CRÍTICAS, ANÁLISES, IDÉIAS E FILOSOFIAS EM GERAL A RESPEITO DE FILMES DE HORROR DE TODAS AS ÉPOCAS, NACIONALIDADES E ESTILOS, E MUITAS OUTRAS COISAS RELACIONADAS AO GÊNERO

Mostrando postagens com marcador preto e branco. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador preto e branco. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 29 de março de 2011

Barbe-Bleue (1901)


   O cinema, como nós o conhecemos, não foi inventado pelos Irmãos Lumière, mas sim por um mágico francês de nome Georges Méliès. Foi ele quem, literalmente, mostrou que cinema era magia, que fotografias em movimento poderiam - ou mesmo deveriam - ser um meio para se registrar a ficção, o faz-de-conta, o impossível, e não apenas flagrar momentos do nosso cotidiano. Méliès ganha ainda mais importância quando falamos particularmente do cinema fantástico: ele praticamente inaugurou o gênero horror com Le Manoir du Diable (1896), fez a primeira obra-prima de ficção científica com Le Voyage dans la Lune (1902), e adaptou alguns contos de fadas tradicionais, como Cendrillon e Barbe-Bleue, nos quais pôde abusar de cenários espetaculares, com perspectiva e profundidade, e elaboradas tomadas com vários figurantes.
   Barbe-Bleue, ainda que não seja dos filmes mais comentados de Méliès, é o curta-metragem que costumo exibir na abertura do curso A História do Cinema de Horror, para mostrar aos participantes um dos primeiros exemplares desse gênero; ou, caso seja ousadia demais rotulá-lo de ‘horror’, pelo menos representa o que podemos considerar como embrião do horror cinematográfico e do filme fantástico como um todo. A idéia é surpreender a platéia com um trabalho que pode ser considerado visionário, sem qualquer exagero, e desta maneira derrubar logo de cara quaisquer preconceitos (ou, mais especificamente, ‘pré-conceitos’) ou resistências em relação àquilo que pode ser o cinema de horror.
   O curta é uma adaptação da tradicional história do assassino Barba Azul, imortalizada na versão do francês Charles Perrault, sobre um homem que se casa pela oitava vez, depois que suas sete esposas anteriores faleceram (aparentemente, de causas desconhecidas ou inexplicadas). Quando se muda para a mansão do marido, a oitava esposa recebe as chaves de todos os aposentos da propriedade, mas é instruída pelo marido a jamais entrar num dos quartos. Quando ele se ausenta, obviamente, a primeira coisa que ela faz é visitar o tal aposento proibido, dominada pela invencível curiosidade feminina.
   Visualmente, o curta tem todo o charme encantador e irresistível das produções de Méliès, com cenários suntuosos criados de maneira simples, figurinos espalhafatosos e objetos com dimensões exageradas para exprimir de maneira enfática sua função narrativa (destaque para a imensa garrafa de champanhe na festa de casamento e a chave desproporcional que Barba Azul entrega à esposa).
   É no terço final de seus breves nove minutos de duração que o filme ganha força e mostra a arte inimitável de Méliès: ao descobrir o segredo sinistro que o quarto proibido esconde, a nova esposa enfim percebe o perigo que está correndo. A partir desse momento, o turbilhão emocional enfrentado internamente pela heroína é representado visualmente por meio de imagens surrealistas que externam os pensamentos macabros da mulher, como quando ela enxerga as sete vítimas anteriores do Barba Azul como chaves gigantes - um recurso narrativo brilhante que imediatamente nos comunica que todas elas tiveram o mesmo fim trágico e sofreram a mesma punição. Desta maneira, o curta praticamente inventa o ‘horror psicológico’, estilo narrativo que os historiadores costumam afirmar ter surgido somente na década de 40, com as produções de Val Lewton, ou mesmo com o lançamento de Psicose, em 1960. Na pior das hipóteses, Barbe-Bleue antecipou em quase quinze anos The Avenging Conscience (1914), de D.W. Griffith, e em duas décadas a fantasia e o imaginário surreal do Expressionismo Alemão.
   O diabrete que aparece saltitante em cena, uma imagem recorrente nos filmes de Méliès, simboliza a mente envenenada pela curiosidade destrutiva e pela ação inconsequente, um ousado recurso narrativo que pontua o curta com momentos de puro surrealismo e fantasia. Um homem décadas à frente do seu tempo, George Méliès sofreu como tantos outros gênios da arte - incompreendido em sua época, desprezado e condenado ao ostracismo no fim da vida, mas posteriormente celebrado e reconhecido por suas criações revolucionárias que serviriam de inspiração para impulsionar definitivamente o cinema de fantasia, ficção científica e horror.

