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domingo, 7 de fevereiro de 2010

Convite à Morte (1978)

   Hoje é dia de Super Bowl, o maior espetáculo esportivo da Terra! New Orleans Saints contra Indianapolis Colts. Como é...? O quê? Ah, sim... Cinéfilo odeia esportes, eu tinha esquecido. Especialmente futebol - mesmo quando a bola não é redonda. E rock’n’roll, pode? Pois tem show do The Who no intervalo, que tal? Classic rock de primeira grandeza! Errr... nem isso foi capaz de animá-lo? Então vamos voltar ao tema original deste blog e falar de um filme de horror com participação do veterano crooner desta noite.
   Roger Daltrey tem uma carreira relativamente prolífica como ator, paralelamente à sua atividade como o homem que melhor faz girar microfones pelos palcos do mundo. Depois de estrelar os musicais Tommy (1975) e Lisztomania (1975) e antes de McVicar (1980), Daltrey fez uma pequena, porém enfática, participação no filme de horror Convite à Morte, em 1978. O ator-cantor posteriormente apareceria em outros filmes do gênero, como Vampirella (1996), uma produção de baixo orçamento baseada na curvilínea musa dos quadrinhos, e Príncipe das Trevas: A Verdadeira História de Drácula (2000), um drama histórico sobre Vlad Tepes, o tirano da Valáquia. Daltrey ainda interpretou um Diabo pop na série de TV Strange Frequency (2001), uma curiosa mistura de rock e horror.
   A presença de Roger Daltrey em Convite à Morte (The Legacy), não obstante, é como touchdown no jogo de hoje: um mero detalhe. Ele basicamente interpreta a si próprio, um extravagante astro pop que sofre uma das mortes mais indignas já vistas num filme de horror: engasgado com comida. Katharine Ross e Sam Elliott - casados na vida real - são os verdadeiros astros do filme. Ela faz o papel de uma arquiteta americana contratada para um misterioso trabalho na Inglaterra, para onde ambos partem durante os créditos de abertura. Gosto muito do Sam Elliott (bem mais do que de Katharine, que parece sempre preocupada com algo), mas aqui ele definitivamente estraga o clima do filme com sua permanente cara de safado (ele parece o Harry Reems, de Garganta Profunda, em versão mais carismática).


   Seguindo a tradição dos filmes ingleses de horror e mistério, praticamente toda a ação acontece numa suntuosa mansão, repleta de convidados extravagantes. Convite à Morte tem todos os elementos necessários para ser um baita clássico do horror setentista, com o argumento de Jimmy Sangster combinando conspiração satânica e um punhado de mortes sádicas e absurdamente inventivas - incluindo uma moça que se afoga na piscina quando fica presa numa barreira invisível e uma mulher que tem o corpo todo perfurado por estilhaços de um espelho. Tem até uma freira que se transforma em gato. Para sabotar tudo isso, temos o banal Richard Marquand (O Retorno de Jedi) cuidando da direção, imprimindo um inadequado ritmo de aventura e uma atmosfera de distante casualidade. Quanto à interação entre personagens, suspeitos e vítimas, ainda que peculiares, são tão superficiais quanto os peões do jogo de tabuleiro Detetive. A trilha sonora é outro grave equívoco, incluindo uma indigesta canção estilo balada discothèque, cantada por Kiki Dee, que acaba com qualquer resquício de seriedade. Ah, falando em música, já comentei que hoje tem show do The Who?!

ATUALIZAÇÃO: aí está o vídeo do The Who no Super Bowl. No mínimo, o melhor pocket-show do ano. Atenção para os raios laser: aparentemente é o mesmo equipamento que a banda emprestou para Ridley Scott usar no filme Alien, o 8º Passageiro (1979), na cena em que os astronautas descobrem os ovos alienígenas.

6 comentários:

  1. O cara tá ali atuando do lado da mulher, como não ficar com cara de tarado? Hehe. Quanto à Katharine Ross, gosto muito dela. Tadinha, devia pensar que ainda estava em Stepford, por isso a preocupação constante. :P

    O filme parece bacana; lembro quando comentou comigo sobre a morte do Roger Daltrey ser chocante. Mas concordo que deve ser esquisito essa atmosfera de aventura e casualidade num filme de mansão britânica sinistra, se o filme não tiver a o propósito de ser essencialmente divertido.

    Espero que esse show do The Who seja legal. Gosto do Roger Daltrey, mas fico meio constrangida com o Pete Townshend depois daquele episódio da pedofilia. Ele foi pego no flagra, logo ele, tão arrogante.

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  2. Hahaha, ficou engraçado esse texto, poxa, o filme parecia ter todos os ingredientes para ser de primeira, até chegar o diretor e acabar com tudo, que merda...

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  3. Herax, eu ainda tenho um pouco do vício de "editor", fico pensando muito como escrever cada texto e se devo ou não publicar, e quase não coloquei esse texto no blog; mas, cacilda, blog é pra ser mais descontraído! Ainda estou aprendendo, hehehe.
    Revi o filme ontem para poder escrever e até que ele é bem bacana, mas é incrível como direção e trilha sonora se encarregam de estragar tudo. O final é bem corajoso, mas no geral é uma decepção. Imagino que esse filme seja mais um sério candidato a ser refilmado... com as mortes em 3D, hehehe.
    Beatriz, a Katharine Ross é bem bonita, mas acho que tem meio cara de hippie em bad-trip. Nunca parece descontraída e transmite pouca naturalidade. Revi a cena da morte do Roger Daltrey e é mesmo chocante; não lembro de ter visto alguém engasgar de maneira tão angustiante num filme de horror!
    Ah, quase ia esquecendo de comentar: eu nem gosto tanto assim de The Who! Mas não ia perder a oportunidade de tirar um sarro de todo mundo, hehehe... Mas acho que o show de 12 minutos de logo mais promete ser bem divertido - a própria montagem do palco é um espetáculo à parte!

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  4. Esperando as coisas acalmarem pra eu poder ler tudo o que perdi nos últimos dias. :/

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  5. Ei, Ailton, que bom que pelo menos você parece estar achando interessante o blog! Não deixe de comentar! :)

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  6. Eu não sigo muto esse padrão e gosto bastante de esportes. Eu acompanhei o superbowl mas não tinhan visto o começo do show do The Who ainda.

    Parabéns ai pelo blog em todo o caso.

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