CRÍTICAS, ANÁLISES, IDÉIAS E FILOSOFIAS EM GERAL A RESPEITO DE FILMES DE HORROR DE TODAS AS ÉPOCAS, NACIONALIDADES E ESTILOS, E MUITAS OUTRAS COISAS RELACIONADAS AO GÊNERO

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Cinema da Boca: Francisco Cavalcanti

   O cinema da Boca do Lixo paulistana, que durante tanto tempo só mereceu o mais absoluto desprezo por parte da crítica e contou, quando muito, apenas com o apoio das classes mais populares e a tolerância de profissionais da sétima arte que não conseguiriam trabalhar em nenhum outro tipo de filme, finalmente ganha um mais do que merecido espaço de exibição. O interesse por parte de historiadores e amantes do cinema nacional pelo prolífico legado dos cineastas da Boca só tem crescido nos últimos anos; não é exagero afirmar que a pornochanchada hoje atrai mais atenção de estudos sérios sobre nossa peculiar filmografia do que qualquer manifestação artisticamente mais “legítima”, como o Cinema Novo ou o Cinema da Retomada.
   O diretor Francisco Cavalcanti, um dos nomes mais conhecidos do eixo de produção que se concentrava no cruzamendo da Rua do Triunfo com a Rua Vitória, na metrópole paulistana, foi o escolhido para inaugurar um espaço permanente de exibição no Cine Olido, dedicado aos cineastas da Boca do Lixo. A mostra dedicada ao diretor apresentará treze filmes dirigidos por Cavalcanti, entre os dias 10 e 19 de maio, incluindo o inédito Amor Imortal, realizado em 2001 mas nunca lançado. Antes do longa será exibido o média-metragem Nobuko: Uma História de Amor, de 2009, e ao final da sessão dupla do dia 10, o diretor debaterá os filmes e toda sua carreira com a platéia.
   Quem não puder prestigiar a mostra no Cine Olido terá a oportunidade de acompanhar o ciclo de filmes de Francisco Cavalcanti que está sendo exibido no Canal Brasil: este mês já passou Ivone, a Rainha do Pecado e ainda será exibido o inacreditável Padre Pedro e a Revolta das Crianças (dias 15 e 17), que reúne num só pacote Gugu Liberato, Pedro de Lara e José Mojica Marins. Confira abaixo a programação completa da mostra do Cine Olido. As sinopses são da programação oficial do evento.

Padre Pedro e a Revolta das Crianças (1984)



Padre Pedro, acompanhado de um carneiro e de um bode, viaja por várias cidades para salvar igrejas ameaçadas por malfeitores, até encontrar seu grande desafio: um local dominado pelo diabólico milionário Rodrigo Napu. Dia 10, 15h. Dia 14, 17h.

O Porão das Condenadas (1979)



Para levar de volta a irmã que fugiu de casa para se casar, os irmãos matam seu marido e ferem seu filho. Ao crescer, o jovem volta para vingar a morte do pai. Dia 10, 17h. Dia 14, 15h.

Nobuko: Uma História de Amor (2009)
Após um casamento de sucesso, casal é surpreendido pelo diagnóstico de um câncer que pode causar a morte da esposa.

Amor Imortal (2001)
Garoto é preso após realizar um assalto com uma gangue. Ao sair da cadeia, vai em busca de sua parte no dinheiro roubado, sofre uma emboscada por parte dos companheiros e é salvo por uma mulher misteriosa que mudará sua vida. Exibições seguidas. Dia 10, 19h. Dia 15, 15h. Dia 19, 17h.

Homem sem Terra (1997)
Jovem precisa fugir da cidade após seus pais serem ameaçados de morte por conta de seu namoro com a filha do patrão. Anos depois, descobre que eles foram assassinados a mando do coronel, e volta para se vingar. Dia 11, 15h.

Os Indigentes (1996)
Após ser abandonado pelo pai desempregado e expulso da casa do tio, jovem se une a outros menores para formar uma gangue de trombadinhas. Dia 11, 17h. Dia 17, 15h. Dia 19, 19h30.

