo o que aconteceu na primeira sessão da mostra, que destacou um filme pouco conhecido do brilhante cineasta John Doo, esta terceira edição traz como principal atração mais um longa do cultuado diretor da Boca do Lixo, recentemente falecido: a atração desta noite é Excitação Diabólica, de 1982. O filme traz a saudosa Wanda Kosmo no papel de uma velha prostituta - na verdade, uma bruxa asquerosa - que assume a aparência das beldades Aldine Muller e Zaira Bueno.
   A maratona horrorífica segue madrugada adentro com o clássico melodrama Meu Destino É Pecar (1952), dirigido por Manuel Peluffo e produzido pela Maristela, com roteiro baseado no folhetim assinado por Suzana Flag, na verdade um pseudônimo do escritor Nelson Rodrigues. Uma história de mistério e horror barroco, com clara inspiração em Rebeca, a Mulher Inesquecível (1940), de Alfred Hitchcock, um dos filmes preferidos de Rodrigues, a trama deliciosamente estapafúrdia inclui um suposto fantasma e um detalhado ritual de macumba.
   Fechando a trinca, o erótico e satânico O Castelo das Taras (1982), de Julius Belvedere, busca inspiração na figura malévola do Marquês de Sade para contar uma história de decadência, depravação e corrupção. O destaque fica para Esmeralda Barros, num dos papéis mais ultrajantes de sua carreira, reservando uma explosiva surpresa para os minutos finais. Um filme que nem sempre merece a devida atenção, mas inquestionavelmente um dos mais enfáticos exemplares do cinema de horror brasileiro.
   Confira o material do evento no site da Cinemateca, com serviço completo, incluindo endereço, fichas técnicas e sinopses.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Horror no Cinema Brasileiro - 10 a 16 de fevereiro


   Não está morto o que não está enterrado. Ou melhor, mesmo o que jaz sete palmos abaixo da terra pode voltar para nos aterrorizar quando menos esperamos... Claro, estou falando deste blog morto-vivo, abandonado há meses como a mais tenebrosa casa mal-assombrada... Não era a minha intenção, é penoso largar um filho quando ele começa a criar personalidade, mas se é que existe um consolo nisso tudo, pelo menos o motivo foi justificável: não foi falta de assunto, interesse ou repercussão, mas absoluta falta de tempo! No último semestre fiquei ocupado com uma série de compromissos profissionais que me propiciaram participar de eventos como o Fantaspoa, RioFan e CineFantasy, os maiores festivais de cinema fantástico do Brasil, além dos cursos de cinema que regularmente levo a Porto Alegre pela produtora Cena Um. Também tive o privilégio de fazer parte da espetacular Mostra Hitchcock realizada no CCBB de São Paulo, com uma aula magna para uma plateia de altíssimo nível que lotou o cinema (e, ainda por cima, cercado de obras do genial E.C. Escher por todos os lados!). Igualmente memorável foi o agosto passado em Fortaleza, onde ministrei na Vila das Artes um curso de um mês de duração que passeou pelo cinema de horror desde os filmes mudos até as obras inigualáveis de José Mojica Marins, tema de uma mini-retrospectiva no evento. Depois, de volta para casa, ainda pude falar um pouco sobre a carreira de Vincent Price num rápido evento realizado no SESC Osasco.
   Feita a justificativa de tão absurdo abandono, vamos ao motivo desse glorioso retorno: começa na Cinemateca de São Paulo, na madrugada de sexta-feira, dia 10 de fevereiro, o ciclo Horror no Cinema Brasileiro, dedicado à exibição de longas-metragens nacionais desse gênero. O projeto, com curadoria de Eugênio Puppo, é um desdobramento da pioneira mostra idealizada por mim e por Laura Cánepa e produzida pela Heco, em 2009, que exibiu 25 dos mais importantes filmes brasileiros de horror no CCBB de Brasília e do Rio de Janeiro. Foi o primeiro passo de um audacioso projeto que pretende registrar toda a história do horror nas telas brasileiras.
   A ideia da mostra cresceu e a reencarnação paulista do evento ganhou um espaço fixo com sessões regulares: todo mês, três filmes diferentes serão exibidos numa maratona noite adentro, e depois reprisados ao longo da semana seguinte. Os títulos escolhidos para essa sessão inaugural não poderiam ser mais representativos: começa à meia-noite com O Despertar da Besta (1969), a obra-prima delirante de José Mojica Marins, seguido de Ninfas Diabólicas (1978), uma das obras mais importantes de John Doo - infelizmente falecido há poucos dias - e que não fez parte da mostra original de Brasília e do Rio de Janeiro, e, fechando a noite, O Maníaco do Parque (2002), de Alex Prado, filme que foi concluído somente em 2009 graças a esforços da Heco e da equipe organizadora do evento.
   Desta maneira, inicia-se um monumental resgate do cinema de horror brasileiro - algo sequer pensado até este momento - e que trará ainda muitas surpresas e filmes que são cultuados ainda por poucos, mas que despertam a curiosidade de muitos cinéfilos que até o momento só ouviram falar de tais pérolas, mas nunca puderam conferi-las. Entre os cineastas que serão contemplados com exibições nas próximas sessões provavelmente estarão nomes como Walter Hugo Khouri, Carlos Hugo Christensen, Júlio Bressane e Elyseu Visconti Cavalleiro. O êxito dessas sessões, com presença maciça dos amantes do cinema nacional e de filmes de horror em geral, será determinante para que o espaço continue sendo ocupado por esse evento. O Brasil tem pelo menos duzentos filmes de horror que merecem ser vistos e descobertos pelos aficionados pelo tema e que, até agora, sequer desconfiam de sua existência.
   Confira o material de apresentação do evento no site da Cinemateca, com serviço completo, incluindo endereço, fichas técnicas e sinopses.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Cinema da Boca: Fauzi Mansur

