CRÍTICAS, ANÁLISES, IDÉIAS E FILOSOFIAS EM GERAL A RESPEITO DE FILMES DE HORROR DE TODAS AS ÉPOCAS, NACIONALIDADES E ESTILOS, E MUITAS OUTRAS COISAS RELACIONADAS AO GÊNERO

Mostrando postagens com marcador televisão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador televisão. Mostrar todas as postagens

sábado, 12 de março de 2011

Almanaque: Zé do Caixão


   José Mojica Marins completa 75 anos de idade neste dia 13 de março, ainda recebendo todas as homenagens que merece em vida e mostrando ser uma figura extremamente popular e relevante para a nossa cultura. Poucos cineastas podem se orgulhar disso, vivos ou mortos (o que, até certo ponto, explica o ciúme que ele desperta em alguns colegas).
   A homenagem desta vez fica por conta do programa especial que será exibido na madrugada se sábado para domingo, às 0h05, no Almanaque, da Globo News. O programa anuncia uma entrevista exclusiva com o Mojica, na qual mais uma vez ele revela a origem de seu personagem mais famoso, o agente funerário Zé do Caixão, surgido num pesadelo, e confessa que é um medroso na vida real.
   Para deixar meus parabéns ao mestre, selecionei treze caricaturas bem interessantes do Mojica como Zé do Caixão (repetindo o tema de galeria de arte que fiz nesta postagem em homenagem ao Vincent Price), que evidenciam a figura querida e conhecida que ele é.
 












sexta-feira, 15 de outubro de 2010

The Adventures of Ozzie and Harriet: Halloween Party (1952)



   A série The Adventures of Ozzie and Harriet é uma das mais famosas comédias familiares da história da TV norte-americana. Não é muito conhecida no Brasil, em comparação com outras sitcoms desse estilo transmitidas na mesma época (Papai Sabe Tudo, I Love Lucy etc.), mas tornou-se marcante por apresentar uma família real. Um dos filhos pequenos é ninguém menos que Ricky James, que mais tarde se tornaria um roqueiro de muito sucesso. O episódio Halloween Party é do comecinho da série - é o quinto programa a ir ao ar - e, como o nome indica, é o especial do Dia das Bruxas, exibido originalmente em 31 de outubro de 1952. Entre no clima de Halloween familiar e divirta-se com a visão estadunidense do que é uma típica família de classe média e seus festejos tradicionais.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

The Adventures of Uncle Mistletoe (1949)



   Para começar os vídeos especiais de Halloween, vale esse resgate de um dos mais antigos programas infantis da televisão estadunidense. Este episódio do programa The Adventures of Uncle Mistletoe, exibido no canal ABC originalmente em 25 de outubro de 1949, tem o Dia das Bruxas como tema. São apenas 15 minutos, então reúna a criançada em torno do computador e curta um Halloween à moda antiga, quando tudo pelo menos parecia mais inocente.

domingo, 19 de setembro de 2010

Four O’Clock (1957)


   Episódio de estréia da série de TV Suspicion, exibido originalmente em 30 de setembro de 1957 na rede NBC. Não é dos melhores telefilmes de Hitch, mas é um bom exemplo do estilo de trama dos programas produzidos pelo cineasta ao longo das décadas de 50 e 60. Baixar em AVI com 350 MB.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Zombiemania (2008)


   Um dos melhores documentários do Fantaspoa deste ano, Zombiemania analisa a cada vez mais crescente onda de filmes, livros, HQs e jogos de zumbi, desde a origem do mito até suas recriações no cinema, incluindo o pioneiro White Zombie e sua transformação a partir de Night of the Living Dead. O documentário traz depoimentos de gente como George A. Romero, o pai do zumbi moderno, o escritor Max Brooks, autor do best-seller Zombie Survival Guide, a jornalista Jovanka Vuckovich, editora da revista Rue Morgue, do escritor e pesquisador Wade Davis, autor de The Serpent and the Rainbow, a cineasta Eliza Kephart, diretora do filme independente Graveyard Alive, e ainda os mestres dos efeitos especiais e de maquiagem Tom Savini e Greg Nicotero.
   A versão do documentário disponibilizada aqui é bastante diferente da exibida no Fantaspoa: esta é a versão para a TV, com cerca de 47 minutos, enquanto que a versão do festival tem quase uma hora de duração, com montagem completamente diferente. Porém, não se trata apenas de uma versão com cenas adicionais: alguns depoimentos nesta edição curta aparecem de maneira diferente ou reduzida na cópia estendida; outros são exclusivos desta versão. Seja como for, é diversão e informação garantida para zumbimaníacos em geral, especialmente quem  não teve a oportunidade de ver o documentário na tela grande.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