A Hora do Medo (1986)


Após ver o pai torturando a mãe durante o sexo, garoto rico cresce traumatizado e passa a assassinar todas as mulheres que a mãe traz para casa, enterrando-as nos fundos da mansão. Dia 12, 15h. Dia 15, 17h.

Instrumento da Máfia em Gosto de Pistola (O Cafetão) (1988)


Após pedir a um engraxate que tome conta de sua mala, bandido é morto por duas quadrilhas rivais. Dia 12, 17h.

Horas Fatais (Cabeças Trocadas) (1986)


Dois garotos ricos invadem a casa de um pacato cidadão, e violentam sua mulher e sua cunhada. Desiludido com o sistema judicial, ele quer vingança a qualquer custo. Dia 12, 19h30. Dia 17, 17h.

Ivone, a Rainha do Pecado (Uma Mulher Provocante) (1983)


Depois de ser levado para o Juizado de Menores porque sua mãe era prostituta, adolescente foge da instituição na companhia de dois colegas. Ao saber do ocorrido, a mãe parte em sua busca. Dia 13, 15h. Dia 17, 19h30.

Mudança de Identidade (Os Tarados) (1983)
Garoto presencia o estupro e a morte de sua mãe. Já adulto, sai em busca de vingança, tendo como única pista o relógio que o criminoso esqueceu no local. Dia 13, 17h. Dia 18, 15h.

Glória dos Canalhas (Violentadores de Meninas Virgens) (1983)


Ex-cafetão lidera uma quadrilha de raptores de garotas para servirem velhos milionários, e depois serem assassinadas. A polícia não tem nenhuma pista e a notícia se espalha, mobilizando a opinião pública. Dia 13, 19h30. Dia 18, 17h. Dia 19, 15h.

Almas Marginais (Sexo, Sexo e Sexo) (1984)


Dois amigos trabalham em uma oficina, mas ficam desempregados após um deles, viciado em drogas, matar o patrão. Eles começam a assaltar pessoas na rua e enfrentam um verdadeiro desafio durante um roubo ousado. Dia 14, 15h. Dia 18, 19h30

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Cinema de Bordas (3ª Edição)

   Agora acho que dá para cravar: o Cinema de Bordas chegou para ficar. O evento chega à sua terceira edição consecutiva, cada vez mais prestigiado e ganhando maior destaque na mídia, abrindo espaço para a produção amadora e semi-amadora de nosso cinema de gênero. E tampouco seria exagero afirmar que é esse o cinema que “dá certo” no Brasil quando falamos de horror, ficção cientifica, fantasia e outros gêneros específicos que fogem da mesmice do nosso cinema “oficial”.
   O Cinema de Bordas é organizado por Bernadette Lyra, Gelson Santana e Laura Cánepa, que realizam um trabalho pioneiro de garimpagem e seleção de curtas, médias e longas-metragens que, de outra maneira, dificilmente escapariam do completo anonimato. Nomes como Manoel Loreno (Seu Manoelzinho) hoje convivem lado a lado com realizadores da nova geração, como Rodrigo Aragão, Joel Caetano e Rubens Mello, além de outros que já estão na batalha há mais de uma década, como Petter Baiestorf, Coffin Souza e Felipe M. Guerra. Indo dos menos abastados e isolados social e geograficamente até os cinéfilos mais antenados e cultos, inclusive com formação acadêmica dentro do estudo de cinema, os ‘bordistas’ atualmente formam uma geração que possivelmente carregará a responsabilidade de manter vivo o cinema de gênero no Brasil.
   Segue abaixo o comunicado oficial do evento publicado no site do Itaú Cultural.

