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quarta-feira, 31 de março de 2010
sábado, 27 de março de 2010
PROMOÇÃO! Concorra a DVDs duplos de Mangue Negro
Quem é morto-vivo sempre aparece! Finalmente chegou ao mercado a tão aguardada edição especial de Mangue Negro, a produção nacional que colocou o cinema brasileiro de horror no mapa-múndi dos zumbis. O filme chega oficialmente ao formato digital no começo de abril, com direito a tratamento de luxo. São dois discos recheados de atrações imperdíveis: trilha de comentário em áudio com o diretor Rodrigo Aragão, trailer, making of, entrevistas, sessão de maquiagem, bastidores e os curtas Chupa Cabras, Peixe Podre e Peixe Podre 2, entre outros itens. Os discos vêm embalados numa luva especial, incluindo um encarte que traz um artigo analisando a recente onda de filmes de zumbis e ainda oito cards com imagens dos personagens marcantes do filme.
O melhor de tudo é que essa edição de colecionador pode ser sua... de graça! O blog CINE MONSTRO sorteará cinco DVDs duplos para os visitantes que deixarem comentários nas postagens ao longo do mês de abril. As regras são simples: todos os comentários de leitores que forem realizados no blog entre os dias 1º e 30 de abril serão registrados com um número relativo a uma centena (progressivamente a partir de 001). Ao fim do mês, postarei a lista com todos os concorrentes e seus respectivos números, que servirão para definir os ganhadores da promoção: cada centena será como um número de rifa e os vencedores serão conhecidos na noite de 1º de maio a partir das centenas dos cinco primeiros prêmios da Loteria Federal. Importante: caso alguém seja contemplado com mais de um número, valerá somente o primeiro; os demais serão descartados e valerá a próxima centena da loteria, para que ninguém receba mais do que um item. Parece confuso, mas não é; e é honesto e justo com todo mundo!
A única regra para os comentários no blog é o bom senso: serão aceitos quantas postagens cada visitante quiser fazer, podem encher o blog de opiniões, críticas, pedidos, reclamações e elogios, em qualquer postagem (não precisa ser apenas nas novas, e não precisam ser postagens do mês de abril). Porém, vou ignorar comentários minimalistas do tipo “Quero ver”, “Não conhecia”, “Que legal”, “Odiei”, “Opa!”, porque aí vou considerar isso uma tentativa de ganhar um número de rifa na moleza! Peço também, se possível, que cada um se identifique nos comentários colocando o nome e a cidade onde mora.
A única regra para os comentários no blog é o bom senso: serão aceitos quantas postagens cada visitante quiser fazer, podem encher o blog de opiniões, críticas, pedidos, reclamações e elogios, em qualquer postagem (não precisa ser apenas nas novas, e não precisam ser postagens do mês de abril). Porém, vou ignorar comentários minimalistas do tipo “Quero ver”, “Não conhecia”, “Que legal”, “Odiei”, “Opa!”, porque aí vou considerar isso uma tentativa de ganhar um número de rifa na moleza! Peço também, se possível, que cada um se identifique nos comentários colocando o nome e a cidade onde mora.
A promoção é uma parceria do blog CINE MONSTRO com a distribuidora London Films e o selo Dark Side. Mangue Negro já está à venda online e faço aqui o pedido aos aficionados por filmes de horror que ajudem a divulgar maciçamente esse lançamento, pois o sucesso comercial desse servirá não apenas para recompensar os esforços do Rodrigo Aragão e de todos os envolvidos no filme, mas também pode incentivar o surgimento de mais realizações nesse gênero. O DVD custa R$ 29,90 e poderá ser encontrado também nos grandes magazines do país.
O filme está em widescreen 1.85:1 e tem opções de áudio DTS 6.1, Dolby Digital 5.1 e Dolby Surround 2.0. Um luxo só! Ainda tem legendas em espanhol e inglês, para você presentear seus amigos estrangeiros e deixá-los espantados com nosso horror caseiro! Para mais informações, acessem http://www.manguenegro.com/.
O filme está em widescreen 1.85:1 e tem opções de áudio DTS 6.1, Dolby Digital 5.1 e Dolby Surround 2.0. Um luxo só! Ainda tem legendas em espanhol e inglês, para você presentear seus amigos estrangeiros e deixá-los espantados com nosso horror caseiro! Para mais informações, acessem http://www.manguenegro.com/.
quarta-feira, 24 de março de 2010
Língua Assassina (1996)
Se é que algum dia alguém se questionou como seria uma mistura da cafonice de Pedro Almodóvar com o banho de sangue de Peter Jackson e personagens ultrajantes ao gosto de Álex de la Iglesia, o resultado seria parecido com esta ridícula comédia de horror anglo-espanhola. Língua Assassina (La Lengua Asesina), dirigida por Alberto Sciamma em 1996, é uma combinação de elementos de filmes clássicos de ficção científica - pense em coisas como A Mulher de 15 Metros - e momentos de total nojo escatológico (no auge da era dos efeitos visuais).
O filme, se é que vale alguma coisa, merece ser visto pela presença da charmosíssima Melinda ‘Mindy’ Clarke, que antes havia aparecido como uma zumbi sensual em A Volta dos Mortos Vivos Parte 3. Mindy sofre uma mutação esquisita e torna-se uma vampe com uma enorme língua, a qual possui vida própria e força descomunal. A garota tenta de tudo para se livrar do monstro asqueroso, mas a língua assume o controle e começa a matar. O roteiro absurdo abusa do humor histérico, violência de gibi e poodles que viram gente. O filme conta ainda com breves participações de Robert Englund (Freddy Krueger) e Doug Bradley (Pinhead). O estilo é de trash assumido, mas o filme fez carreira internacional, sendo premiado em festivais de cinema fantástico como Fantasporto, Fantafestival e Sitges.
sexta-feira, 5 de março de 2010
Shutter Island: o jogo oficial
Vou entrar brevemente na seara do meu primo Kdão e falar um pouco de videogame, mas sem sair do assunto principal do blog, claro. Trata-se do jogo oficial para promover o filme Ilha do Medo (Shutter Island), que marca a investida do diretor Martin Scorsese num “terror psicológico com elementos de horror gótico” (segundo declaração de Leonardo DiCaprio, astro da película).
O jogo não poderia ser mais simples: tem um enredo de mistério fantasmagórico, inspirado na trama do filme, porém a jogabilidade se resume a procurar objetos pelo cenário e clicar sobre eles para coletar pistas. Gosto muito desses games casuais, porque não vejo sentido em ficar estressado jogando videogame, tentando resolver aqueles problemas insolúveis ou apertando oito botões ao mesmo tempo para acionar aquele golpe ultrasecreto. Você pode baixar o game completo no site da Big Fish Games, com direito a jogar gratuitamente durante uma hora. O filme estréia no Brasil em 12 de março.
O jogo não poderia ser mais simples: tem um enredo de mistério fantasmagórico, inspirado na trama do filme, porém a jogabilidade se resume a procurar objetos pelo cenário e clicar sobre eles para coletar pistas. Gosto muito desses games casuais, porque não vejo sentido em ficar estressado jogando videogame, tentando resolver aqueles problemas insolúveis ou apertando oito botões ao mesmo tempo para acionar aquele golpe ultrasecreto. Você pode baixar o game completo no site da Big Fish Games, com direito a jogar gratuitamente durante uma hora. O filme estréia no Brasil em 12 de março.
segunda-feira, 1 de março de 2010
Enquete: George A. Romero
Quando decidi incluir a opção ‘nenhuma’ na enquete que perguntava “Qual outra obra de horror de George A. Romero merece ser refilmada?”, eu já imaginava que essa seria a mais votada. Não foi diferente: 82% dos votantes pediram um basta nos remakes de clássicos do bom velhinho de Pittsburgh. Somente dois, entre os cinco filmes da enquete, receberam votos: Martin (1976) teve dois cliques, enquanto que Monkey Shines (1988) recebeu um. Os demais - Season of the Witch (1972), The Dark Half (1993) e Bruiser (2000) - foram deixados em paz.
