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terça-feira, 1 de março de 2011

Cisne Negro (2010)

Uma análise hitchcockiana 


   “Todos os bons filmes já foram feitos”, disse certa vez Peter Bogdanovich, crítico brilhante e cineasta de luz intermitente. O que pode parecer uma resignada descrença no cinema moderno é, na verdade, uma declaração apaixonada pelos filmes clássicos, aqueles que nunca terminam de dizer o que têm a dizer. São cada vez mais raras as novas idéias no cinema contemporâneo; não é o tipo de mídia onde a invenção e a novidade sejam regras. O normal é a repetição e a aposta no que está dando certo. A enxurrada de remakes e continuações nas últimas temporadas de Hollywood é uma triste constatação disso.
   Novidade: talvez esteja aí o cerne da discussão que divide o público de Cisne Negro entre devotos incondicionais e detratores impiedosos. O primeiro grupo se encanta com a complexidade da narrativa e o uso de símbolos e metáforas para retratar perturbações mentais; o segundo se irrita por isso não ser novidade alguma. Acho exagero levar a questão a tais extremos; novidade, é bom que se diga, nunca foi pré-requisito para bom cinema. Falando mais especificamente dos filmes de gênero, Carpenter, DePalma, Argento e Tarantino não são necessariamente originais, porém tampouco são realizadores desprezíveis.
   É nesse patamar que pretendo encaixar Darren Aronofsky, especificamente pelo que fez em Cisne Negro. O filme virou uma verdadeira coqueluxe em rodinhas de conversa de cinema, indo do diletantismo à erudição, e provavelmente sou a última pessoa do mundo a escrever sobre ele. A desculpa é prestar uma homenagem à premiação de Natalie Portman com o Oscar, a única real barbada dessa festa (está bem, Toy Story 3 como melhor animação era ainda mais previsível!). Porém, o viés de meu artigo é uma análise hitchcockiana do filme, a partir de suas características mais marcantes. Não quero reivindicar nenhuma originalidade no texto, pois acho a análise bastante óbvia; só quero deixar claro que não li nenhuma resenha sobre o filme e nem consultei as seções de trivias e movie connections do IMDb, por exemplo. Não sou do tipo que lê todas as críticas disponíveis antes de formar a minha opinião. A diversão, quero acreditar, é justamente expor as próprias idéias e dar início a uma discussão que, quando é boa, nunca se encerra.

Sexo e morte

   O nome de Alfred Hitchcock costuma ser evocado, quase sempre em vão, sempre que é lançado algum filme razoável de suspense. Muitas vezes, o responsável pela comparação sequer cita quais circunstâncias promovem tal aproximação; provavelmente apenas acha “chique e elegante” comparar algo a Hitchcock. O fato é que o rotundo diretor inglês não era gênio apenas porque era dotado de uma técnica impecável e contava histórias de suspense como mais ninguém. O que o tornava único - e, paradoxalmente, faz com que muitos o imitem - era sua obsessão, basicamente, por dois temas intimamente relacionados que, em suma, justificam nossa existência: sexo e morte.
   Todos os grandes filmes de Hitch foram elaborados sob a égide desse duo: Chantagem e Confissão, Pacto Sinistro, Um Corpo Que Cai, Psicose, Marnie, Frenesi, entre outros. O único outro tema que parecia interessar a Hitchcock era viagem, o que curiosamente o associa a Jim Morrison, dos Doors, que certa vez declarou que todas as canções de sua banda eram sobre “amor, morte e viagem”. Darren Aronofsky certamente não estava pensando em viagem quando fez Cisne Negro; tampouco é um filme sobre balé ou sobre uma jovem em crise porque tem medo de fracassar na carreira, como alguns parecem acreditar. Cisne Negro é, pura e simplesmente, um filme sobre sexo e morte, como esses dois temas se relacionam e como um inevitavelmente conduz ao outro.