   O Itaú Cultural apresenta a terceira edição da mostra Cinema de Bordas, que reúne filmes produzidos de forma independente, com baixo orçamento e alguns de estética “trash”. São trabalhos que se concentram em narrativas de ficção e fazem proveito de histórias e imagens de outros produtos culturais, como filmes antigos, HQs e seriados. Também é característica dessas produções a adaptação do conteúdo segundo o modo de vida e o imaginário popular das comunidades envolvidas no processo criativo.
   Com curadoria de Bernadette Lyra, Gelson Santana e Laura Cánepa, a seleção de filmes foi pautada em três momentos em que a produção foi descentralizada, permitindo a realização dessas obras: nos 1970, com o advento das câmeras VHS; durante os anos 1980, na época de ouro dos fanzines; e atualmente, com a popularização da internet, que permite maior contato entre os produtores e destes com o público interessado.
   As exibições, que acontecem de 19 a 24 de abril, são seguidas de bate-papos com alguns realizadores.

sábado, 2 de abril de 2011

Folha de S.Paulo: O roubo do cadáver de Charlie Chaplin (março a dezembro de 1978)

   Charlie Chaplin - imortalizado pela figura do vagabundo, que para os brasileiros ficou conhecida como Carlitos - morreu tranquilamente na noite de Natal de 1977, aos 88 anos, mas só pôde descansar em paz quase cinco meses depois. Essa série de reportagens publicadas no jornal Folha de S.Paulo entre março e dezembro de 1978 acompanham os bizarros acontecimentos envolvendo um caso de “atentado à paz dos mortos”, incluindo a descoberta dos criminosos, a mirabolante recuperação do defunto, um bocado de boatos estranhos e, finalmente, um evento comemorativo para celebrar o funeral definitivo do ídolo do cinema mudo e o julgamento dos ousados violadores de túmulo.









terça-feira, 29 de março de 2011

Barbe-Bleue (1901)


   O cinema, como nós o conhecemos, não foi inventado pelos Irmãos Lumière, mas sim por um mágico francês de nome Georges Méliès. Foi ele quem, literalmente, mostrou que cinema era magia, que fotografias em movimento poderiam - ou mesmo deveriam - ser um meio para se registrar a ficção, o faz-de-conta, o impossível, e não apenas flagrar momentos do nosso cotidiano. Méliès ganha ainda mais importância quando falamos particularmente do cinema fantástico: ele praticamente inaugurou o gênero horror com Le Manoir du Diable (1896), fez a primeira obra-prima de ficção científica com Le Voyage dans la Lune (1902), e adaptou alguns contos de fadas tradicionais, como Cendrillon e Barbe-Bleue, nos quais pôde abusar de cenários espetaculares, com perspectiva e profundidade, e elaboradas tomadas com vários figurantes.
   Barbe-Bleue, ainda que não seja dos filmes mais comentados de Méliès, é o curta-metragem que costumo exibir na abertura do curso A História do Cinema de Horror, para mostrar aos participantes um dos primeiros exemplares desse gênero; ou, caso seja ousadia demais rotulá-lo de ‘horror’, pelo menos representa o que podemos considerar como embrião do horror cinematográfico e do filme fantástico como um todo. A idéia é surpreender a platéia com um trabalho que pode ser considerado visionário, sem qualquer exagero, e desta maneira derrubar logo de cara quaisquer preconceitos (ou, mais especificamente, ‘pré-conceitos’) ou resistências em relação àquilo que pode ser o cinema de horror.
   O curta é uma adaptação da tradicional história do assassino Barba Azul, imortalizada na versão do francês Charles Perrault, sobre um homem que se casa pela oitava vez, depois que suas sete esposas anteriores faleceram (aparentemente, de causas desconhecidas ou inexplicadas). Quando se muda para a mansão do marido, a oitava esposa recebe as chaves de todos os aposentos da propriedade, mas é instruída pelo marido a jamais entrar num dos quartos. Quando ele se ausenta, obviamente, a primeira coisa que ela faz é visitar o tal aposento proibido, dominada pela invencível curiosidade feminina.
   Visualmente, o curta tem todo o charme encantador e irresistível das produções de Méliès, com cenários suntuosos criados de maneira simples, figurinos espalhafatosos e objetos com dimensões exageradas para exprimir de maneira enfática sua função narrativa (destaque para a imensa garrafa de champanhe na festa de casamento e a chave desproporcional que Barba Azul entrega à esposa).
   É no terço final de seus breves nove minutos de duração que o filme ganha força e mostra a arte inimitável de Méliès: ao descobrir o segredo sinistro que o quarto proibido esconde, a nova esposa enfim percebe o perigo que está correndo. A partir desse momento, o turbilhão emocional enfrentado internamente pela heroína é representado visualmente por meio de imagens surrealistas que externam os pensamentos macabros da mulher, como quando ela enxerga as sete vítimas anteriores do Barba Azul como chaves gigantes - um recurso narrativo brilhante que imediatamente nos comunica que todas elas tiveram o mesmo fim trágico e sofreram a mesma punição. Desta maneira, o curta praticamente inventa o ‘horror psicológico’, estilo narrativo que os historiadores costumam afirmar ter surgido somente na década de 40, com as produções de Val Lewton, ou mesmo com o lançamento de Psicose, em 1960. Na pior das hipóteses, Barbe-Bleue antecipou em quase quinze anos The Avenging Conscience (1914), de D.W. Griffith, e em duas décadas a fantasia e o imaginário surreal do Expressionismo Alemão.
   O diabrete que aparece saltitante em cena, uma imagem recorrente nos filmes de Méliès, simboliza a mente envenenada pela curiosidade destrutiva e pela ação inconsequente, um ousado recurso narrativo que pontua o curta com momentos de puro surrealismo e fantasia. Um homem décadas à frente do seu tempo, George Méliès sofreu como tantos outros gênios da arte - incompreendido em sua época, desprezado e condenado ao ostracismo no fim da vida, mas posteriormente celebrado e reconhecido por suas criações revolucionárias que serviriam de inspiração para impulsionar definitivamente o cinema de fantasia, ficção científica e horror.

