CRÍTICAS, ANÁLISES, IDÉIAS E FILOSOFIAS EM GERAL A RESPEITO DE FILMES DE HORROR DE TODAS AS ÉPOCAS, NACIONALIDADES E ESTILOS, E MUITAS OUTRAS COISAS RELACIONADAS AO GÊNERO

Mostrando postagens com marcador revista. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador revista. Mostrar todas as postagens

domingo, 3 de julho de 2011

Cine Monstro: Felipe M. Guerra


   O VII Fantaspoa, Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre, começou na sexta-feira, dia 1º, e por enquanto o foco principal tem sido totalmente na produção nacional, com as estréias do divertidíssimo A Noite do Chupacabras, de Rodrigo Aragão, e do surpreendente Pólvora Negra, de Kapel Furman, produções há muito aguardadas pelos aficionados por cinema de gênero nacional.
   A noite de domingo foi reservada para a primeira exibição de Entrei em Pânico ao Saber o Que Vocês Fizeram na Sexta-Feira 13 do Verão Passado 2: A Hora da Volta da Vingança dos Jogos Mortais de Halloween, de Felipe M. Guerra. Infelizmente, vencido pelo cansaço de duas manhãs de frio glacial ministrando o curso Expressionismo Alemão e os Primórdios do Horror, não pude ir à sessão do filme do Guerra (eu e a Bia ficamos dormindo no hotel, em outras palavras).
   Irei conferir o filme na exibição desta segunda-feira, e prometo postar impressões dos três filmes o mais breve possível, mas por enquanto deixo aqui o registro de uma matéria da Cine Monstro que nunca foi publicada. Trata-se do perfil que fiz do Felipe M. Guerra para o quarto número da revista, que chegou às bancas em janeiro de 2004. O texto estava finalizado e diagramado, mas as duas páginas acabaram caindo no último minuto para dar lugar ao obituário de David Hemmings, morto em dezembro de 2003. Desgraçadamente, aquela seria a última edição da Cine Monstro e as páginas, que seriam aproveitadas no número seguinte, ficaram guardadas inutilmente.
   O texto reflete a primeira impressão que tive dos filmes do Felipe, sete anos e meio atrás, e provavelmente não seria a mesma coisa que eu escreveria hoje. Será curioso - pelo menos para mim - conferir qual será minha reação diante da segunda parte da saga cômica de Felipe parodiando a safra mais comercial do cinema de horror.
 