O mundo é um palco


   O estilo narrativo de Cisne Negro segue um ensinamento hitchcockiano que pode ser resumido por uma frase célebre de Shakespeare: “o mundo inteiro é um palco”. A atuação, a dissimulação, a falsidade, mentira ou transformação, inclusive física, tanto no palco quanto fora dele, está presente em muitos filmes de Hitchcock: Assassinato, Pavor nos Bastidores, Um Corpo Que Cai, Cortina Rasgada, Trama Macabra e tantos outros. O processo enfrentado por Nina (Natalie Portman) no filme de Aronofsky é o mesmo de muitas heroínas hitchcockianas: tentar ser outra pessoa, assumir uma identidade que não é a dela, voluntariamente ou por alguma necessidade circunstancial.
   Também podemos interpretar como uma metáfora do próprio processo da criação artística, da construção de uma personagem ou de uma trama. Hitchcock fez exatamente isso em Janela Indiscreta, Disque M para Matar e Um Corpo Que Cai, nos quais há em cena um “diretor” que conduz a trama e o rumo dos personagens.
   A obsessão trágica de Nina em se tornar o Cisne Negro é a mesma de Scotty, um ex-policial, ao decifar o mistério de Um Corpo Que Cai: ele é prisioneiro de sua profissão e, portanto, não é capaz de não cumprir sua missão, mesmo que isso custe seu grande amor. Existem outros personagens similares na galeria hitchcockiana, como Mr. Memory, de Os 39 Degraus, incapaz de não responder uma pergunta quando é questionado, ou Lila, uma balconista de uma loja de discos que não resiste à tentação de olhar o que rola na vitrola da Sra. Bates ao invadir a velha casa sinistra de Psicose.
   Natalie Portman foi merecidamente elogiada, e vem colecionando prêmios em toda festa que comparece, por seu desempenho num papel duplo, e isso nos leva a outra obsessão de Hitchcock: a personalidade dividida, a idéia de que temos dois lados em constante conflito, o bom e o mau, às vezes convivendo dentro de uma mesma pessoa (Psicose), em outras, cindido em dois personagens (Pacto Sinistro). Aronofsky inclusive recorre a um truque essencialmente hitchcokiano para enfatizar isso, abusando do uso de espelhos (vide Psicose). O doppelgänger existe no cinema pelo menos desde o expressionismo alemão (O Estudante de Praga), mas Hitchcock de alguma maneira se apoderou do tema e o tornou seu.

Voando alto

   O quebra-cabeças hitchcockiano de Cisne Negro se completa com outras peças que compõem um enredo de obsessão, paranóia e pesadelo: a sexualidade reprimida que aflora com consequências trágicas (A Tortura do Silêncio, Psicose, Marnie), a ambiguidade sexual (Assassinato, Festim Diabólico, Psicose) e a mãe dominadora (Interlúdio, Psicose, Os Pássaros), elementos que se combinam com naturalidade. A cena na qual Nina tenta estimular seu desejo sexual se masturbando na cama, até perceber, horrorizada, a presença da mãe, que dorme numa poltrona ao lado da cama, combina de maneira soberba tanto o horror quanto o humor negro hitchcockianos.
   E, obviamente, não podemos esquecer aquela que talvez seja a mais reconhecível assinatura de Hitchcock e que tem relação explícita com Cisne Negro: a presença de pássaros para representar perturbação mental, loucura e delírio. Desde Chantagem e Confissão até a obra-prima Os Pássaros, passando inevitavelmente por Psicose, o diretor recorreu ao simbolismo das aves para retratar almas atormentadas e emoções sufocadas. O clímax do filme de Aronofsky também segue a cartilha do Mestre do Suspense em seus desfechos clássicos: a queda fatal, o despencar no abismo, muitas vezes punindo culpados e pecadores. Sabotador, Um Corpo Que Cai e Intriga Internacional são alguns dos filmes de Hitchcock que terminam com pessoas caindo no abismo, como acontece com Nina em Cisne Negro.


O duplo do duplo

   Não tenho a intenção de argumentar que Cisne Negro é um bom filme por ser um apanhado de temas tipicamernte hitchcockianos; o que me interessa observar é que Aronofsky emprega esses símbolos de maneira que dialogam diretamente com o estilo de Hitch. Não são características que encontramos casualmente nos filmes do Mestre do Suspense; são, isso sim, os alicerces de sua maneira de contar histórias. Mesmo os filmes menores do diretor costumam ser discutidos com interesse por apresentarem as mesmas preocupações. Cisne Negro, mesmo com suas imperfeições, também merece suscitar o mesmo tipo de debate, pelo menos para quem acha que vale a pena discutir as muitas possibilidades do horror. (Às vezes tenho a impressão que apenas filmes imperfeitos me interessam, pois são eles que nos revelam o processo humano - portanto fadado a erro - da criação cinematográfica; são eles que nos convidam à discussão, aguçam os sentidos e inflamam opiniões.)
   O tema não é novo - a quem quiser conferir outros bons filmes sobre doppelgänger, recomendo As Irmãs Diabólicas, A Janela Secreta, A Metade Negra e até os brasileiros O Sósia da Morte e Gêmeas - mas o filme de Aronofsky tem brilho próprio por conseguir compor personagens tão cativantes e envolver o público em sua obsessão particular. Num nível mais pessoal, comemoro que um filme denso e sombrio como este se torne tão popular e um papel feminino desses seja tão premiado, pois pode ser a deixa para que o cinema industrial americano invista em mais produções deste estilo e contemple níveis de horror que fujam do óbvio.
   A lição final, inevitável, é que ainda há o que se aprender com o cinema de Hitchcock, algo que fica muito além da visão superficial de imitadores de pirotecnias, maneirismos e finais-surpresa.