terça-feira, 22 de março de 2011

O Ogro, de Márcio Júnior e Márcia Deretti


   Enquanto o cinema brasileiro de horror ainda aguarda uma improvável (re)descoberta por parte do grande público, uma visão que vá além de Zé do Caixão e Ivan Cardoso, as histórias em quadrinhos nacionais desse mesmo gênero já são devidamente consagradas e reconhecidas por sua importância e pioneirismo. Nomes como Nico Rosso, Flavio Colin, Rodolfo Zalla, Eugênio Colonnese, Jayme Cortez, Gedeone Malagola, Julio Shimamoto e outros há décadas são respeitados e cultuados por aficionados por HQs de horror, celebrados como verdadeiros ‘mestres’ dessa arte que desafia o preconceito de alguns e nunca deixa de ser apreciada.
   Uma parte desse capítulo importante na história dos quadrinhos nacionais está ganhando uma nova dimensão e um novo formato, por meio da realização de um curta-metragem de animação que dá movimento e som a um clássico das HQs. O projeto é capitaneado por Márcio Júnior, um apaixonado incondicional por quadrinhos de horror, com a colaboração de Márcia Deretti na produção e de Wesley Rodrigues na direção de animação. O curta, que deve ser o primeiro de uma série, resgata a história O Ogro, desenhada por Julio Shimamoto e escrita por Antônio Rodrigues, publicada originalmente na edição nº 27 da revista Calafrio, em 1984. A HQ é considerado um marco na carreira de Shima, um artista conhecido por sua inquietude criativa, que desenhou a história usando tinta branca sobre cartolina preta.