O Jovem Tataravô (1936)


   A sessão de hoje do Fantaspoa promete ser um momento especial no festival, ao menos àqueles que compartilham do entusiasmo e interesse em tudo que cerca nosso tão pouco conhecido cinema de gênero. A exibição do filme O Jovem Tataravô, uma comédia musical produzida pela Cinédia em 1936, resgata um item raro de nossa filmografia, naquele que é considerado o primeiro longa-metragem brasileiro com elementos fantásticos. O filme será exibido às 19 horas no Cine Bancários, em Porto Alegre, na única atração do dia, e ao final eu e a Laura Cánepa iremos debatê-lo com os espectadores. A exibição é também uma espécie de trailer do curso O Horror no Cinema Brasileiro, que acontece nos dias 10 e 11 deste mês e apresentará um vasto panorama do gênero em nosso país, agora sem a concorrência dos horrores da seleção do Dunga, pois as aulas acontecem no final de semana das finais da Copa do Mundo (porém, terminam antes do início dos jogos, então ninguém vai ficar sem futebol!).


   Para ilustrar esta postagem, capturei a apresentação do filme realizada pela Zezé Motta no Canal Brasil. Também compilei alguns textos antigos sobre o filme, amostras de como a obra foi recebida na época, em críticas pitorescas e peculiares. Artigos recentes fazem abordagens mais históricas do filme, como o texto assinado por Ricardo Calil, disponível no site da Programadora Brasil, e principalmente o excelente e completíssimo ensaio da Laura publicado na revista eletrônica Carcasse, datado de setembro de 2006.

   “Num leilão, com uma caixa, Menezes arremata certo papel com certa oração poderosa (fazia voltar ao mundo o mais enterrado dos mortos). Organiza-se uma sessão, estabelecendo-se a corrente, invoca-se e zás: surge o tataravô de Menezes, o que logo mais, barbeado, penteado e metido em fatiotas bem lançadas, se mete a conquistas, cai numa farrinha e até a aviação se entrega! A audácia do jovem tataravô, que chegou ao cúmulo de enredar no amar sua própria bitataraneta, leva seu ‘inventor’ a recorrer à macumba para devolvê-lo ao nada. Consegue-o, para o alívio de todos, principalmente do noivo.” (Cine-Repórter, nº 125, 1936)
   “(...) bem conduzido e com diálogos, versos e ‘bolas’ muito felizes. Música: encantadora! Sem exceção de um só número de sua música, a partitura do filme é maravilhosa, destacando-se entre os números a canção final do cabaré. Gravação, sonora! A melhor que já se fez no Brasil e, diga-se (mas para dizer pouco), poderia ter ido aos Estados Unidos para voltar de lá com a classificação de perfeita. Impressões da platéia; muito boa. Desde o primeiro dia, até hoje, o público deu sempre gostosas gargalhadas e sempre nas mesmas ‘bolas’. Presencamos, realmente, em várias sessões, o público rindo a valer. O filme agradou inteiramente. Este agrado se justifica - boa música, bom som, bom enredo, artistas discretos, fotografia boa em geral.” (W.S., Imparcial, 1 de setembro de 1936)
   “O Jovem Tataravô, tal como está, na tela do Odeon, com os seus defeitos e virtures, é um filme nacional que se impõe. E, estando muito acima da mediocridade, é um trabalho que enche de justificado orgulho e patriotismo a qualquer fã brasileiro, que encontra, neste celulóide, o testemunho insofismável, indiscutível, de que o nosso cinema evoluiu com uma rapidez extraordinária. (...) Em matéria de fotografia e som, O Jovem Tataravô representa a ‘Autêntica Vitória da Cinédia’, pois ‘Ainda Não Vimos Nada Melhor’. A fotografia, principalmente, é de uma nitidez que surpreende. (...) Em primeiro plano coloco, pela naturalidade cinematográfica com que atuam, Darcy Cazarré, Lygia Sarmento e Carlos Frias, este o verdadeiro primeiro galã que o cinema brasileiro encontrou. (...) A direção de Luiz de Barros é bem apreciável. O argumento de Gilberto de Andrade é magnífico e esplêndido de comicidade. É fator seguro de êxito.” (Alfredo Sade, A Batalha, 16 de setembro de 1936)   “Um novo filme brasileiro e, tomado de um modo geral, na minha opinião, o melhor de quantos têm sido apresentados até agora. É, já, um trabalho que não envergonha, que pode ser visto, porque não desagrada. Há a distinguir nele três ‘motivos’: o que diz respeito à sua técnica material; o da sua interpretação e direção e o enredo. Quanto a sua feitura material, teçamos loas à Cinédia, pelo trabalho de seus estúdios. O filme é cem por cento bom em sua fotografia e gravação. O ambiente bem decorado, se bem com pouca variedade.” (Paulo Lavrador, A Nação, 17 de setembro de 1936)
   “(...) Mesmo sendo um filme de linha, despretensioso, embora de assunto fantástico, pode-se considerar O Jovem Tataravô um dos melhores filmes brasileiros que já vimos.  (...) A história é interessantíssima e sua adaptação agrada bastante. A direção de Luiz de Barros é também agradável. (...) É mais cinematográfico e agrada muito mais. Na interpretação gostosa de Cazarré (na tela, o mesmo artista sincero do palco e uma magnífica aquisição do cinema), Marcel Klass, Dulce Weytingh, Lygia Sarmento, Manoelino Teixeira e Manoel Rocha. (...) O Jovem Tataravô surpreende a muita gente.” (P.R., Correio da Noite, 17 de setembro de 1936)