Sexta-feira passada, dia 26, estreou nos Estados Unidos a nova versão de The Crazies (confiram abaixo o trailer), refilmagem da obra homônima - no Brasil lançada como O Exército do Extermínio - feita por Romero em 1973. O veterano diretor, cujos três primeiros filmes de mortos-vivos foram refeitos por outros cineastas nas décadas de 1990 e 2000, terá outro de seus clássicos do horror ganhando roupagem moderna: a refilmagem de Creepshow está programada para chegar às telas em 2011. O projeto está em fase de pré-produção, o que significa que ainda dá tempo de jogar areia nas engrenagens.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Vlad Tepes e Erzsébet Báthory
As lendas medievais sobre defuntos que se levantavam de seus túmulos para se alimentar dos vivos, nos rincões mais excêntricos da Europa, forneceram o combustível necessário para que os poetas imortalizassem nas letras o mito do vampirismo. Os espantosos e insistentes relatos de casos vampíricos na Sérvia, Hungria, Morávia, Polônia e outros países eram, de fato, mais estranhos do que qualquer ficção. Porém, duas figuras históricas, ambas de traços carregados e extravagantes, também foram essenciais para dar vida ao monstro, agregando características mais humanas ao vampiro, até então meros carniçais incapazes de raciocinar.
As peripécias sangrentas de Vlad Tepes e Erzsébet Báthory, cada um à sua maneira, enriqueceram de detalhes a criação de Drácula, a obra máxima do vampirismo literário, lavrada pelo irlandês Bram Stoker no apagar da era Vitoriana. Durante a segunda metade do século XX, depois de um longo período de esquecimento, ambos foram redescobertos pela cultura popular e suas lendas - muito mais do que os fatos históricos - passaram a compor de maneira indelével o imaginário vampírico.
Os primeiros filmes que comentarei neste ciclo vampiresco são duas cinebiografias que recontam com riqueza histórica os feitos de Vlad Dracula e Erzsébet Báthory. Apesar de terem pouco (no caso do primeiro, nenhum) conteúdo vampírico, são filmes indispensáveis para quem se interessa por estas fascinantes figuras.
Vlad Tepes (1979)
Suntuosa produção romena que relata os momentos cruciais na vida de Vlad Tepes (1431-1476), especialmente os últimos anos da sangrenta batalha que o voivode da Valáquia liderou contra a invasão do exército turco-otomano em Belgrado, em 1456. O filme é um épico bélico que peca basicamente pelo excesso de diálogos - não sou das pessoas mais inteligentes para acompanhar conspirações políticas, bloqueios de rotas comerciais, acordos de armistício ou negociações de cargos e postos de comando - mas cujo ritmo dinâmico providencialmente impede que a trama perca o interesse. Quem não conhece a história de Vlad Tepes, indico a leitura rápida deste verbete. Também altamente recomendável é o livro Em Busca de Drácula e Outros Vampiros, de Raymond T. McNally e Radu Florescu, lançado em 1995 no Brasil pela editora Mercuryo, que talvez ainda esteja em catálogo.
O filme, financiado pelo fundo de cinema romeno, tem um nível de produção excepcional, com cenários grandiosos e centenas de figurantes nas batalhas em campo aberto. O papel principal é interpretado com absoluta convicção por Stefan Sileanu, encabeçando um ótimo elenco. Vários episódios pitorescos da biografia de Vlad Tepes são recriados com riqueza de detalhes, como os mendigos que ele mandou aprisionar e queimar vivos depois de lhes oferecer um generoso banquete, ou quando mandou pregar os turbantes na cabeça dos embaixadores turcos que visitavam seu castelo e recusaram-se a retirar os ornamentos. As grotescas execuções por empalamento também são mostradas com toques macabros e sinistros. Porém, o filme opta por resgatar a imagem heróica de Vlad Tepes, mostrando-o como um governante intolerante e cruel, de punho firme, porém disposto a chegar às últimas consequências para proteger sua nação e seu povo. O filme mostra que parte do mito das atrocidades atribuídas a Vlad Tepes foi inventada por seus oponentes, que se valeram da lógica de que uma mentira contada repetidas vezes inevitavelmente torna-se verdade.
Devo essa raridade fílmica ao amigo Cayman, que me avisou ter encontrado a película num fórum de obras raras. Tenho duas versões do filme, mas somente a mais curta, com 102 minutos, tem legendas em inglês. A versão uncut tem 134 minutos, mas é falada em romeno e eu sou fraco nesse idioma. Mesmo assim, assisti também a essa versão longa e, pelo que pude perceber, tem apenas mais cenas de diálogos e alguns episódios que foram cortados da outra edição, mas nada relacionado a violência ou horror. A história do voivode também foi relatada em Príncipe das Trevas: A Verdadeira História de Drácula (2000), telefilme que abusa de situações mais apelativas para convencer que, no fundo, Vlad Tepes era gente boa.
The Countess (2009)
O companion perfeito para o filme sobre Vlad Tepes seria a biografia Bathory (2008), co-produção da Eslováquia, República Tcheca e Hungria que reconta a história da condessa de maneira revisionista, retratando-a basicamente como uma vítimas das circunstâncias e da ganância de seus oponentes. Da mesma forma que o filme romeno resgata o Drácula histórico por meio de seus feitos militares, Bathory é interessante por mostrar como a condessa Erzsébet Báthory (1560-1614) é vista por (pelo menos parte de) seus compatriotas, livre de preconceitos e extravagâncias caricatas perpetuadas no decorrer do século XX.
Entretanto, escolhi The Countess por ser um filme mais recente e, na minha opinião, mais interessante em termos cinemáticos. É um projeto de estimação de Julie Delpy, que dedicou vários anos em sua realização (há cerca de quatro anos, tive o roteiro deste filme em mãos - mas não cheguei a lê-lo - quando visitei um amigo que acabara de voltar de Hollywood). Se por um lado Vlad Tepes emprestou seu apelido ‘Drácula’ ao vampiro de Bram Stoker, foram as barbaridades supostamente cometidas pela Condessa Erzsébet Báthory que enriqueceram o monstro literário com obsessões sanguíneas.
Julie Delpy assina o roteiro e a direção e estrela esta ambiciosa obra no papel da poderosa nobre húngara que, ao perceber sua beleza se desvanecendo no espelho, descobre ao acaso que o sangue de moças virgens tem poder rejuvenescedor. Porém, ao contrário do clima fantasioso de muitas das versões anteriores levadas às telas, The Countess retrata Báthory essencialmente como uma mulher fragilizada emocionalmente que começa a enlouquecer ao vislumbrar sua própria mortalidade. A condessa, aos 38 anos, apaixona-se por um rapaz de 21, o qual corresponde ao seu amor, mas uma série de desencontros provocados pelo invejoso e ciumento pai do jovem desencadeia um processo que descamba para as famosas crueldades cometidas pela nobre.
