A estréia em São Paulo do mítico London After Midnight (Vampiros da Meia-Noite), um dos filmes mais famosos da carreira de Lon Chaney, mereceu cobertura praticamente diária no jornal Folha da Manhã, durante todo o mês de agosto de 1928. Chaney era o maior astro da Metro-Goldwyn-Mayer na época, como fazem questão de frisar todas as notas publicadas acerca de sua mais recente investida nas telas. O filme é considerado perdido e encabeça a lista dos clássicos mudos mais procurados do mundo.
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quarta-feira, 2 de março de 2011
sábado, 26 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Folha de S.Paulo: O Horror Nacional (1978)
O jornal Folha de S.Paulo colocou no ar recentemente, a princípio com acesso livre e gratuíto a qualquer cidadão, todo o acervo do periódico em formato digital. São quase dois milhões de páginas em 90 anos de jornal. Eu, que já estava com visita marcada à biblioteca, justamente para pesquisar o acervo desse jornal, comemorei essa possibilidade de acessar as mesmas informações no conforto do lar. Uma oportunidade preciosa para apurar dados, ler opinões e preencher lacunas sobre o cinema de horror, em especial a produção nacional, que é o que mais tem me interessado nos últimos meses.
A seleção de reportagens que apresento aqui é a cobertura que o crítico e cineasta Jairo Ferreira fez da mostra O Horror Nacional, que aconteceu paralelamente - e extra-oficialmente - durante o Festival de Cinema de Brasília, no final de julho de 1978. O gênero, então discutido e representado por artistas como Rogério Sganzerla, Júlio Bressane, Elyseu Visconti Cavalleiro e, obviamente, por José Mojica Marins, na época lançando Delírios de um Anormal, simboliza mais uma revolta e um inconformismo com o estado do cinema nacional da época do que necessariamente exercícios de medo ou estéticas do grotesco. Ainda que alguns filmes possam ser considerados representações válidas do horror brasileiro, outros não podem ser vistos dessa maneira.
Porém, o que importa é o registro histórico; vale ler o que Jairo tinha a dizer sobre a situação do nosso cinema na época - concorde-se ou não com as idéias dele. O resultado mais notório desse encontro memorável foi o documentário Horror Palace Hotel ou O Gênio Total, que Jairo Ferreira e Rogério Sganzerla dirigiram, em Super-8, durante o festival.
sábado, 23 de outubro de 2010
Espetáculo de Sangue (1967): imagens e fortuna crítica
O filme britânico Espetáculo de Sangue, que disponibilizei na íntegra na postagem anterior, é um genuíno exemplar grand-guignol, com produção do norte-americano Herman Cohen, especialista no gênero e que anteriormente realizara na Inglaterra os igualmente exagerados (e excelentes) Horrores do Museu Negro e Névoas do Terror, repletos de mortes grotescas. Não é diferente com Espetáculo de Sangue, no qual mortes escabrosas ocorrem num circo itinerante, algumas delas diante da platéia horrorizada. Um equilibrista é enforcado quando a corda arrebenta e enrosca-se em seu pescoço em pleno ar, num dos acidentes bizarros mais improváveis já surgidos na mente de um roteirista de cinema; mais tarde, uma mulher é esfolada viva quando o truque da caixa não funciona como deveria, e assim por diante. A fria e gananciosa proprietária do circo aproveita a publicidade macabra para incrementar a bilheteria, mas a polícia desconfia que ela seja a responsável pelos crimes. Compilo aqui algumas imagens e críticas do filme, para a apreciação dos leitores que gostam dessas relíquias.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
O Jovem Tataravô (1936)
A sessão de hoje do Fantaspoa promete ser um momento especial no festival, ao menos àqueles que compartilham do entusiasmo e interesse em tudo que cerca nosso tão pouco conhecido cinema de gênero. A exibição do filme O Jovem Tataravô, uma comédia musical produzida pela Cinédia em 1936, resgata um item raro de nossa filmografia, naquele que é considerado o primeiro longa-metragem brasileiro com elementos fantásticos. O filme será exibido às 19 horas no Cine Bancários, em Porto Alegre, na única atração do dia, e ao final eu e a Laura Cánepa iremos debatê-lo com os espectadores. A exibição é também uma espécie de trailer do curso O Horror no Cinema Brasileiro, que acontece nos dias 10 e 11 deste mês e apresentará um vasto panorama do gênero em nosso país, agora sem a concorrência dos horrores da seleção do Dunga, pois as aulas acontecem no final de semana das finais da Copa do Mundo (porém, terminam antes do início dos jogos, então ninguém vai ficar sem futebol!).