domingo, 27 de junho de 2010

Mangue Negro no Canal Brasil


   A legião de admiradores de Mangue Negro tem mais um motivo para festejar: o filme estréia hoje no Canal Brasil, às 22h30, com reprise na madrugada do dia 29, em verdadeiro horário de zumbi, às 4h30. Para quem apostou no filme como o representante de uma nova maneira de se fazer cinema no Brasil (e o melhor: cinema de gênero!), essa é outra grande conquista. Por mais que a gente valorize outros bravos realizadores amadores que se dedicam ao gênero com produções feitas aos trancos e barrancos, existe um abismo entre o talento artístico de Rodrigo Aragão e todos os demais. Pelo menos por enquanto. Torcemos sempre para que surjam novos talentos.
   Não tenho certeza, mas acredito que seja a primeira vez que chega à telinha do Canal Brasil um filme de ficção praticamente amador (não podemos usar o termo ‘cinema independente’ em nosso precário cenário nacional, onde quase tudo é independente!).


   A chegada do filme à programação da TV por assinatura foi devidamente registrada nas páginas da revista Monet, numa excelente matéria assinada por Dafne Sampaio, a qual reproduzo nesta postagem. Quem ainda não viu Mangue Negro, esta é mais uma ótima oportunidade de se conhecer a auspiciosa estréia de Rodrigo no longa-metragem, enquanto aguardamos o lançamento do igualmente promissor A Noite do Chupacabras.

sábado, 19 de junho de 2010

Ídolos: Casa da Colina


   Odeio reality shows. Simplesmente odeio, não suporto ver nenhum. Na verdade, nunca assisti, mas não me interesso na coisa. O único que achei interessante - e mesmo assim não assisti - era um programa argentino que anunciou que ia escolher o melhor roteiro de um curta-metragem a ser filmado numa casa supostamente mal-assombrada. Não sei que fim isso levou, mas o que importa é que o tema casa mal-assombrada nos traz a este bizarro trecho do programa Ídolos, exibido na Record, com o qual esbarrei por acidente.
   O trecho mostra o candidato André Marques, de 19 anos, um sujeito que não consegue nem falar direito, pagando mico em rede nacional interpretando uma canção de sua autoria, chamada “Casa da Colina”, diante dos três jurados do programa. A música é... assim, uma coisa de doido. Tão fascinande, na verdade, que não resisti à tentação de transcrever a letra: “A casa é má, baby, lá tem fantasmas, yeah yeah, é mal-assombrada, viu?, e fantasmas moram na casa da colina. Vou passar um dia nessa casa cheia de espíritos, yeah. Vou levar muitos sustos, não vai ter futebol. Casa mal-assombrada, yeah yeah. Casa mal-assombrada... Casa da colina. Eu vou passar um dia nessa casa cheia de espíritos. Venha comigo, vou te levar... Casa da colina...”. A parte do futebol é um enigma total, adorei.
   Se essa postagem não receber nenhum comentário, vou entender. Também fiquei sem palavras.