   A segunda edição do ciclo Cinema da Boca, que promete ser um espaço permanente de exibição da prolífica produção da Boca do Lixo paulistana, é dedicada a Fauzi Mansur, um dos mais ativos cineastas desse eixo. Seu próprio pseudônimo “Vitor Triunfo”, usado nas fitas de sexo explícito, é uma referência ao cruzamento das ruas Vitória e Triunfo, onde localiza-se o coração da Boca.
   A mostra do Cine Olido, que começa hoje, dia 21, e vai até o último dia de junho, apresentará quinze longas do diretor, que passou naturalmente da pornochanchada cômica para o filme de horror satânico, do drama romântico para a aventura indígena. O recorte da mostra representa apenas uma parcela da rica obra de Fauzi Mansur (não será exibido nenhum de seus muitos pornôs explícitos, por exemplo), mas aos entusiastas do cinema de horror recomenda-se não perder suas incursões no gênero: Atração Satânica e Ritual da Morte são dois dos mais extremos filmes nacionais do gênero. Realizados de olho no mercado estadunidense, com diálogos em inglês, os filmes mergulham no mais puro terror, exagerando no banho de sangue, mutilações, esquartejamento e tudo que o gênero sugere. Viraram cult em alguns círculos de colecionadores estrangeiros, mas ainda são virtualmente desconhecidos no Brasil.
   Igualmente imperdível é o raro A Insaciável (Tormentos da Carne), que será exibido no dia 28, com direção de W.A. Kopezky, sócio de Fauzi na produtora Virgínia Filmes. O roteiro, assinado por ambos, fala sobre reencarnação, maldição e vingança, com direito a pomba-gira e manifestações sobrenaturais. Fauzi, ao longo de mais de quatro décadas de carreira, realizou outros filmes interessantes flertando com o mistério, o suspense e o horror, como Ensaio Geral: A Noite das Fêmeas (1976), Belas & Corrompidas: Sexta-Feira as Bruxas Ficam Nuas (1978), Sadismo: Aberrações Sexuais (1983), o inacreditável pornô pós-apocalíptico As Ninfetas do Sexo Selvagem (1984), no qual assina sob o pseudônimo “Hizat Surman”, e o pesado Karma: Enigma do Medo (1988), creditado a “F. Faez”. Enquanto esses permanecem raridades que circulam apenas entre colecionadores, ao menos podemos conhecer uma parcela de sua obra na tela grande. Confira abaixo a programação completa da mostra do Cine Olido. As sinopses são da programação oficial do evento (que aparentemente confundiu Belas & Corrompidas com Atração Satânica na sinopse!).

Sedução: Qualquer Coisa a Respeito do Amor (1974)


Até encontrar um genro que possa lhe dar netos, pois a filha tem um tipo raro de sangue, um fazendeiro elimina todos os pretendentes à mão da moça. Quando ela se apaixona por um rapaz, elabora um plano para enganar o pai. Dia 21, 15h. Dia 28, 19h30.

A Noite do Desejo (Data Marcada para o Sexo) (1973)


Dois jovens operários saem em busca de uma noite de prazer pela cidade. Por serem menosprezados por onde passam, eles acabam se divertindo em um bordel barato. Dia 21, 17h. Dia 29, 19h30.

O Inseto do Amor: Anophelis Sexualis (1980)


Pessoas são picadas por insetos que escaparam de um laboratório. Elas poderão morrer se não mantiverem relações sexuais em até duas horas após o contágio. Dia 21, 19h30. Dia 29, 15h.

O Mulherengo (1976)


Após ser morto pelo pai de uma de suas vítimas, integrante de uma banda musical encontra um anjo que só permitirá que ele entre no paraíso se reparar o mal causado durante sua vida. Dia 22, 15h.

A Ilha dos Paqueras (1970)


Para conquistar quatro modelos que chegam a um luxuoso navio, dois tripulantes simulam um naufrágio e salvam as garotas, o showman e o comandante. A bordo de uma balsa, eles se dirigem a uma ilha, mas lá encontram um grupo de contrabandistas. Dia 22, 17h. Dia 30, 15h.

Cio... Uma Verdadeira História de Amor (1971)


Engenheiro é atingido por uma paixão sem limites por um garoto. Nem os prazeres da boemia, nem a dedicação de uma jovem conseguem fazê-lo esquecer o rapaz. Dia 22, 19h30. Dia 29, 17h.

Mulheres Eróticas (1984)
Ao saírem para uma orgia, três casais se deparam com um caseiro local que assume o papel de julgador e os prende, passando a matá-los um a um. Dia 23, 17h.

Atração Satânica (1989)


Inspirada em um serial killer francês, mulher começa a cometer assassinatos com sadismo e erotismo. Dia 23, 19h30. Dia 30, 17h.

Ritual da Morte (1990)
Livro contendo informações sobre antigos rituais indígenas é roubado por um grupo de teatro. Eles planejam encenar uma peça baseada nos textos, mas durante os ensaios um dos atores é possuído e começa a matar os demais. Dia 24, 17h. Dia 30, 19h30.