Para ilustrar esta postagem, capturei a apresentação do filme realizada pela Zezé Motta no Canal Brasil. Também compilei alguns textos antigos sobre o filme, amostras de como a obra foi recebida na época, em críticas pitorescas e peculiares. Artigos recentes fazem abordagens mais históricas do filme, como o texto assinado por Ricardo Calil, disponível no site da Programadora Brasil, e principalmente o excelente e completíssimo ensaio da Laura publicado na revista eletrônica Carcasse, datado de setembro de 2006.
“Num leilão, com uma caixa, Menezes arremata certo papel com certa oração poderosa (fazia voltar ao mundo o mais enterrado dos mortos). Organiza-se uma sessão, estabelecendo-se a corrente, invoca-se e zás: surge o tataravô de Menezes, o que logo mais, barbeado, penteado e metido em fatiotas bem lançadas, se mete a conquistas, cai numa farrinha e até a aviação se entrega! A audácia do jovem tataravô, que chegou ao cúmulo de enredar no amar sua própria bitataraneta, leva seu ‘inventor’ a recorrer à macumba para devolvê-lo ao nada. Consegue-o, para o alívio de todos, principalmente do noivo.” (Cine-Repórter, nº 125, 1936)
“(...) bem conduzido e com diálogos, versos e ‘bolas’ muito felizes. Música: encantadora! Sem exceção de um só número de sua música, a partitura do filme é maravilhosa, destacando-se entre os números a canção final do cabaré. Gravação, sonora! A melhor que já se fez no Brasil e, diga-se (mas para dizer pouco), poderia ter ido aos Estados Unidos para voltar de lá com a classificação de perfeita. Impressões da platéia; muito boa. Desde o primeiro dia, até hoje, o público deu sempre gostosas gargalhadas e sempre nas mesmas ‘bolas’. Presencamos, realmente, em várias sessões, o público rindo a valer. O filme agradou inteiramente. Este agrado se justifica - boa música, bom som, bom enredo, artistas discretos, fotografia boa em geral.” (W.S., Imparcial, 1 de setembro de 1936)
“O Jovem Tataravô, tal como está, na tela do Odeon, com os seus defeitos e virtures, é um filme nacional que se impõe. E, estando muito acima da mediocridade, é um trabalho que enche de justificado orgulho e patriotismo a qualquer fã brasileiro, que encontra, neste celulóide, o testemunho insofismável, indiscutível, de que o nosso cinema evoluiu com uma rapidez extraordinária. (...) Em matéria de fotografia e som, O Jovem Tataravô representa a ‘Autêntica Vitória da Cinédia’, pois ‘Ainda Não Vimos Nada Melhor’. A fotografia, principalmente, é de uma nitidez que surpreende. (...) Em primeiro plano coloco, pela naturalidade cinematográfica com que atuam, Darcy Cazarré, Lygia Sarmento e Carlos Frias, este o verdadeiro primeiro galã que o cinema brasileiro encontrou. (...) A direção de Luiz de Barros é bem apreciável. O argumento de Gilberto de Andrade é magnífico e esplêndido de comicidade. É fator seguro de êxito.” (Alfredo Sade, A Batalha, 16 de setembro de 1936) “Um novo filme brasileiro e, tomado de um modo geral, na minha opinião, o melhor de quantos têm sido apresentados até agora. É, já, um trabalho que não envergonha, que pode ser visto, porque não desagrada. Há a distinguir nele três ‘motivos’: o que diz respeito à sua técnica material; o da sua interpretação e direção e o enredo. Quanto a sua feitura material, teçamos loas à Cinédia, pelo trabalho de seus estúdios. O filme é cem por cento bom em sua fotografia e gravação. O ambiente bem decorado, se bem com pouca variedade.” (Paulo Lavrador, A Nação, 17 de setembro de 1936)
