Dirigido por Sílvio de Abreu em 1981, antes de ele se tornar um noveleiro de mão cheia, Mulher Objeto é um drama de suspense que reforça o conceito de que o cinema popular brasileiro exige urgente revisão, em especial o subgênero conhecido como pornochanchada, que na cabeça da maioria das pessoas ainda é sinônimo de comédia erótica apelativa.
Enfileirando referências que passam por obras hitchcockianas como Marnie, Psicose e Os Pássaros, o filme é protagonizado por Helena Ramos - num impressionante tour-de-force - no papel de uma bela porém problemática mulher, traumatizada na infância, que não consegue fazer sexo com o marido (Nuno Leal Maia), mas fica excitada a todo momento, nas situações mais banais, atormentada por pesadelos eróticos nos quais é possuída por outros homens.
Mais um filme para engordar a lista de obras nacionais que flertam com o horror psicológico, é um tanto longo demais, com duras horas de duração, porém destaca algumas sequências de flashback bem encenadas e um teor erótico bastante ousado. No vídeo acima, Ivan Cardoso recomenda o filme com sua indefectível empolgação.