terça-feira, 22 de março de 2011

O Ogro, de Márcio Júnior e Márcia Deretti


   Enquanto o cinema brasileiro de horror ainda aguarda uma improvável (re)descoberta por parte do grande público, uma visão que vá além de Zé do Caixão e Ivan Cardoso, as histórias em quadrinhos nacionais desse mesmo gênero já são devidamente consagradas e reconhecidas por sua importância e pioneirismo. Nomes como Nico Rosso, Flavio Colin, Rodolfo Zalla, Eugênio Colonnese, Jayme Cortez, Gedeone Malagola, Julio Shimamoto e outros há décadas são respeitados e cultuados por aficionados por HQs de horror, celebrados como verdadeiros ‘mestres’ dessa arte que desafia o preconceito de alguns e nunca deixa de ser apreciada.
   Uma parte desse capítulo importante na história dos quadrinhos nacionais está ganhando uma nova dimensão e um novo formato, por meio da realização de um curta-metragem de animação que dá movimento e som a um clássico das HQs. O projeto é capitaneado por Márcio Júnior, um apaixonado incondicional por quadrinhos de horror, com a colaboração de Márcia Deretti na produção e de Wesley Rodrigues na direção de animação. O curta, que deve ser o primeiro de uma série, resgata a história O Ogro, desenhada por Julio Shimamoto e escrita por Antônio Rodrigues, publicada originalmente na edição nº 27 da revista Calafrio, em 1984. A HQ é considerado um marco na carreira de Shima, um artista conhecido por sua inquietude criativa, que desenhou a história usando tinta branca sobre cartolina preta.




   As etapas de criação do projeto, realizado pela Marte Produções, podem ser acompanhadas em detalhes no blog oficial do curta, que traz trechos da HQ original e todo o processo de adaptação para a animação, com participação efetiva de Julio Shimamoto, atualmente com 72 anos e em plena atividade quadrinística. Shima ampliou o quadro das cenas mais fechadas, oferecendo aos animadores um universo mais definido, desenhou cenários e esboçou model sheets dos três personagens da HQ. O curta, com cerca de oito minutos, deve estrear ainda no primeiro semestre deste ano, e certamente marcará presença em vários festivais de cinema. Para conhecer melhor o projeto, vale a pena ler a entrevista com Márcio Júnior publicada no site Bigorna, especializado em histórias em quadrinhos.



   A idéia é inovadora e merece a torcida de todos pelo sucesso da empreitada, que deve prosseguir com a adaptação de outro clássico das HQs brasileiras de horror, desta vez uma obra-prima de Jayme Cortez.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

The Adventures of Ozzie and Harriet: Halloween Party (1952)



   A série The Adventures of Ozzie and Harriet é uma das mais famosas comédias familiares da história da TV norte-americana. Não é muito conhecida no Brasil, em comparação com outras sitcoms desse estilo transmitidas na mesma época (Papai Sabe Tudo, I Love Lucy etc.), mas tornou-se marcante por apresentar uma família real. Um dos filhos pequenos é ninguém menos que Ricky James, que mais tarde se tornaria um roqueiro de muito sucesso. O episódio Halloween Party é do comecinho da série - é o quinto programa a ir ao ar - e, como o nome indica, é o especial do Dia das Bruxas, exibido originalmente em 31 de outubro de 1952. Entre no clima de Halloween familiar e divirta-se com a visão estadunidense do que é uma típica família de classe média e seus festejos tradicionais.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