The Countess, mais do que um filme de horror sobre uma das maiores assassinas da História, é um estudo sobre a suscetibilidade feminina a elogios fáceis, à leviandade do egoismo e o abuso de poder. O desempenho de Delpy é ao mesmo tempo tocante e corajoso, comovente em sua dedicação a um papel difícil, aparecendo a maior parte do tempo em cena com feições cansadas, de aspecto quase doentio, desprovida de beleza ou sensualidade. Os diálogos são precisos e fogem da armadilha de grande parte dos dramas de época, que costumam revestir as falas com uma improvável formalidade. As cenas de tortura e assassinato inserem o filme no gênero horror e chegam a provocar repulsa em seu grafismo, mostrando a maneira impessoal (quase casual) com a qual Báthory tratava suas vítimas. O filme evita mostrar as agressões pelo ponto de vista das virgens, o que torna ainda mais chocante a maldade da condessa.
Acredito que conheço todos os filmes sobre a Condessa Bathory - e são muitos, uma legião! - mas não assisti a todos (quem entende mesmo do assunto é a Beatriz Saldanha, autora de um excelente artigo - ainda inédito - sobre a condessa sangrenta). Mas ouso afirmar que The Countess é, de longe, o melhor filme já realizado sobre o tema. Nada sei sobre sua repercussão, se fracassou ou se colheu críticas favoráveis, mas é o tipo de filme que merece um público amplo, de preferência pessoas capazes de compreender suas muitas facetas, pois trata-se de uma obra que ainda merece ser discutida profundamente.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Trog, o Monstro das Cavernas (1970)
O canto-de-cisne da veterana atriz Joan Crawford - na época com 65 anos, ela morreria sete anos depois - Trog, o Monstro das Cavernas (1970) é dos filmes mais controversos de sua carreira e de todos os envolvidos em sua realização. Obra-prima menosprezada ou lixo irremediável? Definitivamente não era o tipo de filme que os velhos fãs de Miss Crawford esperavam àquela altura e boatos dizem que a reação da atriz, após ver a obra completa, ficou entre decidir se afastar das telas e cometer suicídio. Sabiamente, ela optou apenas pela aposentadoria. O tempo se encarregou de mostrar que o desastre não era tão grande assim e a atriz segue até hoje colecionando novos séquitos de admiradores. Afinal, não é exagero afirmar, existem basicamente dois tipos de filmes: os comuns, esses que a gente assiste todo dia, e os filmes de Joan Crawford.
Aliás, o termo correto nem é “filme”, e sim “veículo”. Para se entender o fenômeno Joan Crawford - e especialmente seus fãs - é preciso compreender cinema como uma fábrica de magia, do culto à imagem acima de tudo. O star-system hollywoodiano sempre colocou os astros e estrelas acima de qualquer coisa; nada de “cinema de autor”. Cinema de astros. Filmes era “veículos” para astros e estrelas brilharem e não muito mais do que isso.
Claro que a coisa não é tão simples assim. O cinema é uma arte viva e em constante transformação. Joan Crawford atravessou a história da sétima arte desde o período dos filmes silenciosos até à portinha da década de 1970. Ela tem também lugar garantido no coração dos aficionados pelo gênero horror desde que transtornou a mente de Lon Chaney no clássico do mudo O Monstro do Circo (1927). Décadas mais tarde, foi visionária ao conceber O Que Terá Acontecido a Baby Jane? (1962) como um veículo para si e para a colega/rival Bette Davis. O êxito estupendo de Baby Jane originou um ciclo de fitas de horror psicológico sobre velhotas psicóticas, espécie de “menopausa do horror”, dando sobrevida às carreiras de estrelas aposentadas (e quase esquecidas) como Barbara Stanwyck, Olivia De Havilland, Joan Fontaine, Tallulah Bankhead, Lana Turner e Veronica Lake.
Congelado no tempo
Entretanto, Trog não é Baby Jane; nem mesmo é Almas Mortas ou Espetáculo de Sangue. É algo completamente diferente... que ainda aguarda descrição. O filme começa com três jovens exploradores descobrindo quase ao acaso uma gruta onde vive um homem pré-histórico. Uma respeitada antropóloga inglesa (Joan Crawford), com especial interesse por primatas, fica sabendo da descoberta e imediatamente decide resgatar Trog (abreviação carinhosa de “troglodita”) de sua caverna úmida para mantê-lo enjaulado em seu centro de pesquisas, onde poderá estudá-lo em tempo integral. A doutora acredita estar diante do “elo perdido” da evolução do Homem e que o primata sobreviveu milhões de anos em suspensão criogênica.
O conceito genérico de “a maior descoberta científica da civilização moderna” é uma invenção antiga do cinema; vem pelo menos desde O Mundo Perdido (1925) e King Kong (1933). O roteiro de Trog parte dessa situação básica e apela para lugares-comuns para retratar a natureza selvagem de Trog, que aprecia música suave, mas se enfurece quando ouve rock (não nos enfurecemos nós todos?); fica com expressão serena ao fitar a cor azul, mas vira fera quando vê a cor vermelha, e assim por diante. Mesmo assim, há algumas situações curiosas nessa relação entre doutora e homem-primata. A antropóloga coloca uma coleira em Trog e o trata como a um bicho de estimação, a quem sua filha, com vago interesse pela novidade, passa a alimentar e tomar conta. Elas depois o tratam como criança - uma criança retardada, como faz questão de frisar a doutora - e lhe dão brinquedos. Trog, porém, é muito sensível; prefere brincar de boneca e estraçalha geringonças barulhentas. São curiosas as insinuações de que ele teria tendências gay: além de gostar de bonecas, Trog também se encanta com o lacinho cor-de-rosa que a doutora usa no pescoço. Desta maneira, não apenas Freud foi introduzido na pré-história, como observou o crítico Rubem Biáfora, mas também o homossexualismo!
Longe de casa
Trog é um misto de monstro de Frankenstein e King Kong. Como o primeiro, tem a mente de uma criança que precisa ser tratada com paciência, compaixão e compreensão. Como o segundo, comporta-se de maneira indomável, é incapaz de negar sua natureza selvagem e tem saudades de casa - neste ponto, o filme comete o erro histórico (e muito comum) de mostrar homens primitivos convivendo com dinossauros, ao representar as lembranças de Trog em seu habitat natural. As cenas usadas nesta breve sequência em flashback foram tiradas do filme O Milagre da Vida (1956), dirigido por Irwin Allen, com efeitos em stop-motion de Ray Harryhausen.
Não é apenas Trog quem está longe de casa, mas também a antropóloga com seus princípios nobres. A Ciência, ensina o filme, não tem lugar num mundo no qual o progresso é sinônimo de urgência. Não há tempo para se olhar para o passado - o futuro precisa ser construído hoje. Esse pensamento é manifestado por meio do personagem interpretado por Michael Gough, inimigo declarado da doutora e interessado somente nas terras onde o troglodita foi encontrado. O ódio do empresário em relação à criatura primitiva é o de alguém que tenta negar sua origem animal. A Polícia se mostra igualmente obtusa, determinada somente em destruir aquilo que considera perigoso, tratando Trog como um simples assassino. Quando finalmente o Exército é chamado, o problema é resolvido da única maneira que os militares são capazes de entender: destruindo tudo.
No final, o enigma de Trog - esse Kaspar Hauser da era paleolítica - é sepultado nos confins de sua caverna, aonde o pensamento reacionário, envergonhado ao fitar no espelho suas próprias fraquezas primitivas, prefere ocultar o passado. A objetividade intolerante do mundo moderno, em seu progresso voraz, não se importa com a investigação científica e é ela - a Ciência - a maior derrotada da história.