Orgia das Taras (1980)


Ao chegar a uma cidade do interior, homem se envolve em uma briga entre prostitutas e é salvo por um traficante. Ao descobrir as atividades ilícitas do novo amigo, o visitante passa a correr perigo. Dia 24, 19h30.

Sexo às Avessas (1982)


Casal inverte seus papéis na vida conjugal: ele se dedica às tarefas domésticas e ela se torna uma executiva conquistadora. A vida de ambos é abalada pelo flagrante de adultério entre a mulher e um amigo do marido que se tornou prostituto. Dia 25, 17h.

O Guarani (1979)


Adaptação do clássico de José de Alencar, o filme mostra a filha de um fidalgo da corte portuguesa que se apaixona por um índio. Dia 25, 19h30.

A Gaiola da Morte (1992)
Lutadores de artes marciais são sequestrados e obrigados a se enfrentar até a morte em um torneio. Dia 26, 17h.

A Insaciável (Tormentos da Carne) (1980)


Depois de ter problemas com a polícia, rapaz vai à fazenda de um casal de amigos para se recuperar. Estranhos acontecimentos que envolvem a morte de garotas o obrigam a fazer terapia. Dia 28, 15h.

Sexo Profundo (1981)


Para se vingar do marido adúltero, mulher o convida para um passeio à casa de veraneio da família. Depois de castrá-lo, ela o mantém preso em um sótão onde pode vê-la praticando sexo com homens e mulheres. Dia 28, 17h.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Mostra Retrospectiva Troma

   Atenção, cinéfilos apaixonados por filmes podreira e cinema independente em geral: a cidade de São Paulo vai virar Tromaville... pelo menos durante uma semana! Entre os dias 31 de maio e 5 de junho, acontece no Cine Olido, na Avenida São João, a Mostra Retrospectiva Troma, dedicada à mais antiga produtora independente em atividade no mundo. O evento foi idealizado e organizado pela Black Vomit, produtora de Fernando Rick (Rubão o Canibal, Feto Morto, Coleção de Humanos Mortos), em parceria com a Galeria Olido, que recentemente nos ofereceu a mostra dedicada a Francisco Cavalcanti, em homenagem à produção da Boca do Lixo.
   O festival apresentará oito dos melhores filmes da Troma, começando pelas quatro partes da saga O Vingador Tóxico (1984-1999), e ainda Poultrygeist, a Noite dos Frangos Mortos (2006), Canibal! O Musical (1993), Um Terror de Equipe (1999) e Tromeu e Julieta (1996), além de três documentários sobre a Troma. Todos os filmes serão exibidos com legendas em português, em sessões gratuitas às 15h, 17h e 19h30.
   A azeitona na empada acontecerá no dia 4, quando o cineasta Lloyd Kaufman, fundador e presidente da Troma e uma verdadeira lenda viva do cinema independente, apresentará sua “master class” Make Your Own Damn Movie, das 13h às 19h. O evento contará com coffee break e tradução simultânea - e também é tudo de graça! As vagas são limitadas (no momento desta postagem restavam apenas algumas poucas das 150 cadeiras oferecidas), portanto os interessados devem se inscrever o quanto antes no site da Black Vomit. As inscrições vão até o dia 23 de maio.
 







segunda-feira, 9 de maio de 2011

Cinema da Boca: Francisco Cavalcanti

   O cinema da Boca do Lixo paulistana, que durante tanto tempo só mereceu o mais absoluto desprezo por parte da crítica e contou, quando muito, apenas com o apoio das classes mais populares e a tolerância de profissionais da sétima arte que não conseguiriam trabalhar em nenhum outro tipo de filme, finalmente ganha um mais do que merecido espaço de exibição. O interesse por parte de historiadores e amantes do cinema nacional pelo prolífico legado dos cineastas da Boca só tem crescido nos últimos anos; não é exagero afirmar que a pornochanchada hoje atrai mais atenção de estudos sérios sobre nossa peculiar filmografia do que qualquer manifestação artisticamente mais “legítima”, como o Cinema Novo ou o Cinema da Retomada.
   O diretor Francisco Cavalcanti, um dos nomes mais conhecidos do eixo de produção que se concentrava no cruzamendo da Rua do Triunfo com a Rua Vitória, na metrópole paulistana, foi o escolhido para inaugurar um espaço permanente de exibição no Cine Olido, dedicado aos cineastas da Boca do Lixo. A mostra dedicada ao diretor apresentará treze filmes dirigidos por Cavalcanti, entre os dias 10 e 19 de maio, incluindo o inédito Amor Imortal, realizado em 2001 mas nunca lançado. Antes do longa será exibido o média-metragem Nobuko: Uma História de Amor, de 2009, e ao final da sessão dupla do dia 10, o diretor debaterá os filmes e toda sua carreira com a platéia.
   Quem não puder prestigiar a mostra no Cine Olido terá a oportunidade de acompanhar o ciclo de filmes de Francisco Cavalcanti que está sendo exibido no Canal Brasil: este mês já passou Ivone, a Rainha do Pecado e ainda será exibido o inacreditável Padre Pedro e a Revolta das Crianças (dias 15 e 17), que reúne num só pacote Gugu Liberato, Pedro de Lara e José Mojica Marins. Confira abaixo a programação completa da mostra do Cine Olido. As sinopses são da programação oficial do evento.