sábado, 5 de junho de 2010

Quem Tem Medo da Verdade? (1970): Grande Otelo


   Quem viu O Despertar da Besta (ou Ritual dos Sádicos), a obra-prima metalinguística realizada em 1970 por José Mojica Marins, certamente se lembra do trecho no qual aparece o cineasta sendo julgado no programa de TV Quem Tem Medo da Verdade?, um autêntico lixo televisivo que nos faz pensar duas vezes antes de dizer que temos saudades dos “bons tempos” da televisão, ou que o sensacionalismo invadiu as telinhas brasileiras apenas recentemente.
   O programa foi ao ar entre os anos de 1968 e 1971, exibido pela TV Record, e tinha como proposta a presunção de julgar ‘culpada’ ou ‘inocente’ alguma figura pública notória, acusando o sujeito dos mais absurdos crimes (que iam da irresponsabilidade social ao alcoolismo ou simplesmente um subjetivo mau gosto). Um júri de celebridades era convidado a cada programa para dar o veredito final, entre eles a figura odiável de Sílvio Luiz, que funcionava como o provocador oficial do programa, tendo como única missão ofender e agredir verbalmente os convidados. Resumindo, alguém que assumia seu péssimo caráter, um instrumento que se sujeitava ao sensacionalismo barato neste veículo concebido única e exclusivamente para dar audiência.
   O programa era produzido e dirigido por Carlos Manga, que era também o apresentador, na posição patética de presidente do júri. Ultrajante, humilhante e inaceitável, Quem Tem Medo da Verdade? infelizmente serviu de escola para todo o lixo que invade a televisão nos dias de hoje, descendo ao nível de programas como o de Luciana Gimenez e outros que afortunadamente sequer sei da existência.


   O episódio postado aqui coloca no banco dos réus ninguém menos do que Grande Otelo, que durante mais de duas horas foi esculhambado publicamente, acusado de alcoolismo e de ter sido negligente com seus compromissos profissionais e sociais, inclusive de ter agredido homens e mulheres devido ao seu vício. No júri estão celebridades como o atleta Adhemar Ferreira da Silva e o compositor Adoniran Barbosa, além de Clécio Ribeiro e Paulo Azevedo, que fazem companhia a Sílvio Luiz no papel de ofender o convidado, o suposto ‘réu’, num desavergonhado festival de hipocrisia.
   Grande Otelo teve a defesa realizada pelo diretor José Carlos Burle, um dos grandes nomes do cinema brasileiro, fundador da companhia Atlântida e realizador de Moleque Tião (1943), filme - hoje considerado perdido - que marcou a estréia de Grande Otelo como protagonista nas telas. Mesmo diante da brilhante defesa de Burle, que destaca o valor de Otelo como artista acima de tudo, o ator foi condenado por seis votos a dois. Talvez seja melhor não levar tão a sério toda essa idiotice e ficar com a inspirada frase final de Adoniran Barbosa ao defender o colega de copo: “Absolvo porque ele é um grande artista e um grande amigo meu e daqui a pouco nós vamos sair por aí tomar umas e outras juntos”.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Incrível! Fantástico! Extraordinário! (1947-1958)

