CRÍTICAS, ANÁLISES, IDÉIAS E FILOSOFIAS EM GERAL A RESPEITO DE FILMES DE HORROR DE TODAS AS ÉPOCAS, NACIONALIDADES E ESTILOS, E MUITAS OUTRAS COISAS RELACIONADAS AO GÊNERO

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Lançamento do filme A Sina do Aventureiro em DVD

   O faroeste A Sina do Aventureiro, primeiro filme dirigido por José Mojica Marins, entre 1957 e 58, chega ao formato DVD num lançamento independente produzido por Marcelo Colaiacovo. O lançamento acontecerá amanhã, dia 10 de junho, a partir das 19h30, na Saraiva Megastore do Center Norte, shopping localizado na Travessa Casalbuono, 120, na Vila Guilherme, em São Paulo.
   Mojica estará presente para participar de um bate-papo com seus admiradores e contar curiosidades sobre o filme - realizado no pioneiro sistema GiganTela, um CinemaScope improvisado usando uma lente de projeção usada como lente de filmagem (ou qualquer coisa parecida com isso...) - e de toda a sua carreira artística de mais de meio século. Uma oportunidade imperdível para ver de perto o maior nome do nosso cinema de gênero, um mestre no horror e também no faroeste.

ATUALIZAÇÃO: Acabei de voltar da aventura de acompanhar mais um evento em torno de nosso imortal Mojica. Fiquei meio em dúvida se devia ou não ir, por conta de todos os compromissos atrasados, mas como ando muito preguiçoso, achei que era uma maneira de criar vergonha na cara e sair de casa. O início da jornada foi como toda introdução à Paulicéia Desvairada: uma viagem de 45 minutos que durou quase duas horas, por conta do trânsito falido da metrópole. Logo que chego ao Center Norte, não foi nada difícil encontrar o Mojica: ele era o senhor que uma mãe apontava a uma menininha de uns 5 anos, dizendo “Você viu o Zé do Caixão sentado ali?!”. Avistei a trupe na mesa de uma lanchonete e fui me juntar ao pessoal. Só quem já passeou com o Mojica em lugares públicos pode ter uma idéia do quanto ele é popular!
   Foi divertido ver o Mojica improvisar suas idéias - bem doidas, como sempre - acerca da beleza e feminilidade da mulher brasileira (“exceto as lésbicas e bissexuais!”), sobre o tratamento mais adequado aos estupradores (falando sobre sua nova obra, Corpo Seco) e a perseguição política e religiosa que sempre sofreu das autoridades, desde seu primeiro longa-metragem. Isso tudo e ainda apontando seus filmes prediletos de todos os tempos: O Bebê de Rosemary e ...E o Vento Levou.
   Foi bom demais encontrar velhos e novos amigos como Gio Mendes, Valter Noronha, Luiz Gonzaga dos Santos (diretor de Patty, Mulher Proibida e uma pessoa amável), o grande Virgílio Roveda (câmera e fotógrafo de muitos filmes do Mojica) e os donos da festa, Marcelo Colaiacovo, Tor e a galera dos Zumbis do Espaço. Também tive o prazer de rever meu parceiro de sempre Cid Vale Ferreira, que considero como um irmão mais novo e cujo bate-papo pós-evento foi apenas um trailer de nossas conversas megaprodutivas. Saudades demais disso tudo!
   Agora falando do que interessa a todos: a edição do DVD é primorosa, com embalagem digipak e arte da capa restaurando o cartaz original. Melhor ainda: a edição limitada para colecionador traz de brinde alguns fotogramas originais do filme Delírios de um Anormal, cortados diretamente da película, para o fã do diretor ter na coleção literalmente um pedaço da obra do mestre.
   Por enquanto é segredo (então não espalhem!), mas Colaiacovo planeja continuar resgatando os filmes mais raros de Mojica e trazê-los pela primeira vez ao formato digital. Portanto, vale muito a pena prestigiar esse projeto e investir seus trocados em A Sina do Aventureiro, que custa R$ 32,90 na Saraiva, para que outros tantos venham preencher essa lamentável lacuna nas nossas prateleiras e na história do cinema nacional.
   Dia 18 de junho será realizado outro evento, desta vez para lançar o DVD na Livraria Cultura do Shopping Bourbon, no bairro da Pompéia, em São Paulo, então quem perdeu este ainda tem uma oportunidade de se redimir.