“(...) Mesmo sendo um filme de linha, despretensioso, embora de assunto fantástico, pode-se considerar O Jovem Tataravô um dos melhores filmes brasileiros que já vimos. (...) A história é interessantíssima e sua adaptação agrada bastante. A direção de Luiz de Barros é também agradável. (...) É mais cinematográfico e agrada muito mais. Na interpretação gostosa de Cazarré (na tela, o mesmo artista sincero do palco e uma magnífica aquisição do cinema), Marcel Klass, Dulce Weytingh, Lygia Sarmento, Manoelino Teixeira e Manoel Rocha. (...) O Jovem Tataravô surpreende a muita gente.” (P.R., Correio da Noite, 17 de setembro de 1936)
“Num leilão, com uma caixa, Menezes arremata certo papel com certa oração poderosa (fazia voltar ao mundo o mais enterrado dos mortos). Organiza-se uma sessão, estabelecendo-se a corrente, invoca-se e zás: surge o tataravô de Menezes, o que logo mais, barbeado, penteado e metido em fatiotas bem lançadas, se mete a conquistas, cai numa farrinha e até a aviação se entrega! A audácia do jovem tataravô, que chegou ao cúmulo de enredar no amar sua própria bitataraneta, leva seu ‘inventor’ a recorrer à macumba para devolvê-lo ao nada. Consegue-o, para o alívio de todos, principalmente do noivo.” (Cine-Repórter, nº 125, 1936)
“(...) bem conduzido e com diálogos, versos e ‘bolas’ muito felizes. Música: encantadora! Sem exceção de um só número de sua música, a partitura do filme é maravilhosa, destacando-se entre os números a canção final do cabaré. Gravação, sonora! A melhor que já se fez no Brasil e, diga-se (mas para dizer pouco), poderia ter ido aos Estados Unidos para voltar de lá com a classificação de perfeita. Impressões da platéia; muito boa. Desde o primeiro dia, até hoje, o público deu sempre gostosas gargalhadas e sempre nas mesmas ‘bolas’. Presencamos, realmente, em várias sessões, o público rindo a valer. O filme agradou inteiramente. Este agrado se justifica - boa música, bom som, bom enredo, artistas discretos, fotografia boa em geral.” (W.S., Imparcial, 1 de setembro de 1936)
“O Jovem Tataravô, tal como está, na tela do Odeon, com os seus defeitos e virtures, é um filme nacional que se impõe. E, estando muito acima da mediocridade, é um trabalho que enche de justificado orgulho e patriotismo a qualquer fã brasileiro, que encontra, neste celulóide, o testemunho insofismável, indiscutível, de que o nosso cinema evoluiu com uma rapidez extraordinária. (...) Em matéria de fotografia e som, O Jovem Tataravô representa a ‘Autêntica Vitória da Cinédia’, pois ‘Ainda Não Vimos Nada Melhor’. A fotografia, principalmente, é de uma nitidez que surpreende. (...) Em primeiro plano coloco, pela naturalidade cinematográfica com que atuam, Darcy Cazarré, Lygia Sarmento e Carlos Frias, este o verdadeiro primeiro galã que o cinema brasileiro encontrou. (...) A direção de Luiz de Barros é bem apreciável. O argumento de Gilberto de Andrade é magnífico e esplêndido de comicidade. É fator seguro de êxito.” (Alfredo Sade, A Batalha, 16 de setembro de 1936) “Um novo filme brasileiro e, tomado de um modo geral, na minha opinião, o melhor de quantos têm sido apresentados até agora. É, já, um trabalho que não envergonha, que pode ser visto, porque não desagrada. Há a distinguir nele três ‘motivos’: o que diz respeito à sua técnica material; o da sua interpretação e direção e o enredo. Quanto a sua feitura material, teçamos loas à Cinédia, pelo trabalho de seus estúdios. O filme é cem por cento bom em sua fotografia e gravação. O ambiente bem decorado, se bem com pouca variedade.” (Paulo Lavrador, A Nação, 17 de setembro de 1936)
