Estas são as doze últimas edições da revista inglesa The House of Hammer, numeradas de 19 a 30, à esta altura já com o nome Hammer’s House of Horror, depois alterado para Halls a partir do número 21. Itens de colecionador para o apreciador do cinema clássico de horror.
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
domingo, 23 de janeiro de 2011
The House of Hammer: José Mojica Marins
Uma das minhas aquisições recentes, por conta da pesquisa que estou desenvolvendo para um trabalho sobre a produção cinematográfica de horror na Inglaterra, foi a coleção digital da revista The House of Hammer, que teve ao todo 30 edições. Ao folhear logo o primeiro exemplar, de 1976, qual não foi a minha surpresa ao encontrar um artigo sobre ninguém menos do que José Mojica Marins?! A revista apresentava uma combinação de quadrinizações dos filmes da produtora Hammer e artigos sobre o cinema de horror, tanto do período clássico quanto o contemporâneo. O breve texto sobre Mojica, assinado por Barry Pattison em sua coluna “Horror Around the World”, começa metendo o pé na porta: “A indústria do cinema de horror internacional contêm algumas personalidades bastante estranhas, mas eu desafio qualquer um a encontrar uma mais bizarra do que a criada e interpretada por José Mojica Marins - o temido Ze do Caoxi [sic]”.
Sempre que tenho oportunidade de conversar sobre pesquisa de cinema com pessoas que ainda estão iniciando nessa área, tento motivá-las dizendo que não existe melhor época do que a atual para se pesquisar filmes, com toda a facilidade para se ter acesso a obras de toda parte do mundo e de praticamente qualquer período. Uma das evidências mais incisivas disso é a quantidade assombrosa de bobagens que costumo encontrar nos livros de cinema de horror mais antigos. Tenho alguns livros sobre o tema publicados nas décadas de 60, 70 e 80, mas ao contrário de encontrar preciosidades escritas por críticos e pesquisadores que, em tese, estavam mais próximos dos acontecimentos que registravam, muitas vezes nos deparamos com imprecisões, generalizações ou informações viciadas.
O artigo de Pattison sobre Mojica é um prato cheio nesse departamento. Depois de contar algumas anedotas sobre o cineasta, como os primeiros filmes que ele fez no galinheiro da família e o fim trágico do filme O Auge do Desespero, destruído por uma tempestade, o autor erra feio ao dizer que Meu Destino em Tuas Mãos é estrelado por Pablito Calvo e Joselito! Para quem não sabe, Calvo é o astro infantil do filme espanhol-italiano Marcelino Pão e Vinho (1955), óbvia inspiração para o Mojica colocar Franquito, “o garoto da voz de ouro”, como protagonista de Meu Destino em Tuas Mãos. Alhos por bugalhos...
O artigo ainda afirma que os críticos da época chamaram Mojica de “assassino do cinema brasileiro” - uma frase e tanto, mas que não me lembro de ser um dos tantos impropérios disparados contra Mojica pela ala conservadora. O texto ainda consegue errar a grafia de praticamente todos os filmes que cita (A Meia Noitre Levarei Sua Alma, Esta Noite Encarnarei Teu Cadavera, O Mundo Estranho de Ze do Caizo), diz que O Diabo de Vila Velha é um filme de horror (não é; trata-se de um faroeste) e afirma que o diretor a seguir fez A Encarnação do Demônio. O filme, todos sabem, só foi realizado mais de trinta anos depois. A coisa mais curiosa do texto provavelmente é a citação de Glauba [sic] Rocha e seu ‘caubói marxista’ Antônio das Mortes.
O artigo ainda afirma que os críticos da época chamaram Mojica de “assassino do cinema brasileiro” - uma frase e tanto, mas que não me lembro de ser um dos tantos impropérios disparados contra Mojica pela ala conservadora. O texto ainda consegue errar a grafia de praticamente todos os filmes que cita (A Meia Noitre Levarei Sua Alma, Esta Noite Encarnarei Teu Cadavera, O Mundo Estranho de Ze do Caizo), diz que O Diabo de Vila Velha é um filme de horror (não é; trata-se de um faroeste) e afirma que o diretor a seguir fez A Encarnação do Demônio. O filme, todos sabem, só foi realizado mais de trinta anos depois. A coisa mais curiosa do texto provavelmente é a citação de Glauba [sic] Rocha e seu ‘caubói marxista’ Antônio das Mortes.