Silly Symphony: The Skeleton Dance (1929)

segunda-feira, 7 de junho de 2010

A Noite do Chupacabras: primeiras fotos

   “Cara, tá ficando mais lindo do que o Mangue Negro!”. São palavras de um empolgado Rodrigo Aragão, depois de vários dias embrenhado na mata capixaba para filmar A Noite do Chupacabras. O filme deve ficar pronto em 2011 e será o segundo longa-metragem de Aragão, que garante que a produção está muito mais organizada do que sua realização anterior, desta vez com equipamento de melhor qualidade e alguns luxos que não tinha à disposição para o Mangue Negro, como iluminação adequada, gelatinas e um diretor de fotografia profissional.


   Estas são algumas das primeiras fotos do filme divulgadas por Rodrigo Aragão, mostrando basicamente o bucólico cenário onde deve transcorrer a ação do filme e a galeria de personagens. Na foto acima vemos Alzir Vaillant, Kika Oliveira (a Rachel de Mangue Negro) e Ricardo Araújo. O diretor por enquanto prefere fazer segredo quanto à aparência da criatura (interpretada por Walderrama dos Santos, o anti-herói de Mangue Negro), que ele garante ser sua mais ousada realização - foi a primeira vez que construiu um monstro de corpo inteiro - mas podemos ver, entre estas fotos, o resultado do ataque do Chupacabras. A última foto tem Joel Caetano, o herói do filme, ao lado da simpática Mayra Alarcón, namorada de Aragão e eventual heroína da trama. Você pode ler um pouco mais sobre os bastidores da produção no blog da Recurso Zero Produções.

Tom & Jerry: Fraidy Cat (1942)

sábado, 5 de junho de 2010

Quem Tem Medo da Verdade? (1970): Grande Otelo


   Quem viu O Despertar da Besta (ou Ritual dos Sádicos), a obra-prima metalinguística realizada em 1970 por José Mojica Marins, certamente se lembra do trecho no qual aparece o cineasta sendo julgado no programa de TV Quem Tem Medo da Verdade?, um autêntico lixo televisivo que nos faz pensar duas vezes antes de dizer que temos saudades dos “bons tempos” da televisão, ou que o sensacionalismo invadiu as telinhas brasileiras apenas recentemente.
   O programa foi ao ar entre os anos de 1968 e 1971, exibido pela TV Record, e tinha como proposta a presunção de julgar ‘culpada’ ou ‘inocente’ alguma figura pública notória, acusando o sujeito dos mais absurdos crimes (que iam da irresponsabilidade social ao alcoolismo ou simplesmente um subjetivo mau gosto). Um júri de celebridades era convidado a cada programa para dar o veredito final, entre eles a figura odiável de Sílvio Luiz, que funcionava como o provocador oficial do programa, tendo como única missão ofender e agredir verbalmente os convidados. Resumindo, alguém que assumia seu péssimo caráter, um instrumento que se sujeitava ao sensacionalismo barato neste veículo concebido única e exclusivamente para dar audiência.
   O programa era produzido e dirigido por Carlos Manga, que era também o apresentador, na posição patética de presidente do júri. Ultrajante, humilhante e inaceitável, Quem Tem Medo da Verdade? infelizmente serviu de escola para todo o lixo que invade a televisão nos dias de hoje, descendo ao nível de programas como o de Luciana Gimenez e outros que afortunadamente sequer sei da existência.


   O episódio postado aqui coloca no banco dos réus ninguém menos do que Grande Otelo, que durante mais de duas horas foi esculhambado publicamente, acusado de alcoolismo e de ter sido negligente com seus compromissos profissionais e sociais, inclusive de ter agredido homens e mulheres devido ao seu vício. No júri estão celebridades como o atleta Adhemar Ferreira da Silva e o compositor Adoniran Barbosa, além de Clécio Ribeiro e Paulo Azevedo, que fazem companhia a Sílvio Luiz no papel de ofender o convidado, o suposto ‘réu’, num desavergonhado festival de hipocrisia.
   Grande Otelo teve a defesa realizada pelo diretor José Carlos Burle, um dos grandes nomes do cinema brasileiro, fundador da companhia Atlântida e realizador de Moleque Tião (1943), filme - hoje considerado perdido - que marcou a estréia de Grande Otelo como protagonista nas telas. Mesmo diante da brilhante defesa de Burle, que destaca o valor de Otelo como artista acima de tudo, o ator foi condenado por seis votos a dois. Talvez seja melhor não levar tão a sério toda essa idiotice e ficar com a inspirada frase final de Adoniran Barbosa ao defender o colega de copo: “Absolvo porque ele é um grande artista e um grande amigo meu e daqui a pouco nós vamos sair por aí tomar umas e outras juntos”.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Dr. Pyckle and Mr. Pride (1925)


