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terça-feira, 27 de abril de 2010

House of Whipcord (1974)

   Apesar de Pete Walker ser um nome ainda pouco familiar mesmo entre alguns aficionados por cinema de horror - praticamente todo texto sobre ele deve vir acompanhado de um parágrafo introdutório - o inglês possui um conjunto de obra interessante e respeitável, tendo sempre buscado novos temas para explorar com seu estilo nada sutil nem tampouco elegante. House of Whipcord (1974), sem exageros, merece ser considerado sua primeira contribuição relevante para o gênero, ainda que o formato narrativo apele para os mais baixos recursos do cinema exploitation, o que o torna desagradável para quem não tem paixão pelos exageros dessa tendência brutal de filmar (se é que alguém liga a mínima para o que as feministas têm a dizer...).
   O filme marca o início da parceria do diretor com dois de seus mais importantes colaboradores. O primeiro desses nomes é o de sua atriz-amuleto, a inigualável Sheila Keith, dona de um dos rostos mais marcantes do cinema de gênero, sempre com expressões intensas, de ódio, rancor, insanidade, demência. Keith tem participação decisiva como a vilã de House of Whipcord e voltaria em outros quatro filmes de horror de Walker. No departamento criativo, é também o começo da contribuição do ex-crítico David McGillivray, que se tornaria um importante aliado na concepção dos peculiares exemplares de horror assinados por Pete Walker.


   McGillivray assumiu o roteiro iniciado por Alfred Shaughnessy - que escrevera The Flesh and Blood Show dois anos antes - sobre uma jovem francesa (interpretada pela encantadora Penny Irving) que trabalha como modelo em Londres e conhece um rapaz misterioso durante uma festa. Ela acha graça no nome dele, Mark E. DeSade, mas não desconfia que está se metendo numa grande enrascada quando aceita o convite do moço para conhecer sua mãe. A visita pretensamente romântica se revela um verdadeiro inferno quando a garota se vê encarcerada num presídio feminino clandestino. A instituição fajuta é dirigida por uma velha sádica obcecada em punir severamente moças que ela considera moralmente condenáveis. As infelizes que vão parar no tal presídio são julgadas sumariamente em bizarros processos comandados por um magistrado cego e senil, que profere sentenças extremas às culpadas; geralmente, condenando-as à forca.
   House of Whipcord combina de maneira exagerada características de filmes sobre presídio feminino com o estilo de horror cruel de Walker, que à esta altura já se revela o tipo de realizador que faz questão que seus protagonistas sofram tanto quanto possível ao longo da projeção. Mesmo apelativo e pouco verossímil, é suficientemente envolvente e dificilmente você não se flagrará torcendo ansiosamente para que a modelo consiga escapar de seus algozes. Uma crítica nada sutil ao conservadorismo e à hipocrisia da censura, o filme “é dedicado àqueles que se incomodam com a falta de códigos morais dos dias de hoje e que ansiosamente aguardam a volta do castigo corporal”, segundo afirma a sarcástica mensagem no início da fita.
   Walker acerta mais uma vez na escolha do elenco feminino, preenchendo o filme com beldades pouco conhecidas, porém nada desagradáveis à vista do espectador. Ann Michelle, que faz o papel de melhor amiga da modelo francesa, lembra um pouco Claudia Cardinale em versão mais jovem, e outras atrizes em papéis breves também surgem para embelezar a tela por alguns instantes.

terça-feira, 13 de abril de 2010

A Mansão da Meia-Noite (1983)

   O último filme dirigido pelo inglês Pete Walker é também o seu longa-metragem mais famoso - e, paradoxalmente, seu maior fracasso comercial. A decepção foi tão grande que a carreira de Walker praticamente se encerrou aí, pondo fim a vários projetos relacionados ao horror que ele anunciara com empolgação numa entrevista para a revista Fangoria de maio de 1983, pouco antes do lançamento de A Mansão da Meia-Noite (House of the Long Shadows).
   O filme é basicamente uma jornada nostálgica pelo horror no estilo old dark house do início do cinema sonoro, repleto de personagens excêntricos se comportando de maneira suspeita e trocando olhares comprometedores. Isso tudo ambientado numa mansão sinistra e sombria, infestada por teias de aranha, numa noite de tempestade... A Mansão da Meia-Noite se tornou objeto de culto por reunir, pela única vez em suas carreiras, os astros Christopher Lee, Peter Cushing, Vincent Price e John Carradine. O elenco conta ainda com Sheila Keith (figura obrigatória na maioria dos filmes do diretor), o insípido Desi Arnaz Jr. (filho do bandleader cubano Desi Arnaz e de Lucille Ball) como protagonista e uma breve aparição de Richard Todd.


   No auge da era dos slashers, A Mansão da Meia-Noite sequer teve oportunidade de ser avaliado na tela grande: em muitos países nem foi exibido nos cinema, indo direto para o home video e para a televisão. Foi assim no Brasil, onde fez relativo sucesso em VHS, lançado pela Globo Vídeo, e teve alguma rotatividade nas madrugadas do canal plim-plim. O filme é baseado no livro Seven Keys to Baldpate (1913), de Earl Derr Biggers, escritor especializado em histórias de mistério e criador do detetive Charlie Chan. O livro já havia sido filmado pelo menos meia dúzia de vezes antes - a versão de 1929 pode ser encontrada perambulando pela internet - e está cheio de todos os deliciosos lugares-comuns do gênero.

   Ao contrário de resenhar o filme, preferi oferecer a vocês este material iconográfico, diretamente dos arquivos do historiador Jaime Palhinha, incluindo uma notinha da revista Manchete e o comentário publicado no jornal O Estado de S.Paulo no dia em que foi exibido pela primeira vez na TV. Nos próximos dias comentarei os demais filmes de Pete Walker, todos num estilo completamente diferente deste seu canto-de-cisne.

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