Da casa aos corredores
Bagunças à parte, é uma delícia passear pelas páginas de The House of Hammer, mesmo folheando-a digitalmente; no mínimo pelas belíssimas adaptações em quadrinhos dos clássicos da Hammer, pelas mãos de grandes artistas dessa mídia. A existência relativamente curta da revista também serve para demonstrar as dificuldades que publicações sobre esse tema enfrentam em qualquer lugar do mundo. Publicada na Inglaterra a partir de outubro de 1976, a revista carregou o nome The House of Hammer até a 18ª edição, mudando a seguir para Hammer’s House of Horror nos números 19 e 20, e depois para Hammer’s Halls of Horror nas edições 21 a 23. Finalmente, quando a Hammer cessou de vez a produção de filmes, a publicação passou a se chamar apenas Halls of Horror e durou da revista 24 até a 30. O último número é datado de novembro de 1984. Nas edições finais, a revista se transformou numa espécie de guia do cinema fantástico, com ênfase nos filmes de ficção científica e fantasia tão populares na época (como Mad Max e Blade Runner), compilando breves verbetes com resenhas de filmes e perfis de astros e realizadores.
Ilustram esta postagem todas as capas da fase inicial da publicação, além de algumas páginas da edição inaugural, incluindo o editorial de apresentação e o artigo sobre nosso prezadíssimo José Mojica Marins. Numa próxima postagem colocarei as capas restantes.
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Reveillon Maldito (1980)
Só para não dizerem que abandonei de vez meus prezadíssimos leitores, estou aqui, no apagar de 2010, para desejar a todos um Feliz Ano Novo no estilo desse blog; ou seja, com uma pitada de maldade e derramamento de sangue. Uma obscuridade segregada à não tão saudosa era do VHS, o filme Reveillon Maldito (New Year’s Evil), produzido pela Cannon, é um dos exemplares mais esquemáticos do subgênero slasher, ainda preso ao truque da “morte pelo calendário”, pegando carona em Halloween e Sexta-Feira 13, e que depois seguiria com Dia dos Namorados Macabro e Feliz Aniversário para Mim.
A trama envolve a apresentadora de um especial de Ano Novo na televisão que recebe um telefonema ameaçador de um psicopata misterioso, o qual anuncia que à meia-noite matará pessoas conhecidas dela. A mulher fica apavorada quando surge a primeira vítima do assassino, que voltará a matar na virada de ano nos outros fusos horários do país. Tolo, previsível e sem clima, o filme é prejudicado por personagens sem carisma e pelo plano absurdo e inverossímil do maníaco, envolvendo situações ridículas e humilhantes.
O clima de festa fica por conta da banda de hard rock Shadow e a punk/new wave Made in Japan, as quais, até onde sei, limitaram-se ao eterno e silencioso anonimato depois desta oportunidade cinematográfica. O Shadow, para o meu gosto particular, é melhorzinho, num estilo que lembra uma versão mais domesticada do Diamond Head. Nem sei se chegaram a gravar algum álbum ou mesmo se a trilha do filme saiu oficialmente em LP, mas a canção do vídeo acima é suficientemente divertida para garantir uma passagem de ano agitada e no autêntico clima de rock horror. Desta maneira, desejo a todos que tenham um maldito reveillon embalado por tudo que há de bom.
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Suspiria (1977)
A enquete sobre “quais destes filmes de bruxa são os seus favoritos” terminou faz tempo, mas como só agora estou desmontando a decoração de Halloween, vou comentar brevemente o resultado, para deixar registrado aqui as preferências dos leitores dentro do tema.