Padre Pedro e a Revolta das Crianças (1984)



Padre Pedro, acompanhado de um carneiro e de um bode, viaja por várias cidades para salvar igrejas ameaçadas por malfeitores, até encontrar seu grande desafio: um local dominado pelo diabólico milionário Rodrigo Napu. Dia 10, 15h. Dia 14, 17h.

O Porão das Condenadas (1979)



Para levar de volta a irmã que fugiu de casa para se casar, os irmãos matam seu marido e ferem seu filho. Ao crescer, o jovem volta para vingar a morte do pai. Dia 10, 17h. Dia 14, 15h.

Nobuko: Uma História de Amor (2009)
Após um casamento de sucesso, casal é surpreendido pelo diagnóstico de um câncer que pode causar a morte da esposa.

Amor Imortal (2001)
Garoto é preso após realizar um assalto com uma gangue. Ao sair da cadeia, vai em busca de sua parte no dinheiro roubado, sofre uma emboscada por parte dos companheiros e é salvo por uma mulher misteriosa que mudará sua vida. Exibições seguidas. Dia 10, 19h. Dia 15, 15h. Dia 19, 17h.

Homem sem Terra (1997)
Jovem precisa fugir da cidade após seus pais serem ameaçados de morte por conta de seu namoro com a filha do patrão. Anos depois, descobre que eles foram assassinados a mando do coronel, e volta para se vingar. Dia 11, 15h.

Os Indigentes (1996)
Após ser abandonado pelo pai desempregado e expulso da casa do tio, jovem se une a outros menores para formar uma gangue de trombadinhas. Dia 11, 17h. Dia 17, 15h. Dia 19, 19h30.

A Hora do Medo (1986)


Após ver o pai torturando a mãe durante o sexo, garoto rico cresce traumatizado e passa a assassinar todas as mulheres que a mãe traz para casa, enterrando-as nos fundos da mansão. Dia 12, 15h. Dia 15, 17h.

Instrumento da Máfia em Gosto de Pistola (O Cafetão) (1988)


Após pedir a um engraxate que tome conta de sua mala, bandido é morto por duas quadrilhas rivais. Dia 12, 17h.

Horas Fatais (Cabeças Trocadas) (1986)


Dois garotos ricos invadem a casa de um pacato cidadão, e violentam sua mulher e sua cunhada. Desiludido com o sistema judicial, ele quer vingança a qualquer custo. Dia 12, 19h30. Dia 17, 17h.

Ivone, a Rainha do Pecado (Uma Mulher Provocante) (1983)


Depois de ser levado para o Juizado de Menores porque sua mãe era prostituta, adolescente foge da instituição na companhia de dois colegas. Ao saber do ocorrido, a mãe parte em sua busca. Dia 13, 15h. Dia 17, 19h30.

Mudança de Identidade (Os Tarados) (1983)
Garoto presencia o estupro e a morte de sua mãe. Já adulto, sai em busca de vingança, tendo como única pista o relógio que o criminoso esqueceu no local. Dia 13, 17h. Dia 18, 15h.

Glória dos Canalhas (Violentadores de Meninas Virgens) (1983)


Ex-cafetão lidera uma quadrilha de raptores de garotas para servirem velhos milionários, e depois serem assassinadas. A polícia não tem nenhuma pista e a notícia se espalha, mobilizando a opinião pública. Dia 13, 19h30. Dia 18, 17h. Dia 19, 15h.

Almas Marginais (Sexo, Sexo e Sexo) (1984)


Dois amigos trabalham em uma oficina, mas ficam desempregados após um deles, viciado em drogas, matar o patrão. Eles começam a assaltar pessoas na rua e enfrentam um verdadeiro desafio durante um roubo ousado. Dia 14, 15h. Dia 18, 19h30

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Cinema de Bordas (3ª Edição)

   Agora acho que dá para cravar: o Cinema de Bordas chegou para ficar. O evento chega à sua terceira edição consecutiva, cada vez mais prestigiado e ganhando maior destaque na mídia, abrindo espaço para a produção amadora e semi-amadora de nosso cinema de gênero. E tampouco seria exagero afirmar que é esse o cinema que “dá certo” no Brasil quando falamos de horror, ficção cientifica, fantasia e outros gêneros específicos que fogem da mesmice do nosso cinema “oficial”.
   O Cinema de Bordas é organizado por Bernadette Lyra, Gelson Santana e Laura Cánepa, que realizam um trabalho pioneiro de garimpagem e seleção de curtas, médias e longas-metragens que, de outra maneira, dificilmente escapariam do completo anonimato. Nomes como Manoel Loreno (Seu Manoelzinho) hoje convivem lado a lado com realizadores da nova geração, como Rodrigo Aragão, Joel Caetano e Rubens Mello, além de outros que já estão na batalha há mais de uma década, como Petter Baiestorf, Coffin Souza e Felipe M. Guerra. Indo dos menos abastados e isolados social e geograficamente até os cinéfilos mais antenados e cultos, inclusive com formação acadêmica dentro do estudo de cinema, os ‘bordistas’ atualmente formam uma geração que possivelmente carregará a responsabilidade de manter vivo o cinema de gênero no Brasil.
   Segue abaixo o comunicado oficial do evento publicado no site do Itaú Cultural.