   As etapas de criação do projeto, realizado pela Marte Produções, podem ser acompanhadas em detalhes no blog oficial do curta, que traz trechos da HQ original e todo o processo de adaptação para a animação, com participação efetiva de Julio Shimamoto, atualmente com 72 anos e em plena atividade quadrinística. Shima ampliou o quadro das cenas mais fechadas, oferecendo aos animadores um universo mais definido, desenhou cenários e esboçou model sheets dos três personagens da HQ. O curta, com cerca de oito minutos, deve estrear ainda no primeiro semestre deste ano, e certamente marcará presença em vários festivais de cinema. Para conhecer melhor o projeto, vale a pena ler a entrevista com Márcio Júnior publicada no site Bigorna, especializado em histórias em quadrinhos.



   A idéia é inovadora e merece a torcida de todos pelo sucesso da empreitada, que deve prosseguir com a adaptação de outro clássico das HQs brasileiras de horror, desta vez uma obra-prima de Jayme Cortez.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Mostra Spaghetti Zombies


   Zumbis, todos nós sabemos, não têm pátria, esses pobres coitados. São livres, descompromissados, irresponsáveis, incompreendidos, caçados impiedosamente, são tratados com uma intolerância desmedida pelas pessoas que se julgam normais, que têm nojo e repugnância desses seres desgraçados. Deu para sacar por que amamos tanto esses cadáveres putrefatos, por que eles são tão universais e queridos? Justamente por isso, não importa se você vem da Itália ou, só para citar uma cidade aleatoriamente... digamos, Recife, em Pernambuco; você certamente tem motivos de sobra para se encantar com um bom (ou não tão bom assim) filme de zumbi.
   Disso tudo, a única brincadeira é que a referência a Recife é aleatória: não é não, é para divulgar a mostra Spaghetti Zombies, que acontece a partir deste sábado, e segue ao longo de toda a semana, na capital pernambucana. O recorte da mostra, organizada por Osvaldo Neto, do blog Vá e Veja, com colaboração de Ronald Perrone, do blog Dementia 13, é a safra clássica italiana de filmes de zumbi, inspirados pela repercussão que Zombie: Despertar dos Mortos (1978), de George A. Romero, teve no país da pizza.
   A mostra reúne meia dúzia desses pequenos grandes clássicos, começando com aquela que talvez seja a última obra-prima de horror oriunda da Itália: Dellamorte Dellamore (Pelo Amor e Pela Morte, 1994), de Michele Soavi. O filme será exibido no dia 19, sábado, e a mostra prossegue, de segunda a sexta, com Zombi 3 (1988), de Lucio Fulci, Bruno Mattei e Claudio Fragasso; Quella Villa Accanto al Cimitero (A Casa do Cemitério, 1981), de Lucio Fulci; Non Si Deve Profanare il Sonno dei Morti (Zumbi 3, 1974), de Jorge Grau; E Tu Vivrai nel Terrore: L’Aldilà (Terror nas Trevas, 1981), de Lucio Fulci; Le Notti del Terrore (A Noite do Terror, 1981), de Andrea Bianchi. Todos são inéditos em DVD no Brasil, mas - à exceção de Zombi 3, foram lançados em VHS por aqui - e fiquei com vontade de explorar minha prateleira de zumbis, pois tenho todos esses filmes em DVDs importados (alguns quase foram lançados por aqui, mas essa é outra história...)!
   A mostra, com apoio do Cinema da Fundação Joaquim Nabuco e do Cineclube Dissenso, tem entrada franca e todos os filmes serão exibidos com legendas em português. O Cinema da Fundação Joaquim Nabuco fica na Rua Henrique Dias, 609, Derby, Recife, Pernambuco. Quem estiver interessado pode escrever para o e-mail de Osvaldo Neto ou se informar pelos fones (81) 9426 9180, 3073 6688 e 3073 6689. Para quem está distante, como eu, resta apenas a torcida para que esta primeira edição seja um grande sucesso, que mostras como essa se repitam em muitas outras cidades brasileiras e que, com o tempo, ganhem um caráter mais oficial e regular. Vivos ou mortos, todos agradecem.