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Filme Cultura 53


   A edição mais recente da revista Filme Cultura apresenta uma lista denominada “os 10 filmes brasileiros do coração”. A enquete, que escolheu os filmes nacionais mais queridos, mas não necessariamente os melhores ou mais relevantes, foi feita a partir de votos de 102 pessoas ligadas ao cinema de alguma maneira. Tive a honra de estar entre esses votantes, ao lado de realizadores renomados como Alfredo Sternheim, Carlos Reichenbach, Daniel Filho, Ivan Cardoso, Paulo Sacramento e Silvio de Abreu, e também de críticos e pesquisadores como Bernadette Lyra, Daniel Caetano, Fernando Veríssimo, Gelson Santana, Inácio Araújo, Laura Cánepa e Rubens Ewald Filho.
   A lista dos mais votados é bem curiosa e reveladora, mas não foi surpresa o grande vencedor ter sido O Bandido da Luz Vermelha (1969), de Rogério Sganzerla, um marco do cinema nacional. O que muitos acharão bizarro, de fato, são alguns títulos que entraram na minha própria listagem, formada por dez favoritos obrigatórios e mais dez filmes menos óbvios. Como não posso me considerar um especialista em cinema brasileiro, meu objetivo foi dar alguma visibilidade a obras mais obscuras que, dentro da minha pesquisa do gênero horror no cinema nacional, merecem ser conhecidas.
   Entre esses quase absolutamente esquecidos estão Tormenta (1982), de Uberto Mollo, O Sósia da Morte (1975), de Luís Miranda Correia e João Ramiro Mello, Mistéryos (2008), de Beto Carminatti e Pedro Merege, Morgue Story: Sangue, Baiacu e Quadrinhos (2009), de Paulo Biscaia Filho, Mangue Negro (2008), de Rodrigo Aragão, e até mesmo o extravagante Os Sóis da Ilha de Páscoa (1972), um delírio ufólogo de Pierre Kast.
   Por outro lado, brigo por meus dez preferidos: O Ritual dos Sádicos (1970), de José Mojica Marins, A Força dos Sentidos (1978), de Jean Garrett, O Anjo da Noite (1974), de Walter Hugo Khouri, À Meia-Noite Levarei Sua Alma (1964), de José Mojica Marins, Baixio das Bestas (2006), de Cláudio Assis, Amadas e Violentadas (1975), de Jean Garrett, O Estranho Mundo de Zé do Caixão (1968), de José Mojica Marins, Os Monstros de Babaloo (1971), de Elyseu Visconti Cavalleiro, Os Famosos e os Duendes da Morte (2009), de Esmir Filho, e Encarnação do Demônio (2008), de José Mojica Marins. O único filme dos vinte da minha lista que foi classificado entre os 25 finalistas foi À Meia-Noite Levarei Sua Alma. Todas as listas individuais podem ser conferidas aqui.
   A fase clássica da Filme Cultura foi entre 1966 e 1988, mas a publicação voltou à ativa em abril de 2010 e já lançou quatro edições desde então, revigorando a pesquisa, crítica e divulgação da produção nacional. Todas as edições estão disponíveis no site em versão PDF. Você pode baixar o número 53 da revista em formato digital clicando aqui.
   Também pode entrar na brincadeira e fazer sua própria lista de prediletos ou contestar a minha ou outras listas deixando comentários para esta postagem!

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Hammer’s House of Horror

   Estas são as doze últimas edições da revista inglesa The House of Hammer, numeradas de 19 a 30, à esta altura já com o nome Hammer’s House of Horror, depois alterado para Halls a partir do número 21. Itens de colecionador para o apreciador do cinema clássico de horror.

domingo, 23 de janeiro de 2011

The House of Hammer: José Mojica Marins

   Uma das minhas aquisições recentes, por conta da pesquisa que estou desenvolvendo para um trabalho sobre a produção cinematográfica de horror na Inglaterra, foi a coleção digital da revista The House of Hammer, que teve ao todo 30 edições. Ao folhear logo o primeiro exemplar, de 1976, qual não foi a minha surpresa ao encontrar um artigo sobre ninguém menos do que José Mojica Marins?! A revista apresentava uma combinação de quadrinizações dos filmes da produtora Hammer e artigos sobre o cinema de horror, tanto do período clássico quanto o contemporâneo. O breve texto sobre Mojica, assinado por Barry Pattison em sua coluna “Horror Around the World”, começa metendo o pé na porta: “A indústria do cinema de horror internacional contêm algumas personalidades bastante estranhas, mas eu desafio qualquer um a encontrar uma mais bizarra do que a criada e interpretada por José Mojica Marins - o temido Ze do Caoxi [sic]”.


   Sempre que tenho oportunidade de conversar sobre pesquisa de cinema com pessoas que ainda estão iniciando nessa área, tento motivá-las dizendo que não existe melhor época do que a atual para se pesquisar filmes, com toda a facilidade para se ter acesso a obras de toda parte do mundo e de praticamente qualquer período. Uma das evidências mais incisivas disso é a quantidade assombrosa de bobagens que costumo encontrar nos livros de cinema de horror mais antigos. Tenho alguns livros sobre o tema publicados nas décadas de 60, 70 e 80, mas ao contrário de encontrar preciosidades escritas por críticos e pesquisadores que, em tese, estavam mais próximos dos acontecimentos que registravam, muitas vezes nos deparamos com imprecisões, generalizações ou informações viciadas.