   Deliciosa paródia de O Médico e o Monstro com Stan Laurel em seus momentos mais hilariantes. As traquinagens Mr. Pride, assoprando uma língua-de-sogra e lambendo desafiadoramente uma bola de sorvete, são exemplos perfeitos da genialidade nonsense do cinema mudo. A cena da transformação, uma pantomima com todos os exageros possíveis, é uma paródia da versão séria estrelada por John Barrymore cinco anos antes. Um verdadeiro tesouro fílmico! Clique aqui para baixar esse filme em versão DivX.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Buster Keaton: The Haunted House (1921)

Enquete: formatos prediletos de entretenimento de horror

   A enquete sobre a preferência dos leitores deste blog nos diversos formatos de entretenimento de horror terminou com 21 participantes, sendo que 19 votaram em Cinema, totalizando 90% da preferência. Literatura e Quadrinhos, que de certa maneira se completam, vieram a seguir, com 11 votos cada (52%). As demais mídias foram votadas desta maneira, em ordem decrescente: Televisão (42%), Brinquedos (38%), Jogos e Colecionáveis (23%), Teatro (9%) e Música e Rádio (com apenas um voto para cada item, representando míseros 4%).
   A pesquisa tem relação com um novo dispositivo que planejo acrescentar ao blog tão logo seja possível, porém no momento estou completamente sem tempo para me dedicar mais ativamente a este espaço. Os meses de junho e julho serão intensos e turbulentos, com compromissos urgentes se atropelando, mas prometo para breve trazer novidades para os visitantes que prestigiam este espaço. Basta um pouco de incentivo e aquela forcinha amiga que as coisas acontecem, e acima de tudo, que não me abandonem!

terça-feira, 1 de junho de 2010

Motion Picture Comics: When Worlds Collide (1952)

   Não é de hoje que o cinema tem procurado maneiras criativas de destruir o mundo. O cinema apocalíptico existe pelo menos desde a década de 1950, quando os filmes de ficção científica invadiram as telas sem pedir licença. Uma das realizações mais espetaculares deste período foi When Worlds Collide, produção de George Pal com direção de Rudolph Maté, lançada em agosto de 1951 e exibida no Brasil com o eloquente título O Fim do Mundo. O filme, no geral, tem um clima leve, de diversão descompromissada, tendo como principal vedete os espetaculares efeitos visuais, premiado com o Oscar da categoria na ocasião.


   Esta adaptação em quadrinhos da história do filme foi editada em maio de 1952, no número 110 da revista Motion Picture Comics. Curiosamente, a HQ recria a trama de maneira bastante liberal em termos visuais, sem se preocupar em reproduzir os ângulos e enquadramentos do longa-metragem, mas segue o roteiro fielmente. A refilmagem de When Worlds Collide, com direção do indefectível Stephen Sommers, está em fase de pré-produção pela DreamWorks, programada para chegar às telas em 2012 - ano em que, para todos os efeitos, o mundo vai acabar de qualquer maneira, então não faz muita diferença.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Cayman: Frankenstein, Drácula, Zé do Caixão e cia.

   Mais um pouco da arte do Cayman. Estas ilustrações são para um projeto ambicioso que nosso amigo desenhista está desenvolvendo há alguns anos. Na primeira imagem, é este normalmente pacato escriba quem aparece ao centro, com cara de mau e pose de “mexeu comigo, mexeu com meus amigos atrás de mim”. Os amigos em questão são ninguém menos do que Ted Cassidy como o monstro de Frankenstein e Christopher Lee como Conde Drácula, na versão Jesús Franco. Na segunda imagem, uma merecida homenagem ao horror brasileiro, colocando Zé do Caixão na companhia de uma loba sensual e mortal. Finalmente, o alter-ego do próprio Cayman é representado na terceira imagem, um Cavaleiro Negro armado no melhor estilo spaghetti-western. Contando com uma providencial ajuda do sobrenatural, vamos aguardar que essa obra ambiciosa de nosso imaginativo amigo veja a luz... ou as trevas!

terça-feira, 25 de maio de 2010

Seleção do horror: pôster do campeão


   Aqui está o que faltava: o exclusivo pôster de campeão da nossa seleção de craques do cinema de horror. A eleição, com participação de dezenas de leitores-técnicos, escolheu nosso escrete dos 11 astros mais queridos dos filmes de horror (na verdade, um 12º nome se infiltrou na nossa lista e foi prontamente escalado como o mascote do time: obviamente um Corvo!).
   A arte é uma gentileza de nosso querido amigo Cayman, que dedicou muitas horas para retratar nossos 11... ops, quero dizer, 12 heróis das telas. Também foi idéia do Cayman me colocar como técnico da seleção, devidamente trajado de Morte, e me senti honrado de ter esse time na ponta da minha foice. Comigo em cena, somos 13, o que é um sinal de mau agouro... para os adversários, claro!
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