quarta-feira, 4 de agosto de 2010
terça-feira, 3 de agosto de 2010
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
domingo, 1 de agosto de 2010
Houdini: The Movie Star
Harry Houdini (1874-1926) foi o maior dos escapistas e ilusionistas, famoso mundialmente por suas fugas quase impossíveis de camisas de força, correntes com cadeado e tanques cheios d’água infestados de tubarões famintos (essa parte do tubarão eu inventei, mas o resto é verdade!). O que pouca gente sabe é que Houdini também foi astro de cinema, chegando a protagonizar um seriado e filmes de aventura, mistério e ficção científica, nos quais desempenha seus consagrados números de escapismo. Essa curiosíssima faceta de Houdini foi devidamente resgatada na coleção Houdini: The Movie Star, lançada pela Kino, um luxuoso box com três DVDs trazendo a obra cinematográfica completa do mestre de todos os ilusionistas. A caixa é formada pelo seriado The Master Mystery (1920) e os filmes Terror Island (1920), The Man from Beyond (1922) e Haldane of the Secret Service (1923), além de extras valiosíssimos.
Houdini, nascido Ehrich Weiss no Império Áustro-Húngaro (atual Hungria), também fez carreira desmascarando falsos médiuns e demais pessoas que alegavam possuir poderes sobrenaturais. Morreu na noite de Halloween de 1926.
Durante toda esta semana, publicarei aqui no blog o seriado mudo The Master Mystery, que foi recentemente restaurado e remontado para se aproximar de seu formato original (algumas cenas se perderam ao longo das décadas, mas tem diversão suficiente para entreter os cinéfilos que ficarem ligados: a série toda tem 238 minutos!). Na agitada trama, Houdini interpreta um agente especial que enfrenta um robô destruidor, na primeira aparição nas telas de um autômato feito de lata. Uma preciosidade fílmica também para os aficionados por ficção científica.
Esta série de postagens é dedicada ao meu grande amigo Chris e à sua adorável esposa Flávia, com quem eu e a Bia tivemos o imenso prazer de passar grande parte da última sexta-feira. Chris tem o blog Alguém Que Anda Por Aí e é um baita artista plástico, influenciado por cultura pop em geral, fã de robôs e admirador de Houdini. Também dedico esta série ao grande Blob, que me disse que anda em ritmo de seriado, então espero que ele aprecie esta raridade. E, claro, a todos que acessam o blog, mesmo anonimamente, e me dão o prazer da visita mesmo com o meu tempo tão escasso para colocar coisas novas no ar!
sábado, 31 de julho de 2010
Fantaspoa 2010: premiação
Tentei, eu juro. Queria mesmo fazer uma postagem com impressões finais sobre o VI Fantaspoa, mas ando tão sem tempo que não consigo sequer escrever de maneira coerente uma notinha breve. Resumindo a aventura: saí de Porto Alegre com a impressão de que o festival foi praticamente perfeito, dinâmico, diversificado e repleto de pontos altos. Eu é que tenho que me organizar melhor para aproveitar melhor o tempo na próxima edição.
Listo abaixo os premiados deste ano (se é que alguém ainda não viu isso em algum lugar...). Na condição de representar metade do júri, obviamente só posso concordar com os escolhidos (meu parceiro de crime foi o crítico André Kleinert, do blog Anti-Dicas de Cinema). Porém, quero fazer algumas considerações. Meu único arrependimento é não ter insistido mais para que A Casa do Demônio ficasse com algum prêmio. Gosto demais do filme e de todo o seu clima oitentista e queria recompensá-lo com um prêmio de direção para Ti West, que conduz a obra com maestria, ou de atriz para a protagonista Jocelin Donahue. O amigo Leandro Caraça não perdoou a decisão final e considerou “um disparate” o filme sair do festival sem ser premiado... Tenho que discordar do termo ‘disparate’, pois acho que todos os prêmios foram merecidos, mas o filme de fato merecia algo mais.