   O Itaú Cultural apresenta a terceira edição da mostra Cinema de Bordas, que reúne filmes produzidos de forma independente, com baixo orçamento e alguns de estética “trash”. São trabalhos que se concentram em narrativas de ficção e fazem proveito de histórias e imagens de outros produtos culturais, como filmes antigos, HQs e seriados. Também é característica dessas produções a adaptação do conteúdo segundo o modo de vida e o imaginário popular das comunidades envolvidas no processo criativo.
   Com curadoria de Bernadette Lyra, Gelson Santana e Laura Cánepa, a seleção de filmes foi pautada em três momentos em que a produção foi descentralizada, permitindo a realização dessas obras: nos 1970, com o advento das câmeras VHS; durante os anos 1980, na época de ouro dos fanzines; e atualmente, com a popularização da internet, que permite maior contato entre os produtores e destes com o público interessado.
   As exibições, que acontecem de 19 a 24 de abril, são seguidas de bate-papos com alguns realizadores.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Mostra Spaghetti Zombies


   Zumbis, todos nós sabemos, não têm pátria, esses pobres coitados. São livres, descompromissados, irresponsáveis, incompreendidos, caçados impiedosamente, são tratados com uma intolerância desmedida pelas pessoas que se julgam normais, que têm nojo e repugnância desses seres desgraçados. Deu para sacar por que amamos tanto esses cadáveres putrefatos, por que eles são tão universais e queridos? Justamente por isso, não importa se você vem da Itália ou, só para citar uma cidade aleatoriamente... digamos, Recife, em Pernambuco; você certamente tem motivos de sobra para se encantar com um bom (ou não tão bom assim) filme de zumbi.
   Disso tudo, a única brincadeira é que a referência a Recife é aleatória: não é não, é para divulgar a mostra Spaghetti Zombies, que acontece a partir deste sábado, e segue ao longo de toda a semana, na capital pernambucana. O recorte da mostra, organizada por Osvaldo Neto, do blog Vá e Veja, com colaboração de Ronald Perrone, do blog Dementia 13, é a safra clássica italiana de filmes de zumbi, inspirados pela repercussão que Zombie: Despertar dos Mortos (1978), de George A. Romero, teve no país da pizza.
   A mostra reúne meia dúzia desses pequenos grandes clássicos, começando com aquela que talvez seja a última obra-prima de horror oriunda da Itália: Dellamorte Dellamore (Pelo Amor e Pela Morte, 1994), de Michele Soavi. O filme será exibido no dia 19, sábado, e a mostra prossegue, de segunda a sexta, com Zombi 3 (1988), de Lucio Fulci, Bruno Mattei e Claudio Fragasso; Quella Villa Accanto al Cimitero (A Casa do Cemitério, 1981), de Lucio Fulci; Non Si Deve Profanare il Sonno dei Morti (Zumbi 3, 1974), de Jorge Grau; E Tu Vivrai nel Terrore: L’Aldilà (Terror nas Trevas, 1981), de Lucio Fulci; Le Notti del Terrore (A Noite do Terror, 1981), de Andrea Bianchi. Todos são inéditos em DVD no Brasil, mas - à exceção de Zombi 3, foram lançados em VHS por aqui - e fiquei com vontade de explorar minha prateleira de zumbis, pois tenho todos esses filmes em DVDs importados (alguns quase foram lançados por aqui, mas essa é outra história...)!
   A mostra, com apoio do Cinema da Fundação Joaquim Nabuco e do Cineclube Dissenso, tem entrada franca e todos os filmes serão exibidos com legendas em português. O Cinema da Fundação Joaquim Nabuco fica na Rua Henrique Dias, 609, Derby, Recife, Pernambuco. Quem estiver interessado pode escrever para o e-mail de Osvaldo Neto ou se informar pelos fones (81) 9426 9180, 3073 6688 e 3073 6689. Para quem está distante, como eu, resta apenas a torcida para que esta primeira edição seja um grande sucesso, que mostras como essa se repitam em muitas outras cidades brasileiras e que, com o tempo, ganhem um caráter mais oficial e regular. Vivos ou mortos, todos agradecem.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O Santo Popstar


   Acontece a partir de hoje, dia 7, e segue até sábado, dia 12, a mostra de filmes O Santo Popstar, promovida pelo Instituto Cervantes, de São Paulo, que exibirá cinco filmes do luchador mascarado Santo, um dos maiores ídolos das telas e dos ringues mexicanos. As sessões são gratuitas e acontecem diariamente às 19h30, com apresentação do ciclo por Felipe Ehrenberg. No sábado acontece uma maratona com todos os cinco filmes em sequência, das 9h às 21h.
   Codinome de Roberto Guzman Huerta, o enmascarado de plata estreou nas telas em 1961 e protagonizou mais de 50 películas durante vinte anos de carreira ininterrupta. Contando com míseros cinco títulos, essa mostra é apenas uma amostra dessa carreira fenomenal e épica, durante a qual Santo enfrentou zumbis, mulheres-vampiro, estranguladores, bruxas, caçadores de cabeças e vilões excêntricos como La Llorona, o Barón Brákola e o Dr. Frankenstein, além de uma vasta galeria de monstros.
   Santo mudou com o passar do tempo, tornou-se uma espécie de espião nos moldes de James Bond e também encarou de frente alguns bandidos nazistas. Durante os anos 70, seus filmes ficaram mais violentos e com influência dos policiais norte-americanos. Formou parceria com o colega mascarado Blue Demon e passou o bastão a seu hijo, Jorge Guzman, cujo exemplar cinematográfico mais recente foi Santo Infraterrestre, de 2001.
   A programação começa hoje com Anônimo Mortal (1972), o 44º filme do lutador, e prossegue a partir de amanhã com os filmes Santo e Blue Demon vs. os Monstros (1969), Santo contra as Lobas (1972), Santo e Blue Demon em Atlântida (1970) e, finalmente, o clássico absoluto Santo no Museu de Cera (1963), o oitavo filme do herói.
   O auditório do Instituto Cervantes tem capacidade para 97 lugares e fica na Av. Paulista, 2439, próximo ao metrô Consolação.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Filmes Malditos da Meia-Noite: Snuff Movies


