CRÍTICAS, ANÁLISES, IDÉIAS E FILOSOFIAS EM GERAL A RESPEITO DE FILMES DE HORROR DE TODAS AS ÉPOCAS, NACIONALIDADES E ESTILOS, E MUITAS OUTRAS COISAS RELACIONADAS AO GÊNERO

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Vinheta da mostra Horror no Cinema Brasileiro


   Vinheta de abertura da mostra Horror no Cinema Brasileiro, produzida pela Heco a partir de material bruto do filme inacabado Sentença de Deus, dirigido por José Mojica Marins entre 1955 e 1956. Não é nada assustadora, mas é muito charmosa e engraçada.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Juggernaut (1936)

   Pelos meus cálculos, Boris Karloff fez 65 filmes que podemos considerar do gênero horror, começando pelo mudo The Bells (1922), no qual encarna um hipnotizador com traços caligarianos, até as constrangedoras produções mexicanas lançadas após sua morte, ocorrida em 1969. Juggernaut, uma arrastada e enfadonha produção inglesa, é o primeiro da meia dúzia de filmes do ciclo karloffiano que pretendo assistir para completar sua filmografia (descontando alguns filmes que considero impossíveis de encontrar no momento, como The Mad Genius, de 1931). É também um dos títulos mais obscuros de sua carreira - não consegui sequer descobrir o título brasileiro, se é que foi exibido por aqui - e alguns pesquisadores até o omitem da filmografia de horror de Karloff (por pura preguiça de se informar melhor, penso eu).
   Karloff ficou (e ficará para sempre) marcado pela figura do monstro de Frankenstein, mas foi o ciclo de filmes no papel de médicos loucos que o consagraram como uma referência no cinema de horror. Desde a metade dos anos 1930 até o início da década seguinte, Karloff esteve mais às voltas com bisturis, estetoscópios e tubos de ensaio do que qualquer outra coisa. Em geral, era o médico cheio de boas intenções, no limiar de fazer uma descoberta revolucionária (a cura da paralisia ou o primeiro transplante cardíaco da história...), mas que acabava se tornando vilão ao tentar saber demais. Não cabe ao Homem contestar os desígnios divinos - este parece ser o ensinamento moralista de grande parte dos enredos clássicos de horror.
   O Dr. Sartorius de Juggernaut é um desses sujeitos com muita ambição e pouco juízo. Depois de ser obrigado a encerrar suas pesquisas em busca da cura da paralisia, devido a falta de recursos financeiros, o doutor sai do Marrocos e vai trabalhar como um simples médico na Côte d’Azur, no sul da França. Porém, sua fama o precede e ele é procurado por uma moça que sabe de seu desejo de retomar as pesquisas científicas. Ela lhe oferece uma grande quantia em dinheiro, suficiente para ele concretizar os estudos, em troca de Sartorius “cuidar” do marido dela, um velho milionário e muito doente.
   Considero Karloff um ator talentoso, com mais recursos dramáticos do que seu colega/rival mais famoso, Bela Lugosi. Porém, em Juggernaut ele vive um de seus piores desempenhos. Talvez seja culpa da incompetência de Henry Edwards na direção, pois todos no filme atuam de maneira teatral, com exageros ridículos - principalmente a mexicana Mona Goya, no papel da esposa infiel que quer dar cabo do marido para sustentar um irritante playboy viciado em jogatina. O estilo melodramático, antiquado, é típico do cinema inglês da época, anos atrasado em relação às produções americanas.
   Apesar de ser inglês, Karloff filmou pouco em seu país natal. Seu primeiro horror britânico foi The Ghoul, de 1933, lançado no Brasil em DVD numa cópia lastimável como O Zumbi (o título original brasileiro é Dragore, o Fantasma). Em resumo, Juggernaut talvez seja o pior filme de Karloff; a ruindade é tamanha que apenas reforça uma de minhas teses: a de que determinados filmes raros e obscuros só são raros e obscuros... porque são muito ruins! Acabam interessando somente a pesquisadores e completistas como eu. Se mais alguém quiser se aventurar, saiu em DVD importado e é mais um título em domínio público.
   Darei uma folga aos clássicos (para não deixar o blog repetitivo) e amanhã pretendo trazer uma surpresinha para vocês!

