CRÍTICAS, ANÁLISES, IDÉIAS E FILOSOFIAS EM GERAL A RESPEITO DE FILMES DE HORROR DE TODAS AS ÉPOCAS, NACIONALIDADES E ESTILOS, E MUITAS OUTRAS COISAS RELACIONADAS AO GÊNERO

Mostrando postagens com marcador John Carradine. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador John Carradine. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 13 de abril de 2010

A Mansão da Meia-Noite (1983)

   O último filme dirigido pelo inglês Pete Walker é também o seu longa-metragem mais famoso - e, paradoxalmente, seu maior fracasso comercial. A decepção foi tão grande que a carreira de Walker praticamente se encerrou aí, pondo fim a vários projetos relacionados ao horror que ele anunciara com empolgação numa entrevista para a revista Fangoria de maio de 1983, pouco antes do lançamento de A Mansão da Meia-Noite (House of the Long Shadows).
   O filme é basicamente uma jornada nostálgica pelo horror no estilo old dark house do início do cinema sonoro, repleto de personagens excêntricos se comportando de maneira suspeita e trocando olhares comprometedores. Isso tudo ambientado numa mansão sinistra e sombria, infestada por teias de aranha, numa noite de tempestade... A Mansão da Meia-Noite se tornou objeto de culto por reunir, pela única vez em suas carreiras, os astros Christopher Lee, Peter Cushing, Vincent Price e John Carradine. O elenco conta ainda com Sheila Keith (figura obrigatória na maioria dos filmes do diretor), o insípido Desi Arnaz Jr. (filho do bandleader cubano Desi Arnaz e de Lucille Ball) como protagonista e uma breve aparição de Richard Todd.


   No auge da era dos slashers, A Mansão da Meia-Noite sequer teve oportunidade de ser avaliado na tela grande: em muitos países nem foi exibido nos cinema, indo direto para o home video e para a televisão. Foi assim no Brasil, onde fez relativo sucesso em VHS, lançado pela Globo Vídeo, e teve alguma rotatividade nas madrugadas do canal plim-plim. O filme é baseado no livro Seven Keys to Baldpate (1913), de Earl Derr Biggers, escritor especializado em histórias de mistério e criador do detetive Charlie Chan. O livro já havia sido filmado pelo menos meia dúzia de vezes antes - a versão de 1929 pode ser encontrada perambulando pela internet - e está cheio de todos os deliciosos lugares-comuns do gênero.

   Ao contrário de resenhar o filme, preferi oferecer a vocês este material iconográfico, diretamente dos arquivos do historiador Jaime Palhinha, incluindo uma notinha da revista Manchete e o comentário publicado no jornal O Estado de S.Paulo no dia em que foi exibido pela primeira vez na TV. Nos próximos dias comentarei os demais filmes de Pete Walker, todos num estilo completamente diferente deste seu canto-de-cisne.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

O Casarão da Morte Negra (1966)



   Fiquei devendo o comentário de mais um filme do Lon Chaney Jr., e mesmo que ninguém tenha cobrado, vou cumprir a promessa. Eu ia rever o mexicano La Casa del Terror (1960), um dos muitos filmes ruins de Lon Jr., mas decidi ver este raríssimo House of the Black Death (1966), exibido na TV brasileira como O Casarão da Morte Negra. Lon sem dúvida merece muito seu lugar entre os grandes nomes do cinema de horror, mas sua vida e carreira são um tanto trágicas demais. Depois do brilhareco efêmero como o lobisomem Lawrence Talbot nos filmes da Universal na década de 1940 e os exemplares da deliciosa cinessérie Inner Sanctum, sua carreira foi ladeira abaixo a partir do começo dos anos 1950. Chaney se tornou alcóolatra - alguns dizem que ele pegou gosto pela bebida durante as intermináveis sessões de maquiagem que tinha que enfrentar para virar monstro - e não são raras as ocasiões em que ele parece bêbado em cena. Um exemplo clássico disso é sua famigerada atuação na versão para a TV de Frankenstein.
   O satanismo estava em alta quando O Casarão da Morte Negra foi realizado, mas isso não quer dizer que qualquer dos envolvidos necessariamente saiba o que está fazendo. Muito pelo contrário; é o tipo mais cafona de satanismo, com discípulos encapuzados e sacerdotisas clamando “Oh, Satanus!” com toda a pompa durante patéticos rituais de magia negra. Diante do desastre iminente, só nos resta curtir a desavergonhada exploração de belas senhoritas em danças sensuais. Nisso o filme acerta em cheio, e se hoje O Casarão da Morte Negra é uma espécie de cult movie, isso se deve muito mais à dança exótica da britânica Sabrina do que pelas presenças de Lon Chaney Jr. e John Carradine. Confira no vídeo abaixo o que o filme tem de melhor a oferecer.


   A produção é de uma miséria flagrante e aparentemente o filme ficou engavetado até 1975, quando foi exibido na televisão estadunidense. O desempenho dos dois grandes veteranos do horror - que nunca aparecem em cena juntos - é risível mesmo em comparação ao baixo padrão que já haviam estabelecido à essa altura de suas respectivas carreiras. Lon Chaney Jr. ostenta uma barriga indecente e um ridículo par de chifres diabólicos, no papel de Belial DeSade, o líder dos satanistas, protagonizando os momentos mais constrangedores. John Carradine, surpreendentemente contido, é pouco aproveitado, o que lhe poupa de um bocado de embaraços. A trama é sobre um casal de doutores que chega a um vilarejo assolado por adoradores de Satã, onde o clássico confronto entre razão e superstição se interpõe às mortes misteriosas que ocorrem na região, atribuídas a um lobisomem. Maldições de família e um duelo entre feiticeiros rivais também são jogados no caldeirão desta indigesta produção de baixa qualidade.
   Harold Daniels, realizador de carreira modesta, é o único diretor creditado, mas Reginald Le Borg e Jerry Warren (este sim, indubitavelmente, é o pior cineasta do mundo) também contribuiram com algumas cenas. O resultado final é uma colcha de retalhos que nunca convence, misturando indiscriminadamente lobisomens e culto satânico. Resumindo, uma confusão dos diabos!
Related Posts with Thumbnails

Canal Cine Monstro Rock Horror Show!!