Dama para sempre
Dama para sempre
A princípio pode nem parecer um filme de Joan Crawford, mas basta a estrela surgir em cena para que ela o transforme num filme seu. Miss Crawford mantém o estilo elegante e glamuroso e não repete figurinos ao longo de todo o filme, seja usando um macacão de mineradora, uma camisola esvoaçante ou elegantemente trajada para defender seus princípios científicos no tribunal.
Dentro do gênero horror, a atriz já fora mesquinha e dessimulada em Baby Jane e fornecera rico material para psiquiatras em Almas Mortas. Não seria exagero dizer que aqui ela poderia fazer qualquer papel: poderia ser o vilão vivido por Michael Gough; até mesmo ser o próprio Trog, e ainda assim seu desempenho seria no padrão Crawford; ou seja, entregando-se completamente à personagem.
A atriz esteve no Brasil na época da realização do filme, em 1970, mas não para promover Trog, que permaneceu inédito nos cinemas do país (só foi exibido na televisão, anos mais tarde), preterido pelos executivos da Warner por THX 1138, longa-metragem que marcou a estréia de George Lucas. Crawford visitou o país para inaugurar uma fábrica da Pepsi Cola, empresa da qual era uma das diretoras.
O elenco de apoio é cheio de atrações. Michael Gough, assim como o próprio filme, costuma ser impiedosamente malhado pela crítica, mas sua performance exagerada é tão deliciosa quanto os papéis que viveu em Horrores do Museu Negro (1959), Konga (1961) e Feras Sanguinárias (1963). Também aparecem em papéis menores Robert Hutton (O Monstro de York), David Warbeck (A Casa do Além) e a menininha Chloe Franks, que no ano seguinte aterrorizaria a vida do papai Christopher Lee no melhor episódio de A Casa Que Pingava Sangue. Trog, o homem de neandertal, é interpretado pelo ex-lutador de wrestling Joe Cornelius, usando uma máscara de primata criada por Charles Parker com restos do prólogo de 2001: Uma Odisséia no Espaço (1968), de Stanley Kubrick.
O elenco de apoio é cheio de atrações. Michael Gough, assim como o próprio filme, costuma ser impiedosamente malhado pela crítica, mas sua performance exagerada é tão deliciosa quanto os papéis que viveu em Horrores do Museu Negro (1959), Konga (1961) e Feras Sanguinárias (1963). Também aparecem em papéis menores Robert Hutton (O Monstro de York), David Warbeck (A Casa do Além) e a menininha Chloe Franks, que no ano seguinte aterrorizaria a vida do papai Christopher Lee no melhor episódio de A Casa Que Pingava Sangue. Trog, o homem de neandertal, é interpretado pelo ex-lutador de wrestling Joe Cornelius, usando uma máscara de primata criada por Charles Parker com restos do prólogo de 2001: Uma Odisséia no Espaço (1968), de Stanley Kubrick.
Freddie Francis, provavelmente o mais irregular entre os grandes realizadores de filmes de horror, assina a direção, que deixa a desejar. A produção é de Herman Cohen, famoso pelos filmes de monstros adolescentes dos anos 50, responsável também pelo filme anterior de Miss Crawford, Espetáculo de Sangue (1968). Seu estilo chocante é perfeitamente respresentado pela cena do açougueiro que Trog pendura no gancho - isso é o que na época ainda se chamava de grand guignol. O roteiro é de Aben Kandel, escritor regular das produções de Cohen, baseado num argumento de Peter Bryan e John Gilling (diretor de Os Monstros da Morgue Sinistra, A Epidemia dos Zombies e A Serpente). A montagem é de Oswald Hafenrichter, que trabalhou no Brasil na época da Vera Cruz (Caiçara, Veneno, Sinhá Moça, Luz Apagada, O Cangaceiro, Floradas na Serra) e passou os últimos anos da vida editando filmes de horror.
E a palavra final, como não poderia deixar de ser, é de Joan Crawford. Ou quase isso: interpelada por um repórter que deseja uma declaração sua após a destruição do homem-primata, Crawford apenas afasta o microfone e caminha para longe. Nada mais tinha a dizer. Foi sua despedida das telas e, como sempre acontecia, a câmera a acompanha até o último frame.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Convite à Morte (1978)
Hoje é dia de Super Bowl, o maior espetáculo esportivo da Terra! New Orleans Saints contra Indianapolis Colts. Como é...? O quê? Ah, sim... Cinéfilo odeia esportes, eu tinha esquecido. Especialmente futebol - mesmo quando a bola não é redonda. E rock’n’roll, pode? Pois tem show do The Who no intervalo, que tal? Classic rock de primeira grandeza! Errr... nem isso foi capaz de animá-lo? Então vamos voltar ao tema original deste blog e falar de um filme de horror com participação do veterano crooner desta noite.
Roger Daltrey tem uma carreira relativamente prolífica como ator, paralelamente à sua atividade como o homem que melhor faz girar microfones pelos palcos do mundo. Depois de estrelar os musicais Tommy (1975) e Lisztomania (1975) e antes de McVicar (1980), Daltrey fez uma pequena, porém enfática, participação no filme de horror Convite à Morte, em 1978. O ator-cantor posteriormente apareceria em outros filmes do gênero, como Vampirella (1996), uma produção de baixo orçamento baseada na curvilínea musa dos quadrinhos, e Príncipe das Trevas: A Verdadeira História de Drácula (2000), um drama histórico sobre Vlad Tepes, o tirano da Valáquia. Daltrey ainda interpretou um Diabo pop na série de TV Strange Frequency (2001), uma curiosa mistura de rock e horror.
A presença de Roger Daltrey em Convite à Morte (The Legacy), não obstante, é como touchdown no jogo de hoje: um mero detalhe. Ele basicamente interpreta a si próprio, um extravagante astro pop que sofre uma das mortes mais indignas já vistas num filme de horror: engasgado com comida. Katharine Ross e Sam Elliott - casados na vida real - são os verdadeiros astros do filme. Ela faz o papel de uma arquiteta americana contratada para um misterioso trabalho na Inglaterra, para onde ambos partem durante os créditos de abertura. Gosto muito do Sam Elliott (bem mais do que de Katharine, que parece sempre preocupada com algo), mas aqui ele definitivamente estraga o clima do filme com sua permanente cara de safado (ele parece o Harry Reems, de Garganta Profunda, em versão mais carismática).
Seguindo a tradição dos filmes ingleses de horror e mistério, praticamente toda a ação acontece numa suntuosa mansão, repleta de convidados extravagantes. Convite à Morte tem todos os elementos necessários para ser um baita clássico do horror setentista, com o argumento de Jimmy Sangster combinando conspiração satânica e um punhado de mortes sádicas e absurdamente inventivas - incluindo uma moça que se afoga na piscina quando fica presa numa barreira invisível e uma mulher que tem o corpo todo perfurado por estilhaços de um espelho. Tem até uma freira que se transforma em gato. Para sabotar tudo isso, temos o banal Richard Marquand (O Retorno de Jedi) cuidando da direção, imprimindo um inadequado ritmo de aventura e uma atmosfera de distante casualidade. Quanto à interação entre personagens, suspeitos e vítimas, ainda que peculiares, são tão superficiais quanto os peões do jogo de tabuleiro Detetive. A trilha sonora é outro grave equívoco, incluindo uma indigesta canção estilo balada discothèque, cantada por Kiki Dee, que acaba com qualquer resquício de seriedade. Ah, falando em música, já comentei que hoje tem show do The Who?!