quarta-feira, 16 de março de 2011

CURSO: A História do Cinema de Horror


   O que é um filme de horror? Por que as pessoas têm fascínio por esse gênero, que fica cada vez mais forte, apesar do preconceito que ainda enfrenta? Como transformou ao longo das décadas, associando-se a diferentes tendências, e como acontecimentos históricos influenciaram em sua mutação constante? Estas são apenas algumas das questões que serão abordadas no curso A História do Cinema de Horror, que irei ministrar em Porto Alegre entre os dias 29 de março e 1º de abril.
   A proposta do curso é traçar um amplo e abrangente painel de toda a história do horror no cinema, desde os primeiros experimentos realizados por Georges Méliès e Thomas A. Edison, a encantadora fase do Expressionismo alemão, o surgimento do cinema sonoro com os primeiros clássicos hollywoodianos (Drácula com Bela Lugosi, Frankenstein com Boris Karloff), passando por todas as décadas, da ficção científica com monstros mutantes e o horror gótico britânico, que revelou Peter Cushing e Christopher Lee, até os assassinos psicopatas dos anos 70 e 80, chegando, enfim, à safra atual, com os violentos filmes de tortura e a nova escola francesa de filmes extremos.
   O caráter universal do gênero é enfatizado destacando a produção de filmes de horror em todos os continentes; tópicos específicos analisam as características do que se produz em países como Itália, Espanha, França, Alemanha, Japão, China, Hong Kong, Filipinas, México, Brasil e Argentina. E a conclusão que se chega é que o horror é o mais universal de todos os gêneros, pois se vale dos nossos medos instintivos, irracionais, que não enfrentam barreiras culturais, sociais ou políticas.
   O curso também discutirá várias particularidades do gênero, incluindo sua popularização por meio de festivais e publicações especializadas, além dos limites do horror, envolvendo a polêmica em torno dos míticos snuff movies e a controvérsia que envolve o cult maldito Cannibal Holocaust. No caso deste último item, sempre gosto de pedir aos participantes para darem suas próprias opiniões, em busca de novas visões sobre até onde deve ir o horror, os limites da criação artística, da censura, da moral e da ética.
   Convido todos os amigos portoalegrenses e das redondezas gaúchas a participar do curso, garanto que será bem bacana e divertido. As informações necessárias estão logo abaixo, com a programação do curso e tudo mais. Vamos horrorizar Porto Alegre mais uma vez!


Programa do curso


AULA 1 (29 de março)
   • O que diabos é um filme de horror?
   • Origens do horror na literatura, no teatro e no cinema
   • Sombras ameaçadoras: o horror expressionista alemão
   • A estrutura tradicional do filme de horror
   • Universal (I): a casa de todos os monstros
   • Bela Lugosi e Boris Karloff, os primeiros ídolos do horror
   • Universal (II): apogeu e declínio dos monstros
   • Escuridão mortal: o horror psicológico de Val Lewton
   • Veio do espaço: a ficção científica da era nuclear
   • O cinema de exploração e o mercado de drive-in

AULA 2 (30 de março)
   • Hammer (I): o ousado e violento horror inglês
   • Peter Cushing e Christopher Lee, os monstros britânicos
   • Os truques de William Castle, o ‘mestre do choque’
   • Psicose (1960): o horror atinge a maturidade absoluta
   • O filme de horror se torna internacional
   • EUA: o ciclo de adaptações de Edgar Allan Poe
   • Vincent Price, carisma e requinte no horror estadunidense
   • Canadá: o corpo transformado de David Cronenberg

AULA 3 (31 de março)
   • Horror europeu: Itália, Espanha, França e Alemanha
   • Horror asiático: Japão, China, Hong Kong e Filipinas
   • Horror latino-americano: México, Brasil e Argentina
   • Hammer (II): sexo, satanismo e fim de ciclo
   • Amicus: a casa das antologias de horror
   • Fim do mundo: o cinema pessimista e apocalíptico
   • Canibal Holocausto (1980) e os limites éticos do horror