domingo, 19 de setembro de 2010

Four O’Clock (1957)


   Episódio de estréia da série de TV Suspicion, exibido originalmente em 30 de setembro de 1957 na rede NBC. Não é dos melhores telefilmes de Hitch, mas é um bom exemplo do estilo de trama dos programas produzidos pelo cineasta ao longo das décadas de 50 e 60. Baixar em AVI com 350 MB.

Bon Voyage e Aventure Malgache (1944)



   Dois curtas-metragens dirigidos por Alfred Hitchcock para o British Ministry of Information (o serviço secreto britânico), a contribuição do cineasta aos esforços de guerra para ajudar os membros da resistência francesa a enfrentar a ocupação nazista. Os filmes foram considerados de moral dúbia e não chegaram a ser exibidos na época, transformando-se nas décadas seguintes em itens de colecionador, até serem resgatados e lançados, inicialmente em VHS e depois em DVD. Baixar Bon Voyage em AVI com 193 MB. Baixar Aventure Malgache em AVI com 207 MB.

sábado, 18 de setembro de 2010

Under Capricorn (1949)


   Talvez o último dos longas estranhos de Hitchcock, este é um filme de época que em quase nenhum momento lembra o estilo consagrado do Mestre do Suspense. Foi o segundo e último filme de sua própria produtora, a Transatlantic Pictures, que encerrou as atividades depois deste fracasso. O filme anterior foi Festim Diabólico (1948), conhecido pelas longas tomadas sem cortes; técnica repetida em muitos momentos deste longa. O filme foi lançado originalmente em setembro de 1949 e chegou ao Brasil com o equivocado título Sob o Signo de Capricórnio (a história se passa na Austrália, país que fica abaixo da linha imaginária do Trópico de Capricórnio; não tem nada a ver com o signo). Baixar em MP4 com 1.3 GB.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Jamaica Inn (1939)


   O último filme inglês de Hitchcock é uma grande decepção, uma bagunça completa; culpa em parte dos exageros de Charles Laughton. O roteiro é baseado num livro de Daphne du Maurier, autora também do romance Rebecca, filmado por Hitch no ano seguinte. Lançado em maio de 1939, foi exibido no Brasil como A Estalagem Maldita. Baixar em MP4 com 1.5 GB.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

The Lady Vanishes (1938)


   O filme mais encantador da fase inglesa de Hitchcock, o exemplar perfeito do suspense sobre trilhos. Obra-prima em todos os detalhes, desde o humor com tempero picante e a trama engenhosamente intrincada até as charmosas miniaturas e maquetes. Lançado em agosto de 1938, foi exibido no Brasil como A Mulher Oculta e mais tarde foi relançado como A Dama Oculta, título pelo qual ficou mais conhecido entre nós. Baixar em MP4 com 1.1 GB.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Young and Innocent (1937)


   Um dos filmes de espionagem menos conhecidos de Hitchcock, talvez pela ausência de astros mais carismáticos e populares. Não está entre suas obras-primas, mas está repleto de boas idéias, especialmente o plano-sequência que revela a identidade do assassino. Lançado em novembro de 1937, foi exibido no Brasil como Jovem e Inocente. Baixar em MPEG com 2.1 GB.