  
   O artigo de Pattison sobre Mojica é um prato cheio nesse departamento. Depois de contar algumas anedotas sobre o cineasta, como os primeiros filmes que ele fez no galinheiro da família e o fim trágico do filme O Auge do Desespero, destruído por uma tempestade, o autor erra feio ao dizer que Meu Destino em Tuas Mãos é estrelado por Pablito Calvo e Joselito! Para quem não sabe, Calvo é o astro infantil do filme espanhol-italiano Marcelino Pão e Vinho (1955), óbvia inspiração para o Mojica colocar Franquito, “o garoto da voz de ouro”, como protagonista de Meu Destino em Tuas Mãos. Alhos por bugalhos...


   O artigo ainda afirma que os críticos da época chamaram Mojica de “assassino do cinema brasileiro” - uma frase e tanto, mas que não me lembro de ser um dos tantos impropérios disparados contra Mojica pela ala conservadora. O texto ainda consegue errar a grafia de praticamente todos os filmes que cita (A Meia Noitre Levarei Sua Alma, Esta Noite Encarnarei Teu Cadavera, O Mundo Estranho de Ze do Caizo), diz que O Diabo de Vila Velha é um filme de horror (não é; trata-se de um faroeste) e afirma que o diretor a seguir fez A Encarnação do Demônio. O filme, todos sabem, só foi realizado mais de trinta anos depois. A coisa mais curiosa do texto provavelmente é a citação de Glauba [sic] Rocha e seu ‘caubói marxista’ Antônio das Mortes.

Da casa aos corredores

   Bagunças à parte, é uma delícia passear pelas páginas de The House of Hammer, mesmo folheando-a digitalmente; no mínimo pelas belíssimas adaptações em quadrinhos dos clássicos da Hammer, pelas mãos de grandes artistas dessa mídia. A existência relativamente curta da revista também serve para demonstrar as dificuldades que publicações sobre esse tema enfrentam em qualquer lugar do mundo. Publicada na Inglaterra a partir de outubro de 1976, a revista carregou o nome The House of Hammer até a 18ª edição, mudando a seguir para Hammer’s House of Horror nos números 19 e 20, e depois para Hammer’s Halls of Horror nas edições 21 a 23. Finalmente, quando a Hammer cessou de vez a produção de filmes, a publicação passou a se chamar apenas Halls of Horror e durou da revista 24 até a 30. O último número é datado de novembro de 1984. Nas edições finais, a revista se transformou numa espécie de guia do cinema fantástico, com ênfase nos filmes de ficção científica e fantasia tão populares na época (como Mad Max e Blade Runner), compilando breves verbetes com resenhas de filmes e perfis de astros e realizadores.


   Ilustram esta postagem todas as capas da fase inicial da publicação, além de algumas páginas da edição inaugural, incluindo o editorial de apresentação e o artigo sobre nosso prezadíssimo José Mojica Marins. Numa próxima postagem colocarei as capas restantes.

domingo, 27 de junho de 2010

Mangue Negro no Canal Brasil


   A legião de admiradores de Mangue Negro tem mais um motivo para festejar: o filme estréia hoje no Canal Brasil, às 22h30, com reprise na madrugada do dia 29, em verdadeiro horário de zumbi, às 4h30. Para quem apostou no filme como o representante de uma nova maneira de se fazer cinema no Brasil (e o melhor: cinema de gênero!), essa é outra grande conquista. Por mais que a gente valorize outros bravos realizadores amadores que se dedicam ao gênero com produções feitas aos trancos e barrancos, existe um abismo entre o talento artístico de Rodrigo Aragão e todos os demais. Pelo menos por enquanto. Torcemos sempre para que surjam novos talentos.
   Não tenho certeza, mas acredito que seja a primeira vez que chega à telinha do Canal Brasil um filme de ficção praticamente amador (não podemos usar o termo ‘cinema independente’ em nosso precário cenário nacional, onde quase tudo é independente!).


