Atendendo a uma sugestão do Blob, decidi deixar registrada aqui uma modesta homenagem ao Lorde Byron (1788-1824) neste ciclo vampírico. Qualquer pessoa que tenha um mínimo de interesse em cultura macabra inevitavelmente se apaixona pela figura de Byron, por tudo que ele representa e pela turminha barra-pesada que o acompanhava em suas noitadas. Para ficar apenas no básico, Byron e seus amigos praticamente inventaram a literatura fantástica depois de uma noite de farra na Villa Diodati, em Genebra (Suíça), em 1816, quando um desafio entre colegas poetas resultou em Frankenstein, de Mary Shelley, e The Vampyre, de John Polidori.
O processo de criação da seminal história de vampiro de John William Polidori (1795-1821) - fruto de uma espécie de concurso sobre qual deles era capaz de escrever a história mais assustadora - é um dos episódios mais fascinantes do mundo literário, repetido à exaustão em qualquer compêndio acerca da gênese do horror e da ficção científica nas letras. Existem pelo menos três interessantes filmes sobre o período de orgias e caos criativo em Villa Diodati: Gótico (1986), de Ken Russell, Primeiro Verão de Amor (1988), de Ivan Passer, e Remando ao Vento (1988), de Gonzalo Suárez. O prólogo de A Noiva de Frankenstein (1935) também faz uma simpática menção ao evento, que ainda inspirou Frankenstein, o Monstro das Trevas (1990), de Roger Corman.
A criação vampírica de Polidori, entretanto, não ficou imortalizada por algum possível valor literário, mas por sua autoria ter sido erroneamente atribuída ao próprio Lorde Byron quando da publicação original. Ficaram igualmente famosas as espinafradas que Byron desferiu no amigo por meio de cartas enviadas a revistas, não apenas desmentindo ser o autor do conto, mas também desmerecendo qualquer valor artístico na obra. O conto teria sido escrito por Polidori a partir de um rascunho de Byron. De qualquer maneira, o tempo se encarregou de enaltecer a importância de The Vampyre, considerado um dos primeiros trabalhos em língua inglesa sobre o tema, e muitos enxergam inequívocos traços byronianos no desmorto protagonista da narrativa, Lorde Ruthven.
Quem quiser guardar na coleção essa raridade, pode baixar um facsímile da edição original de The Vampyre, de 1819, clicando aqui (botão direito do mouse, ‘salvar destino como’, vocês sabem). Observem no frontispício reproduzido acima (o qual não traz o nome de Polidori) a anotação manuscrita “by Lord Byron”, condenando o poeta maior a assinar pela eternidade uma obra que renegara em vida.
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