Sabotage (1936)


   Talvez o mais pessimista de todos os filmes britânicos de Hitchcock, com situações que possivelmente o cineasta jamais tivesse a liberdade de realizar em Hollywood. Originalmente lançado em dezembro de 1936, foi exibido no Brasil como O Marido Era o Culpado e posteriormente lançado em vídeo como Sabotagem (não confundir com o estadunidense Sabotador, que Hitchcock dirigiu em 1942). Baixar em MP4 com 1.1 GB.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Secret Agent (1936)


   Um filme estranho, que pega muita gente de surpresa pelo seu pessimismo e por uma aparente falta de temas hitchcockianos; de fato, é uma de suas obras mais fascinantes e que certamente merece revisão. Lançado em maio de 1936, foi exibido no Brasil como Agente Secreto. Baixar em MP4 com 1 GB.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

The 39 Steps (1935)


   Uma das grandes obras-primas da fase britânica de Hitchcock, lançado logo depois de O Homem Que Sabia Demais (1934). Lançado em junho de 1935 e exibido no Brasil como Os 39 Degraus, é baseado no livro homônimo de John Buchan, mas pouco aproveita da fonte original, reinventando toda a trama. O casal protagonista é um dos mais perfeitos da filmografia hitchcockiana, com Madeleine Carroll compondo uma de suas clássicas loiras gélidas. Baixar em MP4 com 861 MB.

domingo, 12 de setembro de 2010

Waltzes from Vienna (1933)


   Um dos mais obscuros filmes dirigidos por Hitchcock, foi o último do cineasta a chegar ao DVD, e ainda assim com lançamento restrito. Estreou nos cinemas em maio de 1933 e nunca foi exibido no Brasil. Conta a história do compositor Johann Strauss e sua inspiração para compor o “Danúbio Azul”. Baixar em MP4 com 711 MB.

Rich and Strange (1932)


   Comédia romântica dirigida por Hitchcock, um de seus filmes mais estranhos e fascinantes, mas injustamente menosprezado e desconhecido pela maioria das pessoas. Lançado originalmente em março de 1932, foi exibido no Brasil como Ricos e Estranhos, inclusive pelo canal pago TeleCine. Baixar em AVI com 696 MB.

sábado, 11 de setembro de 2010

The Skin Game (1931)


   Um dos filmes mais desinteressantes de toda a carreira de Hitchcock, uma tediosa adaptação da peça de John Galsworthy. Lançado em junho de 1931 e inédito no Brasil em todas as mídias. Baixar em AVI com 624 MB.

Murder! (1930)


   Outro exemplar dos primórdios do período sonoro de Hitchcock, não é de seus melhores filmes, mas tem algumas interessantes experiências com som e curiosas metáforas com o mundo do teatro. Estreou originalmente em agosto de 1930 e foi lançado no Brasil como Assassinato. Baixar em AVI com 700 MB.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Blackmail (1929)


   Primeiro longa-metragem sonoro de Hitchcock e uma das obras mais importantes de seu período britânico. Lançado em junho de 1929, foi exibido no Brasil como Chantagem e Confissão e está disponível em DVD nacional. Baixar em AVI com 700 MB.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

The Manxman (1929)


   Último filme mudo realizado por Hitchcock, lançado em janeiro de 1929, protagonizado por Anny Ondra, certamente a mais linda estrela de sua fase inicial. Exibido no Brasil como O Ilhéu e O Homem da Ilha. A atriz a seguir estrelou Chantagem e Confissão, a primeira obra-prima sonora de Hitchcock, porém afastou-se das telas devido ao seu forte sotaque estrangeiro. Baixar em MP4 com 897 MB.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

The Farmer’s Wife (1928)


   Sétimo filme dirigido por Hitchcock, novamente com a estrela Lillian Hall-Davis, desta vez numa comédia romântica singela e tocante. Lançado originalmente em março de 1928, foi exibido no Brasil como A Mulher do Fazendeiro. Baixar em MP4 com 881 MB.

The Ring (1927)


   Sexto longa dirigido por Hitchcock, um dos pontos altos de sua fase muda. Lançado em outubro de 1927, recebeu no Brasil o título O Ringue. Baixar em AVI com 684 MB.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Easy Virtue (1927)


   Quinto longa dirigido por Hitchcock, talvez seja o seu pior filme. É também o que está em pior estado de conservação e o único disponível somente através de lançamentos de distribuidoras independentes. Lançado em agosto de 1927 e exibido no Brasil como Mulher Pública numa mostra sobre a fase muda do cineasta. Baixar em MP4 com 730 MB.

Downhill (1927)


   Quarto filme dirigido por Hitchcock, novamente com o galã Ivor Novello, que estrelara no ano anterior o filme The Lodger. Lançado em maio de 1927, foi exibido no Brasil como Decadência, somente em mostras especiais. Baixar em MP4 com 968 MB.
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