O grande vencedor foi a obra-prima Suspiria (1977), de Dario Argento, com 40% da preferência, sem ter sua liderança sequer ameaçada pelos demais candidatos. Em segundo lugar ficou o arrepiante e cético Night of the Eagle (1962), com 29%, seguido pelos estupendos Häxan (1922), de Benjamin Christensen, e La Maschera del Demonio (1960), de Mario Bava, cada um com 22% dos votos. Também foram bem votadas a delirante superprodução russa Viy (1967), com 18%, e o frustrante - mas não de todo desinteressante - Curse of the Crimson Altar (1968), com 14%.
A lista se completa com vários filmes empatados com a mesma quantidade de votos. O clássico musical infantil The Wizard of Oz (1939) e a sensível comédia romântica Bell, Book and Candle (1958) dividiram espaço com os autênticos filmes de horror El Espejo de la Bruja (1962), Cry of the Banshee (1970), Eyes of Fire (1983) e The Blair Witch Project (1999), cada um recebendo 3 votos, representando 11%. Com dois votos tivemos The Witches of Eastwick (1987) e Bewitched (2005), equivalente a 7% da preferência dos leitores; e, finalmente, a produção Disney Hocus Pocus (1993), com apenas um voto, fechando a lista dos clicados com 3% de representação. Alguns bons filmes (e outros não tão bons assim, mas que mereceram seu lugar na lista) ficaram zerados na enquete: I Married a Witch (1942), Weird Woman (1944), La Bruja (1954), The Undead (1957), Hungry Wives (1972), Witches’ Brew (1980), Wicked Stepmother (1989), The Witches (1990) e The Craft (1996). E também vale lembrar que o filme The Witches, produzido pela Hammer e estrelado por Joan Fontaine em sua despedida da tela grande, foi lamentavelmente esquecido pelo autor deste blog, mas devidamente homenageado aqui como maneira de compensar a gafe.
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
Dr. Seuss’ How the Grinch Stole Christmas! (1966)
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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
terça-feira, 23 de novembro de 2010
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Literatura, Moda e Cinema: O Homem Invisível na 56ª Feira do Livro de Porto Alegre
O casamento (ou seria um triângulo amoroso, daqueles bem ousados e promíscuos?) entre literatura, moda e cinema pode parecer uma combinação explosiva, mas não deixa de ser intrigante. É justamente essa a proposta da participação do grupo modamanifesto na 56ª edição da Feira do Livro de Porto Alegre. A relação entre essas mídias tão diferentes será colocada em pauta por Ana Carolina Acom e Carolina Citton Puccini, ambas do modamanifesto, que participação de uma mesa-redonda que faz parte do Ciclo Fahreinheit 451, cujo tema é ficção científica.
O debate tem como tema central o livro O Homem Invisível, escrito por H.G. Wells em 1897 e adaptado incontáveis vezes para o cinema, quadrinhos e televisão. O personagem também será analisado no campo da moda, em suas intersecções com demais mídias e conflitos de identidade.
O evento também marcará o lançamento de um editorial de moda intitulado Monstros, um ensaio fotográfico de Gabriela MO produzido pelo modamanifesto. Inspirado nos monstros clássicos da Universal Pictures, a produção traz o próprio Homem Invisível como um dos personagens de destaque.
O mais legal dessa história toda (para mim, obviamente) é que conheci a Ana Carolina justamente no curso sobre ficção científica da década de 1950 que ministrei no Fantaspoa, em julho, e é muito bacana ver isso se estendendo. Eu gostaria muito de poder participar de alguma maneira e prestigiar o evento in loco, mas infelizmente isso não é possível; mas vale a dica a todos que puderem prestigiar. Segue abaixo o serviço completo do evento, com votos de que seja um absoluto sucesso e que venham outros muito em breve!
Leituras Compartilhadas: O Homem Invisível, de H.G. Wells
A visibilidade de Wells e a estética de sua ficção profética
Data: 10 de novembro, às 19h
Local: Santander Cultural - Sala Leste
Convidados: Cid Domingues D’Ávila, Joana Bosak de Figueiredo, Ana Carolina Acom e Carolina Citton Puccini
Realização: www.modamanifesto.com
domingo, 31 de outubro de 2010
sábado, 30 de outubro de 2010
Cayman: pôsteres de Halloween
Em mais uma demonstração de extrema gentileza e disposição, meu grande amigo Cayman elaborou mais dois pôsteres exclusivos para este blog, desta vez aproveitando a época de Halloween. Cayman já havia desenhado o pôster da nossa seleção de astros do horror e colocou este modesto escriba ao lado de verdadeiros monstros do cinema de horror em desenhos de sua autoria, estudos para um épico horrorífico que ele vem preparando há alguns anos.