Também quero justificar a menção honrosa para Amargo, sugerida pelo André e com a qual prontamente concordei. O filme estava na minha lista prévia para a categoria de direção, mas francamente não sei precisar o quanto do seu deslumbrante resultado final deve ser creditado ao casal de diretores Hélène Cattet e Bruno Forzani e o quanto é resultado da brilhante montagem, da fotografia onírica e o clima surreal com referências a Buñuel e a inúmeros gialli clássicos. O importante, na minha opinião, foi não deixar o filme passar despercebido.
Júri Oficial
Filme: Vida e Morte de uma Gangue Pornô, de Mladen Djordjevic
Direção: Eli Craig, de Tucker & Dale Enfrentam o Mal
Ator: Peter Marshall, de O Cavaleiro
Atriz: Olga Fedori, de Mamãe & Papai
Roteiro: Konstantin Lopushansky e Vyacheslav Rybakov, de Os Cisnes Feios
Efeitos Especiais: Reyes Abades, de O Legado Valdemar
Menções Honrosas:
Produção de Baixo Orçamento: Recortadas, de Sebastián De Caro
Banho de Sangue: Massacre Esta Noite, de Ramiro García Bogliano e Adrián García Bogliano
Rainha do Grito: Julie Estelle, de Macabro
Contribuição Artística: Amargo, de Hélène Cattet e Bruno Forzani
Longa Animação: Uma Noite na Cidade, de Jan Balej
Curta-Metragem Nacional Ação: Mapa-Múndi, de Pedro Zimmermann
Curta-Metragem Nacional Animação: O Jumento Santo, de Léo D. e William Paiva
Curta-Metragem Internacional Ação: El Nunca lo Haría, de Anartz Zuazua
Curta-Metragem Internacional Animação: Alma, de Rodrigo Blaas
Prêmio pela Carreira: Luigi Cozzi
Júri Popular
Filme: Eu Vendo os Mortos, de Glenn McQuaid
Curta-Metragem Nacional Ação: Animal Menor, de Paulo Harres e Marcos Contreras
Curta-Metragem Nacional Animação: Anjos no Meio da Praça, de Alê Camargo e Camila Carrossine
Curta-Metragem Internacional Ação: Cabuleros, de Damian Slipoi
Curta-Metragem Internacional Animação: Le Petit Dragon, de Bruno Collet
Por último, para compensar minha indisponibilidade de tempo para escrever melhor sobre o evento, recomendo a todos que confiram o que escreveram alguns participantes e espectadores do Fantaspoa. Felipe M. Guerra deixou suas impressões sobre os filmes que viu no festival em seu blog Filmes para Doidos. Blob fez o mesmo em seu blog e Leandro Caraça postou suas notas aqui, aqui, aqui, aqui e aqui. Foi também no blog do Leandro que fiquei sabendo das lamentáveis mortes de Harvey Pekar e Vonetta McGee; o primeiro, um autêntico gênio outsider dos quadrinhos; a segunda, uma musa inesquecível.
sábado, 24 de julho de 2010
La Soufrière (1977)
Minha formação como cinéfilo, depois de passar pelos obrigatórios clássicos hollywoodianos das madrugadas da Globo, aconteceu fuçando as prateleiras de ‘cinema de arte’ das poucas locadoras decentes de minha cidade, em Jundiaí, no interior de São Paulo. Durante um par de anos, convivi diariamente com nomes como Bergman, Saura, Szabó, Wajda, Fellini, Godard, Fassbinder, Reggio, Stelling, Schroeder, Almodóvar, Kurosawa. Foi um aprendizado intenso, valioso e solitário; sem ter com quem discutir tais descobertas, eu tentava extrair o melhor de cada cineasta sem procurar uma identificação mais pessoal com suas obras. Somente muitos anos depois, reavaliando essa minha fase ‘cinema de arte’, percebi que, com raras exceções, tenho pouquíssima, às vezes nenhuma, identificação com muitos desses cineastas, ainda que eu os reconheça como nomes inestimáveis da sétima arte. A exceção à regra é Werner Herzog.