   Eu estava quase finalizando esta postagem quando, por uma feliz coincidência, Laura Cánepa postou no blog dela um texto sobre a adaptação cinematográfica de Incrível! Fantástico! Extraordinário! (1969). Isso me motivou a colocar logo no ar esse texto, pois aqui falo especificamente sobre o programa de rádio que, durante mais de dez anos, prejudicou o sono de muitos ouvintes. Não faltam sequer relatos (aparentemente um tanto exagerados) até de pessoas que cometeram suicídio depois de acompanhar os contos assustadores que eram narrados no programa. Ótima publicidade, sem dúvida.
   Incrível! Fantástico! Extraordinário! foi criado por Henrique Foreis Domingues, mais conhecido como Almirante, um dos nomes mais importantes do rádio brasileiro. O programa era transmitido pela Rádio Tupi do Rio de Janeiro, apresentando dramatizações de casos fantásticos, sobrenaturais e inexplicados, os quais supostamente eram relatos verídicos enviados pelos ouvintes e narrados por Almirante e pelo elenco da rádio. Os textos eram escritos por José Mauro e, posteriormente, por Cesar de Barros Barreto. Cada programa era composto por quatro histórias curtas, narradas em clima de suspense, com direito a sonoplastia e música incidental, tudo desempenhado ao vivo no estúdio.
   O programa estreou em 21 de outubro de 1947, quando foram ao ar as histórias A AranhaO Comandante, Saci Pererê e O Baile. Seguiram-se centenas de programas, apresentando casos como Pianinho de Brinquedo, O Estranho Homem Que Queria Construir uma Granja, O Defunto Que Respondia as Perguntas, O Fantasma da Negra Que Vendia Acarajé, O Cadáver Que Se Levanta da Cama e Pede um Café e tantas outras narrativas tão pitorescas quanto intrigantes. O último programa foi ao ar em 1958. Parte do acervo da série foi restaurado e está disponível para compra na página do Collector’s Studio. Quem se interessar em comprar toda a coleção deve se preparar para desembolsar mais de R$ 600. Ou então pode saciar a curiosidade ouvindo o programa abaixo, infelizmente com qualidade de som sofrível.


   A série causou enorme impacto por todo o país, um testemunho valioso do poder do rádio na época, deixando as pessoas apavoradas, imaginando da maneira mais assustadora possível as histórias narradas a cada episódio. A sofisticação do programa chegava ao ponto de dar nome e endereço completo das pessoas que enviavam os relatos, além de garantir que tudo era cuidadosamente investigado, com integrantes da equipe de produção indo ao local onde teria ocorrido o fenômeno sobrenatural. Difícil acreditar que isso acontecia de verdade, mas certamente servia para inflamar ainda mais a imaginação dos ouvintes.
   O sucesso do programa se repetiu numa edição em livro, no qual o próprio Almirante selecionou 70 dos casos assombrosos mais populares dramatizados no rádio. O volume foi lançado originalmente em 1951 pelas edições O Cruzeiro e reeditado em fins da década de 80, com uma organização mais cuidadosa e focada na pesquisa e no aspecto histórico do programa, pela editora Francisco Alves.
   O programa também inspirou o longa-metragem em episódios Incrível! Fantástico! Extraordinário!, dirigido por C. Adolpho Chadler em 1969, o qual é abordado detalhadamente aqui, e virou série de televisão na temporada 1994-95. Produzido pela TV Manchete e apresentado por Rubens Correa, a nova encarnação de Incrível! Fantástico! Extraordinário! só reaproveitou o nome da clássica criação de Almirante. Os roteiros deixaram de lado os pretensos ‘causos’ verídicos e buscaram inspiração em contos literários, como no programa de estréia, de 23 de novembro de 1994, com o popular A Garra do Macaco. Seguiram-se outros doze episódios (pelo menos tenho gravado esses treze programas; não acredito que a série seja maior do que isso), incluindo títulos como Gêmeas, O Fantasma da Prostituta, A Casa da Clareira e O Relógio do Tempo. Porém, o nível de produção era baixíssimo, com praticamente todas as tramas se passando numa casa de fazenda. Afastadas do cenário urbano, essencial para evocar alguma credibilidade, as histórias quase sempre eram desprovidas de interesse. O derradeiro programa, intitulado Possessão, foi ao ar em 22 de fevereiro de 1995, e a série desapareceu da grade da emissora sem deixar saudades.

domingo, 2 de maio de 2010

Climax!: Dr. Jekyll and Mr. Hyde (1955)