AULA 4 (1º de abril)
   • Máscaras: a ameaça sem rosto e o monstro interior
   • A proliferação de festivais e publicações de horror
   • Para todos: o cinema arrasa-quarteirão adere ao horror
   • O uso de novas mídias para a difusão do horror
   • O caráter contestador do filme de horror
   • Morte lenta: o horror extremo nos filmes de tortura
   • O mito snuff: o último tabu do cinema de horror
   • O futuro do horror e as novas tendências


A HISTÓRIA DO CINEMA DE HORROR
Por Carlos Primati

Datas: 29, 30 e 31 de março e 1º de abril
Horário: das 19h às 21h30
Local: Museu da Comunicação Hipólito José da Costa (Rua Andradas, 959, Porto Alegre / RS)
Investimento: R$ 100,00
Material: DVD exclusivo com curtas e trailers, apostila e certificado de participação
Informações: cenaum@cenaum.net ou (51) 9101 9377

sábado, 12 de março de 2011

Almanaque: Zé do Caixão


   José Mojica Marins completa 75 anos de idade neste dia 13 de março, ainda recebendo todas as homenagens que merece em vida e mostrando ser uma figura extremamente popular e relevante para a nossa cultura. Poucos cineastas podem se orgulhar disso, vivos ou mortos (o que, até certo ponto, explica o ciúme que ele desperta em alguns colegas).
   A homenagem desta vez fica por conta do programa especial que será exibido na madrugada se sábado para domingo, às 0h05, no Almanaque, da Globo News. O programa anuncia uma entrevista exclusiva com o Mojica, na qual mais uma vez ele revela a origem de seu personagem mais famoso, o agente funerário Zé do Caixão, surgido num pesadelo, e confessa que é um medroso na vida real.
   Para deixar meus parabéns ao mestre, selecionei treze caricaturas bem interessantes do Mojica como Zé do Caixão (repetindo o tema de galeria de arte que fiz nesta postagem em homenagem ao Vincent Price), que evidenciam a figura querida e conhecida que ele é.
 












quinta-feira, 10 de março de 2011

Rock Horror Show (1975)



 
   Quem não gosta de Rocky Horror Show só pode ser ruim da cabeça e doente do pé. Um dos maiores fenômenos pop de todos os tempos, a peça musical escrita por Richard O’Brien sintetiza toda uma era, o casamento perfeito entre a fase nostálgica do rock’n’roll e as antigas sessões duplas de filmes de horror e ficção científica, tudo embalado com uma sensualidade sem limites no auge da androginia e do amor livre. Obviamente, era material perfeito para o cinema, e não demorou para surgir Rocky Horror Picture Show, provavelmente o maior clássico das sessões malditas e o derradeiro cult movie.
   O que nem todo mundo sabe é que o impacto do sucesso da peça ecoou no Brasil imediatamente, com a adaptação de Rock Horror Show (escrito assim mesmo) para os nossos palcos, encenada inicialmente no Teatro da Praia, no Rio de Janeiro. Os bastidores dessa produção podem ser acompanhados no blog de Edy Star, nosso maior representante do glam rock, nas partes um, dois e três. Está tudo contado por quem participou da coisa, portanto não vou reproduzir tudo aqui. Só quero contar que Edy relata como substituiu Eduardo Conde no papel de Frank Father [sic], e que quando chegou ao teatro, o roqueiro Serguei estava de prontidão para se candidatar ao posto. O elenco original contava ainda com Lucélia Santos, Zé Rodrix, Wolf Maia e Diana Strella nos principais papéis. A peça posteriormente foi montada nos palcos paulistanos, com Paulo Villaça, Antonio Biasi e Lúcia Turnbull substituindo alguns dos atores da versão carioca.
   A trilha sonora da montagem carioca foi lançada em LP em 1975, pela Som Livre, mas infelizmente não está disponível em CD. A produção do disco ficou por conta de Guilherme Araújo e Zé Rodrix, responsável também por algumas adaptações. O repertório do LP inclui as três faixas anexadas nos vídeos acima - “Science Fiction” (Lucélia Santos), “Nostalgia Rock’n’Roll” (Zé Rodrix) e “Me Toque, Me Toque, Toque, Toque” (Diana Strella) - e traz ainda “O Anel de Noivado” (Wolf Maia e Diana Strella), “Luz na Casa de Frankstein” (Diana Strella, Wolf Maia e Kao Rossman), “A Espada da Morte” (Acácio Gonçalves e Nildo Parente), “Eu Te Faço Ser Homem” (Eduardo Conde), “É Só Me Chamar, Tudo Bem” (Wolf Maia e Diana Strella), “Eu Vou Partir” (Eduardo Conde) e “Só o Amor Interessa” (Wolf Maia, Diana Strella e Nildo Parente). Quem conhece bem o repertório original certamente notou a falta de algumas canções, especialmente a clássica “Time Warp”, mas suponho que só colocaram no disco o que cabia em 45 minutos.