sábado, 2 de janeiro de 2010

Vingança Diabólica (1933)

   Continuando o mini-ciclo de pequenos clássicos de horror e mistério com Lionel Atwill, temos aqui mais uma realização modesta do ano de 1933, desta vez uma produção da Paramount, estúdio que, na época, tinha menos tradição no gênero - em comparação com Universal e Warner, por exemplo. Vingança Diabólica (Murders in the Zoo), dirigido por A. Edward Sutherland, é divertido e relativamente violento, com algumas cenas de mortes típicas dos abusos do período que antecedeu o Código Hays. O momento mais impressionante é a cena da mocinha atirada num poço de crocodilos para ser devorada viva. Devido a exageros como este, alguns anos depois os moralistas de Hollywood frearam a produção de filmes de horror. Atualmente, fitas da época conhecida como “pre-code” são muito cultuadas. Basta assistir Vingança Diabólica para entender o porquê.
   A trama é simplória, mas o suficiente para manter a ação contínua na tela: Atwill é Eric Gorman, milionário e filantropo que passa o tempo caçando animais selvagens na Indochina. Quando enche um navio de bestas-feras, ele parte de volta à América para doar a bicharada para um zoológico. Porém, nem tudo é diversão na vida de Gorman. Casado com uma bela e jovem esposa que não o ama, ele faz o possível para manter os rapazes longe da mulher. Um dos pretendentes termina amarrado e literalmente com a boca costurada, abandonado no meio da selva para ser comido por tigres. Na viagem de volta, a esposa infiel encontra-se com outro amante no navio e eles combinam se casar assim que ela conseguir o divórcio. Gorman, porém, está ciente das escapadelas da esposa e planeja eliminar o rival usando um de seus bichinhos de estimação - uma enorme cobra mamba, um dos répteis mais mortíferos do mundo.
   Obviamente, o filme é todo de Atwill, que parece mais do que à vontade no papel do vilão frio e sádico. Também é dele a melhor frase do filme. Ao ser acusado pela esposa de ter matado o amante dela, vítimado por uma misteriosa picada de cobra durante um jantar beneficente, Gorman responde sarcasticamente: “Você não acredita realmente que passei a noite toda com uma enorme cobra no bolso do paletó, não é mesmo? Isso não seria justo com meu alfaiate”.
   O ponto baixo do filme é a irritante presença do cômico Charlie Ruggles, no papel do atrapalhado assessor de imprensa do zoológico. Alívios cômicos como esse são comuns nos filmes de horror dessa época - e quase sempre estragam a diversão, como acontece também com o fetichista Mad Love (1935), estrelado por Peter Lorre. O papel de herói de Vingança Diabólica coube a um muito jovem Randolph Scott, em comecinho de carreira. O futuro astro do faroeste interpreta um cientista que passa o filme todo pesquisando um antídoto para o veneno da cobra mamba, o que torna o final mais do que previsível.
   O filme é dirigido de maneira leve por Sutherland, mais conhecido por suas comédias, especialmente pela parceria com W.C. Fields. Ele começou a carreira como ator e foi um dos Keystone Kops originais das populares comédias mudas. Foi assistente de Charlie Chaplin e flertou apenas brevemente com o cinema fantástico, dirigindo a comédia de ficção científica The Invisible Woman (1940). Típico de uma produção rasteira, o filme tem gafes inaceitáveis, como quando Ruggles erra uma frase e descaradamente repete a fala, mas consegue divertir mesmo nos dias de hoje. Saiu em DVD importado e não é difícil de ser encontrado pelas ondas da rede.
   Por enquanto, basta de Lionel Atwill! Se tudo correr bem, amanhã falaremos um pouco sobre um dos filmes mais obscuros de Boris Karloff.