“(...) Mesmo sendo um filme de linha, despretensioso, embora de assunto fantástico, pode-se considerar O Jovem Tataravô um dos melhores filmes brasileiros que já vimos. (...) A história é interessantíssima e sua adaptação agrada bastante. A direção de Luiz de Barros é também agradável. (...) É mais cinematográfico e agrada muito mais. Na interpretação gostosa de Cazarré (na tela, o mesmo artista sincero do palco e uma magnífica aquisição do cinema), Marcel Klass, Dulce Weytingh, Lygia Sarmento, Manoelino Teixeira e Manoel Rocha. (...) O Jovem Tataravô surpreende a muita gente.” (P.R., Correio da Noite, 17 de setembro de 1936)
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Joan Crawford: 33º aniversário de morte
Há exatos 33 anos, morria aquela que muita gente considera até hoje a maior estrela do cinema em todos os tempos: Joan Crawford. Para homenagear essa atriz inesquecível, postarei algumas imagens do arquivo do historiador de cinema Jaime Palhinha, certamente o fã número zero de Miss Crawford, que há alguns anos tem trabalhado num livro sobre seu objeto de adoração. O culto a Joan Crawford cresce cada vez mais e hoje ela tem muito mais admiradores do que sua rival Bette Davis e de muitas estrelas de cinema da era de ouro de Hollywood, como Greta Garbo, Ingrid Bergman, Lauren Bacall ou Grace Kelly.
Diferentemente da maioria das suas colegas, Crawford também conta com a admiração e respeito dos aficionados por filmes de horror, que redescobrem a todo momento suas investidas nesse gênero. Considerados lixos desprezíveis na época em que foram lançados, arrasados pela crítica por não estarem à altura de uma estrela da grandeza de Joan Crawford, os filmes de horror da fase final da atriz foram - e continuam sendo - redescobertos pelas gerações seguintes de cinéfilos, que os alçaram à categoria de cult.
Começando pelo histórico confronto com Bette Davis em O Que Terá Acontecido a Baby Jane? (1962), o flerte de Miss Crawford com o horror lhe rendeu a alcunha de First Lady of Fright e ficou marcado por participações inesquecíveis em dois veículos em parceria com o mestre do choque William Castle, os clássicos Almas Mortas (1964) e Eu Vi Que Foi Você (1965), seguido pelo grand guignol de Espetáculo de Sangue (1968) e a extravagância pré-histórica Trog, o Monstro das Cavernas (1970). Porém, estas não foram as únicas investidas da atriz no gênero; muito pelo contrário. Ainda no período do cinema mudo, em 1927, uma muito jovem Joan Crawford contracenou com o lendário Lon Chaney em O Monstro do Circo, um dos filmes mais intensos e trágicos da carreira do Homem das Mil Faces. A atriz também protagonizou dois eletrizantes filmes de suspense, os dramáticos Precipícios d’Alma (1952) e Frenesi de Paixões (1955).
Nestes primeiros documentos para homenagear a estrela preferida de muitas gerações de fanáticos por cinema, escolhi dois recortes comentando o falecimento da estrela; um deles muito peculiar, relembrando sua parceria com Lon Chaney. A outra matéria foi publicada na extinta revista Manchete.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Spider Baby; or, The Maddest Story Ever Told (1964)
Na crítica de Frightmare (1974), de Pete Walker, comento que o filme é uma espécie de elo-perdido entre Spider Baby e The Texas Chain Saw Massacre. Este último tenho certeza que todos vocês conhecem de cor. Sobre essa pequena obra-prima do cinema independente chamada Spider Baby, compilei trechos de várias críticas para formar esse ‘texto-frankenstein’ àqueles que ainda não o assistiram. Para baixar o filme direto, basta clicar aqui. Para assisti-lo sem sair do blog, acesse pelo Internet Explorer e clique no botão play na imagem abaixo.