ATUALIZAÇÃO: aí está o vídeo do The Who no Super Bowl. No mínimo, o melhor pocket-show do ano. Atenção para os raios laser: aparentemente é o mesmo equipamento que a banda emprestou para Ridley Scott usar no filme Alien, o 8º Passageiro (1979), na cena em que os astronautas descobrem os ovos alienígenas.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
O Casarão da Morte Negra (1966)
Fiquei devendo o comentário de mais um filme do Lon Chaney Jr., e mesmo que ninguém tenha cobrado, vou cumprir a promessa. Eu ia rever o mexicano La Casa del Terror (1960), um dos muitos filmes ruins de Lon Jr., mas decidi ver este raríssimo House of the Black Death (1966), exibido na TV brasileira como O Casarão da Morte Negra. Lon sem dúvida merece muito seu lugar entre os grandes nomes do cinema de horror, mas sua vida e carreira são um tanto trágicas demais. Depois do brilhareco efêmero como o lobisomem Lawrence Talbot nos filmes da Universal na década de 1940 e os exemplares da deliciosa cinessérie Inner Sanctum, sua carreira foi ladeira abaixo a partir do começo dos anos 1950. Chaney se tornou alcóolatra - alguns dizem que ele pegou gosto pela bebida durante as intermináveis sessões de maquiagem que tinha que enfrentar para virar monstro - e não são raras as ocasiões em que ele parece bêbado em cena. Um exemplo clássico disso é sua famigerada atuação na versão para a TV de Frankenstein.
O satanismo estava em alta quando O Casarão da Morte Negra foi realizado, mas isso não quer dizer que qualquer dos envolvidos necessariamente saiba o que está fazendo. Muito pelo contrário; é o tipo mais cafona de satanismo, com discípulos encapuzados e sacerdotisas clamando “Oh, Satanus!” com toda a pompa durante patéticos rituais de magia negra. Diante do desastre iminente, só nos resta curtir a desavergonhada exploração de belas senhoritas em danças sensuais. Nisso o filme acerta em cheio, e se hoje O Casarão da Morte Negra é uma espécie de cult movie, isso se deve muito mais à dança exótica da britânica Sabrina do que pelas presenças de Lon Chaney Jr. e John Carradine. Confira no vídeo abaixo o que o filme tem de melhor a oferecer.
A produção é de uma miséria flagrante e aparentemente o filme ficou engavetado até 1975, quando foi exibido na televisão estadunidense. O desempenho dos dois grandes veteranos do horror - que nunca aparecem em cena juntos - é risível mesmo em comparação ao baixo padrão que já haviam estabelecido à essa altura de suas respectivas carreiras. Lon Chaney Jr. ostenta uma barriga indecente e um ridículo par de chifres diabólicos, no papel de Belial DeSade, o líder dos satanistas, protagonizando os momentos mais constrangedores. John Carradine, surpreendentemente contido, é pouco aproveitado, o que lhe poupa de um bocado de embaraços. A trama é sobre um casal de doutores que chega a um vilarejo assolado por adoradores de Satã, onde o clássico confronto entre razão e superstição se interpõe às mortes misteriosas que ocorrem na região, atribuídas a um lobisomem. Maldições de família e um duelo entre feiticeiros rivais também são jogados no caldeirão desta indigesta produção de baixa qualidade.
Harold Daniels, realizador de carreira modesta, é o único diretor creditado, mas Reginald Le Borg e Jerry Warren (este sim, indubitavelmente, é o pior cineasta do mundo) também contribuiram com algumas cenas. O resultado final é uma colcha de retalhos que nunca convence, misturando indiscriminadamente lobisomens e culto satânico. Resumindo, uma confusão dos diabos!
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
domingo, 24 de janeiro de 2010
Enquete: Paul Naschy
O ator, diretor e roteirista espanhol Paul Naschy (Jacinto Molina) recebeu quase metade dos votos dos leitores deste blog e ficou em primeiro lugar na enquete “Qual foi a perda mais lamentável do cinema de horror em 2009?”, com 11 cliques. Naschy é tido como o responsável pelo surgimento do cinema de horror em seu país e ficou conhecido principalmente pelo personagem do conde lobisomem Waldemar Daninsky, mas viveu vários outros personagens horroríficos em cerca de 40 anos de carreira. Recentemente participou de Um Lobisomem na Amazônia (2005), de Ivan Cardoso, no papel de Dr. Moreau, e seu último trabalho se chama La Herencia Valdemar, filme baseado na obra de H.P. Lovecraft que estreou sexta-feira na Espanha (confira o trailer abaixo).
O roteirista e diretor Dan O’Bannon (Alien, o 8º Passageiro, A Volta dos Mortos-Vivos) recebeu 5 votos e também foi uma morte muito sentida (seu relato do processo de criação do roteiro de Alien, disponível nos extras da coleção em DVD, é emocionante). Edward Woodward (O Homem de Palha) teve 3 votos, seguido por Robert Quarry (Conde Yorga, Vampiro) e David Carradine (Q, a Serpente Alada), com 2 votos cada. Karl Malden (O Gato de Nove Caudas) teve 1 voto. Não foram votados Edmund Purdom (ator, Fracchia contro Dracula), Ray Dennis Steckler (diretor, The Incredibly Strange Creatures Who Stopped Living and Became Mixed-Up Zombies!!?), Susanna Foster (atriz, O Fantasma da Ópera), Harry Alan Towers (produtor da série Fu Manchu e de diversos filmes de Jesus Franco), Richard Todd (ator, O Retrato de Dorian Gray, A Mansão da Meia-Noite) e Chas Balun (jornalista e crítico especializado em filmes de horror, principalmente os mais brutais e violentos).
sábado, 16 de janeiro de 2010
Halloween II (2009)
Se quisermos analisar com seriedade e cuidado um filme como Halloween II (2009), antes de mais nada temos que nos questionar com o quanto de frescor e imparcialidade conseguimos ver um filme como esse - ou qualquer filme, de fato. É preciso não apenas nos livrarmos de quaisquer conceitos pré-estabelecidos do que seria - neste caso específico - um segundo capítulo da já bastante popular franquia do psicopata Michael Myers, mas acima de tudo nos despirmos o máximo possível da mania de querermos ver um filme do ponto de vista daquilo que gostaríamos que ele fosse, e não de como ele objetivamente é. Muitos textos que leio sobre filmes recentes são pouco instigantes, porque o autor se preocupa demais com o fator “gostei/não gostei”, e menos em tentar esmiuçar o que o filme é de fato, sobre os temas que ele trata e em que níveis isso acontece. Peço licença para ter essa pretensão ao falar de Halloween II.
Para começar, um pouco sobre o que achei do primeiro Halloween (2007) e dos demais filmes dirigidos por Rob Zombie. Apesar de tecnicamente bem feito e com algumas cenas violentas realizadas com talento, a refilmagem de Halloween comete o erro imperdoável de tentar justificar a psicopatia de Michael Myers, atribuindo sua maldade e deformidade de caráter ao meio ambiente decadente onde o menino vive: pai alcoólatra, mãe prostituta, vizinhança pobre... Um amontoado de clichês que violentaram e desrespeitaram a obra-prima de John Carpenter (o filme original de 1978, aposto que todo mundo viu...), cuja força reside justamente no fato de que não há explicação para aquilo em que se tranforma o pequeno Michael. Carpenter levou o horror ao último refúgio do sonho americano: os bucólicos subúrbios da classe média, com suas ruas arborizadas e vizinhança pacata. Michael Myers é uma pessoa tão normal que Carpenter se dá ao luxo de iniciar o filme com a visão subjetiva do assassino; é alguém tão comum que nós mesmos nos sentimos em seu lugar. E isso é perturbador.