Descobri Herzog, se não me engano, por meio de Aguirre, a Cólera dos Deuses, um filme que muito provavelmente assisti achando que era uma espécie de Indiana Jones peruano. A experiência foi, para dizer o mínimo, um daqueles episódios que moldam nosso caráter de maneira permanente. Passei a ser outro depois de Aguirre; passei a acreditar no cinema como algo relevante e pertinente. Algo que não se divide entre Spielberg, Lucas, Zemeckis e ‘os outros’. Descobri cinema como ‘arte’, e - mais importante - como uma arte viva e capaz de se comunicar comigo. E vice-versa.
Nos meses seguintes, assisti a todos os filmes de Herzog nos quais fui capaz de meter a mão: O Enigma de Kaspar Hauser, Coração de Cristal, Stroszek, Nosferatu, o Vampiro da Noite, Woyzeck, Fitzcarraldo, culminando com os dois que considero os mais fracos de sua filmografia até então, Onde Sonham as Formigas Verdes e Cobra Verde (esse eu tive que convencer o dono da locadora a comprar a fita para eu poder ver!). Até hoje, meu parâmetro de avaliação do caráter de uma pessoa é a maneira como ela reage diante de Kaspar Hauser.
Entretanto, somente depois de velho descobri o que me fascina tanto em Herzog: sua capacidade poética de retratar a vida dos excluídos, os malditos, os fracassados. Todos os seus filmes são narrativas amarguradas sobre desgraçados que sequer conseguem justificar a própria existência. Não existe a esperança de elevação espiritual ou adequação social aos personagens de Herzog. Incompreensão, vergonha, humilhação, angústia e desespero são sentimentos compartilhados por Kaspar Hauser, Stroszek, Woyzeck e outros ‘herzoguianos’; mesmo seu Nosferatu é o retrato patético de um maldito, de um infeliz condenado à vida eterna, à negação do amor e ao infortúnio de semear a morte por onde passa.
O meu ‘período herzoguiano’ se completou quando eu e um amigo fomos a algumas sessões gratuitas de uma retrospectiva do cineasta no Instituto Goethe, em São Paulo, lá por volta de 1990. Foi quando pude ver seus primeiros longas-metragens, os impactantes e abilolados Também os Anões Começaram Pequenos (1970) e Fata Morgana (1971), este último uma espécie de documentário. Mais experiências de retorcer o cérebro. Eu tinha uns 20 anos. Então veio o documentário de curta-metragem La Soufrière: Warten auf eine unausweichliche Katastrophe (1977), sobre uma iminente tragédia na ilha caribenha de Guadeloupe, prestes a ser devastada por uma erupção vulcânica. A situação apresentada é que a atividade sísmica do vulcâo La Soufrière indica que ele explodirá em breve. Herzog e seus operadores de câmera chegam à ilha para registrar a catástrofe e encontram a cidade completamente deserta, exceto por alguns animais famintos e um ou outro morador que não quis fugir do local. A narração explica que se o vulcão entrar em erupção, toda a ilha será coberta pela lava e todos morrerão. O documentário somente existe porque o desastre não ocorreu.