   Depois de alguns meses de inatividade, está de volta o projeto Filmes Malditos da Meia-Noite, capitaneado há quatro anos por Alex Oliveira com a proposta de oferecer “cinema underground para cinéfilos notívagos” em Fortaleza. O tema escolhido para marcar este retorno foi o snuff, com a apresentação de três longas-metragens a partir da meia-noite de hoje no Cine Majestik, um popular cinema pornô localizado na Rua Major Facundo, número 866, no centro da capital cearense.
   A maratona começa com o catártico Vida e Morte de uma Gangue Pornô (2009), de Mladen Dsordjvic, filme premiado no ano passado no Fantaspoa e que causou um grande alvoroço entre os cinéfilos de Porto Alegre durante o festival (ao ponto de ninguém duvidar que ele seria o grande vencedor vários dias antes do encerramento do evento). O segundo filme é Tesis: Morte ao Vivo (1996), de Alejandro Amenábar, uma das primeiras e melhores realizações do diretor chileno radicado na Espanha, mas que dificilmente poder ser classificada de ‘underground’; este filme inclusive foi um dos primeiros lançamentos em DVD do selo Cinemagia, há uns sete anos, pelas mãos de meu amigo Paulo Duarte. O último longa, que começa às quatro da madrugada, é A Serbian Film (2010), de Srdjan Spasojevic, um dos mais radicais exemplares do subgênero snuff, que promete deixar a galera do Majestic bastante perturbada em seu caminho de volta para casa Complementam a programação os curtas Pig, de Nico B, e Gave Up (Broken Movie), de Peter Christopherson, além da série August Underground, exibida nas cabines individuais do cinema (uma boa idéia do curador para aproveitar esse capricho muito particular dos cinemas pornográficos).
   O material de divulgação do evento define os Filmes Malditos como “projeções mensais de obras do panorama da cinematografia obscura. As sessões trazem ao público filmes com temáticas transgressoras, experimentais, ultrajantes, por vezes incompreendidas ou até proibidas. Em tempos de domínio dos chamados ‘blockbusters’, os Filmes Malditos se configuram como um contraponto a este tipo de cinema hegemônico, trazendo aos olhos do espectador um universo subversivo, fantasioso, polêmico”.
   Pegando carona neste último adjetivo, quero dar meu pitaco sobre o tema apenas para comentar que, na minha maneira de compreender o cinema de horror, a ‘polêmica’ em torno dos snuff movies somente torna-se interessante de fato quando culmina na discussão intelectual sobre sua relação íntima com o consumidor desse tipo de produto, ou como um reflexo consciente do processo criativo da arte (a princípio, legitimada pelo verniz da ‘vanguarda’ ou da ‘transgressão’), e não mais no conceito caduco e ingênuo de “filmes clandestinos mostrando assassinatos reais para saciar a perversão de ricaços entediados”, idéia tola e superficial disseminada em meio ao povão consumidor de blockbusters por aquela aberração chamada 8mm (1999), de Joel Schumacher, talvez o pior exemplar sobre o tema.
   Claro que, quando abraço o conceito do snuff como uma manifestação artística legítima (e só assim esse tema me interessa, e muito), considero anulado seu teor ‘pornográfico’; portanto, talvez não seja exagero supor que o frustrado consumidor de snuff hoje tenha que se contentar com seu genérico industrializado, o torture porn. Mais do que isso, o snuff atualmente se transformou numa espécie de grito de revolta e até mesmo terapia de choque para cineastas emergentes de sociedades que enfrentaram guerras civis e tiveram que conviver com tortura e morte como elementos cotidianos, a arte germinada em meio ao caos e à devastação num terreno adubado com ódio e sangue, como no caso da Sérvia, não à toa o país de origem de dois dos três filmes desta mostra.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

34º Mostra Internacional de Cinema de São Paulo


   As concorridas sessões da 34º Mostra Internacional de Cinema de São Paulo agora estão acessíveis também a quem não está na metrópole paulistana ou que não tem disposição para enfrentar as longas filas e disputar a tapa os cobiçados ingressos. O edição deste ano oferece exibições online de 68 do total de 467 filmes programados para o evento. O interessado deve acessar o site da Mubi e fazer um cadastro simples, gratuito. O primeiro filme disponibilizado, que já está no ar, é Os Amores de um Zumbi (Les Amours d’un Zombi), produção do Haiti realizada em 2009 e dirigida por Arnold Antonin. Os demais filmes entram no ar a parti do dia 28. Os vídeos são exibidos em streaming, sem que seja necessário baixá-los, com limite de 500 acessos por título ou até acabar o festival, na meia-noite de 4 de novembro. Portanto, se quiser aproveitar a mostra de São Paulo mesmo estando à distância, é melhor se apressar.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Animaldiçoados 2010: premiação

   Estes foram os curtas premiados no Animaldiçoados 2010, o Festival Internacional de Animação de Horror. Para quem não pôde prestigiar o festival de corpo presente (como no meu caso, infelizmente), aqui estão os três curtas vencedores, na íntegra. Parabéns aos organizadores do evento pelo pioneirismo e pelo sucesso absoluto da empreitada, e que venham mais ‘animaldições’ por muitos e muitos anos!
 
