CRÍTICAS, ANÁLISES, IDÉIAS E FILOSOFIAS EM GERAL A RESPEITO DE FILMES DE HORROR DE TODAS AS ÉPOCAS, NACIONALIDADES E ESTILOS, E MUITAS OUTRAS COISAS RELACIONADAS AO GÊNERO

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sexta-feira, 12 de março de 2010

Experiments in the Revival of Organisms (1940)


   Depois de todo o rebuliço causado pelo curta-metragem Juvenília entre os amantes de cachorros que visitam este blog, aqui está algo para realmente aguçar a militância no combate à crueldade contra animais, principalmente os pobrezinhos que são cortados, perfurados e cutucados em laboratórios científicos. O filme Experiments in the Revival of Organisms (1940) é um pseudocumentário curto realizado na União Soviética em fins da década de 1930, registrando as assombrosas façanhas da equipe liderada pelo Dr. S.S. Bryukhonenko no Instituto Experimental de Fisiologia e Terapia, em Voronezh, na tentativa de reviver organismos mortos. Bryukhonenko, o arquétipo irretocável do ‘cientista louco’, conduz experiências grotescas com cachorros, extraindo seus órgãos vitais (coração e pulmão) e os mantendo funcionando fora do corpo. A cena mais impressionante (e, por extensão, a mais desagradável e repulsiva) é a da cabeça decapitada de um cãozinho que é mantida viva por algumas horas por meio de um complexo maquinário. O derradeiro experimento mostra um cachorro sendo ressuscitado depois de ficar morto durante dez minutos, quando todo o sangue que foi retirado de seu corpo é novamente injetado em seu organismo por meio de uma engenhoca batizada de Sistema Artificial de Circulação de Sangue.
   Falando estritamente em termos cinemáticos (que é o que realmente importa aqui), este bizarro filme de propaganda comunista é um tesouro proibido nos anais dos filmes de horror e ficção cietífica, tendo provavelmente servido de inspiração para obras cultuadas como The Brain That Wouldn’t Die, Donovan’s Brain, The Frozen Dead e tantas outras sobre cientistas que tentam reviver cérebros, cabeças e membros emputados. Comprova, acima de tudo, que os cientistas loucos da ficção ainda ficam devendo aos seus colegas do mundo real.
   Prefiro não discutir mais detalhadamente a autenticidade, veracidade ou mesmo a validade do filme como documento científico, mas é flagrante o quanto ele borra os limites entre documentário, propaganda e ficção científica. O filme é repleto de cenas perturbadoras, cruéis e até doentias; o próprio ambiente do laboratório é assustador, com cientistas de aparência sinistra. A Medicina moderna contradiz muitas das ‘façanhas’ apresentadas no filme: como seria possível, por exemplo, o cérebro do cãozinho não sofrer nenhum dano grave depois de ficar dez minutos sem oxigenação?
   O documentário, em sua versão americanizada, é apresentado pelo Prof. J.B.S. Haldane, que afirma ter sido testemunha dos experimentos retratados no filme, tornando a farsa ainda mais complexa e preocupante, demonstrando na prática o poder de manipulação que as autoridades enxergavam no cinema. O epílogo é de um absurdo ridículo, no clima de “tudo fica bem quando acaba bem”, e é impressionante que alguém acreditasse na veracidade dessas proezas mesmo naquela época.
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