Depois de uma bem-sucedida carreira no rock pesado, Rob Zombie decidiu partir para a carreira de cineasta, especificamente como diretor de filmes de horror. Seus primeiros filmes são tão anárquicos quanto imperfeitos: A Casa dos 1000 Corpos (2003) e Rejeitados pelo Diabo (2005) exalam a irresponsabilidade de quem cresceu influenciado pelo horror apocalíptico da década de 1970, mas não são para todos os gostos. Ainda que seja exagero afirmar que Zombie esteja se tornando um sujeito mais tradicional, há uma sensível e incontestável diferença entre seus primeiros filmes e os dois Halloween. Isso fica mais evidente no caso de Halloween II, no qual Zombie inclusive parece disposto a refletir sobre o impacto social do culto aos anti-heróis, coisa tão comum no caso de slashers.
Delírios de um cara quase normal
Depois de fazer dois filmes doidões, nos quais sacrificou lógica, bom-senso e bom-mocismo em favor de estilo, desenvolvimento de personagens e muita cara-de-pau, Zombie teve que aderir a um formato mais convencional de cinema. Seu desafio é exprimir nos filmes o que fazia na música: ainda que brutal, violento e agressivo ao extremo, era capaz de acrescentar um pouco de ginga, de melodia, de ritmo. O heavy metal com batida dançante e camadas intensas de som eletrônico fez com que a música de sua banda White Zombie - e, depois, de Rob Zombie em carreira-solo - rompesse os limites do público metaleiro e ele se tornasse popular também em meio a um público pouco familiarizado com o rock pesado. Mesmo com sua voz gutural e o visual de homem-das-cavernas, Rob até virou uma espécie de sex symbol para mocinhas mal-comportadas. A questão é se Rob é ou não capaz de traduzir isso em uma arte muito mais complexa e menos abstrata: o cinema.
Halloween II mostra um Rob Zombie que começa a amadurer como cineasta e aos poucos demonstra que tem algo próprio a oferecer. Não obstante a obrigatoriedade de seguir a mitologia de Michael Myers - que rendera sete longas antes de ter seu reboot em 2007 - ele é capaz de contar uma história renovada, com elementos complexos que enriquecem a franquia e abrem um leque de possibilidades interessantes para o futuro.
A sequência de abertura é o momento mais poderoso do filme, com 25 minutos de uma verdadeira orgia de suspense e mortes violentas, tendo como principal cenário um hospital numa noite de chuva torrencial, no qual o horror reinicia para a azarada Laurie Strode (Scout Taylor-Compton), nossa protagonista. A cena toda é embalada por uma onírica e onipresente “Nights In White Satin”, assombrosa balada do grupo The Moody Blues, estabelecendo uma referência musical ao fantasma todo de branco da mãe de Michael Myers, tema que domina o filme e explica as motivações do assassino. A canção é belíssima e, para quem quiser conhecer, inseri abaixo o vídeo que é usado no próprio filme.
A premissa segue a cartilha da série: Michael Myers, transformado num homicida praticamente indestrutível, retorna à cidadezinha de Haddonfield em plena noite de Halloween para atormentar a vida da pobre Laurie Strode e de quaisquer desavisados que cruzarem seu caminho. Porém, quem espera apenas mais um banho de sangue obtuso, o filme surpreende ao humanizar seus personagens, sejam eles vítimas ou vilões. É uma verdadeira carnificina, não se engane, um slasher com todos os seus elementos indispensáveis, mas não há como não se comover com algumas das mortes. O elenco também é excepcional, com Brad Dourif no difícil papel de um xerife perturbado pelos fatos ocorridos no filme anterior. Surpreende também o Dr. Sam Loomis interpretado por Malcolm McDowell. Ao contrário do abnegado e obcecado psiquiatra interpretado com brilhantismo por Donald Pleasence nos filmes originais, McDowell encarna um sujeito oportunista e mau-caráter, que tira proveito de toda a tragédia envolvendo os crimes e escreve um livro no qual revela segredos da vida de todos os envolvidos. O lançamento do livro acontece em pleno 31 de outubro, dia de Halloween. A atuação de McDowell, como sempre, é notável, mantendo o filme em alto nível.
No entanto, para poder se apreciar plenamente um filme como Halloween II, é preciso aprender a conviver com as contradições de seu autor. Rob Zombie é um típico subproduto da cultura pop americana, muito similar a Stephen King: ambos recheiam suas obras de referências diretas aos seus ídolos, puramente pelo prazer do tributo, e não se constrangem em replicar trechos de obras famosas como forma de “homenagem” ou “citação” (claro, Tarantino faz a mesma coisa e todo mundo acha o máximo). Porém, devemos reconhecer que quando Zombie usa “Freebird” no clímax de Rejeitados pelo Diabo, ele ajuda a nova geração de espectadores a aprender que isso é essencialmente uma música, um dos grandes clássicos da cultura popular do século passado, e não apenas a fase do boss no Guitar Hero (a propósito, se interessar a alguém, Rob Zombie participa do disco de estúdio mais recente do Lynyrd Skynyrd, que aliás é muito bom). Ou seja, ao recusar a armadilha fácil da auto-indulgência, ele compõe um mosaico rico em referências e contribui no resgate de parte da cultura pop.
Bem-vindo ao meu pesadelo
No final, entretanto, é tudo questão de afinidade. No mundo imaginário de Rob Zombie, é comum que meninas teenagers se divirtam ouvindo “Kick Out The Jams”, do MC5, pendurem quadros de Alice Cooper e Charles Manson pela casa (Manson é uma das obsessões de Zombie), ou mesmo saiam dirigindo loucamente ao som de “Am I Evil”, do Diamond Head, e se fantasiem como personagens do musical The Rocky Horror Picture Show. Claro que isso tudo fala muito mais do próprio Zombie do que da personagem que ele quer mostrar (no caso, Laurie Strode), ainda que algumas letras - especialmente a de “Am I Evil” - sirvam também como importante elemento narrativo. Paradoxal, mas ao mesmo tempo revelador, acaba denunciando uma certa ansiedade por parte de Rob Zombie de preencher a tela com seus ídolos, em total descompromisso com a lógica (exceto que se disponha a interpretar tudo como um quebra-cabeça que se completa no final...).
O filme tem outros pontos positivos, como a relação complexa entre as garotas e o fracasso do tratamento psiquiátrico de Laurie, com Margot Kidder no papel da doutora. O final também é especialmente poderoso e novamente fazendo uso correto de uma canção pop, um coda adequado a um filme que busca ter vida própria ao mesmo tempo que deixa portas e janelas abertas para um eventual terceiro capítulo. A ambiguidade da tomada final é uma amostra do que Rob Zombie é capaz de criar - e, esperamos, um indício do que ele tem de melhor a oferecer futuramente.