Melhor Animaldiçoado 2010 - Júri do Festival
Veriset Kädet (Bloody Hands) (Finlândia, 2009)
 
Melhor Animaldiçoado Brasileiro 2010 - Júri Popular
Silêncio e Sombras (Brasil, 2008)
 
Melhor Animaldiçoado Estrangeiro 2010 - Júri Popular
Sebastian’s Voodoo (Paraguai, 2008)

sábado, 31 de julho de 2010

Fantaspoa 2010: premiação

   Tentei, eu juro. Queria mesmo fazer uma postagem com impressões finais sobre o VI Fantaspoa, mas ando tão sem tempo que não consigo sequer escrever de maneira coerente uma notinha breve. Resumindo a aventura: saí de Porto Alegre com a impressão de que o festival foi praticamente perfeito, dinâmico, diversificado e repleto de pontos altos. Eu é que tenho que me organizar melhor para aproveitar melhor o tempo na próxima edição.
   Listo abaixo os premiados deste ano (se é que alguém ainda não viu isso em algum lugar...). Na condição de representar metade do júri, obviamente só posso concordar com os escolhidos (meu parceiro de crime foi o crítico André Kleinert, do blog Anti-Dicas de Cinema). Porém, quero fazer algumas considerações. Meu único arrependimento é não ter insistido mais para que A Casa do Demônio ficasse com algum prêmio. Gosto demais do filme e de todo o seu clima oitentista e queria recompensá-lo com um prêmio de direção para Ti West, que conduz a obra com maestria, ou de atriz para a protagonista Jocelin Donahue. O amigo Leandro Caraça não perdoou a decisão final e considerou “um disparate” o filme sair do festival sem ser premiado... Tenho que discordar do termo ‘disparate’, pois acho que todos os prêmios foram merecidos, mas o filme de fato merecia algo mais.
   Também quero justificar a menção honrosa para Amargo, sugerida pelo André e com a qual prontamente concordei. O filme estava na minha lista prévia para a categoria de direção, mas francamente não sei precisar o quanto do seu deslumbrante resultado final deve ser creditado ao casal de diretores Hélène Cattet e Bruno Forzani e o quanto é resultado da brilhante montagem, da fotografia onírica e o clima surreal com referências a Buñuel e a inúmeros gialli clássicos. O importante, na minha opinião, foi não deixar o filme passar despercebido.

Júri Oficial

Filme: Vida e Morte de uma Gangue Pornô, de Mladen Djordjevic
Direção: Eli Craig, de Tucker & Dale Enfrentam o Mal
Ator: Peter Marshall, de O Cavaleiro
Atriz: Olga Fedori, de Mamãe & Papai
Roteiro: Konstantin Lopushansky e Vyacheslav Rybakov, de Os Cisnes Feios
Efeitos Especiais: Reyes Abades, de O Legado Valdemar
 
Menções Honrosas:
   Produção de Baixo Orçamento: Recortadas, de Sebastián De Caro
   Banho de Sangue: Massacre Esta Noite, de Ramiro García Bogliano e Adrián García Bogliano
   Rainha do Grito: Julie Estelle, de Macabro
   Contribuição Artística: Amargo, de Hélène Cattet e Bruno Forzani

Longa Animação: Uma Noite na Cidade, de Jan Balej

Curta-Metragem Nacional Ação: Mapa-Múndi, de Pedro Zimmermann
Curta-Metragem Nacional Animação: O Jumento Santo, de Léo D. e William Paiva
Curta-Metragem Internacional Ação: El Nunca lo Haría, de Anartz Zuazua
Curta-Metragem Internacional Animação: Alma, de Rodrigo Blaas

Prêmio pela Carreira: Luigi Cozzi

Júri Popular

Filme: Eu Vendo os Mortos, de Glenn McQuaid
Curta-Metragem Nacional Ação: Animal Menor, de Paulo Harres e Marcos Contreras
Curta-Metragem Nacional Animação: Anjos no Meio da Praça, de Alê Camargo e Camila Carrossine
Curta-Metragem Internacional Ação: Cabuleros, de Damian Slipoi
Curta-Metragem Internacional Animação: Le Petit Dragon, de Bruno Collet

   Por último, para compensar minha indisponibilidade de tempo para escrever melhor sobre o evento, recomendo a todos que confiram o que escreveram alguns participantes e espectadores do Fantaspoa. Felipe M. Guerra deixou suas impressões sobre os filmes que viu no festival em seu blog Filmes para Doidos. Blob fez o mesmo em seu blog e Leandro Caraça postou suas notas aqui, aqui, aqui, aqui e aqui. Foi também no blog do Leandro que fiquei sabendo das lamentáveis mortes de Harvey Pekar e Vonetta McGee; o primeiro, um autêntico gênio outsider dos quadrinhos; a segunda, uma musa inesquecível.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Luigi Cozzi apresenta Quatro Moscas Sobre Veludo Cinza no Fantaspoa