Existem bons filmes ruins e maus filmes ruins e existe Spider Baby: um filme ruim tão bizarro e tão fascinante que merece uma classificação própria. [1] Lon Chaney Jr. é membro de uma família de adultos dementes que se tornaram canibais devido a endogamia. [2] Enraizado na tradição da piada doentia transferida para o celulóide de Little Shop of Horrors e A Bucket of Blood, de Roger Corman, Spider Baby foi escrito e dirigido por Jack Hill, ex-colaborador de Corman. Abordando temas difíceis como retardamento mental, canibalismo e valores familiares destruídos, o filme se desenrola como uma combinação de Krafft-Ebing / William Castle numa variação da então popular série de TV The Addams Family. [3] Não é tão inapto tecnicamente quanto Plan 9 from Outer Space ou tedioso como House of the Black Death, mas definitivamente é da mesma classe de pobreza, com diálogos estapafúrdios e situações ridículas; Lon inclusive interpreta a canção tema em ritmo de rock! [1] A baixa qualidade de produção, frequentes confusões de iluminação trocando o dia pela noite, atuações erráticas e o roteiro irregular denunciam o orçamento irrisório e o curto cronograma de filmagem. Ainda assim, o que o filme deixa a desejar em aspectos técnicos, compensa plenamente com sua esquisitice sem compromissos. [3] Tem uma ótima cena à mesa de jantar e diálogos malucos que o fazem funcionar tanto no aspecto chocante quanto como sátira. Um dos melhores papéis de Chaney em filmes de baixo orçamento, com o diretor Jack Hill mantendo pleno equilíbrio apesar da natureza desvairada do roteiro. [4]
[1] James O’Neill, Terror on Tape
[2] Michael Weldon, The Psychotronic Encyclopedia of Film
[3] Joe Kane, The Phantom of the Movies’ Videoscope
[4] John Stanley, Creature Features Movie Guide Strikes Again
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terça-feira, 13 de abril de 2010
A Mansão da Meia-Noite (1983)
O último filme dirigido pelo inglês Pete Walker é também o seu longa-metragem mais famoso - e, paradoxalmente, seu maior fracasso comercial. A decepção foi tão grande que a carreira de Walker praticamente se encerrou aí, pondo fim a vários projetos relacionados ao horror que ele anunciara com empolgação numa entrevista para a revista Fangoria de maio de 1983, pouco antes do lançamento de A Mansão da Meia-Noite (House of the Long Shadows).
O filme é basicamente uma jornada nostálgica pelo horror no estilo old dark house do início do cinema sonoro, repleto de personagens excêntricos se comportando de maneira suspeita e trocando olhares comprometedores. Isso tudo ambientado numa mansão sinistra e sombria, infestada por teias de aranha, numa noite de tempestade... A Mansão da Meia-Noite se tornou objeto de culto por reunir, pela única vez em suas carreiras, os astros Christopher Lee, Peter Cushing, Vincent Price e John Carradine. O elenco conta ainda com Sheila Keith (figura obrigatória na maioria dos filmes do diretor), o insípido Desi Arnaz Jr. (filho do bandleader cubano Desi Arnaz e de Lucille Ball) como protagonista e uma breve aparição de Richard Todd.
No auge da era dos slashers, A Mansão da Meia-Noite sequer teve oportunidade de ser avaliado na tela grande: em muitos países nem foi exibido nos cinema, indo direto para o home video e para a televisão. Foi assim no Brasil, onde fez relativo sucesso em VHS, lançado pela Globo Vídeo, e teve alguma rotatividade nas madrugadas do canal plim-plim. O filme é baseado no livro Seven Keys to Baldpate (1913), de Earl Derr Biggers, escritor especializado em histórias de mistério e criador do detetive Charlie Chan. O livro já havia sido filmado pelo menos meia dúzia de vezes antes - a versão de 1929 pode ser encontrada perambulando pela internet - e está cheio de todos os deliciosos lugares-comuns do gênero.
Ao contrário de resenhar o filme, preferi oferecer a vocês este material iconográfico, diretamente dos arquivos do historiador Jaime Palhinha, incluindo uma notinha da revista Manchete e o comentário publicado no jornal O Estado de S.Paulo no dia em que foi exibido pela primeira vez na TV. Nos próximos dias comentarei os demais filmes de Pete Walker, todos num estilo completamente diferente deste seu canto-de-cisne.
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