Hoje enxergo La Soufrière como uma reflexão do significado do cinema e da própria atividade fílmica, sobre o poder caótico da criação e o sacrifício pela arte. Sobre o quanto não somos donos de nossos destinos, por mais que queiramos acreditar na capacidade de decidir qual rumo tomar. No final das contas, este ‘documentário sobre nada’ é quase que um Cannibal Holocaust às avessas; sua força comunicativa reside justamente naquilo que não acontece, no que não é forjado como ‘documental’, em algo que possibilita a vida pela recusa de se mostrar. Poesia tipicamente ‘herzoguiana’, é também o retrato de um fracasso, de uma frustração íntima e coletiva, da antecipação de um clímax que jamais se concretiza.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Turist Ömer Uzay Yolunda (1973)
Dando continuidade à postagem anterior, temos aqui mais uma bizarrice trekker para fazer a alegria dos caçadores de raridades, um dos mais celebrados filmes ruins de todos os tempos. Trata-se de Turist Ömer Uzay Yolunda, mais conhecido como simplesmente Turkish Star Trek, ou a versão turca de Jornadas nas Estrelas. Realizado em 1973, o filme faz parte de uma série de comédias protagonizadas pelo turista Ömer, interpretado por Sadri Alisik, que sempre se mete nas mais absurdas aventuras. O personagem apareceu em pelo menos oito filmes entre 1964 e 73, sempre vivido por Alisik. O que torna o filme ainda mais interessante aos aficionados por Star Trek é o fato de o filme descaradamente reaproveitar cenas da própria série de televisão. Trekkers e curiosos em geral, assistam por sua própria conta a risco. O filme tem legendas em inglês.
Star Wreck: In the Pirkinning (2005)
As sessões-surpresa já se tornaram tradição no Fantaspoa e quase sempre atraem um grande número de curiosos e cinéfilos em geral que não querem correr o risco de perder alguma preciosidade fílmica que dificilmente terão outra oportunidade de ver na tela grande. Claro que nem sempre os filmes são tão preciosos assim, mas a brincadeira é uma espécie de equivalente cinéfilo do Kinder Ovo: mesmo que o brinquedo não seja grande coisa, pelo menos é divertido de alguma maneira.
A sessão-surpresa das 19 horas do último domingo, dia 11, touxe a exótica produção amadora Star Wreck: In the Pirkinning, uma paródia finlandesa de Star Trek. O filme entrou para a história do cinema finlandês por ser o recordista de downloads na internet, com cerca de meio milhão de usuários baixando o longa-metragem. Confesso que achei pouquíssima graça nas piadas do filme. É um estilo de comédia abestalhada demais para o meu gosto. Ao final da sessão, ouvi comentários comparando o tipo de humor de Star Wreck com Zorra Total e Hermes e Renato. Isso basicamente encerra a discussão, na minha opinião. Mesmo assim, os efeitos digitais das naves são notáveis, melhor do que muita coisa que a gente vê em filmes profissionais hoje em dia.
Para a satisfação de trekkers em geral, esta postagem traz o filme na íntegra, com legendas em inglês, para que possam conferir mais um extravagante apócrifo do universo de Star Trek.
terça-feira, 13 de julho de 2010
Luigi Cozzi apresenta Quatro Moscas Sobre Veludo Cinza no Fantaspoa
A última noite de Luigi Cozzi no Fantaspoa, como já era de se esperar, foi outro momento memorável do festival, fechando de maneira merecida o ciclo dedicado ao veterano cineasta italiano. A sessão novamente teve lotação total da sala, desta vez com congestionamento até nos degraus, afinal o filme selecionado foi um giallo clássico dirigido por Dario Argento, o raríssimo Quatro Moscas Sobre Veludo Cinza, de 1971, que tem roteiro co-escrito por Cozzi. O filme em si é considerado o mais fraco da chamada ‘trilogia dos bichos’ de Argento (completada por O Pássaro das Plumas de Cristal e O Gato de Nove Caudas), mas ele me pareceu bem melhor na tela grande do que quando o vi pela primeira vez, num tosco DVD caseiro com uma cópia péssima que circulou entre colecionadores durante muitos anos.
Também foi emocionante acompanhar a entrega, por parte da direção do Fantaspoa, de um merecido ‘prêmio pela carreira’ a Luigi Cozzi, que levou para casa uma placa em homenagem aos anos dedicados ao cinema fantástico, abraçando os gêneros da ficção científica, fantasia, suspense e horror. Após a sessão, Cozzi respondeu a mais uma bateria de perguntas da platéia, desta vez concentrando-se mais em sua parceria com Dario Argento. O convidado de honra contou inúmeras anedotas dos bastidores do filme e não fugiu sequer da pergunta sobre o que acha das produções recentes do colega Argento. Felipe M. Guerra, curador da mostra e cicerone de Cozzi, foi preciso ao traduzir a resposta: “Como todo mundo, Luigi prefere os filmes mais antigos do Argento”.