   A última noite de Luigi Cozzi no Fantaspoa, como já era de se esperar, foi outro momento memorável do festival, fechando de maneira merecida o ciclo dedicado ao veterano cineasta italiano. A sessão novamente teve lotação total da sala, desta vez com congestionamento até nos degraus, afinal o filme selecionado foi um giallo clássico dirigido por Dario Argento, o raríssimo Quatro Moscas Sobre Veludo Cinza, de 1971, que tem roteiro co-escrito por Cozzi. O filme em si é considerado o mais fraco da chamada ‘trilogia dos bichos’ de Argento (completada por O Pássaro das Plumas de Cristal e O Gato de Nove Caudas), mas ele me pareceu bem melhor na tela grande do que quando o vi pela primeira vez, num tosco DVD caseiro com uma cópia péssima que circulou entre colecionadores durante muitos anos.
   Também foi emocionante acompanhar a entrega, por parte da direção do Fantaspoa, de um merecido ‘prêmio pela carreira’ a Luigi Cozzi, que levou para casa uma placa em homenagem aos anos dedicados ao cinema fantástico, abraçando os gêneros da ficção científica, fantasia, suspense e horror. Após a sessão, Cozzi respondeu a mais uma bateria de perguntas da platéia, desta vez concentrando-se mais em sua parceria com Dario Argento. O convidado de honra contou inúmeras anedotas dos bastidores do filme e não fugiu sequer da pergunta sobre o que acha das produções recentes do colega Argento. Felipe M. Guerra, curador da mostra e cicerone de Cozzi, foi preciso ao traduzir a resposta: “Como todo mundo, Luigi prefere os filmes mais antigos do Argento”.
   Perguntado sobre se prefere escrever ou dirigir, Cozzi tampouco teve dúvidas: “O roteirista é um solitário e tem o mundo inteiro ao seu dispor. O diretor tem que lidar com dezenas de pessoas e precisa convencê-las a fazer exatamente o que ele quer. Prefiro muito mais ficar sozinho com minha máquina de escrever ou meu computador”. Falando especificamente sobre a construção do roteiro, Cozzi revelou que primeiro ele e Dario bolaram as cenas de morte e só depois criaram os personagens e a trama em si. Questionado sobre possíveis referências hitchcockianas na obra, o roteirista reconheceu que Alfred Hitchcock é uma influência constante nesse gênero, mas que a inspiração de fato veio do livro Black Alibi, de Cornell Woolrich.


   Cozzi também falou sobre o processo criativo da trilha sonora, do qual participou ativamente, e os problemas que ele e Argento tiveram com o compositor Ennio Morricone, o qual discordava do rumo escolhido e acabou brigando seriamente com o diretor. Os dois só voltariam a se falar 25 anos depois. Foi idéia de Cozzi contratar uma banda de rock progressivo para gravar o tema de abertura e o grupo escolhido foi o Deep Purple, que na época estava no início de sua fase mais celebrada. A banda chegou a gravar a música tocada nos créditos, mas os integrantes não puderam aparecer no filme em si devido a restrições burocráticas da lei italiana, que exige que a maioria dos técnicos e artistas que participam de um filme sejam italianos. O vídeo postado aqui mostra a abertura do filme, com a banda tocando no estúdio, e se meus ouvidos não me traem, acredito que a gravação original do Deep Purple foi pelo menos parcialmente utilizada: o teclado principal não soa muito parecido com o de Jon Lord, mas acredito que há uma base com outro teclado. A guitarra não parece a de Ritchie Blackmore (cadê a alavanca?), mas os gritos parecem coisa do Ian Gillan. No final das contas, é uma bela trívia roqueira para enriquecer este giallo clássico. Quem quiser conferir o restante do filme sem levantar da cadeira, aqui estão as partes 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 10.
 
Um papo familiar

   A sessão foi tão concorrida - e se espalhou até altas horas, com o pessoal do cinema literalmente nos colocando para fora - que não pude fazer as perguntas que tinha em mente, apesar de estar sempre de dedo levantado, pedindo a vez. Mas Cozzi foi simpático como sempre e, ao me ver na saída da sala, veio em minha direção e brincou: “Não teve perguntas dessa vez?”. Disse então que ia perguntar sobre o projeto do Frankenstein nazista que ele e Argento tentaram desenvolver na década de 70, e se é verdade que Argento costuma distorcer o roteiro escrito ao ponto de tornar algo que no papel é plausível e verossímil em algo completamente incompreendível nas telas, como Dardano Sacchetti certa vez comentou. Cozzi discordou veementemente e afirmou que tudo que ele escreveu foi seguido à risca por Argento, o que me deixou surpreso.
   Conversamos também sobre a suposta misoginia de Dario Argento e se ele tem idéia do porque de os assassinos na maioria de seus filmes serem mulheres. Cozzi rebateu quando comentei que Asia Argento, filha de Dario, certa vez disse que o pai dela tem “algum problema” com a mãe dele; segundo Cozzi, Dario ama a mãe, nunca teve problemas com ela. “É uma família problemática, estão sempre brigando, é melhor manter distância”, recomendou; “o problema da Asia é que ela fala demais”.
   Não acho exagero dizer que Luigi Cozzi talvez tenha sido a personalidade mais agradável já trazida a qualquer das edições do Fantaspoa. Inteligente, articulado, simpático e acessível, Cozzi certamente não é um autor celebrado por ter realizado grandes obras no cinema fantástico (apesar de nenhum dos seus filmes sofrer do mal de serem chatos; muito pelo contrário, todos são divertidíssimos), mas isso é plenamente compensado por ele ser um grande aficionado pelo gênero - em especial a ficção científica clássica - e possuir um vasto conhecimento sobre o tema. Cozzi também escreve sobre cinema de gênero, o que faz com que conversar com ele sobre cinema seja muito mais do que ter que apelar para a bajulação sem propósito.
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