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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
O Horrível Segredo do Dr. Renault (1942)
O que seria do cinema clássico de horror sem os cientistas loucos? Simplesmente não seria, claro. Desde os pioneiros Caligari e Mabuse, passando por Frankenstein, Phibes e Moreau, os doutores do horror e da ficção científica são personagens indispensáveis para mostrar as bobagens que o Homem é capaz de cometer quando mexe com o que não deve. Boris Karloff, Bela Lugosi, Peter Lorre, Vincent Price, Peter Cushing... todos viveram médicos memoráveis nas telas. Porém, poucos tinham o physique du rôle do cientista louco tão convincente quanto George Zucco, que interpretou tantos doutores ao longo da carreira que fica difícil imaginá-lo em qualquer outro papel.
O Horrível Segredo do Dr. Renault (Dr. Renault’s Secret), de 1942, é uma produção modesta - porém feita com competência - da Twentieth Century-Fox, na qual Zucco interpreta o cientista do título, cujo segredo envolve a transmutação de feras selvagens em seres humanos. A referência que nos vem à cabeça imediatamente é o livro A Ilha do Dr. Moreau, de H.G. Wells, adaptado algumas vezes às telas, mas o filme também se baseia em Balaoo, curta-metragem mudo francês, de 1913, com roteiro inspirado na obra de Gaston Leroux, e na refilmagem americana da mesma obra, The Wizard, de 1927.
A trama acompanha a chegada de um jovem médico novaiorquino à França, onde planeja se casar com a bela sobrinha do Dr. Renault. O médico é recebido na cidade por Noel, um criado sinistro, de poucas palavras e comportamento submisso, que o leva até a propriedade de seu patrão. Noel, nascido na ilha de Java, tem dedicação absoluta à moça, que o trata com condescendência e uma certa dose de compaixão. Ninguém sabe das experiências do Dr. Renault - claro, elas são secretas - e muito menos que Noel é cria do cientista, que o transformou de um gorila feroz num ser humano domado e obediente. Entretanto, o traumático - e mal resolvido - processo de mutação de Noel o tornou humano ao ponto de ele ser capaz de ressentir a perda de sua natureza, vivendo em constante conflito. O choque entre o instinto e o comportamento racional acaba por torná-lo violento e homicida.
Zucco tem participação destacada no papel do cientista, cuja brutalidade com a qual trata Noel acaba denunciando sua frustração diante do fracasso evidente. Porém, o veículo é todo de J. Carrol Naish, que encabeça o elenco e encarna com coragem o difícil papel do homem-símio javanês, ao mesmo tempo sensível, tímido e selvagem. Naish foi um prolífico e respeitado ator característico, com mais de duzentos créditos ao longo de quatro décadas de carreira. Por algum estranho motivo, não consigo tirar da cabeça seu impagável Dr. Daka, o deliciosamente ridículo cientista e espião japonês que interpretou no seriado Batman, de 1943. Naish encerrou a carreira no abismal Dracula vs. Frankenstein (1971), de Al Adamson, filme que tristemente também pôs um ponto final na trajetória de Lon Chaney Jr. nas telas.
A curta duração de O Horrível Segredo do Dr. Renault - com menos de uma hora - não permite que o roteiro explore todas as possibilidades da trama. Para piorar, ainda tem que lidar com personagens banais como o jovem doutor, cuja presença em cena aparentemente serve para garantir um supostamente indispensável interesse romântico. O mistério fica por conta da série de mortes inexplicadas ocorridas nas proximidades e a presença de outros personagens suspeitos.
Mesmo que não esteja entre os clássicos do horror das décadas de 1930 e 40, este filme não merece o ostracismo ao qual foi condenado, retratando um interessante embate entre criador e criatura. Não encontrei o trailer no YouTube, então digitalizei do meu DVD e inseri no site para poder exibi-lo aqui. Ganhei esse DVD do meu grande amigo Jaime Palhinha, que me presenteou com a coleção Fox Horror Classics Vol. 2, que tem ainda os filmes Chandu the Magician e Dragonwyck. Deixarei para falar do Lon Chaney Jr. mais tarde. Na próxima postagem, comentarei um filme recente, para não ficar repetitivo.
domingo, 10 de janeiro de 2010
Encarnação do Demônio (2008)
Sabadão à noite fiz uma sessão de cinema aqui em casa com meus grandes amigos Marco e Vladimir (que só ficam prometendo visitar o blog, mas nunca têm tempo...) para rever Encarnação do Demônio, filme que encerra a trilogia do Zé do Caixão. Só então me dei conta que, por mais que eu tenha conversado e dado palpites sobre o filme, nunca escrevi formalmente a respeito dele. O assunto já está caduco à esta altura, mas darei uns breves pitacos para quem ainda quiser discutir a obra.
Foi apenas a segunda vez que vi o filme em sua forma definitiva, com pouco mais de 90 minutos. A primeira foi no cinema aqui da minha cidade, sala praticamente vazia, eu e minha namorada e um sujeito perdido lá nas primeiras fileiras. Antes assisti a dois workprints na produtora Olhos de Cão, sendo o primeiro com excruciantes duas horas de duração e o segundo com cerca de 105 minutos, e uma versão quase definitiva, com trilha sonora provisória que ajudei a compilar, numa sessão privativa no Cine Sesc, em São Paulo.
Sempre fiz questão de deixar claro que não tenho qualquer interesse em fazer cinema, mas que fazia questão de participar dessa obra histórica, da melhor maneira que eu pudesse contribuir. Terei para sempre as melhores lembranças sobre o processo de criação, execução e finalização desse filme que nasceu cult e que marcará toda uma geração de aficionados pelo horror brasileiro (em especial, pelo cinema de Mojica) com o lema “eu assisti um filme de Zé do Caixão no cinema”.
O filme, vocês sabem, começa com Zé do Caixão sendo libertado de um presídio de segurança máxima depois de passar 40 anos atrás das grades, onde pagou pelas barbaridades que cometeu em À Meia-Noite Levarei Sua Alma (1964) e Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver (1967). Em sua nova morada, no meio de uma favela, Zé volta a procurar pela mulher ideal que lhe dará o filho perfeito. Contando com seu séquito de fiéis discípulos, tendo o corcunda Bruno à frente, o coveiro maldito volta a azarar a mulherada com esperanças de encontrar a escolhida. Entre baforadas de cachimbo, goles de peiote e noites mal dormidas, Zé sofre alucinações com os fantasmas de suas vítimas do passado e começa a contestar a própria sanidade.
Porém, não é só o Além que tem contas a acertar com o assassino com unhas “desse tamanho”: dois irmãos policiais (Jece Valadão e Adriano Stuart, que só contracenam graças às mágicas da edição de Paulo Sacramento) querem ver a caveira de Zé do Caixão e apelam para toda a truculência e brutalidade inerentes à sua posição de “otoridade”. Tem também um padre doido de pedra, do tipo que se autoflagela ouvindo música sacra, filho do médico queimado vivo por Zé no primeiro episódio da trilogia. Polícia e Igreja se unem contra o herege infame.
O filme tem falhas em quase todos os departamentos. O roteiro é apressado em alguns momentos e teve que ser remendado para se adequar à ausência de Jece Valadão, falecido depois de poucos dias de filmagem; as atuações são desiguais, transitando entre discreto, histérico e exagerado, e as cenas chocantes de tortura e mutilação, em sua ânsia pelo realismo extremo, cometem gafes imperdoáveis como o “carrasco” que costura a boca de uma mulher usando luvas cirúrgicas! Porém, é um filme visualmente deslumbrante, repleto de cenas de impacto e cenografia surrealista. Para mim, o que mais salta aos olhos - e é o que realmente importa - é que Encarnação do Demônio é um filme com culhões; cinema corajoso, selvagem, horror físico e metafísico, que não tem medo de colocar um septuagenário Zé do Caixão em luta corporal com seus inimigos, ao mesmo tempo em que propaga sua filosofia bestial e troca carícias com mulheres ideais. Mulheres de todas as raças e formatos, nuas e em quantidade, pois mulheres nunca são demais - e no écran nunca devem estar vestidas.