Perguntado sobre se prefere escrever ou dirigir, Cozzi tampouco teve dúvidas: “O roteirista é um solitário e tem o mundo inteiro ao seu dispor. O diretor tem que lidar com dezenas de pessoas e precisa convencê-las a fazer exatamente o que ele quer. Prefiro muito mais ficar sozinho com minha máquina de escrever ou meu computador”. Falando especificamente sobre a construção do roteiro, Cozzi revelou que primeiro ele e Dario bolaram as cenas de morte e só depois criaram os personagens e a trama em si. Questionado sobre possíveis referências hitchcockianas na obra, o roteirista reconheceu que Alfred Hitchcock é uma influência constante nesse gênero, mas que a inspiração de fato veio do livro Black Alibi, de Cornell Woolrich.
Também foi emocionante acompanhar a entrega, por parte da direção do Fantaspoa, de um merecido ‘prêmio pela carreira’ a Luigi Cozzi, que levou para casa uma placa em homenagem aos anos dedicados ao cinema fantástico, abraçando os gêneros da ficção científica, fantasia, suspense e horror. Após a sessão, Cozzi respondeu a mais uma bateria de perguntas da platéia, desta vez concentrando-se mais em sua parceria com Dario Argento. O convidado de honra contou inúmeras anedotas dos bastidores do filme e não fugiu sequer da pergunta sobre o que acha das produções recentes do colega Argento. Felipe M. Guerra, curador da mostra e cicerone de Cozzi, foi preciso ao traduzir a resposta: “Como todo mundo, Luigi prefere os filmes mais antigos do Argento”.
Perguntado sobre se prefere escrever ou dirigir, Cozzi tampouco teve dúvidas: “O roteirista é um solitário e tem o mundo inteiro ao seu dispor. O diretor tem que lidar com dezenas de pessoas e precisa convencê-las a fazer exatamente o que ele quer. Prefiro muito mais ficar sozinho com minha máquina de escrever ou meu computador”. Falando especificamente sobre a construção do roteiro, Cozzi revelou que primeiro ele e Dario bolaram as cenas de morte e só depois criaram os personagens e a trama em si. Questionado sobre possíveis referências hitchcockianas na obra, o roteirista reconheceu que Alfred Hitchcock é uma influência constante nesse gênero, mas que a inspiração de fato veio do livro Black Alibi, de Cornell Woolrich.
Cozzi também falou sobre o processo criativo da trilha sonora, do qual participou ativamente, e os problemas que ele e Argento tiveram com o compositor Ennio Morricone, o qual discordava do rumo escolhido e acabou brigando seriamente com o diretor. Os dois só voltariam a se falar 25 anos depois. Foi idéia de Cozzi contratar uma banda de rock progressivo para gravar o tema de abertura e o grupo escolhido foi o Deep Purple, que na época estava no início de sua fase mais celebrada. A banda chegou a gravar a música tocada nos créditos, mas os integrantes não puderam aparecer no filme em si devido a restrições burocráticas da lei italiana, que exige que a maioria dos técnicos e artistas que participam de um filme sejam italianos. O vídeo postado aqui mostra a abertura do filme, com a banda tocando no estúdio, e se meus ouvidos não me traem, acredito que a gravação original do Deep Purple foi pelo menos parcialmente utilizada: o teclado principal não soa muito parecido com o de Jon Lord, mas acredito que há uma base com outro teclado. A guitarra não parece a de Ritchie Blackmore (cadê a alavanca?), mas os gritos parecem coisa do Ian Gillan. No final das contas, é uma bela trívia roqueira para enriquecer este giallo clássico. Quem quiser conferir o restante do filme sem levantar da cadeira, aqui estão as partes 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 10.