   Um brutal contraste com a postagem que fiz há algumas semanas sobre a versão perdida no tempo de O Retrato de Dorian Gray na TV Tupi: eis aqui uma adaptação para a TV do clássico O Médico e o Monstro, transmitida em 28 de julho de 1955, na primeira temporada do programa Climax!, uma antologia de histórias de mistério, horror e suspense. Essa raridade é do tempo da televisão ao vivo, quando as dramatizações eram encenadas em tempo real no estúdio de TV, como se fosse um teatro à distância. O episódio está completíssimo, com as inserções comerciais e as vinhetas do canal, para que a experiência de viagem no tempo e espaço seja plena. Resgates de coisas assim só fazem aflorar nosso complexo de vira-lata terceiro-mundista, quando temos que reconhecer que estamos muito distante de tratar nosso passado com um mínimo de interesse e carinho. E isso não se refere apenas à memória da televisão: basta lembrar do quase nada que restou de nosso cinema mudo.
   A adaptação da novela de Robert Louis Stevenson é assinada pelo escritor e dramaturgo Gore Vidal, num de seus primeiros trabalhos para a televisão. Vidal ficou famoso no cinema por não ter sido creditado como um dos roteiristas do épico bíblico Ben-Hur (1959) e por ter exigido que seu nome fosse retirado dos créditos da extravagância pornô Calígula (1979). Michael Rennie (o único e verdadeiro Klaatu de O Dia em Que a Terra Parou) assume de maneira competente o papel duplo do genial, porém inconsequente, doutor Jekyll e de seu alter ego maligno, o selvagem Hyde. Rennie se juntou a uma galeria de grandes nomes que viveram Jekyll e Hyde nas telas, incluindo John Barrymore, Fredric March e Spencer Tracy. Antes dele, Ralph Bell e Basil Rathbone também interpretaram o esquizofrênico cientista na telinha, que mais tarde seria encarnado por Kirk Douglas e tantos outros.
   A californiana Mary Sinclair, rosto familiar em dramatizações de clássicos para a TV (O Morro dos Ventos Uivantes, A Letra Escarlate, Mulherzinhas), faz o papel da mocinha ameaçada pelo vicioso Hyde. O elenco do episódio conta também com a aristocrática presença de Sir Cedric Hardwicke, veterano e versátil ator inglês que um ano antes retratou um Diabo elegante no modesto melodrama noir Bait, dirigido por Hugo Haas como veículo para Cleo Moore, femme fatale de segunda classe então no auge de sua breve carreira.
   Este é um dos poucos episódios de Climax! em domínio público atualmente disponível no mercado de vídeo, mas é bem provável que o resto da série acabe surgindo num lançamento oficial em DVD a qualquer momento.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

ATUALIZAÇÃO: Encarnação do Demônio (2008)


   Estréia hoje à noite no Canal Brasil a aguardada conclusão da trilogia de Zé do Caixão, o controverso Encarnação do Demônio (2008). O filme será exibido logo mais às 22 horas e será reprisado no sábado, dia 24, às 23 horas. São as duas únicas sessões programadas para este mês, então são duas ótimas oportunidades para se ver ou rever esta obra que dividiu opiniões entre os fãs do personagem. Vale a pena reaquecer a discussão acerca do filme que postei aqui, para que aqueles que vão assistir ao filme pela primeira vez também possam dar sua opinião. A enquete desta semana também é sobre o filme, então não deixe de participar!

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Nike of the Living Dead: Tiger Woods


   “Você aprendeu alguma coisa?”. Estreou ontem à noite na TV dos Estados Unidos este sinistro comercial da Nike com o golfista Tiger Woods. O comercial, apelidado pela mídia de Nike of the Living Dead, está sendo considerado um dos momentos mais macabros da história da televisão norte-americana, pois a voz que se ouve é do pai de Tiger, morto em 2006, que retorna do túmulo para passar um sermão no filho. A repercussão geral foi de total incredulidade diante do mau gosto e da concepção francamente mórbida da campanha. Ou seja: nós adoramos!
   No ano passado, Tiger se envolveu num escândalo sexual que continua fascinando a conservadora sociedade norte-americana. O caso é explorado incessantemente pela mídia do país, ao ponto de o golfista ter se submetido à humilhação pública se confessando viciado em sexo. Ele se declarou arrependido e diz estar passando por um tratamento, mas o consenso da crítica é que sua motivação para essa retratação é meramente monetária, pois ele é viciado mesmo no vil-metal.
   Com essa imagem em preto e branco, tendo um herói negro (ops... afro-americano!) como protagonista e mortos ressuscitando, só ficou faltando mesmo George Romero na direção do comercial.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Mystery! (1984-1988)