Desta vez o regalo vem em dose dupla: o primeiro é um pôster colocando minha grotesca figura (isso é bom ou ruim?!) ao lado de uma galeria de monstros de meter medo em qualquer um. Sei que não tenho lugar ao lado dessa galera do mal, mas presente de amigo é sempre bem-vindo! A outra imagem destaca a Beatriz Saldanha, minha amadinha Bia, toda posuda, com olhar matador, unhas afiadas e caveira, rodeada por uma homarada de responsa (Cushing, Molina, Frid, Mojica, Hauer). Aposto que ela vai gostar, e espero que os visitantes do blog pelo menos se divirtam com esse exercício de auto-indulgência!
E bom Halloween para todos!
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
The Misfits: Live at Dearborn Michigan (1983)
Este vídeo bootleg é para quem gosta de passar o Halloween em clima de festa horror punk. Trata-se de um raríssimo registro de uma apresentação da banda The Misfits em Dearborn, Michigan, no dia 7 de janeiro de 1983, gravada para o programa de TV Why Be Something You’re Not. A banda é liderada pelo catatau enfezado Glenn Danzig, nos vocais, e conta ainda com Doyle na guitarra, Jerry Only no baixo, e Robo na bateria. O set-list do show é este: “Earth A.D.”, “I Turned Into A Martian”, “Skulls”, “Devilock”, “Queen Wasp”, “Mommy, Can I Go Out And Kill Tonight?”, “Hate Breeders”, “Braineaters”, “Halloween”, “Bullet”, “Horror Business” e “We Are 138”. O áudio não está muito bom, mas pode divertir quem quiser um pouco de agitação punk neste Halloween.
Some Chinese Ghosts (1906)
Hoje é o Dia do Livro, e só para não deixar passar essa data tão inspiradora, achei que seria simpático postar mais um tomo clássico para enriquecer a coleção virtual de nossos leitores de bom gosto. O livro em questão é a versão americana de Some Chinese Ghosts, publicado originalmente em 1887 e disponível aqui num facsímile da edição de 1906. O autor é o folclorista Lefcadio Hearn (1850-1904), que ficou conhecido por compilar lendas e histórias sobrenaturais do Oriente. Os escritos de Hearn serviram de base para o longa-metragem Kwaidan (1964), um dos grandes clássicos do cinema de horror japonês.
Portanto, neste cenário e época em que o povo brasileiro adota como seu digno representante um semi(?)analfabeto que atende pela ridícula alcunha de Tiririca, nunca é demais incentivar a leitura. Some Chinese Ghosts está disponível apenas em inglês, mas vale o esforço. O livro contém os contos The Soul of the Great Bell, The Story of Ming-Y, The Legend of Tchi-Niu, The Return of Yen-Tchin-King, The Tradition of the Tea-Plant e The Tale of the Porcelain-God, e pode ser baixado em versão PDF clicando aqui.
IMDb Horror
Nem mesmo o Internet Movie Database, o site de cinema mais popular da rede, resistiu às tentações do Halloween. Para celebrar a data e abiscoitar o público ávido por filmes de horror, foi lançado um portal só sobre o gênero, que pode ser acessado aqui.
O tema deve dominar a maioria dos sites populares neste final de semana, e enquanto o YouTube não tinge sua página principal com cores fúnebres, até os endereços dedicados a vídeos de sexo explícito fantasiam com o Halloween, como o YouPorn, mas não dou o link da Fellucia Blow fantasiada de monstro porque pornografia é feio e faz mal à saúde.
Portanto, para compensar, fiquem com este simpático ecard comemorativo do Dia das Bruxas.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
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