   A chegada do filme à programação da TV por assinatura foi devidamente registrada nas páginas da revista Monet, numa excelente matéria assinada por Dafne Sampaio, a qual reproduzo nesta postagem. Quem ainda não viu Mangue Negro, esta é mais uma ótima oportunidade de se conhecer a auspiciosa estréia de Rodrigo no longa-metragem, enquanto aguardamos o lançamento do igualmente promissor A Noite do Chupacabras.

sábado, 3 de abril de 2010

Festival Hitchcock: O Homem Que Sabia Demais

   Velhos hábitos são difíceis de morrer: pelo menos uma vez ao ano algum canal de TV programa um festival de clássicos de Alfred Hitchcock. Ainda bem! São filmes que, por mais que tenham sido reprisados, preservam sua força e não perderam nadinha de seu impacto, o que faz com que sejam descobertos também pelas novas gerações. Seus filmes não são meras relíquias para cinéfilos: continuam sendo entretenimento de primeira qualidade, ao mesmo tempo em que oferecem inesgotáveis temas para estudos mais profundos sobre seu significado e sobre o próprio processo de criação artística.
   O ciclo Hitchcock: O Homem Que Sabia Demais, do canal pago TCM (Turner Classic Movie), apresentará sessões duplas de clássicos do diretor todas as quartas e sábados de abril, começando hoje à noite com as obras-primas Um Corpo Que Cai e Pacto Sinistro. Ao todo são quinze longas, incluindo três dos melhores de sua fase britânica, e um documentário de curta duração. Nem precisa dizer que é um festival imperdível, certo?
   Hitchcock é uma paixão antiga minha que e durante anos me dediquei a estudar profundamente sua obra. Em agosto de 2008 organizei e ministrei em Fortaleza, no Ceará, o curso O Cinema de Alfred Hitchcock, o qual pretendo continuar lecionando em outras cidades. Basta me convidarem! Colocarei em breve aqui no blog a ementa do curso para que os interessados entrem em contato comigo e possamos levar adiante esse projeto. Garanto que o curso é bacana e cheio de surpresas, mesmo para quem já é iniciado no universo do Mestre do Suspense!
   Para ilustrar a postagem, reproduzo as páginas da edição histórica da revista Vanity Fair de março de 2008, que convidou alguns dos maiores astros e estrelas de Hollywood para recriar cenas famosas dos clássicos de Hitchcock. O resultado é encantador, com atrizes do calibre de Charlize Theron, Scarlett Johanson, Naomi Watts, Jodie Foster e Marion Cotillard, além das veteranas Eva Marie Saint e Julie Christie, dando nova roupagem a momentos emblemáticos do cinema hitchcockiano.

 
Programação completa do festival

Um Corpo Que Cai, sábado 3, 22h
Pacto Sinistro, sábado 3, 0h10
Perfil de Hitchcock: Os Primeiros Anos, quarta 7, 22h
Sabotagem (O Marido Era o Culpado), quarta 7, 22h30
Disque M para Matar, quarta 7, 23h50
Psicose, sábado 10, 22h
A Dama Oculta, sábado 10, 23h55
Suspeita, quarta 14, 22h
Os 39 Degraus, quarta 14, 23h45
Janela Indiscreta, sábado 17, 22h
O Homem Errado, sábado 17, 0h
A Sombra de uma Dúvida, quarta 21, 22h
Um Casal do Barulho, quarta 21, 23h55
Intriga Internacional, sábado 24, 22h
Perfil de Hitchcock: Os Primeiros Anos, sábado 24, 0h20
O Homem Que Sabia Demais, quarta 28, 22h
A Tortura do Silêncio, quarta 28, 23h20
Related Posts with Thumbnails

Canal Cine Monstro Rock Horror Show!!