   O programa Mystery!, exibido no canal PBS - espécie de TV Educativa dos ianques - foi criado em 1980 para levar ao espectador estadunidense histórias de crime, mistério e suspense importadas da televisão britânica, incluindo contos clássicos de detetive adaptados da obra de Agatha Christie e Arthur Conan Doyle. Isso seria mais do que o suficiente para que a série fosse um grande sucesso, porém muitos outros detalhes a transformaram num autêntico clássico da telinha.
   Os créditos de abertura foram criados por ninguém menos do que o ilustrador Edward Gorey, célebre por seus desenhos mórbidos e macabros, mas ao mesmo tempo charmosos, engraçados e encantadores. Quem acha Tim Burton ‘gênio’ ou mesmo original com seu horror liberado para menores precisa conhecer melhor a obra de Gorey. Quem se interessar em saber mais sobre ele, tem uma ótima entrevista com o ilustrador - já falecido - no site da PBS, na qual Gorey rejeita sua relação com o horror, comparado ao cartunista Charles Addams ou mesmo com Stephen King. Derek Lamb, o animador responsável pela abertura do programa, conta sua relação com Gorey neste ótimo depoimento, no qual revela os bastidores da criação.
   Durante algumas temporadas, Mystery! exibiu episódios das séries protagonziadas pelo britânico Jeremy Brett como o detetive Sherlock Holmes, produzidas pela TV inglesa Granada. Brett é considerado por muita gente como o melhor intérprete do personagem criado por Conan Doyle, e estas adaptações das histórias originais do escritor estão entre as mais fiéis já realizadas (não tenho certeza se essas séries chegaram à TV brasileira, mas algumas histórias foram lançadas em VHS por aqui). A primeira série foi The Adventures of Sherlock Holmes (1984-1985), com 13 episódios, seguida por The Return of Sherlock Holmes (1986-1988), com 11 episódios, e ainda os longas The Sign of Four (1987) e The Hound of the Baskervilles (1988). Todas foram exibidas no programa Mystery! Brett seguiu interpretando o famoso detetive em séries curtas (The Case-Book of Sherlock Holmes e The Memoirs of Sherlock Holmes) até sua prematura morte em 1995, vitimado por um ataque cardíaco.
   O anfitrião responsável por introduzir estes episódios na antologia da PBS não poderia ser mais adequado: o veterano Vincent Price, ainda carismático e fascinante mesmo septuagenário, mantendo sua postura aristocrática dos áureos tempos. Selecionei nesta postagem as aberturas de todos os episódios apresentados por Price, uma valiosa coleção para quem cultua este ícone do horror. Nas temporadas seguintes do programa, Price foi sucedido pela maravilhosa Diana Rigg, que assumiu o posto de anfitriã.
   A combinação precisa entre a graça de Gorey, a imponência de Price, a dignidade de Brett e o brilhantismo de Conan Doyle, reunidos num único programa, é um daqueles momentos em que acreditamos que, sim, às vezes as coisas podem ser perfeitas.

sábado, 3 de abril de 2010

Festival Hitchcock: O Homem Que Sabia Demais

   Velhos hábitos são difíceis de morrer: pelo menos uma vez ao ano algum canal de TV programa um festival de clássicos de Alfred Hitchcock. Ainda bem! São filmes que, por mais que tenham sido reprisados, preservam sua força e não perderam nadinha de seu impacto, o que faz com que sejam descobertos também pelas novas gerações. Seus filmes não são meras relíquias para cinéfilos: continuam sendo entretenimento de primeira qualidade, ao mesmo tempo em que oferecem inesgotáveis temas para estudos mais profundos sobre seu significado e sobre o próprio processo de criação artística.
   O ciclo Hitchcock: O Homem Que Sabia Demais, do canal pago TCM (Turner Classic Movie), apresentará sessões duplas de clássicos do diretor todas as quartas e sábados de abril, começando hoje à noite com as obras-primas Um Corpo Que Cai e Pacto Sinistro. Ao todo são quinze longas, incluindo três dos melhores de sua fase britânica, e um documentário de curta duração. Nem precisa dizer que é um festival imperdível, certo?
   Hitchcock é uma paixão antiga minha que e durante anos me dediquei a estudar profundamente sua obra. Em agosto de 2008 organizei e ministrei em Fortaleza, no Ceará, o curso O Cinema de Alfred Hitchcock, o qual pretendo continuar lecionando em outras cidades. Basta me convidarem! Colocarei em breve aqui no blog a ementa do curso para que os interessados entrem em contato comigo e possamos levar adiante esse projeto. Garanto que o curso é bacana e cheio de surpresas, mesmo para quem já é iniciado no universo do Mestre do Suspense!
   Para ilustrar a postagem, reproduzo as páginas da edição histórica da revista Vanity Fair de março de 2008, que convidou alguns dos maiores astros e estrelas de Hollywood para recriar cenas famosas dos clássicos de Hitchcock. O resultado é encantador, com atrizes do calibre de Charlize Theron, Scarlett Johanson, Naomi Watts, Jodie Foster e Marion Cotillard, além das veteranas Eva Marie Saint e Julie Christie, dando nova roupagem a momentos emblemáticos do cinema hitchcockiano.