The Sphinx (1933)

   O primeiro filme que vi em 2010 é um modesto melodrama de mistério produzido pela Monogram em 1933. A Monogram foi o mais miserável de todos os miseráveis estúdios de Hollywood, mas seus filmes têm um charme irresistível, com tramas tão absurdas que beiram o surreal. Geralmente, os filmes da Monogram se resolvem praticamente na conversa - pouquíssima ação, absoluta pobreza visual e personagens quase caricaturais. The Sphinx, dirigido por Phil Rosen - responsável por vários títulos do ciclo do detetive Charlie Chan - é um desses casos, tendo como único trunfo no enredo um suspeito de assassinato que prova sua inocência no tribunal por ser surdo-mudo. O papel é de Lionel Atwill, vilão do segundo escalão do primeiro grande ciclo de filmes de horror de Hollywood. A única testemunha do crime é o faxineiro do prédio onde foi encontrada a vítima mais recente, um corretor de ações da bolsa de valores que foi estrangulado dentro de seu próprio escritório. Depois de perpetrar o crime, o homicida sai tranquilamente do prédio, pede fogo para acender o charuto e pergunta as horas ao faxineiro, que logo em seguida encontra um corpo estendido no chão.
   É o quarto crime cometido com as mesmas características em apenas um mês e a polícia não tem pista alguma do suspeito. Porém, claro, como em quase todos os filmes de horror/mistério desse período, há um intrépido repórter determinado a fazer o serviço que a polícia é incapaz de fazer. Sem muita explicação lógica, o sujeito decide investigar os crimes e tem certeza de que o criminoso é mesmo o tal surdo-mudo, um respeitado cavalheiro que surge na história apenas e tão-somente como suspeito - e nós, espectadores, somos convencidos de que só ele pode ser o assassino, pois é ele, e ninguém mais, quem sai da cena do crime após cada assassinato. Há um falatório de que ele é um milionário muito respeitado, mas nada fica muito claro. O mistério é frágil, a tensão é praticamente nula e a solução do enigma é tão óbvia quanto decepcionante: existem dois sujeitos, o surdo-mudo que senta no banco dos réus e seu irmão gêmeo, o estrangulador.
   É curioso observar que as vítimas do assassino são corretores de ações, poucos anos depois da Grande Depressão que quebrou a bolsa de valores em 1929, e cujos efeitos devastadores ainda eram sentidos pelo povo estadunidense. O filme talvez fosse mais envolvente se tivesse vítimas menos detestáveis; afinal, quem sentiria a falta de um corretor?? Lionel Atwill, que na mesma época aterrorizou a encantadora Fay Wray em Doctor X, The Vampire Bat e Mystery of the Wax Museum, apareceu em duas dúzias de filmes de horror até 1946, ano de sua morte, quase sempre como coadjuvante. O filme é todo dele, com um desempenho bastante sutil, pois passa a maior parte do filme calado. Mas seu sorrisinho inocente chega a ser ridículo às vezes.Assisti a esse filme como parte do ciclo dos grandes astros do horror mundial que estou realizando. É verdade que Atwill está longe de ser assim tão “grande”, mas não existem muitos astros de cinema identificados com o horror, então ele merece seu espaço. Não sei se o filme é inédito no Brasil; imagino que tenha sido exibido na televisão lá pelos anos 60 ou 70. Está disponível em DVD importado e circula pela internet em cópia de domínio público, portanto não é nada difícil de encontrar. A ilustração desse post é uma edição da revista Filmfax, a única publicação do mundo capaz de estampar Lionel Atwill na capa!

O início do horror...


   Depois de adiar por alguns anos, finalmente me rendi à idéia de ter um blog sobre cinema. Resisti o quanto pude, principalmente devido à preguiça e desorganização geral, mas acho que não tem como viver e respirar cinema (essencialmente filmes de horror) e não compartilhar algumas impressões via internet. Se alguém vai ler, só os posts futuros dirão, mas vamos dar início à brincadeira e ver o que rola...
   Decidi escrever somente sobre os filmes que vejo no dia, assim nem perco tempo pensando sobre o que escrever. Portanto, será uma trajetória errática, porém bastante fiel do que passa pela minha cabeça a cada novo filme que assisto. Então, vamos começar a tocar o horror em 2010...
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