The Adventures of Uncle Mistletoe (1949)



   Para começar os vídeos especiais de Halloween, vale esse resgate de um dos mais antigos programas infantis da televisão estadunidense. Este episódio do programa The Adventures of Uncle Mistletoe, exibido no canal ABC originalmente em 25 de outubro de 1949, tem o Dia das Bruxas como tema. São apenas 15 minutos, então reúna a criançada em torno do computador e curta um Halloween à moda antiga, quando tudo pelo menos parecia mais inocente.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

A Casa Sinistra (1932)

Homenagem a Gloria Stuart (1910-2010).


   Morreu ontem, domingo, aos 100 anos de idade, a veterana atriz Gloria Stuart. Enquanto que para o povão que só assiste a blockbusters e filmes óbvios ela é apenas ‘a velhinha do Titanic’, para os aficionados por horror ela foi a estrela de pelo menos dois clássicos do gênero: A Casa Sinistra (Old Dark House), de 1932, e O Homem Invisível (The Invisible Man), de 1933, em ambos dirigida pelo competentíssimo James Whale.
   Gloria está absolutamente fascinante em A Casa Sinistra, especialmente na cena destacada no vídeo acima. Ela nunca foi lá muito bonita, talvez nem mesmo carismática, mas neste filme exala uma sensualidade palpável. Whale captura perfeitamente, com sua lente escandalosamente fetichista, a figura longilínea e vulnerável da loira. Para mim, é uma das cenas mais representativas de uma espécie de violação sexual estilizada que era própria do cinema hollywoodiano pré-Código Hays: o toque da mão da velha malévola no peito nu da mocinha é um momento de puro horror grotesco, o choque entre a pureza e a corrupção.
   O filme é estrelado por Boris Karloff, recém-consagrado pelo papel do monstro de Frankenstein, aqui novamente em papel sinistro sob pesada maquiagem. O estilo cômico é similar ao empregado por Whale em O Homem Invisível e A Noiva de Frankenstein, num casamento perfeito de humor e horror. Se quiser prestar uma homenagem digna a Gloria Stuart, esqueça Titanic. É este filme aqui que você precisa ver.

domingo, 19 de setembro de 2010

Four O’Clock (1957)


   Episódio de estréia da série de TV Suspicion, exibido originalmente em 30 de setembro de 1957 na rede NBC. Não é dos melhores telefilmes de Hitch, mas é um bom exemplo do estilo de trama dos programas produzidos pelo cineasta ao longo das décadas de 50 e 60. Baixar em AVI com 350 MB.

Bon Voyage e Aventure Malgache (1944)



   Dois curtas-metragens dirigidos por Alfred Hitchcock para o British Ministry of Information (o serviço secreto britânico), a contribuição do cineasta aos esforços de guerra para ajudar os membros da resistência francesa a enfrentar a ocupação nazista. Os filmes foram considerados de moral dúbia e não chegaram a ser exibidos na época, transformando-se nas décadas seguintes em itens de colecionador, até serem resgatados e lançados, inicialmente em VHS e depois em DVD. Baixar Bon Voyage em AVI com 193 MB. Baixar Aventure Malgache em AVI com 207 MB.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Jamaica Inn (1939)


   O último filme inglês de Hitchcock é uma grande decepção, uma bagunça completa; culpa em parte dos exageros de Charles Laughton. O roteiro é baseado num livro de Daphne du Maurier, autora também do romance Rebecca, filmado por Hitch no ano seguinte. Lançado em maio de 1939, foi exibido no Brasil como A Estalagem Maldita. Baixar em MP4 com 1.5 GB.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

The Lady Vanishes (1938)