 
Programação completa do festival

Um Corpo Que Cai, sábado 3, 22h
Pacto Sinistro, sábado 3, 0h10
Perfil de Hitchcock: Os Primeiros Anos, quarta 7, 22h
Sabotagem (O Marido Era o Culpado), quarta 7, 22h30
Disque M para Matar, quarta 7, 23h50
Psicose, sábado 10, 22h
A Dama Oculta, sábado 10, 23h55
Suspeita, quarta 14, 22h
Os 39 Degraus, quarta 14, 23h45
Janela Indiscreta, sábado 17, 22h
O Homem Errado, sábado 17, 0h
A Sombra de uma Dúvida, quarta 21, 22h
Um Casal do Barulho, quarta 21, 23h55
Intriga Internacional, sábado 24, 22h
Perfil de Hitchcock: Os Primeiros Anos, sábado 24, 0h20
O Homem Que Sabia Demais, quarta 28, 22h
A Tortura do Silêncio, quarta 28, 23h20

quinta-feira, 1 de abril de 2010

A Família Addams (1973-1975)



A Família Addams
The Addams Family. EUA, 1973. Criado por David Levy
   A macabra família surgida no cartoon de Charles Addams desembarcou na TV na clássica série cômica da década de 1960, mas em 1973 foi transformada em desenho animado, numa produção Hanna-Barbera. Os Addams são extravagantes e às vezes mórbidos, mas sempre bem-intencionados. As confusões provocadas por Gomez, Mortícia, Vandinha, Feioso e Tio Chico surgem pelo fato de não se darem conta do quanto são diferentes das demais pessoas. A crítica ao american way of life que marcava a série live-action dá lugar a piadas sobre a ingenuidade da família em relação ao preço das coisas e à fortuna que possui. Uma versão moderna foi ao ar em 1992.

Don Drácula (1982)


Don Drácula
Don Dracula. Japão, 1982. Criado por Osamu Tezuka
   Nem mesmo a falência da companhia que produziu este anime, depois de apenas oito episódios concluídos, impediu que esta paródia de Drácula se tornasse um cult. Cansado de ser caçado por seu nêmesis, Van Helsing, o vampiro parte para o Japão acompanhado da filha Sangria e do fiel ajudante Igor. Chegando lá, morde Blonda, uma gorducha que passa a persegui-lo. Já a adolescente Sangria tenta se adaptar ao novo lar, levando uma vida relativamente normal (pelo menos para alguém que costuma dormir num caixão!).

quarta-feira, 31 de março de 2010

O Retrato de Dorian Gray (1958)

   É um chororô antigo - porém necessário - reclamar do quanto nosso país não tem memória (para certas coisas, pelo menos). Uma delas é a televisão. Exceto quando a Globo faz algum aniversário redondo (40 anos, 50 anos...), pouco se faz para que sejam resgatados programas antigos, históricos, momentos inesquecíveis. E não adianta mostrar trechinhos de 30 segundos ou poucos minutos... tem que existir um resgate integral de programas que, do jeito que estão, permanecerão condenados a poucas linhas em livros de referência e a deixar o resto à imaginação de cada um.


   No momento em que os espanhóis - para citar apenas um exemplo - resgatam sua história televisiva do jeito que podem, colocando à disposição preciosidades como a minissérie ¿És Usted el Asesino? e a antologia Histórias Para No Dormir, só nos resta sonhar o que deve ter sido esta adaptação de O Retrato de Dorian Gray estrelada por Tarcísio Meira em 1958. As poucas fotografias que sobreviveram para contar história mostram um cuidadoso efeito de maquiagem que exteriorizam o processo de decadência de Dorian Gray.
   Esta dramatização do clássico de Oscar Wilde foi exibida originalmente no programa TV de Vanguarda, da TV Tupi, canal 3 de São Paulo. O rapaz atrás de Tarcício Meira na primeira foto se parece muito com Ronald Golias (talvez num papel sério, ou como um alívio cômico... como podemos ter certeza?); na segunda foto, quem aparece em primeiro plano é David Neto. O resto... fica para a sua imaginação.

Related Posts with Thumbnails

Canal Cine Monstro Rock Horror Show!!