Cinema impetuoso, ousado, para poucos
O filme foi festejado de maneira praticamente unânime pela crítica - em alguns casos, com certo ar de mea culpa, de gente que cansou de implicar com o “velhinho” Mojica - e colheu troféus alhures, mas foi um absoluto fracasso comercial no mercado doméstico. Azar do zé-povinho, que lota os cineplex de shopping perfumados de pipoca amanteigada, para ver quantos Jogos Mortais os ianques imperialistas fizerem e desdenha com sorrisinho arrogante quando indagado sobre o que tem a dizer de nosso Zé. Diante disso, dá aquela vontade de que o filme fosse mais “nosso”, cinema hermético e auto-suficiente, auto-indulgente e feito para os iniciados, dando uma proverbial banana àqueles que ignoram as peripécias sessentistas de Josefel Zanatas e sua filosofia de botequim. Mais ainda: faz a gente pensar que, entre as cenas não aproveitadas, deve existir material precioso de Zé Celso e Zé Mojica visitando o purgatório dantesco, mais improvisos geniais de Adriano Stuart e muita cena de horror com sacanagem e sacanagem com horror. Cenas estas que quiçá tenham sido sacrificadas em benefício de um filme mais “redondo”.
Encarnação do Demônio não é o filho perfeito de José Mojica Marins, não chega aos pés do imponente, delirante e psicossomático Ritual dos Sádicos (1970), mas é a prova em celulóide que seu sangue tem poder e que seu legado cinemático é perpétuo. Afinal, como filosofa Zé do Caixão lá pelas tantas, “imagens não morrem”!
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
O Mistério das Duas Irmãs (2009)
Não sou daquelas pessoas que adivinham finais de filme, mas acho que já vi coisas o bastante para prever alguns truques. Em algumas raras situações saquei logo de cara a surpresa que determinados filmes reservam para o final. Foi assim com O Mistério das Duas Irmãs (The Uninvited), que se mostrou óbvio para mim desde o comecinho. Tendo em mente o truque no qual o filme sustenta sua narrativa, pude ir confirmando cada vez mais que eu estava com a razão. Porém, ao contrário de destruir o prazer de assistir ao filme, fui capaz de curtir ainda mais a maneira engenhosa com a qual a trama é conduzida. E, para pegar de surpresa mesmo os mais espertinhos (como eu), o filme ainda guarda uma reviravolta final - esta sim, imprevisível para este escriba. O Mistério das Duas Irmãs, dirigido por Charles e Thomas Guard, é o tipo de filme que vale a pena ver pelo menos duas vezes; a primeira pelo prazer da história, a segunda para ve como tudo é conduzido seguindo uma lógica própria. Acredito que um filme seja um universo fechado em si próprio. As regras que ele cria, desde o primeiro fotograma até a cena final, vale somente para a duração do filme, e é por meio desse conjunto de parâmetros que devemos julgar o desenrolar de uma trama. Nesse sentido, considero O Mistério das Duas Irmãs suficientemente honesto com aquilo que ele propõe. As atitudes dos personagens, a maneira como interagem e as decisões que tomam seguem uma lógica determinada pelo ponto de vista adotado na narrativa. Gosto muito quando um filme nos convence de que os personagens estão agindo da maneira que julgam ser a mais correta, para depois nos mostrar como estamos equivocados. Acho genial, por exemplo, a reviravolta final de O Chamado, quando Rachel (Naomi Watts) liberta o espírito de Samara, acreditando estar fazendo a coisa certa - quando, na verdade, está permitindo que o fantasma da menina cometa ainda mais malvadezas.
O Mistério das Duas Irmãs, refilmagem do sul-coreano Janghwa, Hongryeon (lançado por aqui como Medo, mas mais conhecido como A Tale of Two Sisters), é rico em personagens fazendo bobagens devido à incapacidade de raciocinar de maneira correta. Conta a história de uma garota que retorna para casa depois de se tratar numa clínica psiquiátrica, onde fez terapia para superar a perda trágica da mãe, morta num incêndio do qual a menina pouco se lembra. De volta para casa, ela passa a viver com o pai e sua nova madrasta, tendo ainda a companhia da irmã rebelde. Logo a menina se convence que a namorada de seu pai foi a causadora da tragédia que culminou no incêndio que matou sua mãe e decide investigar o passado dela. Uma série de acontecimentos assustadores levam a história a um desfecho trágico e surpreendente.
Um filme bem narrado, envolvente e dinâmico, com todos os elementos necessários para agradar tanto ao consumidor casual do gênero quanto aos aficionados por horror. Acima de tudo, um filme que consegue se sustentar mais pela história interessante do que por cenas violentas e sustos exagerados.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Passageiros da Noite (2008)
Não é de hoje que o cinema de horror tenta meter medo ao inserir o caos nas situações mais cotidianas. É a essência do gênero fazer com que o espectador passe a ter receio de atravessar a rua, atender ao telefone ou mesmo apagar a luz antes de dormir. Sentir medo sempre é bom, faz parte do instinto de sobrevivência animal, e se um filme for capaz de perturbá-lo a ponto de você ficar com ele na cabeça durante dias ou semanas ou meses, o filme cumpriu seu papel. Passageiros da Noite (Shuttle) definitivamente não é recomendado para quem costuma andar de lotação, ainda mais se for tarde da noite. A história é relativamente simples, acompanhando a noite de terror de um grupo de passageiros desavisados que acaba entrando na van errada, mas a força do filme está na maneira como as surpresas vão sendo apresentadas ao longo da trama. É o tipo de filme em que você pensa que as coisas não podem mais piorar - e elas sempre pioram. Seguindo a tendência dos filmes de violência extrema que invadiram as telas nos últimos anos, Passageiros da Noite em determinado momento induz o espectador a torcer por uma morte misericordiosa para os protagonistas - somente para então nos negar esse alívio amargo e nos abandonar desamparados diante do caos absoluto.
Duas amigas retornam de uma viagem de férias no México. A mala de uma delas é extraviada no aeroporto e as garotas acabam ficando sem condução em plena madrugada. Embaixo de uma chuva torrencial, conseguem parar uma van de lotação que passava pelo local. O motorista (Tony Curran, cujo desempenho excepcional evita que o filme se torne monótono), que já tinha um passageiro na van, aceita levar até seus respectivos destinos as duas amigas e outros dois rapazes que elas conheceram no aeroporto e que passaram a flertar com elas ao longo da noite.
Não demora para que a viagem se torne infernal: o motorista parece não conhecer o caminho, aventurando-se pela parte mais barra-pesada da cidade. As coisas se complicam quando fura um pneu da lotação e um dos rapazes sofre um grave acidente quando tentava ajudar o motorista a tirar a roda. A partir de então, o filme se empenha a mostrar algumas das maneiras mais cruéis e impiedosas de torturar física e psicologicamente os quatro jovens, com a dose indispensável de agressão ao corpo, mutilações, esquartejamentos e humilhação. Para a maioria dos espectadores, é um entretenimento inofensivo, mas o realismo com que a ação transcorre na tela, até o final pessimista e inesperado, nos faz pensar em que ponto termina a ficção e onde esbarramos na dura realidade cotidiana.
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