terça-feira, 8 de março de 2011

Apocalipse de São João (1470)


   A Biblioteca Digital Mundial vem construindo aos poucos um precioso acervo com alguns dos documentos mais raros, influentes e apreciados da Humanidade, entre mapas, fotografias, filmes, manuscritos e livros. Tudo com acesso livre ao público e com opção para se baixar os arquivos.
   Um dos inúmeros itens preciosos disponíveis no catálogo é uma edição de 1470 do Apocalipse de São João, o incendiário, catastrófico e sangrento clímax da Bíblia cristã, com toda aquela história da chegada da Besta e a derradeira guerra entre o Bem e o Mal que vai arrasar o planeta.
   Também conhecido como Livro da Revelação na tradução em português, ou Apocalypsis Sancti Johannis, no original em latim, o livro traz as visões e premonições de São João e, escrito de maneira enigmática, é fonte inesgotável de interpretações teológicas para quem o leva totalmente a sério - e inspiração permanente para filmes de horror, como A Profecia (1976), de Richard Donner, álbuns de rock, como The Number of the Beast (1982), do Iron Maiden, e tantas outras obras de ficção da cultura pop.
   A edição, impressa na Alemanha usando uma técnica de entalhe em placas de madeira, é rica em ilustrações, no característico estilo medieval, tão fascinante quanto perturbador, todas reproduzidas abaixo para quem tiver preguiça para baixar o arquivo no site. No verso dessas páginas está o texto apocalíptico.
   O acervo da biblioteca digital oferece também aquele que provavelmente é o livro mais famoso de todos os tempos: a edição da Bíblia criada em 1455 por Johannes Gutenberg, o inventor da imprensa, com 654 páginas em alta resolução, pronta para serem impressas e criar uma réplica caseira desse tesouro da Humanidade.

















domingo, 6 de março de 2011

Unidos da Tijuca: Esta Noite Levarei Sua Alma (2011)


Tá com medo de quê?
O filme já vai começar
Você foi convidado
Caronte no barco não pode esperar
Apague a luz, a guerra começou
Sob o capuz, delira o diretor
No filme que passa piada em cartaz
Pavor me abraça, isso não se faz
No espaço se vai, é a força que vem
Meu medo não teme ninguém

É o boom! Quem não viu? A casa caiu
Com a bomba na mão o vilão explodiu
O plano de fuga é jogo de cena
“Um Deus nos acuda”… Agita o cinema

Ele volta, revolta mistério no ar
Dos milharais uma estranha visão
Mais uma vez olha a encenação
Morrer de amar faz o povo gargalhar
Pare! Eu pego vocês, grita o mau condutor
Mas deu tudo errado, não há outro lado
Esse povo me enganou
Eu sou brasileiro, amor tijucano
Roteiro sem ponto final
Coitado o barqueiro entrou pelo cano
E brinca no meu carnaval

Eu sou Tijuca, estou em cartaz
Sucesso na tela meu povo é quem faz
Sou do Borel, da gente guerreira
A pura cadência levanta poeira



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