Um papo familiar
A sessão foi tão concorrida - e se espalhou até altas horas, com o pessoal do cinema literalmente nos colocando para fora - que não pude fazer as perguntas que tinha em mente, apesar de estar sempre de dedo levantado, pedindo a vez. Mas Cozzi foi simpático como sempre e, ao me ver na saída da sala, veio em minha direção e brincou: “Não teve perguntas dessa vez?”. Disse então que ia perguntar sobre o projeto do Frankenstein nazista que ele e Argento tentaram desenvolver na década de 70, e se é verdade que Argento costuma distorcer o roteiro escrito ao ponto de tornar algo que no papel é plausível e verossímil em algo completamente incompreendível nas telas, como Dardano Sacchetti certa vez comentou. Cozzi discordou veementemente e afirmou que tudo que ele escreveu foi seguido à risca por Argento, o que me deixou surpreso.
Conversamos também sobre a suposta misoginia de Dario Argento e se ele tem idéia do porque de os assassinos na maioria de seus filmes serem mulheres. Cozzi rebateu quando comentei que Asia Argento, filha de Dario, certa vez disse que o pai dela tem “algum problema” com a mãe dele; segundo Cozzi, Dario ama a mãe, nunca teve problemas com ela. “É uma família problemática, estão sempre brigando, é melhor manter distância”, recomendou; “o problema da Asia é que ela fala demais”.
Não acho exagero dizer que Luigi Cozzi talvez tenha sido a personalidade mais agradável já trazida a qualquer das edições do Fantaspoa. Inteligente, articulado, simpático e acessível, Cozzi certamente não é um autor celebrado por ter realizado grandes obras no cinema fantástico (apesar de nenhum dos seus filmes sofrer do mal de serem chatos; muito pelo contrário, todos são divertidíssimos), mas isso é plenamente compensado por ele ser um grande aficionado pelo gênero - em especial a ficção científica clássica - e possuir um vasto conhecimento sobre o tema. Cozzi também escreve sobre cinema de gênero, o que faz com que conversar com ele sobre cinema seja muito mais do que ter que apelar para a bajulação sem propósito.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Zombiemania (2008)
Um dos melhores documentários do Fantaspoa deste ano, Zombiemania analisa a cada vez mais crescente onda de filmes, livros, HQs e jogos de zumbi, desde a origem do mito até suas recriações no cinema, incluindo o pioneiro White Zombie e sua transformação a partir de Night of the Living Dead. O documentário traz depoimentos de gente como George A. Romero, o pai do zumbi moderno, o escritor Max Brooks, autor do best-seller Zombie Survival Guide, a jornalista Jovanka Vuckovich, editora da revista Rue Morgue, do escritor e pesquisador Wade Davis, autor de The Serpent and the Rainbow, a cineasta Eliza Kephart, diretora do filme independente Graveyard Alive, e ainda os mestres dos efeitos especiais e de maquiagem Tom Savini e Greg Nicotero.
A versão do documentário disponibilizada aqui é bastante diferente da exibida no Fantaspoa: esta é a versão para a TV, com cerca de 47 minutos, enquanto que a versão do festival tem quase uma hora de duração, com montagem completamente diferente. Porém, não se trata apenas de uma versão com cenas adicionais: alguns depoimentos nesta edição curta aparecem de maneira diferente ou reduzida na cópia estendida; outros são exclusivos desta versão. Seja como for, é diversão e informação garantida para zumbimaníacos em geral, especialmente quem não teve a oportunidade de ver o documentário na tela grande.
A versão do documentário disponibilizada aqui é bastante diferente da exibida no Fantaspoa: esta é a versão para a TV, com cerca de 47 minutos, enquanto que a versão do festival tem quase uma hora de duração, com montagem completamente diferente. Porém, não se trata apenas de uma versão com cenas adicionais: alguns depoimentos nesta edição curta aparecem de maneira diferente ou reduzida na cópia estendida; outros são exclusivos desta versão. Seja como for, é diversão e informação garantida para zumbimaníacos em geral, especialmente quem não teve a oportunidade de ver o documentário na tela grande.
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