CRÍTICAS, ANÁLISES, IDÉIAS E FILOSOFIAS EM GERAL A RESPEITO DE FILMES DE HORROR DE TODAS AS ÉPOCAS, NACIONALIDADES E ESTILOS, E MUITAS OUTRAS COISAS RELACIONADAS AO GÊNERO

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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Trovão da Montanha (2010)


   Quem me deu a dica deste curta-vídeo-musical foi o próprio montador da peça, Paulo Sacramento, uma visita sempre querida e mais do que bem-vinda a este blog. Trata-se de mais uma peripécia de Ivan Cardoso, que continua com sua verve irônica, promovendo parcerias impossíveis, desta vez unindo Mr. Robert Zimmermann com o imortal Vincent Price. O resultado é bastante divertido, casando o rock mais básico com o horror camp da banda mecânica comandada pelo indefectível Dr. Anton Phibes tocando seu órgão. Quem provavelmente vai delirar com esse encontro imaginário é minha amadinha Bia, fãzoca de ambos, Dylan e Price. Quanto ao Sacramento, tive o imenso prazer de ver muito recentemente a excelente entrevista que ele concedeu ao programa Sala de Cinema, da SESC TV, um cara que só faz bem ao cinema brasileiro e por quem tenho cada vez mais admiração e respeito.

terça-feira, 13 de abril de 2010

A Mansão da Meia-Noite (1983)

   O último filme dirigido pelo inglês Pete Walker é também o seu longa-metragem mais famoso - e, paradoxalmente, seu maior fracasso comercial. A decepção foi tão grande que a carreira de Walker praticamente se encerrou aí, pondo fim a vários projetos relacionados ao horror que ele anunciara com empolgação numa entrevista para a revista Fangoria de maio de 1983, pouco antes do lançamento de A Mansão da Meia-Noite (House of the Long Shadows).
   O filme é basicamente uma jornada nostálgica pelo horror no estilo old dark house do início do cinema sonoro, repleto de personagens excêntricos se comportando de maneira suspeita e trocando olhares comprometedores. Isso tudo ambientado numa mansão sinistra e sombria, infestada por teias de aranha, numa noite de tempestade... A Mansão da Meia-Noite se tornou objeto de culto por reunir, pela única vez em suas carreiras, os astros Christopher Lee, Peter Cushing, Vincent Price e John Carradine. O elenco conta ainda com Sheila Keith (figura obrigatória na maioria dos filmes do diretor), o insípido Desi Arnaz Jr. (filho do bandleader cubano Desi Arnaz e de Lucille Ball) como protagonista e uma breve aparição de Richard Todd.


   No auge da era dos slashers, A Mansão da Meia-Noite sequer teve oportunidade de ser avaliado na tela grande: em muitos países nem foi exibido nos cinema, indo direto para o home video e para a televisão. Foi assim no Brasil, onde fez relativo sucesso em VHS, lançado pela Globo Vídeo, e teve alguma rotatividade nas madrugadas do canal plim-plim. O filme é baseado no livro Seven Keys to Baldpate (1913), de Earl Derr Biggers, escritor especializado em histórias de mistério e criador do detetive Charlie Chan. O livro já havia sido filmado pelo menos meia dúzia de vezes antes - a versão de 1929 pode ser encontrada perambulando pela internet - e está cheio de todos os deliciosos lugares-comuns do gênero.

   Ao contrário de resenhar o filme, preferi oferecer a vocês este material iconográfico, diretamente dos arquivos do historiador Jaime Palhinha, incluindo uma notinha da revista Manchete e o comentário publicado no jornal O Estado de S.Paulo no dia em que foi exibido pela primeira vez na TV. Nos próximos dias comentarei os demais filmes de Pete Walker, todos num estilo completamente diferente deste seu canto-de-cisne.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Mystery! (1984-1988)


   O programa Mystery!, exibido no canal PBS - espécie de TV Educativa dos ianques - foi criado em 1980 para levar ao espectador estadunidense histórias de crime, mistério e suspense importadas da televisão britânica, incluindo contos clássicos de detetive adaptados da obra de Agatha Christie e Arthur Conan Doyle. Isso seria mais do que o suficiente para que a série fosse um grande sucesso, porém muitos outros detalhes a transformaram num autêntico clássico da telinha.
   Os créditos de abertura foram criados por ninguém menos do que o ilustrador Edward Gorey, célebre por seus desenhos mórbidos e macabros, mas ao mesmo tempo charmosos, engraçados e encantadores. Quem acha Tim Burton ‘gênio’ ou mesmo original com seu horror liberado para menores precisa conhecer melhor a obra de Gorey. Quem se interessar em saber mais sobre ele, tem uma ótima entrevista com o ilustrador - já falecido - no site da PBS, na qual Gorey rejeita sua relação com o horror, comparado ao cartunista Charles Addams ou mesmo com Stephen King. Derek Lamb, o animador responsável pela abertura do programa, conta sua relação com Gorey neste ótimo depoimento, no qual revela os bastidores da criação.
   Durante algumas temporadas, Mystery! exibiu episódios das séries protagonziadas pelo britânico Jeremy Brett como o detetive Sherlock Holmes, produzidas pela TV inglesa Granada. Brett é considerado por muita gente como o melhor intérprete do personagem criado por Conan Doyle, e estas adaptações das histórias originais do escritor estão entre as mais fiéis já realizadas (não tenho certeza se essas séries chegaram à TV brasileira, mas algumas histórias foram lançadas em VHS por aqui). A primeira série foi The Adventures of Sherlock Holmes (1984-1985), com 13 episódios, seguida por The Return of Sherlock Holmes (1986-1988), com 11 episódios, e ainda os longas The Sign of Four (1987) e The Hound of the Baskervilles (1988). Todas foram exibidas no programa Mystery! Brett seguiu interpretando o famoso detetive em séries curtas (The Case-Book of Sherlock Holmes e The Memoirs of Sherlock Holmes) até sua prematura morte em 1995, vitimado por um ataque cardíaco.
   O anfitrião responsável por introduzir estes episódios na antologia da PBS não poderia ser mais adequado: o veterano Vincent Price, ainda carismático e fascinante mesmo septuagenário, mantendo sua postura aristocrática dos áureos tempos. Selecionei nesta postagem as aberturas de todos os episódios apresentados por Price, uma valiosa coleção para quem cultua este ícone do horror. Nas temporadas seguintes do programa, Price foi sucedido pela maravilhosa Diana Rigg, que assumiu o posto de anfitriã.
   A combinação precisa entre a graça de Gorey, a imponência de Price, a dignidade de Brett e o brilhantismo de Conan Doyle, reunidos num único programa, é um daqueles momentos em que acreditamos que, sim, às vezes as coisas podem ser perfeitas.

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