   O filme mais encantador da fase inglesa de Hitchcock, o exemplar perfeito do suspense sobre trilhos. Obra-prima em todos os detalhes, desde o humor com tempero picante e a trama engenhosamente intrincada até as charmosas miniaturas e maquetes. Lançado em agosto de 1938, foi exibido no Brasil como A Mulher Oculta e mais tarde foi relançado como A Dama Oculta, título pelo qual ficou mais conhecido entre nós. Baixar em MP4 com 1.1 GB.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Young and Innocent (1937)


   Um dos filmes de espionagem menos conhecidos de Hitchcock, talvez pela ausência de astros mais carismáticos e populares. Não está entre suas obras-primas, mas está repleto de boas idéias, especialmente o plano-sequência que revela a identidade do assassino. Lançado em novembro de 1937, foi exibido no Brasil como Jovem e Inocente. Baixar em MPEG com 2.1 GB.

Sabotage (1936)


   Talvez o mais pessimista de todos os filmes britânicos de Hitchcock, com situações que possivelmente o cineasta jamais tivesse a liberdade de realizar em Hollywood. Originalmente lançado em dezembro de 1936, foi exibido no Brasil como O Marido Era o Culpado e posteriormente lançado em vídeo como Sabotagem (não confundir com o estadunidense Sabotador, que Hitchcock dirigiu em 1942). Baixar em MP4 com 1.1 GB.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Secret Agent (1936)


   Um filme estranho, que pega muita gente de surpresa pelo seu pessimismo e por uma aparente falta de temas hitchcockianos; de fato, é uma de suas obras mais fascinantes e que certamente merece revisão. Lançado em maio de 1936, foi exibido no Brasil como Agente Secreto. Baixar em MP4 com 1 GB.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

The 39 Steps (1935)


   Uma das grandes obras-primas da fase britânica de Hitchcock, lançado logo depois de O Homem Que Sabia Demais (1934). Lançado em junho de 1935 e exibido no Brasil como Os 39 Degraus, é baseado no livro homônimo de John Buchan, mas pouco aproveita da fonte original, reinventando toda a trama. O casal protagonista é um dos mais perfeitos da filmografia hitchcockiana, com Madeleine Carroll compondo uma de suas clássicas loiras gélidas. Baixar em MP4 com 861 MB.

domingo, 12 de setembro de 2010

Waltzes from Vienna (1933)


   Um dos mais obscuros filmes dirigidos por Hitchcock, foi o último do cineasta a chegar ao DVD, e ainda assim com lançamento restrito. Estreou nos cinemas em maio de 1933 e nunca foi exibido no Brasil. Conta a história do compositor Johann Strauss e sua inspiração para compor o “Danúbio Azul”. Baixar em MP4 com 711 MB.

Rich and Strange (1932)


   Comédia romântica dirigida por Hitchcock, um de seus filmes mais estranhos e fascinantes, mas injustamente menosprezado e desconhecido pela maioria das pessoas. Lançado originalmente em março de 1932, foi exibido no Brasil como Ricos e Estranhos, inclusive pelo canal pago TeleCine. Baixar em AVI com 696 MB.

sábado, 11 de setembro de 2010

The Skin Game (1931)


   Um dos filmes mais desinteressantes de toda a carreira de Hitchcock, uma tediosa adaptação da peça de John Galsworthy. Lançado em junho de 1931 e inédito no Brasil em todas as mídias. Baixar em AVI com 624 MB.

Murder! (1930)


   Outro exemplar dos primórdios do período sonoro de Hitchcock, não é de seus melhores filmes, mas tem algumas interessantes experiências com som e curiosas metáforas com o mundo do teatro. Estreou originalmente em agosto de 1930 e foi lançado no Brasil como Assassinato. Baixar em AVI com 700 MB.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Blackmail (1929)


   Primeiro longa-metragem sonoro de Hitchcock e uma das obras mais importantes de seu período britânico. Lançado em junho de 1929, foi exibido no Brasil como Chantagem e Confissão e está disponível em DVD nacional. Baixar em AVI com 700 MB.
Related Posts with Thumbnails

Canal Cine Monstro Rock Horror Show!!